terça-feira, outubro 07, 2025

EUA escalam guerra híbrida na América Latina - PUTIN FAZ DISCURSO EXPLOSIVO - ISSO PODE SE TORNAR NUCLEAR e muito mais...

 

Asociação Brasileira dos Jornalistas ABJ

EUA escalam guerra híbrida na América Latina para conter BRICS e China

06/10/2025 Por 

Sem poder na Eurásia e no Oriente Médio, Washington transforma o Caribe e o Atlântico Sul em trincheira de última hora: ataques militares, lawfare, sanções e bases estrangeiras para travar a integração latino-americana. Enquanto o porto de Chancay abre a rota direta China–Pacífico e o Brasil estuda a ferrovia bioceânica, os EUA recorrem ao manual … Ler mais

Putin devastando a Ucrânia: ação de Trump pode causar a Terceira Guerra Mundial

06/10/2025 Por 

Donald Trump fez o impensável e a Rússia está se preparando para uma grande escalada na guerra. O próximo movimento de Vladimir Putin será decisivo, argumentam Ben Norton e KJ Noh, e as repercussões podem significar uma guerra nuclear se os EUA não desistirem de sua guerra fracassada na Ucrânia. Assista ao vídeo até o … Ler mais

PUTIN FAZ DISCURSO EXPLOSIVO, DESAFIA O OCIDENTE E ANUNCIA RUPTURA COM TRUMP

06/10/2025 Por 

O presidente russo Vladimir Putin proferiu um discurso explosivo durante o fórum Valdai em Sochi, elevando a tensão e marcando uma ruptura inédita na relação ao presidente Donald Trump e ao Ocidente. Putin criticou abertamente os Estados Unidos pelo envio de mísseis de longo alcance à Ucrânia e alertou para uma “escalada perigosa”, deixando claro … Ler mais

Lula e Trump conversam sobre tarifas por videochamada

06/10/2025 Por 

Reunião entre os dois presidentes abordou tensões comerciais e busca de soluções para evitar retaliações. 247 – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva conversou na manhã desta segunda-feira, por videochamada, com o atual presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. O diálogo ocorreu em meio ao aumento das tensões diplomáticas entre os dois países, provocado pela … Ler mais

IR zero e taxação dos super-ricos reforçam narrativa de Lula e podem ampliar sua base popular, avalia Renato Meirelles

06/10/2025 Por 

Presidente do Instituto Locomotiva afirma que as medidas fortalecem a imagem de Lula e podem consolidar sua recuperação de popularidade. 247 – A aprovação da isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil e da taxação mínima sobre os super-ricos pode se transformar em um divisor de águas para a popularidade do … Ler mais

Impacto das tarifas de Trump na economia brasileira foi praticamente irrelevante

06/10/2025 Por 

Levantamento da Amcham Brasil mostra que a maioria dos setores conseguiu redirecionar vendas para outros mercados. 247 – Dois meses após a entrada em vigor do tarifaço imposto pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, o impacto sobre a economia brasileira tem sido praticamente irrelevante, segundo reportagem publicada por O Globo nesta segunda-feira (6). Um levantamento da Câmara … Ler mais

Tarifa zero no transporte coletivo

06/10/2025 Por 

Chegou a hora de experimentar mudar um sistema que fracassou em todos os sentidos. A Câmara de Belo Horizonte acaba de rejeitar o PL 60/2025 que implantaria o sistema de tarifa zero no transporte coletivo. Foram 30 votos contrários e 10 a favor. Eram necessários 28 votos. O debate foi acirrado. Votaram favoravelmente à proposta … Ler mais

Hediondo é o crime de roubar a nação com emendas e chamar isso de política

06/10/2025 Por 

Ao invés de atacar causas da criminalidade, preferem encenar medidas performáticas, enquanto o palco encharcado desaba sobre quem não pode pagar defesa adequada. Brasília mantém uma oficina de pintores de emergência. A cada crime que irrompe nas telas, corre-se ao almoxarifado legislativo, tiram-se baldes de tinta e repinta-se a fachada da casa: “hediondo”. É como … Ler mais

Brasil minimiza novas ameaças de Trump sobre intervenções na América Latina

06/10/2025 Por 

Itamaraty avalia que o discurso militar do presidente dos EUA busca desviar atenção da crise política interna. 247 – O governo brasileiro reagiu com cautela às novas declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que sugeriram a possibilidade de operações militares americanas na América Latina. A fala foi divulgada após o Departamento de Segurança Interna … Ler mais

‘STF não se curvou aos interesses autoritários de plantão e nenhum país pode ferir autodeterminação de outro’, diz Fachin

06/10/2025 Por 

Presidente do STF defende independência do Judiciário e critica interferência internacional por parte dos EUA. 247 – O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, defendeu a independência da Corte e afirmou que o tribunal “não se curva a pressões autoritárias”. Ele também condenou a interferência de outros países na soberania nacional, em referência … Ler mais


Fui até Diadema ouvir quem a internet condenou à morte

 

Cartas Marcadas - Intercept Brasil


Terça-feira, 07 de outubro de 2025



As casas que a internet destruiu



Uma rua de Diadema virou alvo de ódio nas redes da extrema direita — e teve até quem pedisse a morte dos moradores. Fui até lá descobrir os motivos por trás da “favelização”.


Na última sexta-feira, 2, publicamos um teaser da reportagem que você vai ler hoje em Cartas Marcadas. Em menos de 48 horas, o vídeo ultrapassou 5 milhões de visualizações — uma audiência que cresceu de forma explosiva, turbinada por perfis da extrema direita sedentos por conseguir atenção às custas do ódio.


Isso aconteceu porque fui o primeiro repórter a ir presencialmente a uma rua periférica que foi transformada em metáfora moral e usada como arma política por políticos e influenciadores nas semanas anteriores.


Esta reportagem nasceu para contar o outro lado da história. Fui ouvir as pessoas que a internet decidiu odiar. Descobri histórias de trabalho, medo e esperança. Mas, sobretudo, encontrei um espelho do país: um lugar abandonado pelo estado, rejeitado pelo mercado e desprezado pela sociedade.


O resultado é este retrato do Novo Habitat — um nome que prometia recomeço, mas acabou reproduzindo velhos problemas.


Vamos aos fatos.


Eram oito horas da manhã quando cheguei à Rua Novo Habitat, em Diadema, município na Grande São Paulo. Nas duas semanas anteriores, fotos comparando as casas em 2019 e 2025 tinham viralizado como exemplo de “favelização”.


deputado federal Nikolas Ferreira, do PL de Minas Gerais, disse que aquilo expunha “o caráter, a cultura e o espírito” dos moradores, e houve até quem escrevesse que “favelados assim tinham que morrer” em um comentário no post dele. Nikolas não foi o único: outros deputados, jornalistas e movimentos de extrema direita, como o MBL, também se mostraram obcecados com o caso.


Por causa disso, estava apreensivo para ver como seria recebido por ali. Andei alguns metros pela rua para conhecer o local. Até que vi um homem olhando para mim da janela de um dos sobrados. Perguntei se ele poderia descer para falar comigo. Era George Araújo, 49 anos, morador do lugar desde 1997.


Começamos a conversar. Logo percebi o impacto daquela enxurrada de comentários na vida daquelas pessoas. Araújo não hesitou quando questionei se ele toparia ser entrevistado. “Estamos engasgados com isso”, disse, concordando que eu gravasse.


‘Os barracos eram no meio da rua. Ninguém comentava’


Araújo chegou à Rua Novo Habitat há quase trinta anos – informação que já derruba uma das mentiras que circularam nas redes sociais: a de que os beneficiados pelos imóveis entregues pelo programa habitacional da Prefeitura de Diadema venderam a posse das residências.


Na maior parte dessas três décadas, Araújo viveu em um barraco de madeira. “Os barracos eram no meio da rua. Nessa época, ninguém comentava, estava preocupado com a calçada ou veio aqui ajudar”, disse. “Eu matava rato aqui. A água invadia. Depois é que vieram essas casas”.


As casas coloridas que viralizaram nas redes foram inauguradas em 2018. O projeto das moradias foi concebido pela arquiteta Fabrícia Zulin, prevendo sobrados de 48,5 metros quadrados, em lotes de cinco por cinco metros, cercados por uma área industrial e um pedaço de mata fechada.


Na época, as casas foram apresentadas como um modelo de habitação popular inovador e chegaram a ser citadas como exemplo pelo Conselho de Arquitetura e Urbanismo. Elas foram entregues pelo Fundo Municipal de Habitação na gestão do então prefeito Lauro Michels, do PV.


A proposta surgiu após famílias como as de Araújo se recusarem a trocar o local por unidades de conjuntos habitacionais em outras regiões da cidade. Para evitar o despejo forçado, a prefeitura optou por construir as chamadas “casas cubo”, com dois cômodos em cima e dois embaixo.


As ampliações que viraram alvo de ataques


Já são sete anos desde que estamos fazendo essas mudanças, e agora é que vieram esses comentários. Não dá pra entender nada”, disse Araújo. Ele afirmou que conversou com representantes da prefeitura, e que checou a documentação antes de fazer as mudanças nos imóveis.


“Os papéis falavam de não mexer na estrutura. Crescemos pra frente”, explicou, enquanto me convidava para entrar na garagem de sua casa. Foi ali que comecei a questionar as motivações das mudanças. “O carro dormia na rua e amanhecia riscado”, explicou, sobre ter construído sobre o recuo de 5,5 metros que separava a porta de sua casa da rua. Araújo, que é pintor, também usa o espaço agora coberto para trabalhar em dias de chuva.


Ele repetiu que as ampliações nasceram da necessidade, não por capricho: “Tem casa aqui que a família era maior. Era um sofrimento pra conviver. Eram dois cômodos para famílias com dois, três filhos”.


Durante a conversa, percebi a insistência do morador em responder às críticas sobre a aparência de sua casa. Por isso, fez questão de me levar ao interior da residência.


“Vem ver o acabamento que fizemos aqui dentro. É de porcelanato. Nós estamos fazendo o melhor que podemos. Eu pretendo terminar, deixar tudo bonitinho. Aos poucos, nós vamos chegar lá. Vou realizar esse sonho”, repetiu.


A mágoa com o linchamento digital era evidente. “Pior são os políticos, que deveriam fazer alguma coisa”, disse, quando comentei sobre o tweet feito por Nikolas Ferreira. “Na eleição, querem vir aqui atrás de voto, fazer reuniãozinha. Pra mim, é tudo zé povinho”, desabafou.

Famílias trabalhadoras de Diadema recebem ameaças de morte porque ampliaram suas casas. Nikolas Ferreira e o MBL ganharam milhões de visualizações atacando essas pessoas - mas nenhum deles foi até lá ouvir o outro lado.


A extrema direita transforma trabalhadores em alvos de ódio, e amanhã pode ser alguém da sua família. Só jornalismo independente vai a campo investigar o que eles escondem.


Sua doação financia quem expõe a máquina de ódio antes

que ela destrua mais vidas.

‘Quando entregaram, foi no grosso’

Enquanto conversávamos, Thaís Lima, 27 anos, apareceu com o filho no colo. Ela passou a observar a entrevista até que perguntou: “Posso falar também?”. Concordei, dizendo que estava ali justamente para ouvir os moradores.

Desde que eu me conheço por gente, eu moro aqui”, contou, também relembrando o tempo em que habitava em um barraco de madeira. “Entregaram uma casa para duas famílias: a minha e a do meu tio. Eu já tinha dois filhos. A casa era de dois quartos. Como que vive eu, meus filhos, meu marido, meu tio e os filhos dele? Não tem como. Eu ampliei por isso”, disse.

Thaís também lembrou do estado do imóvel entregue pela prefeitura: “Quando entregaram, foi no grosso: só tinha piso no banheiro e na lavanderiaQuando chovia, a calha enchia. As paredes já estavam corroídas. A água do banheiro não ia pro ralo, ela passava. Por fora são mil maravilhas. Quando entrava, descobria o que era”.

Enquanto conversava com Thaís, seu tio, Heraldo, que é mestre de obras, apareceu. Ele reforçou as críticas ao projeto original do imóvel: “A casa está toda rachando. E uma calçada é pra ter dois metros, não seis metros como tinha aqui”, reclamou.

Menos de dois anos após a entrega das casas, veio a pandemia. Thaís, o marido e as crianças ficaram confinados no espaço apertado. “Era enlouquecedor”, ela me disse, enquanto apontava para o quarto que virou cozinha. “A gente pensava: ou aumenta, ou morre sufocado.

Hoje com quatro filhos, ela também se mostrou afetada pelas críticas nas redes sociais. “O povo da internet me chamou de favelada, sem educação, que eu não estudo, que eu tenho que passar educação pros meus filhos. A minha moradia não significa que não tenho educação.

Medo de represálias

Conversei com outros moradores, que pediram para que eu não gravasse entrevista com medo da exposição e de eventuais represálias. Segurança e falta de privacidade foram outros motivos apontados para a ampliação.

Eles responderam a críticas sobre a “tomada das calçadas” dizendo que o trecho nunca teve passagem livre: nem no tempo dos barracos, nem nos imóveis entregues pela prefeitura, que previam os carros estacionados onde passariam os pedestres. “E tem calçada do outro lado. É que na foto está circulando por aí, não aparece”, disse um dos moradores.

Nessa conversa, ouvi outras motivações para as ampliações das casas. Entre elas, a ausência de privacidade, já que as portas e janelas davam direto na rua, bem como o barulho constante. “Minha filha é autista, precisa de espaços mais protegidos”, disse uma gestante.

O temor, agora, é de que a repercussão do caso faça com que eles não possam mais morar ali. “Eu estou desesperado com isso. Todo mundo aqui é honesto, trabalhador e não tem para onde ir. Vão tirar a gente daqui?”, me perguntou um homem.

Novo Habitat, velhos problemas

A verdade é que o caso da Rua Novo Habitat, em Diadema, não expôs apenas a violência nas redes sociais. Revelou também os limites de uma política habitacional que, décadas depois de sucessivos programas públicos, ainda não consegue garantir moradia digna e acompanhamento adequado às famílias de baixa renda.

Para entender o problema mais profundamente, resolvi ir atrás do responsável pela entrega dos imóveis em 2018, o ex-prefeito Lauro Michels. Ele me atendeu e relembrou que o projeto nasceu de uma tentativa de evitar o despejo de famílias que viviam em barracos “insalubres e desumanos”.

Perguntei a ele como reagiu às ofensas feitas por figuras da extrema direita. “Ninguém tem mais ou menos caráter por morar aqui ou ali”, afirmou Michels. Para ele, a discussão nas redes se tornou “cansativa” e marcada por generalizações políticas, enquanto as verdadeiras questões — moradia, segurança e acompanhamento — foram deixadas de lado.

O ex-prefeito afirma que as moradias atendiam às necessidades das famílias naquele momento. “No verão, os barracos eram um forno microondas; no inverno, um freezer. O projeto buscou garantir o mínimo de dignidade”, disse.

Sobre as ampliações feitas depois da entrega, o ex-prefeito reconhece que “cada um tem sua necessidade”, mas defende que cabe ao poder público fiscalizar e orientar. “Durante a minha gestão, as casas estavam em ordem. As ampliações respeitavam os recuos e as calçadas”, afirmou.

‘A arquitetura no Brasil ainda é elitista’

Conversei também com a doutoranda em arquitetura e urbanismo Ester Carro, que preside o Instituto Fazendinhando e pesquisa moradia digna nas periferias. Segundo ela, o espanto gerado pelas imagens do Novo Habitat revela mais sobre o olhar de quem critica do que sobre os moradores. “É como se a periferia tivesse aparecido agora”, diz.

Ela lembra que a estética das favelas — marcada por puxadinhos, cores e improvisos — é frequentemente lida como sinal de desordem, quando, na verdade, expressa autonomia e criatividade. “O que muitos chamam de feio é, na verdade, uma arquitetura viva, diversa, feita por quem mora e conhece o território.”

Carro aponta que o distanciamento entre arquitetos e moradores é uma das causas da descaracterização dos conjuntos habitacionais. “Quem desenha as nossas cidades? Há consulta aos moradores para entender o que eles querem ou precisam?”, questiona. “A arquitetura no Brasil ainda é elitista. Atende ao gosto da classe média alta e ignora as necessidades reais das famílias populares.

A pesquisadora, que atualmente cursa o doutorado na USP e na universidade holandesa TU Delft, destaca ainda que o problema vai além das casas. “No Brasil, não existe uma política pública de acompanhamento pós-ocupação”, explica.

Para Carro, o caso de Diadema é um retrato dessa ausência de políticas integradas. “Isso não é exceção. Acontece em praticamente todos os conjuntos que não têm zeladoria ou administração interna”, afirma. Ela defende que o poder público crie conselhos de moradores e processos coletivos de decisão. “Quando há diálogo e gestão, o espaço é cuidado. Quando não há, cada um tenta resolver do seu jeito.

‘A política habitacional no Brasil é um fracasso’

Uma das maiores referências em urbanismo no país, a professora Raquel Rolnik, da USP, também vê o episódio como sintoma de um problema estrutural. “A história da política habitacional no Brasil é uma história de fracasso”, diz. “A maior parte das moradias foi construída por autoconstrução — pessoas explorando a si mesmas, sem recursos e sem apoio técnico.

Rolnik critica o fato de a política de moradia ser desenhada a partir dos interesses do mercado e não das pessoas. “Ela é pensada entre a indústria da construção, a imobiliária e a financeira — e muito pouco com base nas necessidades reais da população.

Para Rolnik, há ainda uma contradição no discurso moralista de políticos que atacaram os moradores de Diadema. “É curioso que alguém como Nikolas Ferreira, defensor da liberdade de construir e do empreendedorismo popular, condene essas famílias. O que elas fizeram é justamente o que ele exalta: criaram soluções por conta própria, sem apoio do estado.

A gramática do ódio na extrema direita

Foi justamente essa contradição — entre o discurso moralista e a realidade concreta — que me levou a procurar a professora Letícia Cesarino, da Universidade Federal de Santa Catarina, uma das principais pesquisadoras do país sobre extrema direita e linguagem digital. Quis entender por que a história de uma rua periférica virou metáfora moral nas redes e combustível para o discurso de ódio.

Segundo ela, o caso de Diadema mobiliza códigos profundos do imaginário político brasileiro. “A extrema direita transformou o senso comum em arma de guerra”, afirma. “Eles operam com uma gramática de oposições — feio e bonito, ordem e desordem, perigo e segurança — que ativa reações viscerais nas pessoas.”

Para Cesarino, esse tipo de discurso funciona porque apela à emoção e demarca fronteiras entre grupos. “Quando reiterado, ele leva à desumanização. O outro deixa de ser visto como humano.”

Ela explica que o ataque aos moradores de Diadema ecoa a velha narrativa segundo a qual o “cidadão de bem” seria parasitado pelos pobres. “A ideia é que quem trabalha e produz está sendo explorado por quem não quer trabalhar — os favelados, os assistidos, os que bagunçam o que recebem. É um subtexto de parasitismo social que pega muito porque está no senso comum.

Para ela, essa moralização das causas sociais é o que torna o discurso perigoso. “Eles não enxergam fatores estruturais ou econômicos. Atribuem tudo ao caráter, ao espírito, à moral das pessoas”, diz. “E quando se naturaliza que alguém é ‘irrecuperável’, abre-se a porta para justificar sua exclusão — ou até sua eliminação simbólica.”

Entre as falhas da política habitacional e a ignorância de quem condena, as casas do Novo Habitat se tornaram símbolo de uma velha história: a distância entre o Brasil idealizado e o Brasil que existe — aquele que, sem escolha, precisa continuar construindo sozinho.


Um teaser desta reportagem viralizou com 5 milhões de visualizações nas nossas redes sociais – e despertou a fúria e a máquina de mentiras do bolsonarismo. Agora, precisamos de você para ajudar a espalhar a verdade por trás do linchamento desses moradores.

Compartilhe esta reportagem para que mais pessoas conheçam o outro lado da história que a extrema direita não quer que você veja.

Não perca as próximas investigações. Seguimos atentos aos reais interesses que movem a extrema direita.

Tem uma história que precisa ser contada? Escreva para paulo.motoryn@intercept.com.br.

Até a próxima terça-feira.

Abraços,


Paulo Motoryn

Humor será um dos motes da mesa da FLICA 2025 com Mário Kertész, Franciel Cruz e Nelson Pretto




Com o tema “A gente ri, a gente chora”, a mesa terá mediação da escritora e jornalista Mariana Paiva e acontece na Tenda Paraguaçu dia 23 de outubro

O ex-prefeito de Salvador e radialista Mário Kértesz, o jornalista e escritor Franciel Cruz e o professor da Ufba Nelson Pretto são os participantes da mesa “A gente ri, a gente chora”, no dia 23 de outubro (quinta-feira), às 15h. O encontro que integra a programação da 13ª edição da FLICA - Festa Literária Internacional de Cachoeira - será mediado pela escritora e jornalista Mariana Paiva, e acontece na Tenda Paraguaçu.

Mário Kértesz lançou no início deste mês de setembro seu livro de memórias “Riso-Choro” (Edufba). Já o mais recente livro de Franciel é “Tá Pensando Que Tudo é Futebol?” (selo editorial Dança de Rato), que reúne crônicas sobre o esporte mais popular do Brasil. 

Nelson Pretto, professor da faculdade de educação da UFBA e autor de livros como “Conexão Escola-Mundo” (Edufba), diz que seu papel será de um “comentador”: “O livro de Mário Kertész é interessante porque conta seu percurso, desde a entrada na comunicação ao assumir o Jornal da Bahia. Mostra como a política depende da comunicação. E Mário faz esse movimento único, saindo da política, que precisa da comunicação, para se tornar dono de um veículo, reforçando ainda mais seu papel político”, observa Nelson.

O professor destaca a linguagem usada por Kertész em “Riso-Choro”: “O livro é narrado em primeira pessoa, como se ele estivesse falando na rádio. Parece que estamos conversando com ele e ouvindo os comentários dele. É uma leitura prazerosa neste sentido, sem sofisticação literária”.

O humor de Mário e de Franciel será um dos motes da conversa, segundo Mariana Paiva. “O meu verso preferido é ‘defender a alegria como uma trincheira’, de Mario Benedetti. Mas não é rir à toa, nem o sorriso amarelo, mas falo desse riso que é capaz de se colocar como anteparo diante da dor do mundo. A gente pode usar o riso para mostrar o ridículo do outro, do mundo”.

Mariana nota a importância da presença de uma mulher na mesa, ainda que como mediadora. “Nós, mulheres, não estamos historicamente neste lugar de humor, mas no de sofrimento. Estar nesta mediação mostra que a mulher pode ser extrovertida e bem-humorada. Podemos olhar para os fatos com inteligência, uma inteligência que ri”. 

A FLICA na vida de cada um - Nelson Pretto frequentou as primeiras edições da FLICA e cita momentos marcantes como a homenagem à Mãe Stella em 2014. “Estive lá como espectador e vi coisas emocionantes. Acompanhei debates, futuquei livros, assisti a shows. Mas é a primeira vez que participo de uma mesa. A FLICA é a pioneira das festas literárias na Bahia e estimulou o surgimento de outras festas no estado. Essas festas são muito importantes porque participam do processo formativo da juventude”, acrescenta o educador.

Mariana Paiva participou, como autora, de uma mesa com o escritor português Gonçalo M. Tavares, também em 2014. Como mediadora, é a primeira experiência em Cachoeira. “É uma grande alegria voltar à FLICA. Cachoeira é um lugar encantado! Embora a FLICA não tenha décadas de existência, tem muita importância pelos debates que suscitou e suscita. Não tem medo sobre determinadas questões e sempre renova o olhar sobre várias questões”, afirma a escritora.

FLICA 2025 - A 13ª edição da FLICA - Festa Literária Internacional de Cachoeira - será realizada entre 23 e 26 de outubro, com o tema “Ler é Massa!”. O evento vai reunir mais de 60 autores nacionais e internacionais, além de artistas e leitores, para celebrar a magia da literatura. 

A alma da festa é formada por três espaços principais: a Tenda Paraguaçu, principal palco de encontros e debates literários; a Fliquinha, dedicada às crianças; e a Geração FLICA, para o público jovem.

A curadoria desta edição é composta por Wesley Correia, Emília Nuñez, Deco Lipe e Linnoy Nonato. A realização tem a assinatura da SCHOMMER Produções e a coordenação geral é feita por Verônica Nonato. 

Entre os artistas e escritores que participam da FLICA 2025, estão Bárbara Carine, Paula Pimenta, NegaFyah, Russo Passapusso, Rita Batista, Lirinha, Aline Midlej, Leozito Rocha, Maíra Azevedo e os convidados estrangeiros, a peruana Gabriela Wiener e o palestino Atef Abu Saif.

Acessibilidade - Todos os espaços apresentam indicação etária livre e contam com acessibilidade. As atividades acontecerão em espaços distintos, todos com rampas de acesso e sanitários químicos para pessoas com deficiências. 

A Tenda Paraguaçu, Geração Flica, Fliquinha, o espaço Bahia Presente e o Palco Ritmos terão intérpretes em libras visíveis, de frente para a plateia. Produtores estarão em cada espaço para acompanhar pessoas com deficiência e fornecer informações. Para as mesas literárias com autores estrangeiros, serão disponibilizados a todos, incluindo os deficientes visuais, fones de ouvido com áudio da tradução em português.

A 13ª edição da FLICA tem patrocínio do Governo do Estado, através do FazCultura, Secretaria de Cultura do Estado (SecultBA) e Secretaria da Fazenda (Sefaz), e Governo Federal. É contemplada pelo Projeto Bahia Literária, iniciativa da Fundação Pedro Calmon (FPC), unidade vinculada à SecultBA, e da Secretaria Estadual de Educação (SEC). Conta com o apoio da EMBASA, com realização da SCHOMMER, em parceria com a Prefeitura Municipal de Cachoeira e LDM (livraria oficial do evento).


SERVIÇO:

FLICA 2025

Quando: 23 a 26 de outubro de 2025

Mesa: “A gente ri, a gente chora”, com Mário Kertész, Nelson Pretto e Franciel Cruz

Mediação: Mariana Paiva

Data: 23 de outubro (quinta-feira)

Horário: 15h

Espaço: Tenda Paraguaçu

Mais informações:

Instagram: @flicaoficial | https://www.instagram.com/flicaoficial/


Divulgação: Fábio Costa Pinto - jornalista / Mtb 33.166/RJ

segunda-feira, outubro 06, 2025

Bolsonaristas veem digital de rival de Rubio em aproximação de Trump e Lula

 Foto: Reprodução/Arquivo

Diplomata americano Richard Grenell06 de outubro de 2025 | 16:59

Bolsonaristas veem digital de rival de Rubio em aproximação de Trump e Lula

mundo

Bolsonaristas com ligação com a Casa Branca enxergam as digitais do diplomata americano Richard Grenell, rival interno do secretário de Estado, Marco Rubio, no movimento para distensionar as relações entre os governos de Donald Trump e Lula.

Grenell foi cotado para chefiar a diplomacia americana sob Trump, mas acabou perdendo a disputa com Rubio.

Ex-embaixador dos EUA na Alemanha, ele acabou nomeado para o posto de “enviado presidencial para missões especiais”, desempenhando tarefas específicas a pedido da Casa Branca, sem submissão hierárquica a Rubio.

Grenell tem sido, por exemplo, o principal ponto de contato do governo Trump com o ditador da Venezuela, Nicolás Maduro.

Segundo um aliado do ex-presidente Jair Bolsonaro, o diplomata tem defendido uma acomodação da gestão americana tanto com Maduro quanto com Lula.

Em setembro, durante participação na conferência conservadora Cpac no Paraguai, ele disse ver possibilidade de uma negociação com o regime venezuelano que evite uma guerra.

Nas últimas semanas, Trump tem escalado a retórica contra Maduro, acusando-o de abrigar cartéis que ameaçam os EUA com o tráfico de drogas.

Com forte influência junto ao presidente americano, Grenell estaria fazendo um contraponto ao linha-dura Rubio.

Fábio Zanini, Folhapress

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