sábado, novembro 17, 2007

Estudo levanta desperdício de água nas 27 capitais

SÃO PAULO - Quase metade da água produzida para abastecimento nas capitais brasileiras é desperdiçada antes de chegar às torneiras do consumidor. Os vazamentos na rede de distribuição das 27 capitais são responsáveis pela perda de 45% - 6,14 milhões de litros - da água retirada todos os dias dos mananciais que abastecem mais de 43 milhões de pessoas que moram nessas cidades. A água perdida diariamente nas capitais seria suficiente para abastecer 38 milhões de pessoas por dia.
Esses números integram o estudo "Abastecimento de Água e Esgotamento Sanitário nas Capitais Brasileiras", do Instituto Socioambiental (ISA), baseado em dados do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS), do Ministério das Cidades. A nova versão do levantamento será divulgada no dia 21 de novembro.
A campeã nacional de desperdício é Porto Velho, com 78,8% de perda. A capital de Rondônia também é o município com menor cobertura de água, onde apenas uma pequena parcela da população tem acesso a esse serviço. Brasília, com 27,3%, e São Paulo, com 30,8%, são as que menos desperdiçam. Os moradores de Manaus são os que mais pagam pelo litro de água tratada: R$ 2,15. No outro extremo, está a população de Boa Vista: R$ 1,11.
Das 27 capitais brasileiras, apenas seis - Goiânia, Palmas, Salvador, São Luís, Vitória e Belo Horizonte - atendem à totalidade de sua população com rede de distribuição de água. Já as piores são Macapá (58,5%), Rio Branco (56,2%) e Porto Velho (30,6%). Paulistanos, cariocas e capixabas são aqueles que apresentam os maiores consumos, com mais de 220 litros, em média, por habitante/dia. A Organização das Nações Unidas (ONU) recomenda 110 litros.
Vital para o meio ambiente e para a saúde, a destinação dos esgotos no Brasil está muito longe de ser adequada. Mais da metade da população não conta sequer com redes para coleta e 80% dos esgotos gerados são lançados diretamente em rios e mananciais, sem nenhum tipo de tratamento. Cerca de 30% da população residente nas capitais brasileiras - por volta de 13 milhões de pessoas - não tem acesso à rede de coleta de esgotos. Em Porto Velho, apenas 2,2% dos moradores são atendidos por esse tipo de infra-estrutura. Na maior cidade do País, São Paulo, 86% - 9,3 milhões dos 10,8 milhões de habitantes - têm esgotos coletados.
A situação piora quando se compara a quantidade dos esgotos produzidos e coletados com o que é tratado. Menos da metade dos residentes nas capitais tem seu esgoto filtrado em estações de tratamento. Menos de 3% da população de Manaus, Belém e Rio Branco tem seus dejetos tratados. Já Curitiba, Rio e Brasília apresentam os melhores índices, com mais de 60% da população atendida por tratamento de esgotos. Em São Paulo, apenas 58,9% dos paulistanos são beneficiados por esse serviço.
Fonte: Tribuna da Imprensa

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