Foto reprodução
Fazer um diagnóstico de Jeremoabo é
descrever décadas de desmandos administrativos e má gestão da coisa pública.
Falar do presente é relatar sobre
dias negros de uma gestão alicerçada pelo caos administrativo e total
desgoverno.
Agora, fazer um prognóstico para o
amanhã de Jeremoabo é necessário muito mais do que conhecimento científico,
será necessário vidência, tarô, Búzios e outras bugigangas mais da crendice
popular.
Tenho parado para pensar e buscar
entender se apenas eu enxergo tantos desmandos cometidos contra a coisa
pública, mas logo, quando diante de alguns conterrâneos e em diálogo com esses,
percebo que a cegueira é algo cultural, é o calar por conveniência fundamentada
no interesse próprio, na esperança do se dar bem em algum momento vindouro.
Essa percepção me põe no limite da
esperança de que ainda é possível haver mudanças para melhor. Que embora
continue acreditando nessa possibilidade me vejo forçosamente tendencioso a
aceitar que estamos condenados ao fracasso, não que seja um pessimista, mas por
entender que a atual sociedade não quer mudar, que a juventude do hoje, prefere
herdar as mazelas vivenciadas em seu dia a dia, a abrir a mente para a
necessidade de se ter um amanhã melhor.
Daí analiso que se o pai não muda e
o filho prefere seguir aos pais, mesmo tendo consciência da evolução que
circula fora da caixa, prefere nessa
se trancar a aceitar que no momento vivido a realidade já outra.
Essa visão e consciência de aceitar
o que lhe é imposto, principalmente a ideia de que manda quem está no Poder,
pode ser exemplificada no que temos vivenciado em nossa cidade, pois basta
olhar a foto com “alguns” professores protestando em frente à Prefeitura de
nossa cidade, reivindicando o 13º salário, que se registre: um direito
constitucional.
A coragem dos poucos que ali se fizeram
presentes é elogiável, mas a quantidade, quando comparada ao total da classe,
pode-se dizer que a própria classe envergonha a si mesma, seja pela ausência de
unidade seja pela conivência de parte dessa mesma classe, com os desmandos
administrativos da atualidade, concretiza-se como verdade que considerável
parte não aprendeu a lutar por seus direitos, por conseguinte, põe-se em dúvida
a possibilidade de estarem qualificados para formarem cidadãos conscientes e
críticos, como exige e tem por finalidade a escola e o mundo atual.
Não se espera que um professor seja
educador, pois educar ainda é uma tarefa dos pais, quando preparam seus filhos
para uma boa convivência em sociedade, através de suas regras e onde se discute
moral e caráter, conceitos estes que se afastaram da escola a bastante tempo,
já que hoje, mal se obtém o mínimo dos ensinamentos disciplinares
pré-programados.
Essa ausência de defesa e
responsabilidade com o seu EU vai muito além do já citado, está disseminada em
todas as camadas sociais e classes trabalhadores, não raro, percebe-se nas
redes sociais as manifestações de apoio aos erros cometidos, sobre os quais me
pergunto: será por ignorância do não saber o que diz ou será uma cegueira por
conveniência própria, com vistas a obter resultado futuro, através de algumas
migalhas que possam lhe cair aos pés?
Como já dito em tantos outros
momentos, todo Gestor Público que se alicerça com os ensinamentos dos
puxas-sacos, embarca em jato fretado para as portas do xadrez, pois todo bajulador,
por natureza é covarde, não tem coragem de dizer o que realmente enxerga,
prefere mentir para manter-se à sombra do apadrinhamento e até o dia que der
certo.
É preciso ainda lembrar que quando
uma assessoria diz para o gestor que má gestão pública não dá em nada, que
despreza a capacidade da Justiça em punir os responsáveis, ela extrapola o uso
do bom senso e se torna nociva a quem a ouve.
Enquanto não houver unidade para reivindicar seus direitos vão apanhar
com a obrigação de estarem rindo de si mesmo!
O ser humano é uma máquina com
programação própria e capacidade para se adaptar às mudanças de cada momento,
no entanto, tem o seu lado frágil que é estar sempre sujeita a ser influenciada
por atos alheios à sua vontade e suas necessidades, quando por comodismo ou
subserviência ao manipulador, adapta-se sem fazer uma análise crítica do que
ouve ou obedece.
J.
M. VARJÃO – 12/2018
Nota da redação deste Blog - Quando fala-se da corrupção, da politicagem, da omissão e subserviência do povo, até Papai Noel chora de decepção e vergonha.