BRASÍLIA - O senador Pedro Simon (PMDB-RS) foi pivô de uma manobra que assegurou ao governo um voto a mais na votação pela prorrogação da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF) na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) no Senado. Foi apurado que a substituição de Simon pelo líder do PMDB na Casa, Valdir Raupp (RO), na CCJ, foi um jogo combinado.
O senador do PMDB do Rio Grande do Sul pediu para ser substituído, temporariamente, na CCJ. Em conversas com os líderes do partido, Simon alegou que não poderia votar pela aprovação da CPMF - ao deixar a Comissão, ele fez o papel de vítima de uma manobra do rolo compressor da administração federal, mas permitiu, na prática, que o Poder Executivo o substituísse por um voto certo a favor da CPMF.
O afastamento de Simon foi cobrado na CCJ pelo líder do PSDB na Casa, Arthur Virgílio (AM), que não aceitou as explicações de Raupp, de que ele alegara que estava "em dúvida" sobre o futuro da contribuição. "Não acredito que um homem que foi ministro da Agricultura e é senador há 500 anos não tenha opinião clara sobre a CPMF", alegou Virgílio.
O gabinete de Simon divulgou a versão que ele tinha sido forçado a deixar a Comissão, em represália à suposta intenção de votar contra o imposto. Ninguém explicou por que também não houve a troca do senador Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE), que, em nenhum momento, deixou dúvidas sobre a posição contrária ao tributo. Simon não foi encontrado para explicar a posição.
Pouco depois da cobrança no plenário da CCJ, o líder do PSDB no Senado leu uma nota em que o senador do PMDB prestava esclarecimentos "diante de informações e versões desencontradas sobre o episódio da minha substituição na CCJ". Simon afirmou no comunicado que, tendo informado aos líderes que votaria contra a permanência do imposto, foi avisado de que a bancada do PMDB "decidira votar favorável e substituir quem se declarasse contra".
O senador disse ainda que se posicionará contra a proposta de prorrogar a CPMF "quando da votação definitiva no plenário do Senado". O balanço político da manobra foi este: Simon permitiu o voto favorável à CPMF no plenário da CCJ
Fonte: Tribuna da Imprensa
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