sábado, janeiro 17, 2026

Damares rebate Malafaia e divulga lista de igrejas e pastores alvos da CPI do INSS

 

Damares rebate Malafaia e divulga lista de igrejas e pastores alvos da CPI do INSS

Senadora mencionou em entrevista que havia pastores e igrejas alvos de requerimentos na comissão; pastor afirmou que declaração era ‘conversa fiada’

Por Naomi Matsui/João Pedro Bitencourt/Vanessa Araújo/Estado

16/01/2026 às 21:45


Foto: Roque de Sá/Agência Senado/Arquivo

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A senadora Damares Alves (Republicanos-DF)

A senadora Damares Alves (Republicanos-DF) divulgou nesta quarta-feira, 14, uma lista de pastores e igrejas que são alvos de requerimentos da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito para apurar fraudes do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). A publicação é uma resposta ao pastor evangélico Silas Malafaia, que cobrou os nomes.

O embate dos dois começou no domingo, 11, quando Damares afirmou, em entrevista SBT News, que havia igrejas e pastores envolvidos no esquema. “Nós estamos identificando igrejas nos esquemas de fraudes aos aposentados. E quando se fala de um grande pastor, vem a comunidade: ‘Não falem, não digam, não investiguem, porque os fiéis vão ficar muito tristes’”, disse a senadora.

Nesta quarta, Silas Malafaia criticou Damares e afirmou que a declaração da senadora era “conversa fiada”. “Ou a senhora dá os nomes, ou é uma leviana linguaruda. A acusação é grave e séria e dá os nomes também dos líderes que lhe pediram para calar a boca”, disse o pastor em um vídeo intitulado “Silas Malafaia desafia Damares a provar o que fala”.

“Se não tem os nomes e as provas, cale a boca. Se tem, denuncie pelo bem da igreja evangélica. Isso é uma vergonha, um absurdo. A liderança evangélica está indignada com sua postura covarde e vergonhosa. Estou esperando os nomes”, continuou Malafaia.

Pouco depois, Damares divulgou uma lista de requerimentos com pedidos de transferência de sigilo de igrejas e convites para depoimentos de pastores. O pastor Héber Trigueiro, presidente da Adoração Church, que consta na lista, criticou a menção, “sem uma investigação fosse concluída” (leia mais abaixo).

Em nota, a Igreja Evangélica Campo de Anatote afirmou ter sido associada de forma “inverídica” à CPI do INSS. Disse ainda que, se os requerimentos de transferência de sigilo forem aprovados, a instituição se compromete a colaborar. (leia mais abaixo).

O pastor André Valadão afirmou que os requerimentos que citam seu nome configuram “ato de perseguição” e não se sustentam, segundo ele, em elementos objetivos. A defesa argumenta que nenhuma igreja tem poder para controlar a vida privada ou os negócios de seus membros e que, no caso citado, trata-se de um integrante de uma unidade independente, sem relação direta com o pastor. (leia mais abaixo).

Em nota enviada à reportagem, o pastor Péricles Albino Gonçalves disse ter sido surpreendido pela citação de seu nome em requerimento apresentado pelo deputado Rogério Correia (PT-MG), que solicita seu comparecimento ao colegiado. Os demais citados foram procurados pelo Estadão, mas não deram retorno.

Após a divulgação, Silas Malafaia publicou um vídeo em sua conta no X negando a participação de grandes igrejas no esquema e afirmando que Damares Alves estaria tentando tirar proveito político de algo que, segundo ele, não fez. “Essa lista de nomes de igrejas e pastores está aberta para todos os deputados e senadores da CPMI. Não é Damares que denuncia pastores e igrejas, são um deputado do PT e outro do PSOL”, disse.

A reportagem apurou que os requerimentos foram apresentados por dois deputados do PT: Rogério Correia (MG) e Alencar Santana (SP).

Malafaia afirmou ainda que ligou para o relator da comissão, o senador Carlos Viana (Podemos-MG), que, segundo ele, teria negado a existência de lobby de líderes evangélicos, ao contrário do que Damares havia declarado.

Procurados, os senadores Carlos Viana e Damares Alves não se manifestaram. O espaço segue aberto.

Também na lista, está Fabiano Campos Zettel, cunhado de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.

Zettel foi preso nesta quarta, na segunda fase da Operação Compliance Zero. Ele foi solto no mesmo dia. Em nota, a defesa de Fabiano Zettel afirmou que o empresário “tem atividades conhecidas e lícitas, sem relação alguma com a gestão do Banco Master” e que a viagem se daria “em razão de negócios”.

Leia a seguir a lista divulgada pela senadora

Transferência de sigilo

Adoração Church;
Igreja Assembleia de Deus Ministério do Renovo;
Ministério Deus é Fiel Church (SeteChurch);
André Machado Valadão;
Igreja Evangélica Campo de Anatote.

Convite

Cesar Belucci do Nascimento, líder religioso;
Péricles Albino Gonçalves, líder religioso;
Fabiano Campos Zettel, empresário e líder religioso;
André Fernandes, líder religioso.

Convocação

André Machado Valadão.

O que dizem os citados

Procurado, o pastor presidente da Adoração Church, Héber Trigueiro, afirmou que a igreja está sendo injustiçada. “Foi lamentável ter o nosso nome citado nacionalmente sem que uma investigação fosse concluída e sem que qualquer culpa tenha sido constatada”, disse.

O pastor também afirmou que ainda não recebeu nenhum documento da comissão. “Tivemos uma reunião com nosso advogado e estamos buscando os meios adequados para nos defendermos. Tudo o que a CPMI me pedir, eu vou entregar. Não tenho absolutamente nada a esconder”, concluiu.

Por nota, a Igreja Evangélica Campo de Anatote afirmou que “teve seu nome injustamente exposto em rede nacional em relação à CPMI do INSS”.

“Na entrevista da Senadora Damares Alves concedida ao SBT News e na Nota de Esclarecimento publicada por ela em sua rede social (Instagram) no dia 14/01/2026, o nome de nossa Igreja foi associado à CPMI do INSS de forma inverídica. Não há indícios ou provas que demonstrem que a Igreja tenha sido utilizada por qualquer um dos envolvidos no esquema criminoso que está sendo investigado pela referida CPMI. Os Requerimentos de números 2640/2025 e 2639/2025 mencionados na Nota de Esclarecimento publicada pela Senadora ainda não foram apreciados pela Comissão Parlamentar Mista de Inquérito. Se forem analisados e deferidos, a instituição se compromete a fornecer todos os esclarecimentos necessários à CPMI ou a qualquer outro órgão competente, reafirmando assim os princípios éticos para os quais foi criada”, diz o texto.

“Ademais, é FUNDAMENTAL RESSALTAR que a Igreja Evangélica Campo de Anatote NÃO RECEBEU NENHUM VALOR OU DOAÇÃO de qualquer pessoa envolvida na mencionada fraude do INSS e não possui qualquer envolvimento ou foi utilizada para práticas ilícitas”, acrescenta.

A Igreja afirma ainda, na nota, que “tomará todas as medidas judiciais cabíveis contra qualquer tipo de informação inverídica e caluniosa”.

O pastor André Valadão disse que “a justificativa dos requerimentos nada mais é que um ato de perseguição, pois nenhuma igreja no mundo tem poder de controlar a vida privada e negócios dos seus membros”.

“No caso específico, estão baseando se na questão de um membro de uma unidade independente, que estaria envolvido no escândalo do INSS, onde o Pastor André Valadão não tem qualquer relação. O fato dessa pessoa ser membro da Lagoinha, não envolve a entidade direta ou indiretamente nos seus negócios”, disse.

O pastor Péricles Albino Gonçalves manifestou “espanto” com a citação do seu nome. “É imprescindível esclarecer que não mantenho qualquer proximidade com o Sr. Américo Monte Jr., o qual está sendo investigado pela CPMI do INSS, e não possuo qualquer relação com ele ou com qualquer membro do grupo denominado ‘Golden Boys’. As alegações que envolvem meu nome são totalmente inverídicas.”

“Adicionalmente, informo que, em julho de 2024, realizei uma transação imobiliária do meu único imóvel, a qual está devidamente documentada. Essa venda foi realizada de maneira lícita, e os pagamentos foram efetuados através de transferências bancárias, com o imóvel sendo comercializado pelo seu valor padrão de mercado. NÃO HOUVE QUALQUER ATIVIDADE ILEGAL OU MA-FÉ no negócio realizado”, afirmou o pastor, informando que os documentos serão encaminhados se solicitados pela CPI ou outro órgão competente.

O pastor André Fernandes disse não ser investigado nem acusado. “Trata-se apenas de um convite no âmbito da CPMI. Por esse motivo, não haverá manifestação adicional”, afirmou.

Politica Livre

Novo ministro da Justiça deve mudar comando da Segurança e de outras 3 secretarias da pasta

 

Novo ministro da Justiça deve mudar comando da Segurança e de outras 3 secretarias da pasta

Mudanças são cogitadas também nas secretarias de Assuntos Legislativos e de Direitos Digitais, além da Secretaria-Executiva

Por Raquel Lopes/Catia Seabra/Folhapress

17/01/2026 às 08:20

Foto: Ricardo Stuckert/PR

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O presidente Lula e o novo ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington César Lima e Silva

O novo ministro da Justiça, Wellington Lima e Silva, já sinalizou a pessoas próximas que pretende trocar o comando de ao menos quatro das oito secretarias do Ministério da Justiça e Segurança Pública.

Entre as áreas que devem passar por mudanças estão a Secretaria-Executiva, a Secretaria Nacional de Segurança Pública, a Secretaria Nacional de Assuntos Legislativos e a Secretaria Nacional de Direitos Digitais.

Até que os novos nomes sejam definidos, o atual secretário nacional de Segurança Pública, Mario Sarrubbo, acumulará funções e responderá também pela Secretaria-Executiva da pasta.

A medida ocorre após o então secretário-executivo, Manoel Carlos de Almeida Neto, que continua colaborando com a transição, ter pedido para deixar o cargo. A exoneração foi publicada na quinta-feira (15).

O novo ministro também já sinalizou que vai manter o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e da Polícia Rodoviária Federal, Antônio Fernando Oliveira.

Segundo pessoas próximas ao ministro, Silva já iniciou conversas com possíveis integrantes da nova equipe. Um dos nomes chamados para o diálogo foi o secretário de Segurança Pública do Piauí, Francisco Lucas Veloso.

O nome dele também tem sido defendido por integrantes do Consesp (Conselho Nacional de Secretários de Segurança Pública). Há, no entanto, outros dois nomes em avaliação para a pasta.

Silva tomou posse como ministro nesta quinta-feira (15), no Palácio do Planalto. Apesar da nomeação recente, ele já ocupou diferentes cargos em gestões petistas e teve uma breve passagem pelo comando da pasta em 2016.

O novo ministro enfrentará diversos desafios à frente da pasta, entre eles o avanço da PEC (Proposta de Emenda à Constituição) da Segurança e do PL (Projeto de Lei) Antifacção na Câmara dos Deputados.

O ministério também deverá permanecer sob forte visibilidade, já que a segurança pública tende a ser um dos principais temas das eleições deste ano.

A opção pelo advogado, segundo aliados, seria um sinal de que Lula não abandonou a ideia de criar um Ministério da Segurança Pública, já que ele não se opõe ao desmembramento da pasta.

Antes de qualquer cisão, porém, o presidente avalia ser necessário construir um arcabouço jurídico sólido com a aprovação da PEC da Segurança, em tramitação na Câmara dos Deputados, e assegurar dotação orçamentária que garanta o funcionamento do novo ministério.

Na cerimônia de posse, Silva afirmou que sua gestão terá como foco o combate ao crime organizado e quer diálogo com o Congresso para aprovação da PEC e do PL Antifacção, ambos considerados prioritários pelo Palácio do Planalto.

O ministro afirmou que o enfrentamento ao crime organizado passará pelo fortalecimento da tecnologia e dos recursos disponíveis, especialmente pela atuação coordenada e integrada entre os diferentes órgãos do Estado.

Gilmar vai julgar habeas corpus de Bolsonaro

 

Gilmar vai julgar habeas corpus de Bolsonaro

Presidente interino do STF durante o recesso do Judiciário, Moraes se declara impedido devido a uma questão regimental

Por Estadão

17/01/2026 às 08:40

Foto: Victor Piemonte/STF/Arquivo

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O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF)

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), repassou ao ministro Gilmar Mendes, na sexta-feira, 16, os autos de um habeas corpus apresentado em favor da prisão domiciliar do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Na decisão, Moraes se declara impedido de apreciar pedido devido a uma questão regimental. As informações são do portal Metrópoles.

“Uma vez que a autoridade apontada como coatora no presente habeas corpus é o próprio ministro responsável pela análise das urgências no período, inviável a apreciação dos pedidos formulados por esta vice-presidência”, escreveu na decisão.

Moraes exerce interinamente a presidência da Corte durante o recesso do Judiciário, iniciado nesta segunda, 12, e que se estende até o dia 31 deste mês, período em que responde pelas questões urgentes, por isso não pode julgar a urgência de um caso em que está envolvido.

O habeas corpus foi pedido pelo advogado Paulo Souza Barros de Carvalhosa. Ele não faz parte da defesa de Bolsonaro.

O ex-presidente foi preso em 22 de novembro do ano passado, por decisão de Moraes. Bolsonaro ficou detido na superintendência da Polícia Federal em Brasília, até quinta-feira, 15, quando foi transferido para a Papudinha, também na capital federal.

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