SÃO PAULO - O ministro das Comunicações, Hélio Costa, se diz bravo com a indústria de eletroeletrônicos. Ele chegou a anunciar no ano passado que a caixa conversora de TV aberta digital, também chamada set-top box, custaria de R$ 80 a R$ 100, podendo chegar a R$ 30. A pouco mais de duas semanas da estréia das transmissões digitais, os equipamentos mais baratos que apareceram até agora custam R$ 799. Nos últimos dias, ele chegou a ameaçar os fabricantes com a criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) e com a liberação das importações.
O conversor, que se parece com o decodificador da TV paga, permite receber o sinal digital de televisão aberta, que começará a ser transmitido em 2 de dezembro em São Paulo, e assisti-lo nos aparelhos atuais. Alguns modelos possuem saída analógica, para ser ligada nos televisores de tubo, e outros digitais, para os aparelhos de plasma e cristal líquido. Quem não quiser investir agora, não precisa se preocupar: o sinal analógico continuará a ser transmitido pelo menos até 2016. Para quem tem TV paga, nada muda em 2 de dezembro.
Segundo Thierry Tingaud, vice-presidente da STMicroelectronics, fornecedora de chips para os conversores, devem ser vendidas de 500 mil a 1 milhão de unidades no País durante próximo ano. "Existe uma grande oportunidade no Brasil", afirmou o executivo. A Gradiente, que vai usar os chips fornecidos pela ST, anunciou esta semana um conversor digital a R$ 799, que deve chegar ao mercado na próxima semana.
Na próxima semana, a Semp Toshiba anuncia dois modelos de conversores, um sem saída digital a R$ 799 e outro com saída digital a R$ 1.090. A Sony anunciou um receptor, para ser usado com sua linha de televisores de alta definição, a R$ 999. A LG e a Samsung decidiram ficar fora do mercado de conversores, pelo menos no início, e vão vender somente aparelhos com o receptor integrado.
Nipo-brasileiro
O sistema de TV digital brasileiro tem como base o padrão japonês, chamada ISDB-T, como foi definido no ano passado. Ele incorpora, no entanto, um sistema de compressão de vídeo mais avançada, chamada MPEG-4. O sistema japonês usa o MPEG-2. A ST criou uma plataforma para o conversor, que inclui outros componentes além do conjunto de chips, em um ano. O MPEG-4 é um sistema mais novo que o MPEG-2 e é usado principalmente por empresas de TV por assinatura ao redor do mundo. "O Brasil vai sair na frente de outros países com o uso do MPEG-4 na TV aberta", disse Tingaud.
O MPEG-4 é uma tecnologia mais eficiente de compressão de vídeo, que faz com que o sinal ocupe menos capacidade de transmissão, sem perder a qualidade. Por causa dessa mudança, não teria como importar conversores disponíveis em outros mercados para serem usados no Brasil. Nem mesmo os televisores japoneses funcionariam. Com isso, a ameaça do ministro de abrir o mercado não bate com tanta força na indústria.
O MPEG-4 é uma tecnologia internacional. A única coisa genuinamente brasileira no sistema brasileiro de TV digital é o Ginga, software de interatividade desenvolvido por pesquisadores da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro e da Universidade Federal da Paraíba. Os conversores anunciados até agora virão sem o Ginga. A interatividade permite serviços parecidos com os da internet, como navegação por meio de menus, questionários e pesquisas em tempo real e até compras. Não será possível fazer isso nos produtos anunciados até agora.
A Sony informou que seu receptor está preparado para receber o Ginga, e o software será instalado no ano que vem, para quem comprar agora. A ST informou que trabalha com pesquisadores da Paraíba para adaptar o Ginga ao seu equipamento. "Teremos uma oferta completa de hardware e software para nossos clientes", disse Ricardo Tortorella, diretor de Vendas e Marketing para a América do Sul da ST.
Sem o Ginga, o principal atrativo da TV digital, pelo menos no começo, será a alta definição. A imagem em alta definição é melhor que a do DVD. A imagem dos televisores atuais são formadas por 480 linhas. Nos aparelhos de alta definição, as imagens têm 1.080 linhas de resolução.
Fonte: Tribuna da Imprensa
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