domingo, outubro 12, 2025

Pacote eleitoral de Lula para 2026 entra na reta final com governo e PT em embate com Congresso

 Foto: Reprodução

Presidente Lula12 de outubro de 2025 | 15:18

Pacote eleitoral de Lula para 2026 entra na reta final com governo e PT em embate com Congresso

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O governo vai tentar aprovar nos próximos dois meses projetos para compor a vitrine do presidente Lula (PT) nas eleições de 2026, mas pode enfrentar um clima hostil não só da oposição, mas de boa parte do centrão.

O grupo liderou na quarta-feira (8) a derrubada da MP (medida provisória) de aumento de impostos e, a partir daí, voltou a ser alvo de forte campanha da esquerda nas redes sociais. O governo também começou uma retaliação na sexta (10), demitindo indicados de deputados que votaram contra a MP.

Apesar de nominalmente comandar 11 ministérios de Lula, o centrão trabalha majoritariamente pela candidatura presidencial do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos).

Entre as medidas tidas como prioritárias pelo governo até o fim do ano estão a MP do Gás do Povo, a MP de resposta ao tarifaço do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e a PEC (Proposta de Emenda à Constituição) da Segurança Pública.

Além dessas, já nesta semana há sessão do Congresso para votação de vetos da Lei do Licenciamento Ambiental, entre outros, além da análise da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2026.

Há um conflito em torno da previsão na LDO para pagamento das emendas parlamentares no ano eleitoral. O relator, deputado Gervásio Maia (PSB-PB), propôs que o governo federal pague as emendas até junho do ano que vem, antes da eleição.

A iniciativa contraria o governo, que teme ficar com um estrangulamento maior no Orçamento, e a tendência é que Lula vete essa obrigatoriedade.

Parlamentares do centrão querem acelerar o pagamento das emendas para tentar garantir que o governo não priorize aliados, deixando apenas para o fim do ano a liberação de verbas para opositores.

As emendas, que em 2026 devem passar a casa dos R$ 50 bilhões, são o carro-chefe nas campanhas eleitorais dos congressistas.

Governistas citam ainda como prioridade no Congresso a análise da PEC do fim da escala 6×1 (seis dias de trabalho e um de descanso) e a adoção da tarifa zero no transporte público, mas essa última é apenas cogitada pelo Executivo e não chegou a ser enviada ao Congresso.

O fim da escala 6×1 habita mais o discurso do que a prática. Proposta em fevereiro pela deputada Erika Hilton (PSOL-SP), a PEC está estacionada até agora no mesmo lugar, apesar de o tema ser amplamente abordado na propaganda petista e governista.

Na avaliação de petistas ouvidos pela reportagem, ainda que a situação na Câmara seja desfavorável ao governo, algumas matérias da vitrine de Lula devem ser aprovadas porque têm forte apelo popular, como a que trata da distribuição de botijões de gás.

Eles apontam como exemplo a votação na Câmara para ampliar a isenção do Imposto de Renda, no último dia 1º, que teve unanimidade e é uma das principais bandeiras eleitorais de Lula –ainda falta a aprovação no Senado.

Apesar do anunciado desembarque de PP e União Brasil –que mantêm, entretanto, participação no governo–, alguns deputados da base e também da oposição apontam que o revés na votação da MP pode ser algo pontual e ligado ao tema do aumento de impostos.

Para evitar desgastes, porém, há líderes partidários governistas defendendo que o governo acione o Congresso o mínimo possível. Segundo essa visão, o saldo eleitoral para Lula nas redes e nas ruas é mais importante do que os resultados no Parlamento.

Deputados do PT chegam a dizer que a rejeição da MP dos impostos gerou uma oportunidade para reforçar o mote da justiça social e da “taxação BBB” (uma referência a bancos, bets e bilionários), além de demarcar a posição do presidente Lula ao lado do povo e contra privilégios dos mais ricos.

Alguns negam, porém, que a campanha de “Congresso inimigo do povo” parta do governo, e muitos dizem discordar dela, em um aceno ao Legislativo e ao presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB). Isso apesar de Lula ter dito no dia seguinte à derrota na Câmara estar muito triste com um Congresso que resista a fazer os ricos pagarem um pouco mais de imposto.

Nesta sexta, cinco superintendentes regionais ligados ao MDB e PSD foram exonerados.

Um integrante do Planalto diz que os aliados foram alertados de que a votação da MP era decisiva e que aqueles que se posicionassem contra a medida provisória fariam uma opção de sair do governo.

Como consequência, os superintendentes do Ministério da Agricultura no Pará, Paraná, Minas Gerais e Maranhão perderam os cargos. No Ministério dos Transportes, a baixa foi na superintendência do Dnit (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes) de Roraima.

As demissões causaram insatisfação principalmente no PSD, de acordo com deputados ouvidos pela reportagem. Um líder da sigla classificou a ação do governo como “pouco inteligente” e sem sentido, já que a sigla foi a segunda com maior apoio à MP, atrás apenas do PT.

O PSD orientou voto contra a MP, numa ação coordenada pelo presidente do partido, Gilberto Kassab. Já MDB declarou voto a favor. Ambas as bancadas racharam, com os votos divididos entre a rejeição e o apoio à proposta do governo que aumentava impostos para cobrir despesas.

Carolina Linhares, Ranier Bragon e Raphael Di Cunto / Folhapress

Alckmin diz que Lula pediu suspensão de tarifa de 40% a Trump e que Rubio não é problema

 Foto: Lula Marques / Agência Brasil

Vice-presidente Geraldo Alckmin12 de outubro de 2025 | 16:02

Alckmin diz que Lula pediu suspensão de tarifa de 40% a Trump e que Rubio não é problema

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O vice-presidente, ministro do Desenvolvimento e um dos principais articuladores pelo fim do tarifaço com os Estados Unidos, Geraldo Alckmin, se disse otimista com a possibilidade de o presidente americano, Donald Trump, aceitar o pedido do Brasil de suspender a tarifa de 40% sobre produtos brasileiros. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) conversou com Trump por telefone na semana passada.

“O pedido do presidente Lula para o presidente Trump foi que enquanto negocia, suspenda os 40%. Esse foi o pleito. Aí temos um ganha-ganha. Há muita possibilidade de parceria entre Brasil e EUA”, disse o vice-presidente neste domingo, 12. “Pode ter aí um avanço importante, já avançamos. A celulose saiu do tarifaço, hoje celulose e ferro-níquel já é 0%, isso dá 4% da exportação brasileira. Na semana passada, madeira serrada e macia dava 50%, veio para 10%. Armário, sofá, móveis, dava em 50%, veio para 25% O que nós precisamos é avançar mais depressa”, continuou em conversa com jornalistas após participar de missa em Aparecida (SP).

Há expectativa de que os líderes se encontrem pessoalmente na Malásia, no fim do mês, após um breve encontro na assembleia-geral da ONU pavimentar o caminho do diálogo. Alckmin disse também que não vê empecilhos na negociação com os EUA com a indicação do secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, para ser interlocutor do lado americano. “Não acredito (que o nome atrapalhe o diálogo). A orientação do presidente (dos EUA, Donald) Trump foi muito clara. Nós queremos fazer um diálogo e entendimento, e o Brasil sempre defendeu isso”, considerou.

A indicação de Rubio gerou apreensão no governo e foi comemorada pela direita. Recentemente, Rubio fez dezenas de críticas ao ministro do Superior Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, e foi um dos responsáveis por anunciar a aplicação da Lei Magnitsky contra o ministro e sua mulher.

Rubio já se encontrou algumas vezes com o deputado federal Eduardo Bolsonaro e fez comentários públicos ameaçadores sobre a condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro, com quem também se reuniu no passado.

Alckmin disse ainda que acha que o Brasil avançou no combate à pobreza com a saída do País do Mapa da Fome da ONU, mas destacou que a “tarefa nunca vai terminar”. “É importante cada dia avançar mais, no sentido da gente melhorar a qualidade de vida da nossa população”, afirmou.

Lavínia Kaucz / Estadão ConteúdoPolitica Livre

Gaza, dois anos depois: A humanidade sob escombros


Defesa de Dirceu a prisão domiciliar de Bolsonaro divide o PT

Publicado em 12 de outubro de 2025 por Tribuna da Internet

Apoio de Dirceu divide a legenda entre constrangimento e elogio

Juliana Arreguy
Folha

A defesa do ex-ministro José Dirceu à prisão domiciliar de Jair Bolsonaro (PL) dividiu opiniões no PT e motivou críticas públicas, elogios em grupos e constrangimento velado entre integrantes do partido.

Em entrevista à BBC Brasil publicada na segunda-feira (6), Dirceu declarou que o ex-presidente, condenado a 27 anos de prisão em regime fechado pela atuação na trama golpista, “não tem condições de ir para a prisão”. Bolsonaro cumpre prisão domiciliar desde o dia 4 de agosto.

“INSTÁVEL” – “Eu nunca tive relação com Bolsonaro, mas me parece que ele é uma pessoa psicossomática, que vai acelerando, muito instável. Não é uma pessoa que tem autocontrole”, disse. “Eu não desejo mal a ninguém, nem a ele. Nessas condições, ele sobrevive porque vai ficar em regime domiciliar, com família, com tratamento médico. A família é muito importante. Mas ele não tem condições de ir para a prisão.”

Dirceu já foi preso cinco vezes: pela ditadura militar, pelo mensalão e em três ocasiões pela Lava Jato. Ele afirmou que não se pode colocar um ex-presidente no sistema penitenciário e que, mesmo no caso do presidente Lula (PT), houve a possibilidade de cumprir a pena em regime fechado na carceragem da Polícia Federal em Curitiba, e não em um presídio comum.

“Acho muito improvável que se possa colocar presos vulneráveis no sistema penitenciário que é controlado pelo crime organizado. As condições são péssimas. E como o estado de saúde dele [Bolsonaro] está se agravando, porque parece que isso é real, eu não vejo como é que ele pode entrar no sistema penitenciário.”

CRÍTICAS – Petistas ouvidos pela Folha criticaram, sob reserva, a defesa de Dirceu à prisão domiciliar no caso de Bolsonaro e disseram que ela gerou um constrangimento interno, já que o próprio líder do PT na Câmara, o deputado Lindbergh Farias (RJ), alegou risco de fuga para pedir pela prisão preventiva do ex-presidente antes do julgamento do STF (Supremo Tribunal Federal).

Um dirigente do partido classificou a declaração de Dirceu como uma derrapada grande e disse que parte dos filiados não quer fazer críticas públicas por se tratar de um quadro respeitado no PT.

O deputado federal Rogério Correia (PT-MG), usou a rede social X para criticar a fala. “Se a [Carla] Zambelli aguenta presídio superlotado na Itália, porque Bolsonaro com histórico de atleta e imbrochável, não aguentaria um presídio no Brasil, com tantas leis de direitos humanos aprovadas pelos esquerdistas?”, escreveu ele na quarta (8).

AVALIAÇÃO – Procurado pela reportagem, Correia disse que cabe às autoridades definir se Bolsonaro terá condições, ou não, de cumprir pena em regime fechado. “Quem tem que avaliar isso é o sistema penal e o serviço médico oficial. É muito grave o crime de tentar acabar com o direito de voto do povo e de atentar contra as liberdades políticas”, afirmou o parlamentar.

Ele acrescentou que fez questão de publicar a postagem em redes sociais para mostrar que se trata de uma opinião do próprio Dirceu, e não de um posicionamento oficial do partido. “Eu sou amigo do José Dirceu e me dou ao direito de não concordar com tudo o que ele fala”, acrescentou.

ELOGIOS – Em grupos de WhatsApp, por outro lado, alguns filiados elogiaram a declaração do ex-ministro da Casa Civil do primeiro mandato de Lula. Em troca de mensagens à qual a Folha teve acesso, um deles disse que Justiça não é vingança, mas humanidade, e outro petista chamou a fala de Dirceu de manifestação de generosidade.

Vice-presidente do PT, o prefeito de Maricá, Washington Quaquá, disse à reportagem que, embora seja “importante pacificar o país”, ele acredita que Bolsonaro deveria cumprir prisão em regime fechado por ao menos um ano. “O Lula não ficou?”, perguntou.

“Bolsonaro tem que ficar em cana até o fim das eleições. Até porque, ele está condenado por, entre outras coisas, atacar a democracia”, disse por meio de mensagem. Questionado se discordava da fala de Dirceu, Quaquá negou. “Não é discordar, tenho opinião diferente”, disse. “É uma divergência de tempo [de pena]”, acrescentou.


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