sexta-feira, janeiro 16, 2026

Moraes ironiza pressão de aliados e diz que Bolsonaro não cumpre pena em “estadia hoteleira”

 



STF e TCU procuram bloquear PF e BC na guerra do Banco Master

 


Galípolo se encontra com Andrei Rodrigues na sede da PF

Galípolo (BC) e Andrei (PF) unem forças contra o arbítrio

Mario Sabino
Metrópoles

Daniel Vorcaro, do Banco Master, provocou uma guerra, como ficou demonstrado nessa quarta-feira: de um lado, temos a dupla dinâmica do Supremo Tribunal Federal e um ministro do Tribunal de Contas da União ou talvez mais de um; de outro, a direção da Polícia Federal e a direção do Banco Central.

Na avacalhação jurídica de ontem, Dias Toffoli atacou abertamente a PF, acusando-a de “inércia” e de “falta de empenho” para realizar a operação que finalmente seria conduzida contra familiares do banqueiro do Master e demais figuras impolutas conectadas aos seus esquemas.

VASTO MATERIAL – Surpresa com o ataque do ministro, visto que não deu razão nenhuma para ser acusada de relapsa na montagem de uma operação que não se faz da noite para o dia, a PF foi a campo e recolheu o vasto material que poderá gerar provas contra Vorcaro e o seu entorno — e mais surpresa ficou quando Dias Toffoli determinou que tudo deveria ficar trancafiado no STF, sem que os policiais pudessem ter acesso ao que apreenderam.

Diante do clamor quase geral, o ministro acabou o dia entregando o material à PGR para que fosse periciado. Mas nada de PF no pedaço, como seria o normal, se este ainda fosse um país cujas autoridades se preocupassem com padrões de normalidade.

A corporação encarregada de investigar crimes não investigará nada, cabendo a investigação à instância acusatória, mais uma inovação saída da cachola de Dias Toffoli.

OCULTAR PROVAS – É possível concluir, assim, que o ministro usou a PF apenas para recolher possíveis provas que estavam espalhadas por aí e guardá-las bem guardadas. Pelo jeito, Dias Toffoli estava com pressa em fazer isso. Se concordou em entregar o material à PGR, foi porque ela seria mais confiável, digamos assim.

Na outra frente do STF, o ministro Alexandre de Moraes abriu de ofício um inquérito sigiloso, como é do seu hábito, para investigar o suposto vazamento de dados financeiros seus e da sua família, bem como de informações relacionadas a Dias Toffoli, da parte da Receita Federal e do Coaf.

Moraes, que não se preocupa em explicar como é que o escritório de advocacia da sua mulher conseguiu firmar um contrato multimilionário com o Banco Master, o que resultou em aumento exponencial do patrimônio pessoal dela, quer saber quem foi que soprou tudo para a imprensa.

RESORT FAMILIAR – Ao que parece, o ministro acha que foram os mesmos beneméritos que repassaram a história da venda do resort Tayayá, no interior do Paraná, que tinha como acionistas os dois irmãos e um primo de Dias Toffoli e um fundo que fazia parte da rede montada por Vorcaro.

O resort passou a ser controlado por um advogado que atua para a J&F, dos irmãos Joesley e Wesley Batista. Coincidentemente, Dias Toffoli foi quem suspendeu, em 2023, o pagamento de multa de R$ 10,3 bilhões prevista no acordo de leniência firmado pela J&F com o Ministério Público Federal.

Investigar o Coaf, como fará Moraes no seu novo inquérito sigiloso, é investigar o BC, ao qual o Coaf é vinculado administrativamente, e também a PF, que tem acesso aos dados do conselho encarregado de levantar a bandeira vermelha quando detecta transações suspeitas de lavagem de dinheiro.

UNINDO FORÇAS – Sob fogo cerrado, o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, recebeu a visita do presidente do BC, o companheiro de trincheira Gabriel Galípolo, na sede da corporação em Brasília.

 

 

Na nota divulgada pela PF, “as autoridades reafirmaram a importância da cooperação e da integração entre as instituições, fortalecendo o diálogo e a atuação conjunta em temas estratégicos de interesse do Estado brasileiro”.

Na realidade, Galípolo foi conversar sobre o imbróglio do Banco Master e reafirmar a aliança do BC com a PF.

AUDITORIA NO BC – Por fim, chegamos ao TCU. Conversinha vai, conversinha vem, o Tribunal de Contas da União fará, sim, uso da sua falta de atribuições para fazer uma auditoria no Banco Central, com o ministro Jhonatan de Jesus empenhado em provar que o Master foi vítima do BC no processo de liquidação.

O BC, porém, não tem medo de briga. Dois dias depois de o (ainda) ministro da Fazenda, Fernando Haddad, dar o seu respaldo à autoridade monetária, dizendo que o caso Master pode ser a maior fraude bancária da história do país, o Banco Central decretou a liquidação da Reag Trust, a gestora que ajudava a inflar os ativos financeiros do banco de Vorcaro — a mesma Reag que administrava o fundo que se tornou sócio dos parentes de Dias Toffoli no resort Tayayá.


A Justiça para Poucos: Quando a Igualdade Diante da Lei se Torna uma Farsa

 


A Justiça para Poucos: Quando a Igualdade Diante da Lei se Torna uma Farsa


Por José Montalvão

A cada dia que passa, por meio de atos e fatos amplamente divulgados, fortalece-se em mim a convicção de que, no Brasil, a Justiça não trata todos de forma igual. Há, claramente, os “iguais” e os “mais iguais”. Essa constatação não nasce de achismos, mas da observação atenta de decisões, silêncios institucionais e privilégios escancarados que afrontam a Constituição, a democracia e o mais elementar senso de humanidade.

Causa indignação e vergonha nacional a recente notícia de que senadores da República chegaram ao ponto de pedir que o ex-presidente Jair Bolsonaro cumpra eventual pena em prisão domiciliar. Independentemente de concordâncias ou discordâncias políticas, o pedido escancara um padrão histórico de seletividade penal. Para uns, especialmente os que transitam nos corredores do poder, o cárcere é flexível, confortável, quase simbólico. Para outros, a maioria anônima e pobre, a prisão é dura, lenta, desumana e muitas vezes eterna.

Enquanto figuras públicas discutem regalias antes mesmo do trânsito em julgado, milhares de brasileiros permanecem esquecidos em celas superlotadas, insalubres e indignas. São homens e mulheres amontoados em verdadeiras masmorras modernas, muitos deles doentes, idosos, ou presos provisórios que aguardam julgamento há anos, com prazos legais amplamente extrapolados. Essas pessoas não têm sobrenome influente, não contam com bancadas parlamentares em sua defesa, tampouco despertam comoção no noticiário político.

Mais grave ainda é o silêncio ensurdecedor de quem deveria zelar pela legalidade e pelos direitos fundamentais.  Deputados, Senadores e outras autoridades locais, tão eloquentes quando se trata de autopromoção ou disputas eleitorais, permanecem cegos, surdos e mudos diante do colapso do sistema prisional e da desigualdade gritante na aplicação da lei. Esse silêncio não é neutro: ele legitima a injustiça e naturaliza o privilégio.

A Constituição Federal é clara ao afirmar que “todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza”. No entanto, a prática cotidiana desmente o texto constitucional. Não pode existir, em um Estado Democrático de Direito, a ideia de que fora da lei alguns sejam “melhores” do que outros, gozando de tratamentos especiais, enquanto a maioria sofre punições severas, muitas vezes antes mesmo de qualquer condenação definitiva.

A prisão domiciliar, quando prevista em lei, deve ser aplicada com critérios objetivos, impessoais e universais. Não pode ser instrumento de proteção a poderosos nem moeda política. Caso contrário, transforma-se em símbolo de um sistema que pune a pobreza e absolve a influência.

Diante desse cenário, a pergunta ecoa como um grito de indignação coletiva: que país é esse? Um país onde a Justiça parece ter endereço certo, classe social definida e CPF selecionado. Um país onde a democracia é ferida não apenas por atos autoritários, mas também pela complacência seletiva e pelo privilégio institucionalizado.

Enquanto a lei não for, de fato, igual para todos, a democracia brasileira continuará incompleta, frágil e desacreditada. E a Justiça, que deveria ser o último refúgio do cidadão, seguirá sendo, para muitos, apenas mais um instrumento de exclusão e sofrimento

Ministros do Supremo tratam investigação de Moraes sobre vazamentos como autoproteção

 

Ministros do Supremo tratam investigação de Moraes sobre vazamentos como autoproteção

Integrantes do STF ressaltam que investigação foi aberta de ofício, assim como o de 2019

Por Luísa Martins/Folhapress

15/01/2026 às 20:25

Atualizado em 15/01/2026 às 23:20

Foto: Rosinei Coutinho/STF/Arquivo

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O ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal)

Ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) veem a investigação sobre vazamentos de dados fiscais de magistrados da Corte, aberta pelo ministro Alexandre de Moraes, como um instrumento de autoproteção permanente, em uma reedição do inquérito das fake news.

A investigação foi instaurada de ofício —ou seja, sem provocação prévia de órgãos investigativos— para descobrir se a Receita Federal ou o Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) quebraram ilegalmente os sigilos de membros do Supremo.

A decisão de Moraes veio após a divulgação de informações sobre o Banco Master que envolveriam o próprio ministro e também Dias Toffoli, relator do processo que apura as fraudes financeiras.

O jornal Folha de São Paulo revelou que empresas ligadas a parentes de Toffoli tiveram como sócio um fundo de investimentos conectado à teia usada pelo Master em fraudes investigadas por autoridades.

Reportagem do jornal O Globo mostrou que o banco contratou, por R$ 3,6 milhões, o escritório de familiares de Moraes para auxiliar na defesa dos interesses da instituição financeira.

Ministros e juízes auxiliares que atuam na Corte avaliam que a investigação sobre os vazamentos pode repetir o roteiro do inquérito das fake news, que foi instaurado em março de 2019 também de ofício e até hoje, quase sete anos depois, não foi concluído.

Na época, Toffoli, então presidente do STF, fez uma interpretação heterodoxa do regimento interno da corte para abrir, por conta própria, uma frente de apuração sobre a disseminação de notícias falsas sobre o tribunal.

Agora, a leitura de pessoas alinhadas ao grupo de Moraes é a de que a investigação sobre os vazamentos tem contexto parecido, com o Supremo vivendo uma "crise de imagem" em razão dos desdobramentos do caso Master.

Pessoas a par dessas discussões dizem que a investigação sobre os vazamentos teria um escopo tão vago quanto o do inquérito de 2019 e também estaria sujeita a sucessivas prorrogações.

Interlocutores de Moraes dizem que a iniciativa do ministro, que no momento exerce a presidência do STF de forma interina, busca proteger os magistrados e seus familiares de terem seus dados "vasculhados" indiscriminadamente.

Procurado pela reportagem, o Supremo não informou quais ministros teriam sido vítimas das supostas quebras indevidas de sigilo, quais as evidências a esse respeito ou o prazo fixado por Moraes para a conclusão das diligências sobre os vazamentos.

A criação de uma carteira de créditos falsa pelo Banco Master é investigada no âmbito da Operação Compliance Zero. A PF cumpriu, nesta quarta-feira (15), 42 mandados de busca e apreensão autorizados por Toffoli, em decisão ainda mantida em sigilo.

Politica Livre

“É impossível achar isso normal. Já deu!”, diz ACM Neto após mortes e feridos na Lavagem do Bonfim

 

“É impossível achar isso normal. Já deu!”, diz ACM Neto após mortes e feridos na Lavagem do Bonfim

Por Redação

16/01/2026 às 07:15

Foto: Divulgação

Imagem de “É impossível achar isso normal. Já deu!”, diz ACM Neto após mortes e feridos na Lavagem do Bonfim

O vice-presidente nacional do União Brasil, ACM Neto, usou as redes sociais nesta quinta-feira (15) para lamentar episódios de violência registrados no dia da Lavagem do Bonfim, em Salvador. Em uma postagem, Neto classificou o cenário como “de partir o coração” e destacou que a data deveria ser marcada por pedidos de paz, proteção e esperança.

“Terminar um dia como o de hoje dessa forma é de partir o coração. Lavagem do Bonfim, gente. Dia de pedir paz, proteção, saúde, esperança. Dia de renovar a fé em dias melhores. E a gente termina o dia sabendo que um policial, o Capitão Salomão, foi morto em uma tentativa de assalto e que sete pessoas foram baleadas durante a festa. É impossível não sentir revolta. É impossível não sentir tristeza. É impossível achar isso normal. Já deu”, escreveu.

A manifestação ocorre após a morte do capitão Salomão, da 18ª Companhia Independente de Polícia Militar, baleado durante um confronto com um assaltante na Avenida Contorno, em frente ao Bahia Marina. O policial chegou a ser socorrido, mas não resistiu aos ferimentos. O suspeito, identificado como Vitor Souza da Silva, conhecido como Índio, também foi morto na troca de tiros.

Durante a Lavagem do Bonfim, um homem foi morto e outras sete pessoas ficaram feridas na Avenida Jiquitaia, após uma discussão.

Em nota, a Polícia Civil informou que a vítima foi identificada como Joilson Santana de Souza, de 30 anos. As demais vítimas, cujas identidades não foram divulgadas, são quatro homens e três mulheres. Todos foram encaminhados para unidades hospitalares, onde recebem atendimento médico.

Politica Livre

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