Escrito por Ricardo Maranhão
Leio, em um mesmo dia, as manchetes do mais importante jornal carioca: "Juíza investigada pela polícia federal, por corrupção, é promovida em decisão do TRF, aprovada por unanimidade: 19 votos a zero"; "Diretor do senado, demitido, ainda ganha homenagem"; "Ex-presidente ganha comissão e petista protesta".
Leio e faço reflexões. No regime democrático, a juíza promovida, embora investigada pela Polícia Federal, tem a presunção da inocência. A Constituição Federal lhe garante ampla defesa, o contraditório. Não obstante, presunção não é certeza. Certamente teria sido mais correto, mais ético, mais digno, que o Tribunal Regional Federal de Brasília aguardasse a conclusão das investigações, para, inocentada a juíza, promovê-la.
A homenagem dos mais de 250 servidores do Senado federal ao diretor da Casa, afastado por denúncia sobre a propriedade de um imóvel, avaliado em cinco milhões de reais, não declarado ao fisco, antes de ser um desagravo, é um ato precipitado, com conotação de corporativismo ou de retribuição às atenções e favores recebidos do demitido durante sua longa gestão.
A conquista da Comissão de Infra-estrutura, responsável pelos investimentos de bilhões de reais do PAC, pelo ex-presidente que teve cassado os direitos políticos, por atos de improbidade administrativa, também tem um triste significado. Ela evidencia a força e o poder de articulação de grupos que dominaram o Senado Federal, comandados pelo atual e pelo ex-presidente da Casa, este último também afastado, após denúncias de que recebia favores de empreiteiros.
O que têm em comum os fatos descritos nas manchetes? Para mim refletem o clima de indiferença e cinismo que está tomando conta de nosso país.
Os atos de improbidade, as falcatruas e negociatas promovidas pelas elites, política e empresarial, se amiúdam, estão se tornando tão freqüentes, tão corriqueiros, que passam a compor o cotidiano nacional. Os cidadãos tomam conhecimento dos mesmos e da impunidade reinante. O tempo passa e os homens e mulheres de bem do Brasil parecem dominados pelo conformismo, pelo ceticismo, pela descrença nas instituições. Estamos ficando indiferentes diante de tantos descalabros. Se a capacidade de indignar-se ainda existe, a indignação não se manifesta mais. Silenciosa, dá aos delinqüentes a impressão de anuência ou mesmo de cumplicidade.
Apesar de tudo continuo sonhando com um Brasil combativo, intolerante com a falta de ética, atento na preservação de valores que são caros para a maioria esmagadora de nosso povo. Queremos ética, dignidade, espírito público e patriotismo. Na vida pública e na atividade empresarial. Tudo isto se conquista com o efetivo exercício da cidadania.
Ricardo Maranhão, engenheiro, ex-deputado federal, é conselheiro do Clube de Engenharia do Rio de Janeiro.
Fonte: Correio da Cidadania
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