sexta-feira, novembro 28, 2025

Alexandre de Moraes e Messias conversam para superar arestas de indicação ao STF

 

Alexandre de Moraes e Messias conversam para superar arestas de indicação ao STF

Por Mônica Bergamo/Folhapress

28/11/2025 às 07:58

Foto: Carlos Moura/Arquivo/STF

Imagem de Alexandre de Moraes e Messias conversam para superar arestas de indicação ao STF

Alexandre de Moraes

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes conversou por telefone com o advogado-geral da União, Jorge Messias, indicado por Lula para a Corte na semana passada.

O magistrado tinha outro candidato para a vaga deixada por Luís Roberto Barroso, que se aposentou em outubro. Ele apoiava o senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG), que era o preferido também do presidente do Senado, Davi Alcolumbre. Mas Lula indicou o advogado-geral para o cargo.

O nome dele tem que ser aprovado agora pelo Senado. Alcolumbre trabalha para derrotá-lo _e contava, até agora, com o apoio de Moraes.

A posição do ministro é isolada. Outros integrantes do STF como Gilmar Mendes, Cristiano Zanin, André Mendonça, Dias Toffoli e Kassio Nunes elogiaram a indicação, publicamente ou nos bastidores. Alguns, como Mendonça, se engajaram na busca de votos para o advogado-geral.

Magistrados afirmaram à coluna ter a expectativa de que, diante do fato consumado, Moraes jogue definitivamente a toalha, já que a indicação de Pacheco se tornou impossível: derrotado, Lula não daria a Alcolumbre o prêmio de escolher um novo integrante do STF.

Com isso, acreditam, Alexandre de Moraes se somaria aos demais nas boas-vidas a Messias, caso ele seja aprovado pelo Senado e assuma o cargo.

Como mostrou o Painel, o único ministro que até agora não parabenizou Messias pela indicação, publica ou privadamente, foi Flávio Dino, que teve desentendimentos com ele quando integrava o governo Lula.

Politica Livre

Sóstenes se projeta como nova voz do bolsonarismo no Congresso



Dirceu assume comando ideológico para atualizar o PT sem abrir mão do socialismo


Dirceu fará a atualização do documento programático da legenda

Deu na Folha

O ex-ministro José Dirceu diz que o PT precisa atualizar seu programa político para incluir as mudanças tecnológicas e geopolíticas da última década, mas sem perder a essência socialista. Na última segunda-feira (17), ele foi nomeado coordenador de um grupo de trabalho que fará a atualização do documento programático, espécie de bússola política do partido para os próximos anos.

A última versão é de 2016, antes de surgirem temas como o poder das big techs, a uberização do mundo do trabalho e a ascensão da extrema direita no mundo. “Temos de posicionar o partido para as próximas décadas e decidir como lidar com o novo poder da China, os Brics, a nova maneira de atuação dos EUA no contexto do governo Trump, as novas formas de trabalho, entre outros pontos”, diz Dirceu.

FIGURA HISTÓRICA – O ex-ministro deverá apresentar sua proposta no congresso do partido, marcado para abril do ano que vem. Ele foi escolhido para o cargo pelo secretário-executivo do congresso, o deputado federal Jilmar Tatto (SP), por ser uma figura histórica dentro do PT.

O documento que Dirceu coordena não é pensado para conter propostas específicas para o programa de governo de Lula em um eventual quarto mandato, que serão objeto de outro grupo de trabalho no congresso. Entre os pontos a serem debatidos pelo grupo coordenado pelo ex-ministro está inclusive a identidade ideológica do PT —se seguirá sendo um partido socialista ou vai se aproximar mais da social-democracia.

Para Dirceu, não deveria haver mudança no caráter socialista. “Esse é um assunto que sempre volta ao debate no PT. Eu particularmente não vejo razão para alteração”, diz. Ele pretende promover seminários e reuniões presenciais e online para debater os pontos do novo documento. “Vai ser um documento debatido de baixo para cima”, diz.

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A democracia favorece todos, até os golpistas presos

 

Marina Amaral, da Pública

A democracia favorece todos, até os golpistas presos

Uma das cenas que me impacta até hoje é a do então deputado Jair Bolsonaro exaltando o homem que torturou Dilma Rousseff durante a sessão de votação do impeachment da ex-presidente. Para mim soou como louvar um estuprador humilhando sua vítima em uma praça pública lotada, como estava o Congresso naquela noite de abril de 2016, com a sessão transmitida ao vivo em rede nacional. 

Em 1970, aos 22 anos, Dilma Rousseff foi presa pela Oban, a Operação Bandeirante, estrutura clandestina formada por policiais e militares que faziam detenções ilegais e submetiam os presos a torturas, morte e desaparecimento. Foi a Oban que deu origem ao DOI-Codi, a polícia política mais cruel da ditadura, onde, em São Paulo, reinava o coronel homenageado por Bolsonaro, um monstro na descrição de dezenas de vítimas - aquelas que sobreviveram para contar.

Depois, Dilma foi jogada de cárcere em cárcere, entre interrogatórios movidos a tortura, até chegar ao Presídio Tiradentes, que se tornou conhecido pela solidariedade entre as mulheres presas em condições de precariedade extrema. 

Muito diferente do tratamento que a democracia reservou àqueles que mais uma vez tentaram acabar com ela para reinstalar um estado de terror.

 O ex-presidente Jair Bolsonaro julgado apenas pelos crimes que se pôde provar - não, por exemplo, pela mortandade da pandemia que fez multiplicar -, passou por um processo legal observado por milhões de brasileiros através da imprensa livre (só para lembrar, a maioria das pessoas nem sabia o que acontecia na ditadura e algumas parecem não saber até hoje) e, apesar de tentar burlar a lei mais de uma vez, foi detido sem violência alguma e instalado em acomodação confortável na Polícia Federal, com todos os cuidados médicos necessários.

Os generais, condenados depois de exercer o amplo direito de defesa com direito a advogados de elite, foram para salas com banheiro e frigobar em instalações militares, assim como o almirante Garnier. Agora irão passar pelo julgamento do Superior Tribunal Militar (STM) que, ao que tudo indica, vai manter patentes e benefícios da maior parte dos condenados, expondo mais uma vez seu desapreço pela democracia, que mantém vivo o ovo da serpente. 

Terão que cumprir penas longas, é verdade, à altura da gravidade de seus crimes, mas continuam se beneficiando do Estado de Direito contra o qual atentaram sem se arrepender. Podem agora meditar ilesos na cadeia sobre as virtudes da democracia. E talvez rever alguns conceitos do tipo “bandido bom é bandido morto” ou “preso tem que apodrecer na cadeia”, como esbravejam a qualquer ocasião. 

Mas isso seria deixá-los sem bandeira para as eleições. 

Não estou na turma dos que os queria na podridão dos nossos presídios, vergonha nacional louvada em prosa e verso pela direita e berço de certo tipo de crime organizado. Grupos criminosos que assustam mais pela violência cotidiana, indiscriminada, invasiva mas que não são piores do que a quadrilha que tentou derrubar a nossa democracia, como prova a exaltação de Bolsonaro a um símbolo de tortura e morte no Congresso Nacional (onde, aliás, se aninham intocados os políticos golpistas). Ah, não custa lembrar que Bolsonaro também homenageou milicianos, membros, portanto, de facção criminosa. 

Estou disposta a engolir a injustiça dessas prisões confortáveis para os golpistas em comparação a dos demais condenados; que fiquem no ar condicionado, mas mantenham as patas bem longe da nossa democracia. Precisamos dela para avançar como sociedade enquanto combatemos os resquícios do passado. Quem sabe até para construir uma política de segurança mais justa e racional e um sistema de Justiça capaz de punir igualmente quem infringe as leis, afastar da sociedade quem representa perigo, oferecer reais possibilidades de reabilitação, sem jamais abrir mão do respeito absoluto às garantias constitucionais de cada um de nós, como fez o STF na condenação da turma de Bolsonaro. 

Só assim o Estado Democrático de Direito terá o respeito que precisa para assegurar a paz. 

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Os golpistas foram julgados com as garantias que eles queriam extinguir. A democracia venceu — desta vez. Para que siga vencendo, não podemos relaxar. Sustentar o jornalismo é parte da defesa. Apoie a Pública!

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