Por Gabriel Manzano Filho, n’O Estado de S. Paulo deste domingo: “Vazamento, definem os dicionários Aurélio e Houaiss, é um "ato ou efeito de vazar", escoamento, vazão e vale também para a divulgação indevida de uma notícia. Na semana passada, passou a significar também algo bem mais grave: violação de sigilo. Fez dobradinha com "afastamento voluntário", que substituiu "demissão". Assim os assessores do Ministério da Fazenda puderam informar que "em virtude de um vazamento, ocorreu na segunda-feira o afastamento voluntário do ministro". Escondiam-se, por trás dessa frase vaga, quase inocente, um dos mais graves crimes praticados pelo governo contra um cidadão (a divulgação do extrato bancário do caseiro Francenildo dos Santos Costa) e a demissão do ministro Antonio Palocci, aceita pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. As duas invenções vieram enriquecer o manual de preservação da pureza ideológica com que o PT procura manter sua imagem, sua inocência, sua militância e seus objetivos. É um rico anedotário de fórmulas vagas, propositadamente fluidas, destinadas a enfeitar, esconder ou negar as feiúras da ação política. (...) Uma descoberta inesquecível desse manual foram os "recursos não contabilizados", invenção apresentada ao País em 2005 pelo então tesoureiro petista Delúbio Soares. Ele não podia dizer "roubo", que é crime de improbidade, nem "caixa 2", que é crime eleitoral. Os "recursos não contabilizados" fizeram escola. O deputado João Magno (PT-MG) denominou-os "desvios dentro da lei" e o sucessor de Delúbio na Tesouraria do PT, Paulo Ferreira, chamou-os de "fenômeno de informalidade da política brasileira". Um pouco mais e já iria parecer elogio.”O Correio Braziliense também traz uma matéria sobre a cruzada eufemística dos governistas. No texto de Leonel Rocha e Letícia Sander: "A bancada do PT na CPI dos Correios já admite que dinheiro público e privado abasteceu ilicitamente o caixa do empresário Marcos Valério de Souza e foi repassado a parlamentares. Essa é a tese que constará do relatório paralelo que a bancada do partido tentará aprovar à comissão na próxima terça-feira. Com isso, os petistas esperam substituir o termo “mensalão”, utilizado pelo relator da CPI, deputado Osmar Serraglio (PMDB-PR), por duas outras expressões: “pagamentos ilegais” ou “saques irregulares”. “Teve dinheiro ilícito pago a deputados. Esse dinheiro foi desviado de contratos públicos e privados, superfaturados ou não inteiramente executados, que abasteciam o valerioduto”, admite o deputado Maurício Rands (PT-PE), um dos sub-relatores da comissão."
Fonte: Primeira Leitura
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