segunda-feira, outubro 27, 2025

Questões políticas ficarão fora da negociação de tarifas entre Brasil e EUA

 

Questões políticas ficarão fora da negociação de tarifas entre Brasil e EUA

A fala ocorreu na manhã desta segunda-feira (27) em entrevista coletiva com jornalistas em Kuala Lumpur, na Malásia.

Por Victoria Damasceno/Folhapress

27/10/2025 às 06:55

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Foto: Ricardo Stuckert/PR

Membros do governo brasileiro, incluindo o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), afirmaram que questões políticas ficarão de fora da mesa de negociação das tarifas impostas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, contra o Brasil.

A fala ocorreu na manhã desta segunda-feira (27) em entrevista coletiva com jornalistas em Kuala Lumpur, na Malásia.

"As questões políticas foram colocadas na presença dos dois presidentes da República, não na mesma negociação sobre negócios. Quem vai discutir política, nesse negócio do Brasil, é o presidente Trump e o presidente Lula. Eles vão negociar as taxações comerciais que foram impostas", disse.

O presidente respondia a uma questão sobre a presença de assuntos políticos, como a tensão dos EUA com a Venezuela e a aplicação de medidas contra autoridades brasileiras, nas negociações com os americanos.

A fala ocorreu um dia após o encontro com Trump no país asiático, onde os líderes estão para participar como convidados da cúpula da Asean (Associação das Nações do Sudeste Asiático, em português).

A reunião entre os dois, que durou cerca de 50 minutos, tinha como tema principal a aplicação das tarifas contra o Brasil pelo americano, mas também envolveu outras questões trazidas pelo brasileiro.

Lula se colocou à disposição para atuar como mediador da tensão dos EUA com a Venezuela e tratou das punições impostas pelos EUA a autoridades, como a Lei Magnitsky contra o ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), e a restrição aplicada ao ministro da Saúde, Alexandre Padilha, em Nova York, que teve sua circulação e a de sua família restringidas a cinco quarteirões na viagem que faria à cidade para participar de eventos da ONU (Organização das Nações Unidas).

O ex-presidente Jair Bolsonaro também foi citado, introduzido na conversa pelo petista. Segundo relato de Lula, Bolsonaro foi mencionado como passado da política brasileira.

"E eu ainda disse para ele: com três reuniões que você fizer comigo, você vai perceber que o Bolsonaro era nada, praticamente. Era porque eu não converso em tom pessoal, eu converso em tom político, de interesse do meu país", afirmou.

Lula fez o pronunciamento após a primeira reunião da nova fase de negociações acordada entre os países no encontro bilateral.

Na manhã desta segunda, o chanceler Mauro Vieira e Márcio Rosa, secretário-executivo do Ministério de Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, se encontraram com representantes do comércio dos EUA e com o secretário do Tesouro, Scott Bessent.

Sobre a negociação, Rosa afirmou que os lados brasileiro e americano concordaram em deixar a política fora da mesa de negociação, e que ela "nunca poderia ter estado".

Assuntos que ultrapassam as tarifas têm sido apresentadas pelos dois países. Do lado brasileiro, pesa a tensão na Venezuela e as medidas impostas às autoridades brasileiras, enquanto para os americanos a regulamentação das big techs é tema sensível, considerado pelo governo Trump como uma questão de liberdade de expressão.

Politica Livre

Ausência de mulheres limita a pluralidade e empobrece o debate constitucional

Publicado em 26 de outubro de 2025 por Tribuna da Internet

Diversidade de gênero cria espaços para novas perspectivas

Angela Boldrini
Folha

O presidente Lula (PT) ainda não formalizou a indicação do novo ocupante da vaga deixada por Luís Roberto Barroso no STF (Supremo Tribunal Federal) mas tudo indica que não será desta vez que a ministra Cármen Lúcia deixará de ser a solitária representante de mais da metade da população brasileira, as mulheres, na corte.

Nas três oportunidades que teve de nomear ministros ao Supremo desde que foi empossado, em 2023, Lula optou por homens. Escolheu Cristiano Zanin para substituir Ricardo Lewandowski, Flávio Dino para a vaga de Rosa Weber e agora deve nomear o advogado-geral da União, Jorge Messias.

MUDANÇAS – Mas como a presença de mulheres em cortes superiores afeta os tribunais? Faz diferença ter juízas e ministras no funcionamento do Judiciário? Segundo a professora de direito da UERJ (Universidade Estadual do Rio de Janeiro) Juliana Cesário Alvim, sim. Primeiro, porque há estudos no exterior que apontam para uma mudança nas decisões sobre temas ligados à discriminação por gênero ou sexo quando há uma presença maior de mulheres.

Além disso, a presença de mulheres cria espaços para novas perspectivas nos julgamentos, ainda que não altere os resultados. A professora cita, por exemplo, a juíza Ketanji Brown Jackson, primeira mulher negra indicada à Suprema Corte dos Estados Unidos. “Ela quase sempre é voto vencido, mas traz argumentos que não chegavam à corte antes e isso é muito importante”, diz Cesário Alvim.

POLÍTICA DA PRESENÇA – É a chamada política da presença, explica a pesquisadora Débora Thomé, da Fundação Getúlio Vargas. “As pessoas não são dissociadas das suas experiências vividas, do lugar que elas ocupam no mundo”, afirma. Ou seja, se cada ministro decidirá a partir de seu “lugar no mundo”, a falta de mulheres e de pessoas negras faz desaparecer perspectivas majoritárias na sociedade brasileira, argumenta.

As pesquisadoras também apontam que o número ínfimo de mulheres que já ocuparam postos no STF faz com que a corte adote dinâmicas de gênero nos próprios trabalhos.

INTERRUPÇÃO – Em um artigo publicado em 2024 no Journal of Empirical Legal Studies, Cesário Alvim e colegas demonstraram, por exemplo, que as ministras brasileiras são mais interrompidas do que seus colegas homens durante as falas no tribunal. Além disso, quando elas são relatoras, os ministros homens tendem a abrir mais divergências.

Os estudos partiram de uma fala da ministra Cármen Lúcia que, em 2017, deu uma bronca em plenário no colega Luiz Fux. O ministro havia dito que “concederia” a palavra a Rosa Weber.

Foi interpelado por Cármen, que presidia a corte: “Como concede a palavra? É a vez dela de votar. Ela é que concede, se quiser, a Vossa Excelência um aparte”, ralhou a ministra. E relatou uma conversa que teve com a juíza Sonia Sotomayor, da Suprema Corte dos EUA. “A ministra Sotomayor me perguntou: ‘E lá [no Brasil], como é que é?’ ‘Lá, em geral, eu e a ministra Rosa não nos deixam falar. Então, nós não somos interrompidas’. Mas agora é a vez da ministra Rosa, por direito constitucional, de votar. Tem a palavra, ministra”, concluiu.

NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – É uma falácia achar que as mulheres são melhores ou piores do que os homens. Moral, ética e competência são valores que deveriam caracterizar todos os ministros do Supremo, independentemente de gênero ou preferência sexual, mas não é isso que se vê.

Lembrem que o voto decisivo para libertar Lula, em 2019, foi de Rosa Weber. O então presidente Dias Toffoli comprometeu-se com ela a fazer uma votação adicional para que os réus cumprissem pena após terceira instância (Superior Tribunal de Justiça), e Lula não seria beneficiado, mas Toffoli decidiu sozinho a prisão após quarta instância (Supremo Tribunal Federal).

Assim , o Brasil passou a ser único país da ONU que não prende criminoso condenado em segunda instância, quando se esgota a discussão do mérito (se é culpado ou não). Rosa Weber ficou calada e nenhum ministro protestou contra a armação de Toffoli. Isso é Brasil. (C.N.)

 

Quando nação vira regime surge o erro de confundir povo e governo

Publicado em 26 de outubro de 2025 por Tribuna da Internet

Os extremismos polares envenenam a opinião pública

Demétrio Magnoli
Folha

No início do cessar-fogo, a pretexto de punir o Hamas pela demora na entrega de restos mortais de reféns, as forças israelenses limitaram a entrada de ajuda humanitária em Gaza. Foi um gesto perverso, uma nova violação das leis de guerra. O Hamas não foi punido, pois tem alimentos e combustíveis à vontade. A punição recaiu sobre a população civil de Gaza. O conceito que a sustenta é a identificação do Hamas com o povo palestino.

Salem Nasser, da FGV-SP, acusou Lula de desferir “um golpe injusto contra os palestinos” ao afirmar que o Brasil tem um problema com Netanyahu, não com Israel. Segundo ele, o presidente “comete um erro factual ao sugerir que a política de Netanyahu não tem o apoio da população de Israel e que essa mesma política não seria a do Estado como um todo”.

CONCEITO – Seu conceito operativo espelha o utilizado pelo governo de Israel: a identificação do governo de Netanyahu com a nação israelense. O obstáculo de fundo à paz na Terra Santa não são as fronteiras, os assentamentos ou o estatuto de Jerusalém. É o conceito de que o outro encarna o mal absoluto —uma nação “genocida” ou uma nação “terrorista”— e, portanto, precisa ser exterminado.

São duas narrativas paralelas contadas incansavelmente desde antes da fundação do Estado judeu. De um lado, os arautos do Grande Israel repetem as histórias (verdadeiras) dos planos de paz recusados pelos palestinos e dos atos de terror cometidos contra israelenses ou judeus da diáspora. Do outro, os arautos do rejeicionismo de Israel repetem as histórias (verdadeiras) da expulsão dos palestinos em 1948, da implantação de assentamentos na Cisjordânia e dos massacres perpetrados pelas forças israelenses.

PLATAFORMAS – As duas verdades simétricas não formam empreendimentos historiográficos. São plataformas destinadas a avançar um objetivo político: o “Grande Israel, do rio até o mar”, numa versão, ou a “Palestina Livre, do rio até o mar”, na outra. Os extremismos polares envenenam a opinião pública, na Terra Santa e fora dela, enterrando as vozes racionais sob pilhas de detritos ideológicos.

O Estado de Israel, segundo Salem Nasser, é igual a Netanyahu e seus cavaleiros da limpeza étnica. Nele, inexistem Rabin, assassinado pela assinatura dos Acordos de Oslo, Barak ou Olmert, autores de mapas da paz, líderes que denunciaram os crimes de Israel na campanha militar deflagrada pelo 7 de outubro de 2023.

Já a Palestina, segundo os supremacistas judaicos, é igual aos fundamentalistas antissemitas do Hamas, que sonham destruir o Estado judeu. Nela, inexistem Arafat, signatário de Oslo, ou Marwan Barghouti, o líder que o governo israelense não liberta justamente por almejar a paz em dois Estados.

POSIÇÃO BRASILEIRA  – Lula erra muitas vezes, na tática e no tom, quando aborda o conflito na Terra Santa. Acerta sempre, porém, no terreno dos princípios. Ao dizer que o Brasil nada tem contra Israel, reafirma a histórica posição brasileira de defesa da solução incontornável de paz: a convivência entre o Estado judeu e um Estado palestino.

Nesse passo, contraria os interesses dos que enxergam o cessar-fogo como curto parêntesis na guerra sem fim pelo Estado único, “do rio até o mar”. O suposto ódio eterno, atávico, entre os dois povos é um mito. A cólera deve ser semeada todos os dias, pela palavra. O “pecado” de Lula é não semeá-la.

Senado usa lista do impeachment de Moraes para tentar barrar Messias no STF


Votação de Messias no Senado é considerada arriscada

Danielle Brant
Folha

Senadores de oposição e aliados do ex-presidente da Casa Rodrigo Pacheco (PSD-MG) passaram a citar a lista de 41 assinaturas de apoio ao pedido de impeachment contra o ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), como parâmetro de votação de uma indicação de Jorge Messias à corte.

As 41 assinaturas representam a maioria dos 81 senadores. O número é o mínimo necessário para aprovar Messias no plenário caso o presidente Lula (PT) decida indicar seu advogado-geral da União para a vaga de Luís Roberto Barroso no STF.

TENTATIVA BARRADA – A tentativa de abrir processo de impeachment contra Moraes foi barrada pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), defensor do nome de Pacheco para a vaga de Barroso.

Senadores da oposição passaram a citar a coesão alcançada nas assinaturas do pedido como um recado ao governo de que, já que não conseguem avançar na saída do ministro do Supremo, podem, ao menos, impedir a aprovação de um nome muito ligado ao PT.

VOTAÇÃO SECRETA – Pacheco, ex-presidente do Senado, é o nome favorito mesmo entre alguns aliados de Lula, que apontam ainda como risco a Messias o fato de a votação ser secreta. A leitura de senadores é que a reeleição do presidente hoje está mais assegurada do que estava há três meses e que o petista poderia guardar uma indicação mais alinhada ao partido para um eventual quarto mandato.

Existe também uma cobrança velada por reciprocidade do governo com o Senado. Os parlamentares lembram que derrotaram recentemente a PEC (proposta de emenda à Constituição) da Blindagem, o que contribuiu para praticamente encerrar a discussão sobre a anistia aos envolvidos nos ataques de 8 de Janeiro, tema caro à gestão petista.

Senado usa lista do impeachment de Moraes para tentar barrar Messias no STF

Publicado em 26 de outubro de 2025 por Tribuna da Internet

Votação de Messias no Senado é considerada arriscada

Danielle Brant
Folha

Senadores de oposição e aliados do ex-presidente da Casa Rodrigo Pacheco (PSD-MG) passaram a citar a lista de 41 assinaturas de apoio ao pedido de impeachment contra o ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), como parâmetro de votação de uma indicação de Jorge Messias à corte.

As 41 assinaturas representam a maioria dos 81 senadores. O número é o mínimo necessário para aprovar Messias no plenário caso o presidente Lula (PT) decida indicar seu advogado-geral da União para a vaga de Luís Roberto Barroso no STF.

TENTATIVA BARRADA – A tentativa de abrir processo de impeachment contra Moraes foi barrada pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), defensor do nome de Pacheco para a vaga de Barroso.

Senadores da oposição passaram a citar a coesão alcançada nas assinaturas do pedido como um recado ao governo de que, já que não conseguem avançar na saída do ministro do Supremo, podem, ao menos, impedir a aprovação de um nome muito ligado ao PT.

VOTAÇÃO SECRETA – Pacheco, ex-presidente do Senado, é o nome favorito mesmo entre alguns aliados de Lula, que apontam ainda como risco a Messias o fato de a votação ser secreta. A leitura de senadores é que a reeleição do presidente hoje está mais assegurada do que estava há três meses e que o petista poderia guardar uma indicação mais alinhada ao partido para um eventual quarto mandato.

Existe também uma cobrança velada por reciprocidade do governo com o Senado. Os parlamentares lembram que derrotaram recentemente a PEC (proposta de emenda à Constituição) da Blindagem, o que contribuiu para praticamente encerrar a discussão sobre a anistia aos envolvidos nos ataques de 8 de Janeiro, tema caro à gestão petista.

COP30 é importantíssima, mas já começa desprestigiada por Trump

Publicado em 26 de outubro de 2025 por Tribuna da Internet

Homem de terno escuro, camisa branca e gravata vermelha está em pé próximo a uma parede branca, com a bandeira dos Estados Unidos parcialmente visível à esquerda.

No EUA, procuradores de 17 estados boicotam a COP30

Vicente Limongi Netto

Oportuno artigo da atilada Ana Dubeux (Correio Braziliense – 26/10 ), destacando a importância da COP30 e as excelentes matérias da craque Cristina Ávila, publicadas no Correio Braziliense sobre florestas, meio ambiente e rios do Xingu. Dubeux acentua que o Correio vai acompanhar a COP30 “com um olho na floresta e outro no cerrado”.

Por rigorosa justiça, nesta linha, recordo, como se diz no futebol, o pontapé inicial sobre o tema. Foi na Rio-92. O anfitrião e chefe da nação era Fernando Collor de Mello.

CÚPULA DA TERRA – O certame reuniu, em junho daquele ano, mais de 100 chefes de Estado e de governo, na “Cúpula da Terra”, também chamada de Congresso das Nações Unidas sobre meio ambiente.

O certame resultou em várias resoluções sobre diversidade biológica e mudanças climáticas. Foram elaborados documentos importantes, a agenda 21, a convenção sobre diversidade biológica e a convenção das Nações Unidas sobre a mudança do clima. 

Na ONU, em discurso, como presidente da República, Lula enalteceu os resultados da Rio-92. Agora, a COP30 já começa esvaziada pelos Estados Unidos, pois Trump não vai comparecer.

RECALCADO – Autoridades brasileiras, em geral, graduadas e menos graduadas, da política, da economia e do empresariado,  como seria de se esperar, manifestaram-se otimistas com o encontro, na Malásia, entre Trump e Lula. Todos salientando os prováveis avanços econômicos entre Brasil e Estados Unidos que poderão avançar entre os dois países.

Trump e Lula conversaram como dois presidentes que pensam no bem comum.  Pelo quadro belicoso existentes até então, a reunião entre os dois chefes de nações, pode, seguramente, ser considerada histórica. 

O lado insano e estúpido a respeito do encontro, ficou com a declaração da excrescência fujona, o ainda deputado federal, Eduardo Bolsonaro. Nota recalcada, ressentida, infeliz, torpe, fracassada, leviana e irresponsável.

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Em conversa com Trump, Lula propõe incluir Palestina e esvaziar Conselho da Paz

  Publicado em 26 de janeiro de 2026 por Tribuna da Internet Facebook Twitter WhatsApp Email Líderes conversaram por telefone nesta segunda ...

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