Redação CORREIO | Foto: Sérgio Pedreira/Ascom-TJBA
O Tribunal Regional Eleitoral da Bahia (TRE) empossou nesta sexta-feira seu novo presidente, o desembargador Sinésio Cabral. Foram empossados também o vice-presidente Eserval Rocha e mais três novos juízes substitutos: os desembargadores Mário Alberto Simões Hirs e Lourival Trindade e o juiz Ruy Brito.
Desembargador Sinésio Cabral assumiu TRE nesta sexta (5)
O desafio do novo presidente será aumentar a celeridade, transparência e independência do Tribunal Eleitoral. Em 2008, do TRE registrou quase cinco mil processos, deixando de julgar 500, por excesso de recursos.
Fonte: Correio da Bahia
sábado, dezembro 06, 2008
Renan emerge e agora quer liderar PMDB no Senado
Agencia Estado
Um ano depois de ser alvo de quatro denúncias por suspeita de quebra de decoro parlamentar e renunciar à presidência da Casa, o senador Renan Calheiros (AL) está em campanha para ser líder do PMDB. Ele comunicou ao atual líder, Valdir Raupp (RO), na quinta-feira, que quer o seu lugar. Nesta data, dia 4, fez um ano que ele renunciou à presidência do Senado para não ser cassado.
Raupp disse a ele que seria ?difícil? abrir mão do cargo por dois motivos: por já ter o apoio de 13 dos 20 senadores da bancada e para não frustrar os eleitores do Estado, que defendem sua permanência na liderança, uma vez que não quis disputar a presidência do Senado. Há menos de dois anos no cargo, Raupp defende que não deve abrir mão da liderança - normalmente ocupado pelos quatro anos da legislatura - para manter o que chama de ?bom entendimento na bancada?. ?A bancada está unida, esta disputa vai estragar tudo.?
O líder marcou para quarta-feira reunião para discutir o assunto. Sua dúvida, agora, é se mantém a data ou se atende ao pedido do presidente do Senado, Garibaldi Alves (PMDB-RN), que quer adiar a decisão até que o partido feche o nome do candidato à presidência. ?Uma disputa interna não pode contaminar a escolha do candidato à presidência?, disse Garibaldi. ?Se for possível adiar, é melhor para não atrapalhar o que considero mais importante para a Casa.?
As informações são do jornal O Estado de S. Paulo. /A Tarde
Um ano depois de ser alvo de quatro denúncias por suspeita de quebra de decoro parlamentar e renunciar à presidência da Casa, o senador Renan Calheiros (AL) está em campanha para ser líder do PMDB. Ele comunicou ao atual líder, Valdir Raupp (RO), na quinta-feira, que quer o seu lugar. Nesta data, dia 4, fez um ano que ele renunciou à presidência do Senado para não ser cassado.
Raupp disse a ele que seria ?difícil? abrir mão do cargo por dois motivos: por já ter o apoio de 13 dos 20 senadores da bancada e para não frustrar os eleitores do Estado, que defendem sua permanência na liderança, uma vez que não quis disputar a presidência do Senado. Há menos de dois anos no cargo, Raupp defende que não deve abrir mão da liderança - normalmente ocupado pelos quatro anos da legislatura - para manter o que chama de ?bom entendimento na bancada?. ?A bancada está unida, esta disputa vai estragar tudo.?
O líder marcou para quarta-feira reunião para discutir o assunto. Sua dúvida, agora, é se mantém a data ou se atende ao pedido do presidente do Senado, Garibaldi Alves (PMDB-RN), que quer adiar a decisão até que o partido feche o nome do candidato à presidência. ?Uma disputa interna não pode contaminar a escolha do candidato à presidência?, disse Garibaldi. ?Se for possível adiar, é melhor para não atrapalhar o que considero mais importante para a Casa.?
As informações são do jornal O Estado de S. Paulo. /A Tarde
Ex-prefeito não consegue anular ação de improbidade
Fracassou a tentativa do ex-prefeito do município de Tubarão (SC), Genésio de Souza Goulart, de anular processo de improbidade administrativa, no qual foi decretado o bloqueio de seus bens. A decisão é da 2ª Turma do Superior Tribunal de Justiça.
O Ministério Público de Santa Catarina entrou com Ação Civil Pública contra o ex-prefeito Goulart e mais dois servidores do município por enriquecimento ilícito. O juiz da causa decretou, liminarmente, a indisponibilidade patrimonial dos três e ordenou a citação. O processo transcorreu normalmente. Assim, os réus fizeram o depósito do valor indicado pelo Ministério Público como sacado dos cofres municipais, ocasião em que foi ordenado o desbloqueio dos bens.
No caso, não houve intimação dos acusados para a defesa preliminar. Entretanto, de acordo com o relator, ministro Herman Benjamin, não há nulidade, pois não houve prejuízo. O ministro destacou que a defesa preliminar é a oportunidade para que o acusado indique elementos que afastem de plano a existência de improbidade, a procedência da ação ou a adequação da via eleita.
Contudo, afirmou o relator, no caso concreto, embora não tenha havido oportunidade para a defesa preliminar, existiu instrução administrativa prévia por meio de inquérito civil e o juiz, ao apreciar a inicial, verificou que havia no processo sólidos elementos para a sua convicção quanto às condições da ação.
Por isso, a Turma chamou atenção para a absoluta desnecessidade de, no caso, exigir notificação para defesa preliminar. “Desde a primeira hora, houve por parte dos réus o reconhecimento da situação narrada no pedido inicial do Ministério Público”. Além disso, os ministros destacaram que não houve alegação da nulidade, o que só acabou por acontecer no STJ, sem pré-questionamento.
Segundo os ministros, a falta de notificação não impediu que se desenvolvesse o processo normal, tendo em vista que os réus puderam se defender regularmente, afirmando ou negando os fatos narrados no processo, e seria demasiado formalismo exigir o contrário, pois causaria a nulidade de todo o processo sem que se tenha apontado qualquer prejuízo.
REsp 94.455-5
Revista Consultor Jurídico
O Ministério Público de Santa Catarina entrou com Ação Civil Pública contra o ex-prefeito Goulart e mais dois servidores do município por enriquecimento ilícito. O juiz da causa decretou, liminarmente, a indisponibilidade patrimonial dos três e ordenou a citação. O processo transcorreu normalmente. Assim, os réus fizeram o depósito do valor indicado pelo Ministério Público como sacado dos cofres municipais, ocasião em que foi ordenado o desbloqueio dos bens.
No caso, não houve intimação dos acusados para a defesa preliminar. Entretanto, de acordo com o relator, ministro Herman Benjamin, não há nulidade, pois não houve prejuízo. O ministro destacou que a defesa preliminar é a oportunidade para que o acusado indique elementos que afastem de plano a existência de improbidade, a procedência da ação ou a adequação da via eleita.
Contudo, afirmou o relator, no caso concreto, embora não tenha havido oportunidade para a defesa preliminar, existiu instrução administrativa prévia por meio de inquérito civil e o juiz, ao apreciar a inicial, verificou que havia no processo sólidos elementos para a sua convicção quanto às condições da ação.
Por isso, a Turma chamou atenção para a absoluta desnecessidade de, no caso, exigir notificação para defesa preliminar. “Desde a primeira hora, houve por parte dos réus o reconhecimento da situação narrada no pedido inicial do Ministério Público”. Além disso, os ministros destacaram que não houve alegação da nulidade, o que só acabou por acontecer no STJ, sem pré-questionamento.
Segundo os ministros, a falta de notificação não impediu que se desenvolvesse o processo normal, tendo em vista que os réus puderam se defender regularmente, afirmando ou negando os fatos narrados no processo, e seria demasiado formalismo exigir o contrário, pois causaria a nulidade de todo o processo sem que se tenha apontado qualquer prejuízo.
REsp 94.455-5
Revista Consultor Jurídico
sexta-feira, dezembro 05, 2008
TRE indefere registro de prefeito eleito em Ipatinga (MG)
Rayder Bragon
Especial para o UOL Notícias
Em Belo Horizonte (MG)
O Tribunal Regional Eleitoral de Minas Gerais (TRE-MG) indeferiu nesta sexta-feira (5) o registro da candidatura do prefeito eleito de Ipatinga (MG), Chico Ferramenta (PT), após rejeitar suas contas à frente da prefeitura do município em administrações anteriores. O petista, que concorrera neste ano pela coligação "A Força do Povo", já havia comandado a cidade em outros três mandatos
Por seis votos a zero, os juízes do TRE-MG decidiram pelo indeferimento ao constatarem irregularidades como ausência de licitação, despesas irregulares com hospedagem e aplicação indevida de recursos destinados a serviço de infra-estrutura na cidade.
Em setembro deste ano, quando ainda era candidato, Ferramenta havia tido a candidatura indeferida pelo tribunal por causa da reprovação de contas de sua administração nos anos de 1990, 1991 e 1992 e nos anos de 2000 e 2001. A ação movida pelo Ministério Público Estadual (MPE) pedia a impugnação da candidatura com base em relatório da Câmara Municipal de Ipatinga, que havia recusado as contas da gestão anterior do ex-prefeito. A coligação "Única Esquerda Ipatinguense", que havia reunido os partidos PSOL e PSTU na última eleição no município, também ingressou com ação contra Ferramenta pelos mesmos motivos.
Além disso, o prefeito eleito foi alvo de processo movido pelo TCU (Tribunal de Contas da União), que desabonara contratos de convênios de repasse de verbas da União ao município durante sua gestão.
Advogados do petista recorreram ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral) e mantiveram a candidatura dele em curso. No final do mês passado, entretanto, o plenário do TSE determinou que o processo de análise das contas de Ferramenta retornasse ao TRE-MG para que fosse constatado se as irregularidades verificadas nas gestões anteriores eram sanáveis ou não.
Com a decisão unânime de hoje, o petista, que havia derrotado o então prefeito, Sebastião Quintão (PMDB), com 47,08% dos votos, tem três dias para apresentar sua defesa.
Fonte: Motícias UOL
Especial para o UOL Notícias
Em Belo Horizonte (MG)
O Tribunal Regional Eleitoral de Minas Gerais (TRE-MG) indeferiu nesta sexta-feira (5) o registro da candidatura do prefeito eleito de Ipatinga (MG), Chico Ferramenta (PT), após rejeitar suas contas à frente da prefeitura do município em administrações anteriores. O petista, que concorrera neste ano pela coligação "A Força do Povo", já havia comandado a cidade em outros três mandatos
Por seis votos a zero, os juízes do TRE-MG decidiram pelo indeferimento ao constatarem irregularidades como ausência de licitação, despesas irregulares com hospedagem e aplicação indevida de recursos destinados a serviço de infra-estrutura na cidade.
Em setembro deste ano, quando ainda era candidato, Ferramenta havia tido a candidatura indeferida pelo tribunal por causa da reprovação de contas de sua administração nos anos de 1990, 1991 e 1992 e nos anos de 2000 e 2001. A ação movida pelo Ministério Público Estadual (MPE) pedia a impugnação da candidatura com base em relatório da Câmara Municipal de Ipatinga, que havia recusado as contas da gestão anterior do ex-prefeito. A coligação "Única Esquerda Ipatinguense", que havia reunido os partidos PSOL e PSTU na última eleição no município, também ingressou com ação contra Ferramenta pelos mesmos motivos.
Além disso, o prefeito eleito foi alvo de processo movido pelo TCU (Tribunal de Contas da União), que desabonara contratos de convênios de repasse de verbas da União ao município durante sua gestão.
Advogados do petista recorreram ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral) e mantiveram a candidatura dele em curso. No final do mês passado, entretanto, o plenário do TSE determinou que o processo de análise das contas de Ferramenta retornasse ao TRE-MG para que fosse constatado se as irregularidades verificadas nas gestões anteriores eram sanáveis ou não.
Com a decisão unânime de hoje, o petista, que havia derrotado o então prefeito, Sebastião Quintão (PMDB), com 47,08% dos votos, tem três dias para apresentar sua defesa.
Fonte: Motícias UOL
Satiagraha: denúncia sobre ex-funcionário é grave, diz Mendes
O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Gilmar Mendes, afirmou ser de "extrema gravidade" a informação de que um ex-funcionário do Supremo teria trocado telefonemas com Hugo Sérgio Chicaroni, ligado ao banqueiro Daniel Dantas, na véspera da Operação Satiagraha. A afirmação de Mendes foi feita em um ofício enviado à Procuradoria-Geral da República.
» MP é contra pedido de prisão de Dantas
» Jornal: Dantas lucrou em 'zona nebulosa'
» Brasil não está acostumado, diz Tarso
» Opine sobre a Operação Satiagraha
Segundo a sentença do juiz Fausto de Sanctis, responsável pela condenação de Dantas a dez anos de prisão, Chicaroni teria mantido, entre 4 de junho e 7 julho, véspera da Operação Satiagraha, nove contatos telefônicos com o oficial do Exército Sérgio de Souza Cirillo, especialista na área de inteligência e contra-inteligência, que chegou a exercer o cargo de assessor e substituto do Secretário de Segurança do STF.
No ofício em que o presidente do Supremo pede providências à PGR, Gilmar Mendes afirma que "a urgente apuração ora requerida é imprescindível para que sejam elucidados, de forma peremptória, fatos de extrema gravidade a demandarem a pertinente responsabilização legal".
Segundo a mesma passagem da sentença, Chicaroni e Cirillo provavelmente se conheciam do Instituto Sagres - Política e Gestão Estratégica Aplicadas. Chicaroni se apresentava como integrante do instituto, e Cirillo também seria vinculado ao órgão.
O Terra Magazine trouxe com exclusividade as prisões da Operação Satiagraha no dia 8 de julho (leia mais). A operação, comandada pelo delegado Protógenes Queiroz, reuniu quase 300 agentes da Polícia Federal e prendeu, além de Dantas, o empresário Naji Nahas e o ex-prefeito de São Paulo Celso Pitta.
Durante a Satiagraha, Dantas chegou a ter sua prisão decretada por duas vezes e foi levado à carceragem da PF. Dois habeas-corpus concedidos pelo presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, durante o recesso do Poder Judiciário, no entanto, o colocaram em liberdade.
No dia 6 de novembro, o Supremo julgou o mérito da decisão que revogou a prisão preventiva do banqueiro e decidiu, por 9 votos a um, mantê-lo em liberdade. O Terra Magazine novamente antecipou o resultado, garantindo, antes do início do julgamento, que Dantas ficaria livre (leia mais).
A própria decisão do juiz Fausto de Sanctis foi anunciada no dia 19 de novembro por Terra Magazine (leia mais). A dúvida na data era a extensão da condenação.
Redação Terra
» MP é contra pedido de prisão de Dantas
» Jornal: Dantas lucrou em 'zona nebulosa'
» Brasil não está acostumado, diz Tarso
» Opine sobre a Operação Satiagraha
Segundo a sentença do juiz Fausto de Sanctis, responsável pela condenação de Dantas a dez anos de prisão, Chicaroni teria mantido, entre 4 de junho e 7 julho, véspera da Operação Satiagraha, nove contatos telefônicos com o oficial do Exército Sérgio de Souza Cirillo, especialista na área de inteligência e contra-inteligência, que chegou a exercer o cargo de assessor e substituto do Secretário de Segurança do STF.
No ofício em que o presidente do Supremo pede providências à PGR, Gilmar Mendes afirma que "a urgente apuração ora requerida é imprescindível para que sejam elucidados, de forma peremptória, fatos de extrema gravidade a demandarem a pertinente responsabilização legal".
Segundo a mesma passagem da sentença, Chicaroni e Cirillo provavelmente se conheciam do Instituto Sagres - Política e Gestão Estratégica Aplicadas. Chicaroni se apresentava como integrante do instituto, e Cirillo também seria vinculado ao órgão.
O Terra Magazine trouxe com exclusividade as prisões da Operação Satiagraha no dia 8 de julho (leia mais). A operação, comandada pelo delegado Protógenes Queiroz, reuniu quase 300 agentes da Polícia Federal e prendeu, além de Dantas, o empresário Naji Nahas e o ex-prefeito de São Paulo Celso Pitta.
Durante a Satiagraha, Dantas chegou a ter sua prisão decretada por duas vezes e foi levado à carceragem da PF. Dois habeas-corpus concedidos pelo presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, durante o recesso do Poder Judiciário, no entanto, o colocaram em liberdade.
No dia 6 de novembro, o Supremo julgou o mérito da decisão que revogou a prisão preventiva do banqueiro e decidiu, por 9 votos a um, mantê-lo em liberdade. O Terra Magazine novamente antecipou o resultado, garantindo, antes do início do julgamento, que Dantas ficaria livre (leia mais).
A própria decisão do juiz Fausto de Sanctis foi anunciada no dia 19 de novembro por Terra Magazine (leia mais). A dúvida na data era a extensão da condenação.
Redação Terra
HOJE TISTA É O PREFEITO.
No início da tarde de hoje (05.12) fui entrevistado por telefone pelo apresentador da FM Jeremoabo, Adalberto Moreno, sobre o resultado do julgamento do recurso de Tista pelo TSE na data de ontem, 04.12, por decisão monocrática do Min. Eros Grau, publicado na mesma data.
Antes de adentrar no tema, cabe-me expressar meus cumprimentos aos dirigentes da Jeremoabo FM e aos que fazem seus programas por se constituir em forte avanço no setor das comunicações para Jeremoabo. São iniciativas como essa que fazem que todos acreditem em Jeremoabo como instrumento do desenvolvimento econômico-social. É preciso acreditar sempre.
Tista concorreu às eleições como candidato com registro de candidato indeferido e por isso os votos a ele atribuídos foram computados como nulos pela Justiça Eleitoral. Como o recurso especial por ele impetrado teve provimento mediante decisão monocrática do Min. Eros Grau, hoje ele é o Prefeito eleito de Jeremoabo.
Adalberto me indagou se a decisão é definitiva ou poderá ainda ser modificada. Quanto à primeira parte da pergunta respondo negativamente. A decisão não é definitiva. Quanto à 2ª parte, respondo que sim. A decisão poderá ainda ser revista por novos recursos.
Dois são os recursos possíveis contra decisão do Min. Eros Grau, em curto prazo, embargos de declaração, que para parte da doutrina tem efeito suspensivo, e o agravo regimental, ambos com prazo de 03 dias. Publicado o julgamento em 04.12, o termo final para recorrer recairá na próxima segunda feira. Pela legislação eleitoral o recurso não tem efeito suspensivo, daí porque hoje Tista é o Prefeito eleito.
A eleição em Jeremoabo se assemelha a jogo de decisão no futebol. Tempo normal, prorrogação, e persistindo o empate, pênaltis, aliás, isso eu disse a Tista na manhã do domingo das eleições. É preciso prudência nas comemorações. Depois do último julgamento se ele sair vencedor, ele e seus partidários poderão comemorar a bessa. Se de modo contrário, se fará o mesmo com fogos, fanfarras, trios, batucadas e etc...
No Agravo regimental o próprio Ministro relator poderá modificar o julgamento anterior ou submetê-lo ao plenário do TSE. Não me pergunte o que poderá vir a acontecer porque eu responderei: Bumbum de criança, cabeça de juiz e urnas só depois do resultado. Foi o que aconteceu. Em Jeremoabo já discutia se haveria ou não novas eleições.
Adalberto me perguntou ainda: Se reformada a decisão favorável a Tista haveria novas eleições? Respondo o que respondi a ele. Na interpretação da Constituição Federal e da Lei Eleitoral não, porém, como o TSE é a Corte Superior Eleitoral, dependeria do que ele determinar. Aliás, jurisprudência tem para todos os gostos. É como prateleira de bar, você escolhe o que tomar, depende da conveniência. Se é para farra cabe cerveja ou cachaça. No jantar, a vez é do vinho e em visita de cortesia, geralmente o que se oferece é uísque.
Interposto o recurso contra a decisão do Ministro e ele não vindo a ser julgado até a data da diplomação, Tista será diplomado como Prefeito eleito de Jeremoabo. Depois disso, ele será empossado porque os Tribunais Superiores no Brasil suspendem suas atividades a partir de 20.12 até o final de janeiro.
Se julgado depois da posse e o recurso contra Tista tiver provimento, ele será destituído do cargo. Se ele ganhar continuará no exercício do cargo de Prefeito.
Jeremoabo, 05 de dezembro de 2008.
Fernando Montalvão.
Advogado.
Antes de adentrar no tema, cabe-me expressar meus cumprimentos aos dirigentes da Jeremoabo FM e aos que fazem seus programas por se constituir em forte avanço no setor das comunicações para Jeremoabo. São iniciativas como essa que fazem que todos acreditem em Jeremoabo como instrumento do desenvolvimento econômico-social. É preciso acreditar sempre.
Tista concorreu às eleições como candidato com registro de candidato indeferido e por isso os votos a ele atribuídos foram computados como nulos pela Justiça Eleitoral. Como o recurso especial por ele impetrado teve provimento mediante decisão monocrática do Min. Eros Grau, hoje ele é o Prefeito eleito de Jeremoabo.
Adalberto me indagou se a decisão é definitiva ou poderá ainda ser modificada. Quanto à primeira parte da pergunta respondo negativamente. A decisão não é definitiva. Quanto à 2ª parte, respondo que sim. A decisão poderá ainda ser revista por novos recursos.
Dois são os recursos possíveis contra decisão do Min. Eros Grau, em curto prazo, embargos de declaração, que para parte da doutrina tem efeito suspensivo, e o agravo regimental, ambos com prazo de 03 dias. Publicado o julgamento em 04.12, o termo final para recorrer recairá na próxima segunda feira. Pela legislação eleitoral o recurso não tem efeito suspensivo, daí porque hoje Tista é o Prefeito eleito.
A eleição em Jeremoabo se assemelha a jogo de decisão no futebol. Tempo normal, prorrogação, e persistindo o empate, pênaltis, aliás, isso eu disse a Tista na manhã do domingo das eleições. É preciso prudência nas comemorações. Depois do último julgamento se ele sair vencedor, ele e seus partidários poderão comemorar a bessa. Se de modo contrário, se fará o mesmo com fogos, fanfarras, trios, batucadas e etc...
No Agravo regimental o próprio Ministro relator poderá modificar o julgamento anterior ou submetê-lo ao plenário do TSE. Não me pergunte o que poderá vir a acontecer porque eu responderei: Bumbum de criança, cabeça de juiz e urnas só depois do resultado. Foi o que aconteceu. Em Jeremoabo já discutia se haveria ou não novas eleições.
Adalberto me perguntou ainda: Se reformada a decisão favorável a Tista haveria novas eleições? Respondo o que respondi a ele. Na interpretação da Constituição Federal e da Lei Eleitoral não, porém, como o TSE é a Corte Superior Eleitoral, dependeria do que ele determinar. Aliás, jurisprudência tem para todos os gostos. É como prateleira de bar, você escolhe o que tomar, depende da conveniência. Se é para farra cabe cerveja ou cachaça. No jantar, a vez é do vinho e em visita de cortesia, geralmente o que se oferece é uísque.
Interposto o recurso contra a decisão do Ministro e ele não vindo a ser julgado até a data da diplomação, Tista será diplomado como Prefeito eleito de Jeremoabo. Depois disso, ele será empossado porque os Tribunais Superiores no Brasil suspendem suas atividades a partir de 20.12 até o final de janeiro.
Se julgado depois da posse e o recurso contra Tista tiver provimento, ele será destituído do cargo. Se ele ganhar continuará no exercício do cargo de Prefeito.
Jeremoabo, 05 de dezembro de 2008.
Fernando Montalvão.
Advogado.
Ela ouviu o galo cantar, só não sabe onde
por Mario Guerreiro
Recebi recentemente um e-mail anônimo em que uma escritora holandesa anônima critica os brasileiros que falam mal do Brasil e tenta mostrar que eles estão completamente equivocados. Como sou um desses mal-falantes, resolvi responder a esta desconhecida nativa de Netherlanden (Países Baixos), mesmo que ele não passe de uma invenção de internautas. Afinal de contas, tudo o que importa são as idéias veiculadas...
Diz ela: “Os brasileiros acham que o mundo todo presta, menos o Brasil, realmente parece que é um vício falar mal do Brasil. Todo lugar tem seus pontos positivos e negativos, mas no exterior eles maximizam os positivos, enquanto no Brasil se maximizam os negativos. Aqui na Holanda, os resultados das eleições demoram horrores porque não há nada automatizado.
Digo eu: Eu não sou desses que acham que “o mundo todo presta”. Há muitos países piores do que o Brasil. Por exemplo: Somália, Haiti, Bangladesh, Venezuela, etc. O Brasil não é o pior dos mundos possíveis, mas está longe de ser o belo país que a mencionada escritora pensa...
De fato, ele tem razão. A automação do sistema eleitoral brasileiro é extremamente eficiente. Talvez a melhor do mundo. Nunca se viu, em nenhum lugar do mundo, um sistema tão avançado, para servir eleitores e políticos tão retrógrados, ineptos e corruptos. Alta tecnologia em taba de tupinambá!
Prossegue ela: “Só existe [na Holanda] uma companhia telefônica e pasmem!: Se você ligar reclamando do serviço, corre o risco de ter seu telefone temporariamente desconectado”.
Digo eu: No Brasil, existem várias, mas só após ter acabado o monopólio estatal da telefonia, sob protestos das esquerdas botocudas sempre a favor de monopólios estatais. No Rio de Janeiro, em determinados locais, uma linha telefônica estatal chegava a custar 7.000 dólares. Hoje, com a quebra do monopólio, todo mundo tem celular, mas ninguém pode ter certeza de que seu telefone não está grampeado pela Gestapo tupiniquim. Nem mesmo os telefones dos ministros do STF!
Prossegue a doce e ingênua escritora: “Nos Estados Unidos e na Europa, ninguém tem o hábito de enrolar o sanduíche em um guardanapo - ou de lavar as mãos antes de comer. Nas padarias, feiras e açougues europeus, os atendentes recebem o dinheiro e com mesma mão suja entregam o pão ou a carne. Em Londres, existe um lugar famosíssimo que vende batatas fritas enroladas em folhas de jornal - e tem fila na porta.”
Digo eu: Hábitos de higiene variam de um país para outro. Os alemães, por exemplo, costumam exagerar a dose quando comparados com os franceses. Mas, do modo que a escritora fala, parece que o Brasil, quando comparado com a Europa e os Estados Unidos, é uma maravilha em matéria de higiene. Se fosse, não teríamos tantos problemas de saúde pública como a malária, a esquistossomose e o dengue. Brasileiro joga lixo em qualquer lugar: rios, ruas, estradas, parques, terrenos baldios, etc., apesar das inúmeras campanhas dos patetas naturebas e ecológicos fanáticos pelo Greenpiss.
Mas a autora não desiste, insiste e persiste: “Na Europa, não-fumante é minoria. Se pedir mesa de não-fumante, o garçom ri na sua cara, porque não existe. Fumam até em elevador”
Digo eu: No Brasil, pode ser observada uma mudança de hábitos. O tabagismo tem diminuído entre os mais jovens, mas em compensação o canabisativismo (vício de fumar maconha) tem aumentado, juntamente com o consumo de ecstasy e cocaína nas badaladas baladas da noite.
Mas a autora é mesmo persistente: “Em Paris, os garçons são conhecidos por seu mau humor e grosseria e qualquer garçom de botequim no Brasil podia ir pra lá dar aulas de Como Conquistar o Cliente”.
Digo eu: Não é de causar espécie o mau humor e a grosseria dos garçons em Paris, pois, raras exceções feitas, os parisienses são grossos e mau humorados. O que não quer dizer que todos os garçons brasileiros sejam gentis e bem humorados. Alguns até que são.
Agora a autora revela seu antiamericanismo: “Você sabe como as grandes potências fazem para destruir um povo? Impõem suas crenças e cultura. Se você parar para observar, em todo filme dos EUA a bandeira nacional aparece, e geralmente na hora em que estamos emotivos”.
E digo eu: A quase onipresença da bandeira americana se deve ao fato de que os americanos a amam e eles a amam porque amam seu país. E amam seu país porque têm bons motivos para fazer tal coisa. Gostaria eu de ter motivos para amar o meu, mas não posso amar um país que só me cobre de vergonha. Só não sente vergonha do Brasil quem é um rematado sem-vergonha ou um grande imbecil!
Mas a autora é mesmo cabeça dura e mal informada. Diz ela: “Vocês têm uma língua que, apesar de não se parecer quase nada com a língua portuguesa, é chamada de língua portuguesa, enquanto que as empresas de software a chamam de português brasileiro, porque não conseguem se comunicar com os seus usuários brasileiros através da língua Portuguesa”.
Digo eu: Afirmar que o português falado no Brasil em nada se parece com o falado em Portugal só pode ser encarado como uma hipérbole ou um gracejo. Trata-se da mesma língua, apesar de algumas diferenças de natureza semântica. Entendes lá o que digo, ó pá? Ora, pois...
Mas a autora não se cansa: “Os brasileiros são vitimas de vários crimes contra a pátria, crenças, cultura, língua, etc.... Os brasileiros mais esclarecidos sabem que temos muitas razões para resgatar suas raízes culturais.”
Digo agora eu: Do jeito que a moçoila se expressa, parece até que os referidos crimes são cometidos por estrangeiros contra brasileiros quando, na realidade, são cometidos por brasileiros contra brasileiros, algozes e vítimas ao mesmo tempo, como nos casos de suicídio.
A verdade é que milhões de brasileiros não têm nenhuma ética, adoram trapaças, trambiques e maracutaias. Eles têm raiva dos políticos ladrões, não por uma indignação moral, mas sim por não estar no lugar deles e roubar mais do que eles. A verdade é que milhões de brasileiros não dão a menor importância para a educação e para o conhecimento, e tanto é assim que elegeram e reelegeram para Presidente da República alguém que também não dá a mínima importância, e disso se orgulha publicamente.
E para completar, a escritora holandesa acrescenta alguns dados da Antropos Consulting. Não os questiono, mas acrescento algumas notinhas:
1. O Brasil é o país que tem tido maior sucesso no combate à AIDS e de outras doenças sexualmente transmissíveis, e vem sendo exemplo mundial.
Observação minha: O que mostra que a promiscuidade sexual no Brasil tem um grau elevadíssimo semelhante ao da Nigéria, embora o Brasil tenha se mostrado mais eficiente do que a Nigéria no combate ao efeito dessa promiscuidade. Se a saúde pública não desse despesas para o erário, causadas pela promiscuidade sexual e por tantos outros hábitos anti-higiênicos, teria mais dinheiro para aplicar em outras coisas.
2. O Brasil é o único país do hemisfério sul que está participando do Projeto Genoma.
Observação minha: o que mostra que em mais de 100 milhões de analfabetos funcionais e infectados por espistemofobia (horror do conhecimento) não é muito difícil encontrar uma meia dúzia de epistemófilos (amantes do conhecimento).
3. Numa pesquisa envolvendo 50 cidades de diversos países, a cidade do Rio de Janeiro foi considerada a mais solidária.
Observação minha: Mais solidária ou mais solitária? Quem fez essa pesquisa certamente nunca foi ao Complexo do Alemão e ao Morro do Macaco.
4. Nas eleições de 2000, o sistema do Tribunal Regional Eleitoral (TRE) estava informatizado em todas as regiões do Brasil, com resultados em menos de 24 horas depois do início das apurações. O modelo chamou a atenção de uma das maiores potências mundiais: os Estados Unidos, onde a apuração dos votos teve que ser refeita várias vezes, atrasando o resultado e colocando em xeque a credibilidade do processo.
Observação minha: Devemos elogiar a eficiência da Justiça Eleitoral. Nunca tantos deveram tanto a tão poucos. Mas reiteramos: de que adianta alta tecnologia em taba de tupinambá? Os eleitores - verdadeiros idiotas políticos - não estão à altura da eficiência técnica do processo eleitoral e, por isso mesmo, elegem os “excelentes” políticos que elegem.
5. Mesmo sendo um país em desenvolvimento, os internautas brasileiros representam uma fatia de 40% do mercado na América Latina.
Observação minha: É verdade. O brasileiro, embora não seja o povo que mais viaja na Internet, é o que permanece mais tempo na Rede. Uma meia dúzia de gatos pingados faz isso por motivos de ordem empresarial, por deficiência de nosso monopólio estatal de correios-e-telégrafos e para a comunicação eletrônica de idéias, mas a maioria usa a Internet para contar piadas, arranjar namoros, fazer pegadinhas, plagiar artigos, armar trambiques para pessoas físicas e jurídicas, aliciar moçoilas para a prostituição, etc.
6. No Brasil, há 14 fábricas de veículos instaladas e outras 4 se instalando, enquanto alguns países vizinhos não possuem nenhuma.
Observação minha: Este mercado foi durante muito tempo um poderoso cartel da Autolatina. Graças ao renegado Collor, outras empresas puderam se instalar no país promovendo uma sadia competição. E assim deixamos de produzir “verdadeiras carroças”. A expressão é de Collor, que tentou - mas não conseguiu totalmente - fazer o mesmo que D. João VI: abrir os portos brasileiros às nações amigas. Seu maior oponente: um senador paulista que tinha suas bases eleitorais na máfia portuária de Santos (SP).
7. Das crianças e adolescentes entre 7 a 14 anos, 97,3% estão estudando.
Observação minha: De fato, elas estão matriculadas nas escolas de onde saem verdadeiros analfabetos funcionais. Sendo a maioria delas rejeitada pelo mercado de trabalho, onde sobram empregos para mão-de-obra especializada e faltam empregos para os inempregáveis. Olavo de Carvalho tem razão: “A educação no Brasil só difere o crime organizado, porque o crime é organizado”. Pior do que isto só mesmo certas doutoras em pedagogia que justificam a depredação de escolas feitas pelos próprios alunos. Cumpre lembrar que destruição de patrimônio público (e privado) é crime e incentivo ao crime também é crime.
8. O mercado de telefones celulares do Brasil é o segundo do mundo, com 650 mil novas habilitações a cada mês. Na telefonia fixa, o país ocupa a quinta posição em número de linhas instaladas.
Observação minha: Mas somente após a quebra do monopólio estatal. E em compensação a rede ferroviária brasileira no tempo do Segundo Império era a segunda do mundo e hoje é inexpressiva. Um país com tantos rios navegáveis não explora este potencial de um meio muito mais barato do que o transporte rodoviário e o aéreo. O fluvial e o ferroviário são os mais baratos e os menos explorados. É incompetência ou safadeza?
10. Das empresas brasileiras, 6.890 possuem certificado de qualidade ISO-9000, maior número entre os países em desenvolvimento. No México, são apenas 300 empresas e 265 na Argentina.
Observação minha: De onde se conclui que o empresário brasileiro é um verdadeiro herói. Consegue suplantar as inúmeras barrreiras colocadas contra ele pelo Estado burocrático e ineficiente, e isto para não falar do vampiro tributário que suga seu sangue e sua grande inimiga: a Justiça do Trabalho, onde o patrão nunca tem razão.
11. O Brasil é o segundo maior mercado de jatos e helicópteros executivos.
Observação minha: o que mostra que o trânsito da cidade de São Paulo consegue ser o segundo pior do mundo. Além disso, em nenhum país do mundo prefeitos e governadores têm helicópteros pagos e mantidos com o dinheiro do contribuinte.
12. Por que vocês têm esse vício de só falar mal do Brasil? Por que não se orgulham em dizer que o mercado editorial de livros é maior do que o da Itália, com mais de 50 mil títulos novos a cada ano?
Observação minha: O mercado livreiro do Brasil é de fato muito maior do que o da Itália, porque o número de leitores é também muito maior. Porque a população do Brasil é muito maior também. Mas não perguntem quantos livros o brasileiro lê em média por ano. Não perguntem o que ele lê e muito menos ainda se ele entende aquilo que lê...
13. Quem têm o mais moderno sistema bancário do planeta?
Observação minha: O dono do Banco Itaú, é claro. Se há algum mérito nisto, que seja creditado a uma particular empresa privada, não ao país em que ele está instalada.
14. Que agências de publicidade ganham os melhores e maiores prêmios mundiais?
Observação minha: O Brasil, porque a demanda gera a oferta. Não há no mundo povo mais crédulo, sugestionável e carente de autocrítica: paraíso para publicitários e marqueteiros políticos com seus bonecos de ventríloquo no colo. Vide o caso de Duda Mendonça, criador do slogan triunfante: Lulinha-Paz-e-Amor.
15. Por que não falam que são o país mais empreendedor do mundo e que mais de 70% dos brasileiros, pobres e ricos, dedicam considerável parte de seu tempo em trabalhos voluntários?
Observação minha: Agora, ponho em cheque essa estatística. Se o brasileiro não gosta de trabalhar, porque raios gostaria de trabalhar de graça? “Quem trabalha de graça é relógio”, diz o dito popular.
16. Por que não dizem que são hoje a terceira maior democracia do mundo?
Observação minha: Porque uma democracia não deve ser avaliada pela quantidade de votantes. Se assim fosse, San Marino não seria uma verdadeira democracia, uma vez que é a menor e a mais antiga república do mundo.
16 Que apesar de todas as mazelas, o Congresso está punindo seus próprios membros, o que raramente ocorre em outros países ditos civilizados?
Observação minha: Não nego que uma vez na vida e outra na morte o Congresso escolhe um bode expiatório, para imolar no altar de “democracia” brasileira. De vez em quando, é preciso mostrar serviço ao ignorante e crédulo eleitor.
17. Por que não se lembram que o povo brasileiro é um povo hospitaleiro, que se esforça para falar a língua dos turistas, gesticula e não mede esforços para atendê-los bem?
Observação minha: Mui hospitaleiro, principalmente quando não arma trambiques para tirar grana dos turistas ou mesmo os assalta levando até a roupa. É um fato espantoso que, diante de tamanho risco de morte e enorme desorganização, ainda existam turistas vindo para o Brasil.
É verdade que o brasileiro se esforça e gesticula para falar línguas estrangeiras, mas o fato é que não sabe nem falar a sua. Prova disso é que em frente do antigo prédio da Academia Brasileira de Letras há um restaurante com um letreiro luminoso em letras garrafais: COMIDA À KILO. Três palavras, dois erros de português.
18. Por que não se orgulham de ser um povo que faz piada da própria desgraça e que enfrenta os desgostos sambando?
Observação minha: Esta faço questão de responder soltando um “latinorum”: In asinus buca risus abundat. (tradução para não-iniciados na língua de Cícero: “Na boca do asno o riso é abundante”).
19. É! O Brasil é um país abençoado de fato. Bendito este povo, que possui a magia de unir todas as raças, de todos os credos.Bendito este povo, que sabe entender todos os sotaques. Bendito este povo, que oferece todos os tipos de climas para contentar toda gente. Bendita seja, querida pátria chamada Brasil!!
Observação: Diante de tamanho ufanismo, só respondendo com uma estorinha do saudoso Stanislaw Ponte Preta:
Quando Deus criou o mundo, disse: “Vou criar alguns países com enormes desertos e falta d’água. Outros com furacões devastadores. Outros ainda assolados por terremotos, maremotos e vulcões. Mas vou criar um país chamado Brasil em que não haverá desertos, a água será abundante, não terá terremotos, vulcões, maremotos nem furacões. As terras serão férteis e não existirá um inverno longo e inclemente.
A esta altura um anjo observou: “Mas, Senhor, isto não é extremamente injusto?! E Deus respondeu: “Espere só, para ver o povo que eu vou colocar nesse país.”
Revista Jus Vigilantibus,
Recebi recentemente um e-mail anônimo em que uma escritora holandesa anônima critica os brasileiros que falam mal do Brasil e tenta mostrar que eles estão completamente equivocados. Como sou um desses mal-falantes, resolvi responder a esta desconhecida nativa de Netherlanden (Países Baixos), mesmo que ele não passe de uma invenção de internautas. Afinal de contas, tudo o que importa são as idéias veiculadas...
Diz ela: “Os brasileiros acham que o mundo todo presta, menos o Brasil, realmente parece que é um vício falar mal do Brasil. Todo lugar tem seus pontos positivos e negativos, mas no exterior eles maximizam os positivos, enquanto no Brasil se maximizam os negativos. Aqui na Holanda, os resultados das eleições demoram horrores porque não há nada automatizado.
Digo eu: Eu não sou desses que acham que “o mundo todo presta”. Há muitos países piores do que o Brasil. Por exemplo: Somália, Haiti, Bangladesh, Venezuela, etc. O Brasil não é o pior dos mundos possíveis, mas está longe de ser o belo país que a mencionada escritora pensa...
De fato, ele tem razão. A automação do sistema eleitoral brasileiro é extremamente eficiente. Talvez a melhor do mundo. Nunca se viu, em nenhum lugar do mundo, um sistema tão avançado, para servir eleitores e políticos tão retrógrados, ineptos e corruptos. Alta tecnologia em taba de tupinambá!
Prossegue ela: “Só existe [na Holanda] uma companhia telefônica e pasmem!: Se você ligar reclamando do serviço, corre o risco de ter seu telefone temporariamente desconectado”.
Digo eu: No Brasil, existem várias, mas só após ter acabado o monopólio estatal da telefonia, sob protestos das esquerdas botocudas sempre a favor de monopólios estatais. No Rio de Janeiro, em determinados locais, uma linha telefônica estatal chegava a custar 7.000 dólares. Hoje, com a quebra do monopólio, todo mundo tem celular, mas ninguém pode ter certeza de que seu telefone não está grampeado pela Gestapo tupiniquim. Nem mesmo os telefones dos ministros do STF!
Prossegue a doce e ingênua escritora: “Nos Estados Unidos e na Europa, ninguém tem o hábito de enrolar o sanduíche em um guardanapo - ou de lavar as mãos antes de comer. Nas padarias, feiras e açougues europeus, os atendentes recebem o dinheiro e com mesma mão suja entregam o pão ou a carne. Em Londres, existe um lugar famosíssimo que vende batatas fritas enroladas em folhas de jornal - e tem fila na porta.”
Digo eu: Hábitos de higiene variam de um país para outro. Os alemães, por exemplo, costumam exagerar a dose quando comparados com os franceses. Mas, do modo que a escritora fala, parece que o Brasil, quando comparado com a Europa e os Estados Unidos, é uma maravilha em matéria de higiene. Se fosse, não teríamos tantos problemas de saúde pública como a malária, a esquistossomose e o dengue. Brasileiro joga lixo em qualquer lugar: rios, ruas, estradas, parques, terrenos baldios, etc., apesar das inúmeras campanhas dos patetas naturebas e ecológicos fanáticos pelo Greenpiss.
Mas a autora não desiste, insiste e persiste: “Na Europa, não-fumante é minoria. Se pedir mesa de não-fumante, o garçom ri na sua cara, porque não existe. Fumam até em elevador”
Digo eu: No Brasil, pode ser observada uma mudança de hábitos. O tabagismo tem diminuído entre os mais jovens, mas em compensação o canabisativismo (vício de fumar maconha) tem aumentado, juntamente com o consumo de ecstasy e cocaína nas badaladas baladas da noite.
Mas a autora é mesmo persistente: “Em Paris, os garçons são conhecidos por seu mau humor e grosseria e qualquer garçom de botequim no Brasil podia ir pra lá dar aulas de Como Conquistar o Cliente”.
Digo eu: Não é de causar espécie o mau humor e a grosseria dos garçons em Paris, pois, raras exceções feitas, os parisienses são grossos e mau humorados. O que não quer dizer que todos os garçons brasileiros sejam gentis e bem humorados. Alguns até que são.
Agora a autora revela seu antiamericanismo: “Você sabe como as grandes potências fazem para destruir um povo? Impõem suas crenças e cultura. Se você parar para observar, em todo filme dos EUA a bandeira nacional aparece, e geralmente na hora em que estamos emotivos”.
E digo eu: A quase onipresença da bandeira americana se deve ao fato de que os americanos a amam e eles a amam porque amam seu país. E amam seu país porque têm bons motivos para fazer tal coisa. Gostaria eu de ter motivos para amar o meu, mas não posso amar um país que só me cobre de vergonha. Só não sente vergonha do Brasil quem é um rematado sem-vergonha ou um grande imbecil!
Mas a autora é mesmo cabeça dura e mal informada. Diz ela: “Vocês têm uma língua que, apesar de não se parecer quase nada com a língua portuguesa, é chamada de língua portuguesa, enquanto que as empresas de software a chamam de português brasileiro, porque não conseguem se comunicar com os seus usuários brasileiros através da língua Portuguesa”.
Digo eu: Afirmar que o português falado no Brasil em nada se parece com o falado em Portugal só pode ser encarado como uma hipérbole ou um gracejo. Trata-se da mesma língua, apesar de algumas diferenças de natureza semântica. Entendes lá o que digo, ó pá? Ora, pois...
Mas a autora não se cansa: “Os brasileiros são vitimas de vários crimes contra a pátria, crenças, cultura, língua, etc.... Os brasileiros mais esclarecidos sabem que temos muitas razões para resgatar suas raízes culturais.”
Digo agora eu: Do jeito que a moçoila se expressa, parece até que os referidos crimes são cometidos por estrangeiros contra brasileiros quando, na realidade, são cometidos por brasileiros contra brasileiros, algozes e vítimas ao mesmo tempo, como nos casos de suicídio.
A verdade é que milhões de brasileiros não têm nenhuma ética, adoram trapaças, trambiques e maracutaias. Eles têm raiva dos políticos ladrões, não por uma indignação moral, mas sim por não estar no lugar deles e roubar mais do que eles. A verdade é que milhões de brasileiros não dão a menor importância para a educação e para o conhecimento, e tanto é assim que elegeram e reelegeram para Presidente da República alguém que também não dá a mínima importância, e disso se orgulha publicamente.
E para completar, a escritora holandesa acrescenta alguns dados da Antropos Consulting. Não os questiono, mas acrescento algumas notinhas:
1. O Brasil é o país que tem tido maior sucesso no combate à AIDS e de outras doenças sexualmente transmissíveis, e vem sendo exemplo mundial.
Observação minha: O que mostra que a promiscuidade sexual no Brasil tem um grau elevadíssimo semelhante ao da Nigéria, embora o Brasil tenha se mostrado mais eficiente do que a Nigéria no combate ao efeito dessa promiscuidade. Se a saúde pública não desse despesas para o erário, causadas pela promiscuidade sexual e por tantos outros hábitos anti-higiênicos, teria mais dinheiro para aplicar em outras coisas.
2. O Brasil é o único país do hemisfério sul que está participando do Projeto Genoma.
Observação minha: o que mostra que em mais de 100 milhões de analfabetos funcionais e infectados por espistemofobia (horror do conhecimento) não é muito difícil encontrar uma meia dúzia de epistemófilos (amantes do conhecimento).
3. Numa pesquisa envolvendo 50 cidades de diversos países, a cidade do Rio de Janeiro foi considerada a mais solidária.
Observação minha: Mais solidária ou mais solitária? Quem fez essa pesquisa certamente nunca foi ao Complexo do Alemão e ao Morro do Macaco.
4. Nas eleições de 2000, o sistema do Tribunal Regional Eleitoral (TRE) estava informatizado em todas as regiões do Brasil, com resultados em menos de 24 horas depois do início das apurações. O modelo chamou a atenção de uma das maiores potências mundiais: os Estados Unidos, onde a apuração dos votos teve que ser refeita várias vezes, atrasando o resultado e colocando em xeque a credibilidade do processo.
Observação minha: Devemos elogiar a eficiência da Justiça Eleitoral. Nunca tantos deveram tanto a tão poucos. Mas reiteramos: de que adianta alta tecnologia em taba de tupinambá? Os eleitores - verdadeiros idiotas políticos - não estão à altura da eficiência técnica do processo eleitoral e, por isso mesmo, elegem os “excelentes” políticos que elegem.
5. Mesmo sendo um país em desenvolvimento, os internautas brasileiros representam uma fatia de 40% do mercado na América Latina.
Observação minha: É verdade. O brasileiro, embora não seja o povo que mais viaja na Internet, é o que permanece mais tempo na Rede. Uma meia dúzia de gatos pingados faz isso por motivos de ordem empresarial, por deficiência de nosso monopólio estatal de correios-e-telégrafos e para a comunicação eletrônica de idéias, mas a maioria usa a Internet para contar piadas, arranjar namoros, fazer pegadinhas, plagiar artigos, armar trambiques para pessoas físicas e jurídicas, aliciar moçoilas para a prostituição, etc.
6. No Brasil, há 14 fábricas de veículos instaladas e outras 4 se instalando, enquanto alguns países vizinhos não possuem nenhuma.
Observação minha: Este mercado foi durante muito tempo um poderoso cartel da Autolatina. Graças ao renegado Collor, outras empresas puderam se instalar no país promovendo uma sadia competição. E assim deixamos de produzir “verdadeiras carroças”. A expressão é de Collor, que tentou - mas não conseguiu totalmente - fazer o mesmo que D. João VI: abrir os portos brasileiros às nações amigas. Seu maior oponente: um senador paulista que tinha suas bases eleitorais na máfia portuária de Santos (SP).
7. Das crianças e adolescentes entre 7 a 14 anos, 97,3% estão estudando.
Observação minha: De fato, elas estão matriculadas nas escolas de onde saem verdadeiros analfabetos funcionais. Sendo a maioria delas rejeitada pelo mercado de trabalho, onde sobram empregos para mão-de-obra especializada e faltam empregos para os inempregáveis. Olavo de Carvalho tem razão: “A educação no Brasil só difere o crime organizado, porque o crime é organizado”. Pior do que isto só mesmo certas doutoras em pedagogia que justificam a depredação de escolas feitas pelos próprios alunos. Cumpre lembrar que destruição de patrimônio público (e privado) é crime e incentivo ao crime também é crime.
8. O mercado de telefones celulares do Brasil é o segundo do mundo, com 650 mil novas habilitações a cada mês. Na telefonia fixa, o país ocupa a quinta posição em número de linhas instaladas.
Observação minha: Mas somente após a quebra do monopólio estatal. E em compensação a rede ferroviária brasileira no tempo do Segundo Império era a segunda do mundo e hoje é inexpressiva. Um país com tantos rios navegáveis não explora este potencial de um meio muito mais barato do que o transporte rodoviário e o aéreo. O fluvial e o ferroviário são os mais baratos e os menos explorados. É incompetência ou safadeza?
10. Das empresas brasileiras, 6.890 possuem certificado de qualidade ISO-9000, maior número entre os países em desenvolvimento. No México, são apenas 300 empresas e 265 na Argentina.
Observação minha: De onde se conclui que o empresário brasileiro é um verdadeiro herói. Consegue suplantar as inúmeras barrreiras colocadas contra ele pelo Estado burocrático e ineficiente, e isto para não falar do vampiro tributário que suga seu sangue e sua grande inimiga: a Justiça do Trabalho, onde o patrão nunca tem razão.
11. O Brasil é o segundo maior mercado de jatos e helicópteros executivos.
Observação minha: o que mostra que o trânsito da cidade de São Paulo consegue ser o segundo pior do mundo. Além disso, em nenhum país do mundo prefeitos e governadores têm helicópteros pagos e mantidos com o dinheiro do contribuinte.
12. Por que vocês têm esse vício de só falar mal do Brasil? Por que não se orgulham em dizer que o mercado editorial de livros é maior do que o da Itália, com mais de 50 mil títulos novos a cada ano?
Observação minha: O mercado livreiro do Brasil é de fato muito maior do que o da Itália, porque o número de leitores é também muito maior. Porque a população do Brasil é muito maior também. Mas não perguntem quantos livros o brasileiro lê em média por ano. Não perguntem o que ele lê e muito menos ainda se ele entende aquilo que lê...
13. Quem têm o mais moderno sistema bancário do planeta?
Observação minha: O dono do Banco Itaú, é claro. Se há algum mérito nisto, que seja creditado a uma particular empresa privada, não ao país em que ele está instalada.
14. Que agências de publicidade ganham os melhores e maiores prêmios mundiais?
Observação minha: O Brasil, porque a demanda gera a oferta. Não há no mundo povo mais crédulo, sugestionável e carente de autocrítica: paraíso para publicitários e marqueteiros políticos com seus bonecos de ventríloquo no colo. Vide o caso de Duda Mendonça, criador do slogan triunfante: Lulinha-Paz-e-Amor.
15. Por que não falam que são o país mais empreendedor do mundo e que mais de 70% dos brasileiros, pobres e ricos, dedicam considerável parte de seu tempo em trabalhos voluntários?
Observação minha: Agora, ponho em cheque essa estatística. Se o brasileiro não gosta de trabalhar, porque raios gostaria de trabalhar de graça? “Quem trabalha de graça é relógio”, diz o dito popular.
16. Por que não dizem que são hoje a terceira maior democracia do mundo?
Observação minha: Porque uma democracia não deve ser avaliada pela quantidade de votantes. Se assim fosse, San Marino não seria uma verdadeira democracia, uma vez que é a menor e a mais antiga república do mundo.
16 Que apesar de todas as mazelas, o Congresso está punindo seus próprios membros, o que raramente ocorre em outros países ditos civilizados?
Observação minha: Não nego que uma vez na vida e outra na morte o Congresso escolhe um bode expiatório, para imolar no altar de “democracia” brasileira. De vez em quando, é preciso mostrar serviço ao ignorante e crédulo eleitor.
17. Por que não se lembram que o povo brasileiro é um povo hospitaleiro, que se esforça para falar a língua dos turistas, gesticula e não mede esforços para atendê-los bem?
Observação minha: Mui hospitaleiro, principalmente quando não arma trambiques para tirar grana dos turistas ou mesmo os assalta levando até a roupa. É um fato espantoso que, diante de tamanho risco de morte e enorme desorganização, ainda existam turistas vindo para o Brasil.
É verdade que o brasileiro se esforça e gesticula para falar línguas estrangeiras, mas o fato é que não sabe nem falar a sua. Prova disso é que em frente do antigo prédio da Academia Brasileira de Letras há um restaurante com um letreiro luminoso em letras garrafais: COMIDA À KILO. Três palavras, dois erros de português.
18. Por que não se orgulham de ser um povo que faz piada da própria desgraça e que enfrenta os desgostos sambando?
Observação minha: Esta faço questão de responder soltando um “latinorum”: In asinus buca risus abundat. (tradução para não-iniciados na língua de Cícero: “Na boca do asno o riso é abundante”).
19. É! O Brasil é um país abençoado de fato. Bendito este povo, que possui a magia de unir todas as raças, de todos os credos.Bendito este povo, que sabe entender todos os sotaques. Bendito este povo, que oferece todos os tipos de climas para contentar toda gente. Bendita seja, querida pátria chamada Brasil!!
Observação: Diante de tamanho ufanismo, só respondendo com uma estorinha do saudoso Stanislaw Ponte Preta:
Quando Deus criou o mundo, disse: “Vou criar alguns países com enormes desertos e falta d’água. Outros com furacões devastadores. Outros ainda assolados por terremotos, maremotos e vulcões. Mas vou criar um país chamado Brasil em que não haverá desertos, a água será abundante, não terá terremotos, vulcões, maremotos nem furacões. As terras serão férteis e não existirá um inverno longo e inclemente.
A esta altura um anjo observou: “Mas, Senhor, isto não é extremamente injusto?! E Deus respondeu: “Espere só, para ver o povo que eu vou colocar nesse país.”
Revista Jus Vigilantibus,
Um freio na corrupção
Tiago Pariz
Combater a corrupção é tarefa complexa que exige amplo esforço em diversas frentes da sociedade. Não apenas por meio de leis mais rígidas, mas de um processo de educação que passa pelas crianças e pelos adolescentes, conscientiza eleitores e cria um Estado com fronteiras mais claras entre o público e o privado. Essa é a conclusão do painel O que você tem a ver com a corrupção?, promovido pelo Correio Braziliense em parceria com o Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT), o Ministério Público do DF e dos Territórios (MPDFT) e o Tribunal de Contas do DF (TCDF).
O debate - realizado na manhã de ontem no auditório do jornal - reuniu especialistas de diversas áreas que construíram visões sobre as origens e os modos de combate à corrupção. A desembargadora do TJDFT Ana Maria Amarante faz um apelo aos educadores para ensinar maneiras de a criança lidar com o ato irregular e criar um escudo que deixa claro o que é certo e errado. Para ela, a educação é mais importante do que tornar mais rígidas as leis de combate à corrupção. "Não adianta a lei ficar mais repressiva porque quem tem conduta desviante acha que nunca vai ser pego pela Justiça", afirma Ana Maria, lembrando ser necessário explicar às crianças que a falsificação de um boletim escolar, por exemplo, é algo tão errado quanto o desvio de verbas públicas.
A professora da Universidade de São Paulo Lígia Pavan Batista, especialista em ética pública, explica que o corrupto é reflexo da confusão entre o público e privado. "A distinção entre o privado e o público não é clara, e o modelo instalado de administração demonstra haver grande confusão entre o que é partido e governo, e partido e Estado", critica.
Moderado
De acordo com entidades internacionais especializadas em avaliação de corrupção, o Brasil tem nota 73, o que equivale ao nível moderado. O país ocupa a 80ª colocação no ranking elaborado pela Transparência Internacional, ficando atrás de México, Costa Rica, El Salvador, mas à frente de Argentina e Paraguai. Segundo o Banco Mundial, R$ 1 trilhão por ano é o custo estimado da corrupção em todo o mundo.
Um dos problemas que dificultam os esforços anticorrupção é o alcance dos instrumentos disponíveis. A conclusão é do promotor do MPDFT Ivaldo Lemos. "Os mecanismos de controle oficial jamais serão suficientes para combater a corrupção se não houver uma mudança de mentalidade por meio da educação", diz o promotor.
Jeitinho
Além disso, segundo frei Vicente, representante da Paróquia de Santo Antônio e da Escola Superior do Ministério Público da União (ESMPU), os pais precisam se policiar e educar os filhos de maneira horizontal, sem imposições. "A corrupção começa em casa. Quem não conhece uma mãe que corrompe o filho para ele ficar quieto?", questiona frei Vicente. "Os valores íntimos negligenciados e escondidos são as causas do jeitinho que a gente conhece", acrescenta.
Os órgãos de controle também enfrentam obstáculos para encontrar pessoas dispostas a fazer as denúncias. O painel trouxe a experiência de Dulce Bais, ex-presidente do Conselho Federal de Enfermagem (Confen). Ela conta que, ao assumir a entidade de classe após a Operação Predador da Polícia Federal, que desmantelou esquema de fraude nos cofres públicos, encontrou evidências de que as irregularidades haviam continuado. Dulce decidiu procurar os órgãos policiais e ao MP. "Eu não tenho medo de denunciar. Aprendi a utilizar da melhor maneira possível os instrumentos disponíveis que me ajudaram muito: o Ministério Público e a polícia", afirma.
O debate já provoca efeitos na sociedade. Representante do Conselho Tutelar de Taguatinga, Luiz Irineu, 52 anos, pretende organizar palestras sobre a melhor maneira de educar crianças contra a corrupção. O estudante de direito Antonio Tenório dos Reis, 58, acredita que a melhor postura a se tomar diante de um caso de corrupção é não ficar quieto. "Não podemos ficar calados quando vemos algo errado."
O representante no Brasil e Cone Sul do Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crimes (UNODC), Giovanni Quaglia, garante que o mundo inteiro sofre com a corrupção. "A corrupção é fenômeno mundial, não é exclusiva do Brasil ou da América Latina. Além disso, não é um problema só dos políticos, dos governos ou dos empresários, mas de cada cidadão." O Brasil é um dos 140 países signatários da Convenção da ONU sobre corrupção. Atualmente, 128 validaram o acordo e incorporaram as recomendações nas leis nacionais. Na próxima terça-feira, comemora-se o Dia Internacional contra a Corrupção.
Impacto
R$ 1 trilhão é o custo por ano estimado da corrupção global, segundo o Banco Mundial
73 é a nota do Brasil na escala de corrupção elaborada pela Global Integrity. Significa nível moderado.
O que eles disseram
"Lei mais repressiva (para combater a corrupção) não adianta porque quem tem conduta desviante acha que nunca vai ser pego pela Justiça. É preciso educação"
Ana Maria Amarante, desembargadora do Tribunal de Justiça do DF e Territórios
"Os mecanismos de controle oficial jamais serão suficientes para combater a corrupção, se não houver uma mudança de mentalidade por meio da educação"
Ivaldo Lemos, promotor do Ministério Público do DF e Territórios
"Eu não tenho medo de denunciar. Aprendi a utilizar da melhor maneira possível os instrumentos disponíveis que me ajudaram muito: o Ministério Público e a polícia"
Dulce Bais, ex-presidente do Conselho Federal de Enfermagem
"A corrupção é fenômeno mundial. Além disso, não é um problema só dos políticos, dos governos ou dos empresários, mas de cada cidadão"
Giovanni Quaglia, representante no Brasil e Cone Sul do Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crimes
Fonte: Correio Braziliense (DF)
Combater a corrupção é tarefa complexa que exige amplo esforço em diversas frentes da sociedade. Não apenas por meio de leis mais rígidas, mas de um processo de educação que passa pelas crianças e pelos adolescentes, conscientiza eleitores e cria um Estado com fronteiras mais claras entre o público e o privado. Essa é a conclusão do painel O que você tem a ver com a corrupção?, promovido pelo Correio Braziliense em parceria com o Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT), o Ministério Público do DF e dos Territórios (MPDFT) e o Tribunal de Contas do DF (TCDF).
O debate - realizado na manhã de ontem no auditório do jornal - reuniu especialistas de diversas áreas que construíram visões sobre as origens e os modos de combate à corrupção. A desembargadora do TJDFT Ana Maria Amarante faz um apelo aos educadores para ensinar maneiras de a criança lidar com o ato irregular e criar um escudo que deixa claro o que é certo e errado. Para ela, a educação é mais importante do que tornar mais rígidas as leis de combate à corrupção. "Não adianta a lei ficar mais repressiva porque quem tem conduta desviante acha que nunca vai ser pego pela Justiça", afirma Ana Maria, lembrando ser necessário explicar às crianças que a falsificação de um boletim escolar, por exemplo, é algo tão errado quanto o desvio de verbas públicas.
A professora da Universidade de São Paulo Lígia Pavan Batista, especialista em ética pública, explica que o corrupto é reflexo da confusão entre o público e privado. "A distinção entre o privado e o público não é clara, e o modelo instalado de administração demonstra haver grande confusão entre o que é partido e governo, e partido e Estado", critica.
Moderado
De acordo com entidades internacionais especializadas em avaliação de corrupção, o Brasil tem nota 73, o que equivale ao nível moderado. O país ocupa a 80ª colocação no ranking elaborado pela Transparência Internacional, ficando atrás de México, Costa Rica, El Salvador, mas à frente de Argentina e Paraguai. Segundo o Banco Mundial, R$ 1 trilhão por ano é o custo estimado da corrupção em todo o mundo.
Um dos problemas que dificultam os esforços anticorrupção é o alcance dos instrumentos disponíveis. A conclusão é do promotor do MPDFT Ivaldo Lemos. "Os mecanismos de controle oficial jamais serão suficientes para combater a corrupção se não houver uma mudança de mentalidade por meio da educação", diz o promotor.
Jeitinho
Além disso, segundo frei Vicente, representante da Paróquia de Santo Antônio e da Escola Superior do Ministério Público da União (ESMPU), os pais precisam se policiar e educar os filhos de maneira horizontal, sem imposições. "A corrupção começa em casa. Quem não conhece uma mãe que corrompe o filho para ele ficar quieto?", questiona frei Vicente. "Os valores íntimos negligenciados e escondidos são as causas do jeitinho que a gente conhece", acrescenta.
Os órgãos de controle também enfrentam obstáculos para encontrar pessoas dispostas a fazer as denúncias. O painel trouxe a experiência de Dulce Bais, ex-presidente do Conselho Federal de Enfermagem (Confen). Ela conta que, ao assumir a entidade de classe após a Operação Predador da Polícia Federal, que desmantelou esquema de fraude nos cofres públicos, encontrou evidências de que as irregularidades haviam continuado. Dulce decidiu procurar os órgãos policiais e ao MP. "Eu não tenho medo de denunciar. Aprendi a utilizar da melhor maneira possível os instrumentos disponíveis que me ajudaram muito: o Ministério Público e a polícia", afirma.
O debate já provoca efeitos na sociedade. Representante do Conselho Tutelar de Taguatinga, Luiz Irineu, 52 anos, pretende organizar palestras sobre a melhor maneira de educar crianças contra a corrupção. O estudante de direito Antonio Tenório dos Reis, 58, acredita que a melhor postura a se tomar diante de um caso de corrupção é não ficar quieto. "Não podemos ficar calados quando vemos algo errado."
O representante no Brasil e Cone Sul do Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crimes (UNODC), Giovanni Quaglia, garante que o mundo inteiro sofre com a corrupção. "A corrupção é fenômeno mundial, não é exclusiva do Brasil ou da América Latina. Além disso, não é um problema só dos políticos, dos governos ou dos empresários, mas de cada cidadão." O Brasil é um dos 140 países signatários da Convenção da ONU sobre corrupção. Atualmente, 128 validaram o acordo e incorporaram as recomendações nas leis nacionais. Na próxima terça-feira, comemora-se o Dia Internacional contra a Corrupção.
Impacto
R$ 1 trilhão é o custo por ano estimado da corrupção global, segundo o Banco Mundial
73 é a nota do Brasil na escala de corrupção elaborada pela Global Integrity. Significa nível moderado.
O que eles disseram
"Lei mais repressiva (para combater a corrupção) não adianta porque quem tem conduta desviante acha que nunca vai ser pego pela Justiça. É preciso educação"
Ana Maria Amarante, desembargadora do Tribunal de Justiça do DF e Territórios
"Os mecanismos de controle oficial jamais serão suficientes para combater a corrupção, se não houver uma mudança de mentalidade por meio da educação"
Ivaldo Lemos, promotor do Ministério Público do DF e Territórios
"Eu não tenho medo de denunciar. Aprendi a utilizar da melhor maneira possível os instrumentos disponíveis que me ajudaram muito: o Ministério Público e a polícia"
Dulce Bais, ex-presidente do Conselho Federal de Enfermagem
"A corrupção é fenômeno mundial. Além disso, não é um problema só dos políticos, dos governos ou dos empresários, mas de cada cidadão"
Giovanni Quaglia, representante no Brasil e Cone Sul do Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crimes
Fonte: Correio Braziliense (DF)
O Conselho se curvou
Notas e Informações
Protegido pelo governo Lula e pelo poder de coação das falanges do "sindicalismo de resultados", o deputado pedetista Paulo Pereira da Silva, chefe da Força Sindical, safou-se da perda do mandato por quebra de decoro parlamentar. Pela ampla margem de 10 votos a 4, o Conselho de Ética da Câmara rejeitou o parecer do relator Paulo Piau, do PMDB de Minas Gerais, que acusou "Paulinho da Força" de participar de um esquema fraudulento para a liberação de verbas do BNDES para prefeituras e empresas. Identificada pela Polícia Federal, na Operação Santa Teresa, a maracutaia é objeto de um inquérito que corre em segredo de Justiça no STF. Um segundo inquérito, também envolvendo o deputado, foi instaurado no Supremo para apurar irregularidades cometidas pela Força Sindical no uso de verbas do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT).
No mesmo dia em que o relator pediu a cassação de Paulinho, o deputado-sindicalista foi recebido pelo presidente Lula para jantar na Granja do Torto, depois de se reunirem no Planalto, onde o anfitrião proclamou a sua solidariedade a ele. Anteontem, como era esperado, os governistas no Conselho de Ética votaram em bloco por sua absolvição (que contou ainda com o apoio de dois parlamentares da oposição, ambos da Paraíba). Lula tinha fechado um negócio com o turbulento aliado, que alardeara a intenção de se candidatar a prefeito de São Paulo. Em troca da desistência, em favor da petista Marta Suplicy, o governo não lhe faltaria na hora do aperto. Além disso, se o governo assistisse impassível à degola do deputado, provocaria a fúria da segunda maior central sindical do País (depois da CUT), com cerca de 1.400 entidades e 6,7 milhões de filiados. O primado da ética na política seria muito pouco para o governo fazer um inimigo dessa envergadura. E, afinal, que moral tem o lulismo para atirar a primeira pedra em quem quer que seja?
A Força, de mais a mais, não brinca em serviço. Trata-se de uma organização que faz lembrar, pelo seu - digamos - estilo, as velhas máquinas sindicais americanas, com seus métodos típicos dos mobsters. Enquanto o Conselho de Ética se reunia para decidir a sorte do parlamentar, os camisas-laranja da central que ele comanda, depois de participar de uma passeata em defesa do emprego, se exibiram numa galeteria de Brasília, entoando o coro: "Mexeu com Paulinho, mexeu comigo." Carregado nos ombros depois da absolvição, entre um gole e outro de cerveja, fez praça do seu poder de chantagem e da disposição de usá-lo. Explicando por que cassar um sindicalista - a rigor, um político que se valeu da escada de líder sindical - é diferente de cassar um político comum, ameaçou com todas as letras: "A Força Sindical está em todo o Brasil. Se for preciso, nós vamos colocar gente para fazer manifestação na base do deputado que tentar nos perseguir "..." Vamos pôr todos no poste" (exibir a folha corrida de cada um).
Uma das figuras mais entusiasmadas ao seu redor era a própria mulher, Elza Pereira, indiciada pela Polícia Federal por lavagem de dinheiro, em inquérito aberto por determinação do STF. A polícia concluiu que a ONG que ela preside, Meu Guri, fez parte da grande armação destinada a ordenhar o BNDES. O lobista João Pedro de Moura, o apadrinhado de Paulinho que chegou a ser conselheiro da instituição, depositou R$ 37,5 mil na conta bancária da ONG. "O dinheiro", de acordo com a investigação, "é proveniente de parcelas desviadas do BNDES, referentes à parte de João Pedro, segundo as planilhas da quadrilha." Entre 2002 e 2003, quando Moura operava no Banco, a ONG de Elza Pereira recebeu um total de R$ 1,199 milhão. Sem a ajuda do marido seria difícil arranjar tanto dinheiro.
Outro comparsa era Ricardo Tosto, conselheiro também indicado pela Força Sindical. A patota conseguiu liberar R$ 124 milhões para a prefeitura de Praia Grande. A Polícia Federal suspeita que isso teria valido a Paulinho uma propina de R$ 325 mil.
O outro inquérito em curso no Supremo trata da contratação, pela Força Sindical, de uma fundação de Piraju (SP) para ministrar cursos profissionalizantes, com R$ 215 mil em verbas do FAT. Dos 26.991 matriculados, 24.948 tinham o mesmo CPF. Enquanto o Legislativo abafa, pelo menos o Judiciário apura.
Fonte: O Estado de S.Paulo (SP)
Protegido pelo governo Lula e pelo poder de coação das falanges do "sindicalismo de resultados", o deputado pedetista Paulo Pereira da Silva, chefe da Força Sindical, safou-se da perda do mandato por quebra de decoro parlamentar. Pela ampla margem de 10 votos a 4, o Conselho de Ética da Câmara rejeitou o parecer do relator Paulo Piau, do PMDB de Minas Gerais, que acusou "Paulinho da Força" de participar de um esquema fraudulento para a liberação de verbas do BNDES para prefeituras e empresas. Identificada pela Polícia Federal, na Operação Santa Teresa, a maracutaia é objeto de um inquérito que corre em segredo de Justiça no STF. Um segundo inquérito, também envolvendo o deputado, foi instaurado no Supremo para apurar irregularidades cometidas pela Força Sindical no uso de verbas do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT).
No mesmo dia em que o relator pediu a cassação de Paulinho, o deputado-sindicalista foi recebido pelo presidente Lula para jantar na Granja do Torto, depois de se reunirem no Planalto, onde o anfitrião proclamou a sua solidariedade a ele. Anteontem, como era esperado, os governistas no Conselho de Ética votaram em bloco por sua absolvição (que contou ainda com o apoio de dois parlamentares da oposição, ambos da Paraíba). Lula tinha fechado um negócio com o turbulento aliado, que alardeara a intenção de se candidatar a prefeito de São Paulo. Em troca da desistência, em favor da petista Marta Suplicy, o governo não lhe faltaria na hora do aperto. Além disso, se o governo assistisse impassível à degola do deputado, provocaria a fúria da segunda maior central sindical do País (depois da CUT), com cerca de 1.400 entidades e 6,7 milhões de filiados. O primado da ética na política seria muito pouco para o governo fazer um inimigo dessa envergadura. E, afinal, que moral tem o lulismo para atirar a primeira pedra em quem quer que seja?
A Força, de mais a mais, não brinca em serviço. Trata-se de uma organização que faz lembrar, pelo seu - digamos - estilo, as velhas máquinas sindicais americanas, com seus métodos típicos dos mobsters. Enquanto o Conselho de Ética se reunia para decidir a sorte do parlamentar, os camisas-laranja da central que ele comanda, depois de participar de uma passeata em defesa do emprego, se exibiram numa galeteria de Brasília, entoando o coro: "Mexeu com Paulinho, mexeu comigo." Carregado nos ombros depois da absolvição, entre um gole e outro de cerveja, fez praça do seu poder de chantagem e da disposição de usá-lo. Explicando por que cassar um sindicalista - a rigor, um político que se valeu da escada de líder sindical - é diferente de cassar um político comum, ameaçou com todas as letras: "A Força Sindical está em todo o Brasil. Se for preciso, nós vamos colocar gente para fazer manifestação na base do deputado que tentar nos perseguir "..." Vamos pôr todos no poste" (exibir a folha corrida de cada um).
Uma das figuras mais entusiasmadas ao seu redor era a própria mulher, Elza Pereira, indiciada pela Polícia Federal por lavagem de dinheiro, em inquérito aberto por determinação do STF. A polícia concluiu que a ONG que ela preside, Meu Guri, fez parte da grande armação destinada a ordenhar o BNDES. O lobista João Pedro de Moura, o apadrinhado de Paulinho que chegou a ser conselheiro da instituição, depositou R$ 37,5 mil na conta bancária da ONG. "O dinheiro", de acordo com a investigação, "é proveniente de parcelas desviadas do BNDES, referentes à parte de João Pedro, segundo as planilhas da quadrilha." Entre 2002 e 2003, quando Moura operava no Banco, a ONG de Elza Pereira recebeu um total de R$ 1,199 milhão. Sem a ajuda do marido seria difícil arranjar tanto dinheiro.
Outro comparsa era Ricardo Tosto, conselheiro também indicado pela Força Sindical. A patota conseguiu liberar R$ 124 milhões para a prefeitura de Praia Grande. A Polícia Federal suspeita que isso teria valido a Paulinho uma propina de R$ 325 mil.
O outro inquérito em curso no Supremo trata da contratação, pela Força Sindical, de uma fundação de Piraju (SP) para ministrar cursos profissionalizantes, com R$ 215 mil em verbas do FAT. Dos 26.991 matriculados, 24.948 tinham o mesmo CPF. Enquanto o Legislativo abafa, pelo menos o Judiciário apura.
Fonte: O Estado de S.Paulo (SP)
Dantas deflagra guerra no Poder Judiciário
Luiz Orlando Carneiro
O presidente do STF, ministro Gilmar Mendes, enviou ontem representação ao procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza, a fim de que "tome as medidas necessárias" relativas a fatos relatados pelo juiz Fausto de Sanctis, na sentença condenatória do banqueiro Daniel Dantas a 10 anos de prisão. Segundo a assessoria de Gilmar Mendes, ele se sentiu diretamente atingido em trechos da sentença de 300 páginas (pp. 281 e 282), na qual o juiz afirma que o coronel da reserva do Exército Sérgio de Souza Cirillo - supostamente ligado ao grupo de Dantas - foi nomeado assessor principal do gabinete do secretário de Segurança do STF, em 30 de julho último, três meses depois de deflagrada a Operação Satiagraha.
Tanto Sérgio Cirillo como seu superior, coronel Joaquim Gabriel Alonso Gonçalves, foram exonerados de seus cargos em outubro por motivos "administrativos", conforme a Secretaria de Comunicação Social do tribunal. Apurou-se que a demissão teve como causa um "entrevero" entre eles e os responsáveis pela segurança do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em outubro, quando eram tomadas providências de rotina referentes à segurança do presidente, que iria ao STF para a inauguração da exposição sobre os 200 anos da Corte.
Objetivos espúrios
Da longa sentença do juiz De Sanctis, consta a seguinte referência ao coronel da reserva que ocupava cargo de confiança na Secretaria de Segurança do Supremo: "O relatório parcial-extrato telefônico elaborado pela Polícia Federal na linha nº (telefone com prefixo de São Paulo), em confronto com o número utilizado pelo delegado da PF Protógenes Queiroz (telefone com prefixo de Brasília), a partir dos extratos solicitados pelas defesas de Hugo Chiaroni e de Humberto José Rocha Braz, demonstra, de forma inequívoca (...), o seguinte: Hugo Chiaroni, que se apresentava como integrante do Instituto Sagres - Política e Gestão Estratégica Aplicadas, segundo ele próprio e os delegados Protógenes Queiroz, Marcos Antônio Lino Ribeiro e Ricardo Saadi, ligou para Sérgio de Souza Cirillo, especialista em guerra eletrônica, com experiência profissional na área de inteligência e contra-inteligência, oficial do Exército e que provavelmente se conheciam porque este também é vinculado ao referido instituto, nove vezes, no período de 4/6/2008 a 7/7/2008 (...). Tal fato revela, pois, que os acusados, para alcançar seus objetivos espúrios, dias antes de oferecer e pagar vantagem às autoridades policiais, atuavam sem medir esforços em suas ações na tentativa de obstrução de procedimento criminal, tentando espraiar suas ações em outras instituições. Sérgio de Souza Cirillo foi, posteriormente, nomeado, em 30/7/2008, como assessor, figurando como substituto do secretário de Segurança do STF, e, finalmente, exonerado em 6/10/2008".
O coronel Cirillo disse ao JB que "vai aguardar a comunicação oficial para se manifestar". Admitiu que tinha ligações com Chicarone apenas "por conta de sua participação no Instituto Sagres".
Fonte: Jornal do Brasil (RJ)
O presidente do STF, ministro Gilmar Mendes, enviou ontem representação ao procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza, a fim de que "tome as medidas necessárias" relativas a fatos relatados pelo juiz Fausto de Sanctis, na sentença condenatória do banqueiro Daniel Dantas a 10 anos de prisão. Segundo a assessoria de Gilmar Mendes, ele se sentiu diretamente atingido em trechos da sentença de 300 páginas (pp. 281 e 282), na qual o juiz afirma que o coronel da reserva do Exército Sérgio de Souza Cirillo - supostamente ligado ao grupo de Dantas - foi nomeado assessor principal do gabinete do secretário de Segurança do STF, em 30 de julho último, três meses depois de deflagrada a Operação Satiagraha.
Tanto Sérgio Cirillo como seu superior, coronel Joaquim Gabriel Alonso Gonçalves, foram exonerados de seus cargos em outubro por motivos "administrativos", conforme a Secretaria de Comunicação Social do tribunal. Apurou-se que a demissão teve como causa um "entrevero" entre eles e os responsáveis pela segurança do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em outubro, quando eram tomadas providências de rotina referentes à segurança do presidente, que iria ao STF para a inauguração da exposição sobre os 200 anos da Corte.
Objetivos espúrios
Da longa sentença do juiz De Sanctis, consta a seguinte referência ao coronel da reserva que ocupava cargo de confiança na Secretaria de Segurança do Supremo: "O relatório parcial-extrato telefônico elaborado pela Polícia Federal na linha nº (telefone com prefixo de São Paulo), em confronto com o número utilizado pelo delegado da PF Protógenes Queiroz (telefone com prefixo de Brasília), a partir dos extratos solicitados pelas defesas de Hugo Chiaroni e de Humberto José Rocha Braz, demonstra, de forma inequívoca (...), o seguinte: Hugo Chiaroni, que se apresentava como integrante do Instituto Sagres - Política e Gestão Estratégica Aplicadas, segundo ele próprio e os delegados Protógenes Queiroz, Marcos Antônio Lino Ribeiro e Ricardo Saadi, ligou para Sérgio de Souza Cirillo, especialista em guerra eletrônica, com experiência profissional na área de inteligência e contra-inteligência, oficial do Exército e que provavelmente se conheciam porque este também é vinculado ao referido instituto, nove vezes, no período de 4/6/2008 a 7/7/2008 (...). Tal fato revela, pois, que os acusados, para alcançar seus objetivos espúrios, dias antes de oferecer e pagar vantagem às autoridades policiais, atuavam sem medir esforços em suas ações na tentativa de obstrução de procedimento criminal, tentando espraiar suas ações em outras instituições. Sérgio de Souza Cirillo foi, posteriormente, nomeado, em 30/7/2008, como assessor, figurando como substituto do secretário de Segurança do STF, e, finalmente, exonerado em 6/10/2008".
O coronel Cirillo disse ao JB que "vai aguardar a comunicação oficial para se manifestar". Admitiu que tinha ligações com Chicarone apenas "por conta de sua participação no Instituto Sagres".
Fonte: Jornal do Brasil (RJ)
Lista suja´ de corrupção é bem-vinda para Judiciário
Téo Meneses
A criação do Cadastro Nacional de Improbidade Administrativa vem sendo bastante elogiada em Mato Grosso. A opinião mais comum entre membros do Ministério Público Estadual (MPE) e juízes é de que a divulgação do nome de condenados por má gestão da coisa pública pode coibir a prática de corrupção.
O presidente da Associação Mato-grossense dos Magistrados (Amam), Antônio Horácio da Silva Neto, avalia que a criação do cadastro possibilitará à sociedade maior controle. "Uma vez que haja condenação, essa é até uma forma de fazer com que as pessoas possam cobrar mais celeridade da Justiça e cobrar também dos gestores".
A promotora Ana Cristina Bardusco, da Promotoria Especializada na Defesa da Administração Pública e Ordem Tributária, argumenta que o cidadão comum, quando não cumpre o seu dever legal, é responsabilizado por isso. " Por que isso não ocorrer de uma forma parecida com os gestores públicos?".
O cadastro foi lançado na terça-feira, por meio de um convênio entre o Conselho Nacional de Justiça (CNJ), Ministério da Justiça, Controladoria-geral da União (CGU) e Ministério Público. Vai reunir dados de pessoas físicas e jurídicas condenadas na esfera cível por improbidade administrativa.
Devido ao caráter nacional, o cadastro visa coibir que pessoas e empresas condenadas em um determinado lugar possam firmar contratos com o poder público em outras localidades. Apesar de não ter nenhuma relação direta, o Cadastro foi lançado depois da polêmica sugestão de criação da "lista suja" de políticos condenados por improbidade.
Fonte: A Gazeta (MT)
A criação do Cadastro Nacional de Improbidade Administrativa vem sendo bastante elogiada em Mato Grosso. A opinião mais comum entre membros do Ministério Público Estadual (MPE) e juízes é de que a divulgação do nome de condenados por má gestão da coisa pública pode coibir a prática de corrupção.
O presidente da Associação Mato-grossense dos Magistrados (Amam), Antônio Horácio da Silva Neto, avalia que a criação do cadastro possibilitará à sociedade maior controle. "Uma vez que haja condenação, essa é até uma forma de fazer com que as pessoas possam cobrar mais celeridade da Justiça e cobrar também dos gestores".
A promotora Ana Cristina Bardusco, da Promotoria Especializada na Defesa da Administração Pública e Ordem Tributária, argumenta que o cidadão comum, quando não cumpre o seu dever legal, é responsabilizado por isso. " Por que isso não ocorrer de uma forma parecida com os gestores públicos?".
O cadastro foi lançado na terça-feira, por meio de um convênio entre o Conselho Nacional de Justiça (CNJ), Ministério da Justiça, Controladoria-geral da União (CGU) e Ministério Público. Vai reunir dados de pessoas físicas e jurídicas condenadas na esfera cível por improbidade administrativa.
Devido ao caráter nacional, o cadastro visa coibir que pessoas e empresas condenadas em um determinado lugar possam firmar contratos com o poder público em outras localidades. Apesar de não ter nenhuma relação direta, o Cadastro foi lançado depois da polêmica sugestão de criação da "lista suja" de políticos condenados por improbidade.
Fonte: A Gazeta (MT)
A corrupção e eu
Editorial
A tese de que o inferno são os outros não é só cômoda. É comodista. Pressupõe que mudanças dependem da transformação alheia. Se elas tardarem, ou não se concretizarem, lavam-se as mãos, a exemplo de Pilatos. O resultado da transferência de responsabilidades não poderia ser diferente: perpetuam-se práticas que devem - e podem - ser banidas da vida social. É o caso da corrupção.
Denúncias pipocam na imprensa com indesejável freqüência. A indignação origina artigos de especialistas, editoriais com cobrança de providências, cartas de leitores revoltados com o destino dado aos recursos arrecadados graças aos altos impostos que se apropriam de três meses de salário anual do trabalhador. Passado o calor da revolta, porém, nada mais acontece. Fica a expectativa do próximo golpe, mais engenhoso e com a gula multiplicada.
A lentidão da Justiça deixa clara a sensação de impunidade e, com ela, a perigosa certeza de que o crime compensa. Nada se pode fazer. Contra a cultura do tirar o corpo fora, o Ministério Público lançou a campanha nacional "O que você tem a ver com a corrupção?". A mobilização parte do princípio de que a mudança ocorre no indivíduo. Impõe-se motivá-lo para que ele se dê conta de que faz parte do sistema e, como tal, é responsável senão por ação, pelo menos por omissão, pelo estado de coisas contra o qual protesta.
A corrupção anual no Brasil abocanha 0,7% do Produto Interno Bruto (PIB) - soma de toda a riqueza produzida no país. Transformado em valor, o percentual corresponde a nada menos que R$ 17,5 bilhões. A montanha de dinheiro equivale à soma, em 2007, dos orçamentos dos ministérios das Cidades, Transportes, Cultura e Turismo. São recursos que, mantidos nos trilhos, melhorariam estradas, portos, teatros, saneamento básico, iluminação pública.
É providencial a campanha ter o foco na criança. Textos, peças teatrais, palestras, filminhos são meios lúdicos capazes de blindar meninos e meninas contra a tolerância com a corrupção. Sabe-se que filhos têm o poder de mudar o comportamento dos pais e trilhar caminho socialmente justo para as gerações futuras.
Fonte: Correio Braziliense
A tese de que o inferno são os outros não é só cômoda. É comodista. Pressupõe que mudanças dependem da transformação alheia. Se elas tardarem, ou não se concretizarem, lavam-se as mãos, a exemplo de Pilatos. O resultado da transferência de responsabilidades não poderia ser diferente: perpetuam-se práticas que devem - e podem - ser banidas da vida social. É o caso da corrupção.
Denúncias pipocam na imprensa com indesejável freqüência. A indignação origina artigos de especialistas, editoriais com cobrança de providências, cartas de leitores revoltados com o destino dado aos recursos arrecadados graças aos altos impostos que se apropriam de três meses de salário anual do trabalhador. Passado o calor da revolta, porém, nada mais acontece. Fica a expectativa do próximo golpe, mais engenhoso e com a gula multiplicada.
A lentidão da Justiça deixa clara a sensação de impunidade e, com ela, a perigosa certeza de que o crime compensa. Nada se pode fazer. Contra a cultura do tirar o corpo fora, o Ministério Público lançou a campanha nacional "O que você tem a ver com a corrupção?". A mobilização parte do princípio de que a mudança ocorre no indivíduo. Impõe-se motivá-lo para que ele se dê conta de que faz parte do sistema e, como tal, é responsável senão por ação, pelo menos por omissão, pelo estado de coisas contra o qual protesta.
A corrupção anual no Brasil abocanha 0,7% do Produto Interno Bruto (PIB) - soma de toda a riqueza produzida no país. Transformado em valor, o percentual corresponde a nada menos que R$ 17,5 bilhões. A montanha de dinheiro equivale à soma, em 2007, dos orçamentos dos ministérios das Cidades, Transportes, Cultura e Turismo. São recursos que, mantidos nos trilhos, melhorariam estradas, portos, teatros, saneamento básico, iluminação pública.
É providencial a campanha ter o foco na criança. Textos, peças teatrais, palestras, filminhos são meios lúdicos capazes de blindar meninos e meninas contra a tolerância com a corrupção. Sabe-se que filhos têm o poder de mudar o comportamento dos pais e trilhar caminho socialmente justo para as gerações futuras.
Fonte: Correio Braziliense
Líder do PDT sai em defesa da TRIBUNA
O deputado Paulo Ramos, líder do PDT na Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), em pronunciamento no plenário, defendeu a TRIBUNA DA IMPRENSA diante das dificuldades que o jornal atravessa. O parlamentar manifestou solidariedade ao jornalista Helio Fernandes e a todos os profissionais do jornal e lembrou as perseguições sofridas pela Tribuna durante a ditadura.
Para o líder do PDT, a censura e as perseguições, além do descaso de anunciantes, em especial das empresas públicas federais e da administração direta, são responsáveis pela crise financeira do jornal. Ramos destacou ainda a importante participação da Tribuna na luta pelo fim da ditadura e por sua defesa das causas nacionais e patróticas.
Abaixo, a íntegra do pronunciamento
Venho à tribuna, Sr. Presidente, prestar uma homenagem ao jornalista Helio Fernandes, da Tribuna da Imprensa. E simultaneamente manifestar a minha indignação pelo fato de, depois de ter sido garroteado durante anos a fio, o jornal Tribuna da Imprensa encerrar temporariamente a sua circulação.
Não cuido aqui, Sr. Presidente, da perda dos postos de trabalho, que já seria uma motivação extremamente relevante, quero cuidar da tão propalada liberdade de imprensa, na medida em que a Tribuna da Imprensa, mesmo nos dias de hoje, tem sido uma grande trincheira na defesa da democracia, na defesa da nossa soberania e na defesa dos mais caros valores nacionais.
A Tribuna da Imprena no período pós 64 foi submetida à mais dura repressão, culminando inclusive pela explosão de sua sede e de suas máquinas. Não apenas a censura que alcançava, pelo menos, todos os demais veículos que defendiam a democracia, mas também pela ação a mais dura, de modo a impedir a sua circulação. Todos devem lembrar que a Tribuna da Imprensa chegou a circular com páginas em branco porque o jornalista Helio Fernandes, numa ação corajosa, com todo desassombro, não substituía as matérias censuradas por outras matérias, os espaços ficavam vazios com o carimbo: "Censurado".
É claro que sofreu todas as conseqüências. Mas ajuizou contra a União uma ação, buscando a justa e devida reparação. E a ação caminha para completar trinta anos. Trinta anos! Repousando agora no Supremo Tribunal Federal, que contribui decisiva e deliberadamente, através do ministro Joaquim Barbosa, para proteger os interesses da União contra um direito líquido e certo de quem deu uma contribuição para que hoje pudéssemos estar respirando ares de liberdade.
O jornalista Helio Fernandes, na última segunda-feira, comunicando a todos nós a suspensão momentânea da circulação da Tribuna da Imprensa, faz a mais grave denúncia ao Judiciário brasileiro, como ele diz aqui: "Não na 1ª Instância, mas nos tribunais superiores", incluindo o Supremo Tribunal Federal. Porque na 1ª Instância o processo correu de forma a mais natural.
Diz Helio Fernandes no seu editorial - cuja transcrição na íntegra vou pedir a V. Exa. -, falando sobre aquilo que ele e os profissionais, os jornalistas, os trabalhadores da Tribuna da Imprensa enfrentavam durante o período autoritário:
"Que sabendo dos obstáculos que enfrentaria, dos sacrifícios a que seria submetida, assumiu sem qualquer restrição a resistência ao autoritarismo e à permanente e intransigente defesa do interesse nacional, tão sacrificado." Diz ele, entre aspas, lembrando o Apóstolo Paulo: "Combatíamos o bom combate."
Ao final do texto, depois de fazer uma condenação veemente, agora já ao Supremo Tribunal Federal, na figura do ministro Joaquim Barbosa, que se inclina a acolher um esdrúxulo recurso da União, diz Helio Fernandes também que a Tribuna da Imprensa, pela sua ação independente, obviamente também não consegue ser aquinhoada com os anunciantes de sempre, todos ligados ao poder -Petrobras, Banco do Brasil, Caixa Econômica, grande empreiteiras, empresas transportadoras, todos aqueles que alimentam e submetem uma parcela expressiva dos nossos meios de comunicação, aniquilando uma liberdade que é fundamental para a afirmação da democracia. Diz Helio Fernandes de uma forma muito lúcida:
(Lendo)
"Vivemos num mundo dominado pela VISIBILIADE e a RECIPROCIDADE. Como não nos entregamos nunca, como ninguém neste jornal distribui visibilidade para receber reciprocidade, estamos em situação dificílima."
Distribui visibilidade para receber reciprocidade. É através desse mecanismo que os meios de comunicação conseguem não apenas subjugar mas também seduzir, às vezes, até as parcelas mais significativas da representação popular. É muito fácil ser seduzido para surfar na mídia em detrimento das convicções - temos acompanhado isso no dia-a-dia da vida pública no nosso País.
O que me causa estranheza, e muita estranheza, é que não surgiu nos meios de comunicação ninguém - nem no Sistema Globo, que é o arauto da democracia; que, ao contrário da Tribuna, foi cevado, cresceu, teve aumentados sua influência e seu patrimônio exatamente no período autoritário -, nenhuma voz da mídia em defesa da Tribuna da Imprensa.
Estou encaminhando à Associação Brasileira de Imprensa uma cópia do manifesto de Helio Fernandes em defesa dos direitos da Tribuna e, acima de tudo, em defesa das liberdades democráticas. Estou encaminhando este texto ao Presidente da ABI na expectativa de que a entidade que representa a imprensa brasileira possa se manifestar.
Portanto, Sr. Presidente, é movido por grande revolta que venho aqui manifestar a minha mais completa solidariedade ao Jornalista Hélio Fernandes e a todos aqueles que, através da Tribuna da Imprensa, davam a sua contribuição para a imprensa livre.
Peço a V. Exa. a transcrição, como parte do meu pronunciamento, como a parte mais importante, como a parte principal do meu pronunciamento, o artigo, a denúncia de Hélio Fernandes, publicada na Tribuna da Imprensa de segunda-feira, 1o de dezembro de 2008.
O SR. PRESIDENTE (Mário Marques) - Pois não, Deputado. Gostaria que V. Exa. entregasse à funcionária para que seja transcrita a página da Tribuna da Imprensa a que aludiu o Deputado Paulo Ramos.
O SR. PAULO RAMOS - Muito obrigado.
Fonte: Tribuna da Imprensa
Para o líder do PDT, a censura e as perseguições, além do descaso de anunciantes, em especial das empresas públicas federais e da administração direta, são responsáveis pela crise financeira do jornal. Ramos destacou ainda a importante participação da Tribuna na luta pelo fim da ditadura e por sua defesa das causas nacionais e patróticas.
Abaixo, a íntegra do pronunciamento
Venho à tribuna, Sr. Presidente, prestar uma homenagem ao jornalista Helio Fernandes, da Tribuna da Imprensa. E simultaneamente manifestar a minha indignação pelo fato de, depois de ter sido garroteado durante anos a fio, o jornal Tribuna da Imprensa encerrar temporariamente a sua circulação.
Não cuido aqui, Sr. Presidente, da perda dos postos de trabalho, que já seria uma motivação extremamente relevante, quero cuidar da tão propalada liberdade de imprensa, na medida em que a Tribuna da Imprensa, mesmo nos dias de hoje, tem sido uma grande trincheira na defesa da democracia, na defesa da nossa soberania e na defesa dos mais caros valores nacionais.
A Tribuna da Imprena no período pós 64 foi submetida à mais dura repressão, culminando inclusive pela explosão de sua sede e de suas máquinas. Não apenas a censura que alcançava, pelo menos, todos os demais veículos que defendiam a democracia, mas também pela ação a mais dura, de modo a impedir a sua circulação. Todos devem lembrar que a Tribuna da Imprensa chegou a circular com páginas em branco porque o jornalista Helio Fernandes, numa ação corajosa, com todo desassombro, não substituía as matérias censuradas por outras matérias, os espaços ficavam vazios com o carimbo: "Censurado".
É claro que sofreu todas as conseqüências. Mas ajuizou contra a União uma ação, buscando a justa e devida reparação. E a ação caminha para completar trinta anos. Trinta anos! Repousando agora no Supremo Tribunal Federal, que contribui decisiva e deliberadamente, através do ministro Joaquim Barbosa, para proteger os interesses da União contra um direito líquido e certo de quem deu uma contribuição para que hoje pudéssemos estar respirando ares de liberdade.
O jornalista Helio Fernandes, na última segunda-feira, comunicando a todos nós a suspensão momentânea da circulação da Tribuna da Imprensa, faz a mais grave denúncia ao Judiciário brasileiro, como ele diz aqui: "Não na 1ª Instância, mas nos tribunais superiores", incluindo o Supremo Tribunal Federal. Porque na 1ª Instância o processo correu de forma a mais natural.
Diz Helio Fernandes no seu editorial - cuja transcrição na íntegra vou pedir a V. Exa. -, falando sobre aquilo que ele e os profissionais, os jornalistas, os trabalhadores da Tribuna da Imprensa enfrentavam durante o período autoritário:
"Que sabendo dos obstáculos que enfrentaria, dos sacrifícios a que seria submetida, assumiu sem qualquer restrição a resistência ao autoritarismo e à permanente e intransigente defesa do interesse nacional, tão sacrificado." Diz ele, entre aspas, lembrando o Apóstolo Paulo: "Combatíamos o bom combate."
Ao final do texto, depois de fazer uma condenação veemente, agora já ao Supremo Tribunal Federal, na figura do ministro Joaquim Barbosa, que se inclina a acolher um esdrúxulo recurso da União, diz Helio Fernandes também que a Tribuna da Imprensa, pela sua ação independente, obviamente também não consegue ser aquinhoada com os anunciantes de sempre, todos ligados ao poder -Petrobras, Banco do Brasil, Caixa Econômica, grande empreiteiras, empresas transportadoras, todos aqueles que alimentam e submetem uma parcela expressiva dos nossos meios de comunicação, aniquilando uma liberdade que é fundamental para a afirmação da democracia. Diz Helio Fernandes de uma forma muito lúcida:
(Lendo)
"Vivemos num mundo dominado pela VISIBILIADE e a RECIPROCIDADE. Como não nos entregamos nunca, como ninguém neste jornal distribui visibilidade para receber reciprocidade, estamos em situação dificílima."
Distribui visibilidade para receber reciprocidade. É através desse mecanismo que os meios de comunicação conseguem não apenas subjugar mas também seduzir, às vezes, até as parcelas mais significativas da representação popular. É muito fácil ser seduzido para surfar na mídia em detrimento das convicções - temos acompanhado isso no dia-a-dia da vida pública no nosso País.
O que me causa estranheza, e muita estranheza, é que não surgiu nos meios de comunicação ninguém - nem no Sistema Globo, que é o arauto da democracia; que, ao contrário da Tribuna, foi cevado, cresceu, teve aumentados sua influência e seu patrimônio exatamente no período autoritário -, nenhuma voz da mídia em defesa da Tribuna da Imprensa.
Estou encaminhando à Associação Brasileira de Imprensa uma cópia do manifesto de Helio Fernandes em defesa dos direitos da Tribuna e, acima de tudo, em defesa das liberdades democráticas. Estou encaminhando este texto ao Presidente da ABI na expectativa de que a entidade que representa a imprensa brasileira possa se manifestar.
Portanto, Sr. Presidente, é movido por grande revolta que venho aqui manifestar a minha mais completa solidariedade ao Jornalista Hélio Fernandes e a todos aqueles que, através da Tribuna da Imprensa, davam a sua contribuição para a imprensa livre.
Peço a V. Exa. a transcrição, como parte do meu pronunciamento, como a parte mais importante, como a parte principal do meu pronunciamento, o artigo, a denúncia de Hélio Fernandes, publicada na Tribuna da Imprensa de segunda-feira, 1o de dezembro de 2008.
O SR. PRESIDENTE (Mário Marques) - Pois não, Deputado. Gostaria que V. Exa. entregasse à funcionária para que seja transcrita a página da Tribuna da Imprensa a que aludiu o Deputado Paulo Ramos.
O SR. PAULO RAMOS - Muito obrigado.
Fonte: Tribuna da Imprensa
Da asfixia da TRIBUNA ao monopólio da informação
“Um dia vieram e levaram meu vizinho que era judeu.
Como não sou judeu, não me incomodei.
No dia seguinte, vieram e levaram meu outro vizinho que era
comunista.
Como não sou comunista, não me incomodei .
No terceiro dia vieram e levaram meu vizinho católico.
Como não sou católico, não me incomodei.
No quarto dia, vieram e me levaram;
já não havia mais ninguém para reclamar”... ( Martin Niemöller,
pastor luterano alemão, em 1933 )
Quando cheguei ao Rio de Janeiro, naquele efervescente 1959, havia jornais para todos os gostos. Era um tempo em que a disseminação de informações em todas as camadas funcionava como o mais rico nutriente do grande salto na economia.
Sem aquela fartura de títulos nas bancas, o sentimento de progresso não teria se enraizado como um átomo transformador, em função do qual o Brasil mudou de fio a pavio.
De país rural, sujeito à hegemonia política dos senhores da terra, evoluiu corajosamente no rumo de um processo industrial que, com a ajuda da imprensa, teria de atacar velhos tabus, como o alto índice de analfabetismo e escassa disponibilidade de mão-de-obra qualificada. Foi com o facho dos jornais e revistas que a economia iluminou seu caminho nos idos de JK. Naqueles idos, tínhamos opções entre diários matutinos e vespertinos, estes com mais de uma edição.
Os semanários tinham grande penetração por seu caráter político. Algumas revistas, como “O Cruzeiro” em sua fase áurea, alcançavam tiragens invejáveis: em 1953, quando o Brasil tinha 53 milhões de habitantes, a maioria nas áreas rurais, essa revista alcançou a tiragem de 750 mil exemplares.
Se considerarmos a população brasileira de então, pode-se dizer que até hoje, apesar da tecnologia e a sofisticação, nenhuma publicação similar conseguiu tão significativos desempenhos em quantidade de exemplares vendidos semanalmente.
Bons tempos, aqueles.
Era uma época tão fértil que as portas das redações se abriam muito cedo para aprendizes vocacionados e escribas imberbes. Em geral, os jornalistas trabalhavam em pelo menos dois lugares.
Se não fosse pela profusão de oportunidades, eu não teria tido a minha carteira profissional assinada como repórter da “Ultima Hora”, no dia 17 de fevereiro de 1961, isto é, um mês antes de completar 18 anos e seis meses depois de ser entregue aos cuidados do brilhante Pinheiro Júnior, chefe de reportagem, por Milton Coelho da Graça, a grande referência profissional por muitos anos.
No mesmo 1961, ia trabalhar como repórter sindical de “O Dia”, sob a chefia de Nelson Salim, situação que não durou muito, porque fui contratado, aos 18 anos, para implantar o Departamento de Língua Portuguesa da Rádio Havana, a emissora de ondas curtas que nascia na “pérola do Caribe”.
Fonte de resistência
Esse leque de jornais ainda resistiu alimentando o estreito corredor da liberdade até o AI-5, em dezembro de 1968. Registre-se que ainda antes de 1964 houve algumas perdas – casos dos vespertinos “A Noite” e “Diário da Noite” (que chegou a vender 200 mil exemplares na década de 50, quando a população da cidade do Rio de Janeiro era de 2,5 milhões de habitantes).
Então, o jornalista dificilmente ficava desempregado. Eu mesmo passei por uma situação inacreditável. Quando o meu conterrâneo Gualter Loyola de Alencar me trouxe para a “TRIBUNA”, em 1967, tive que fazer ginástica para ajudá-lo a editar a primeira página, sem abandonar outros batentes.
Por alguns meses, “bati o ponto” em cinco lugares, porque não tinha coragem de pedir demissão e “abandonar os barcos”. Às seis da manhã, chegava à TV Tupi, na Urca, para escrever o segundo caderno do “Jornal da Tarde”. Às 9, conforme acordo com o diretor Paulo Vial Correa, pegava meu fusca, atravessava a cidade e ia trabalhar como assessor de Relações Públicas da Acesita, na Visconde de Inhaúma, escrevendo todas as cartas do seu presidente, Wilker Moreira Barbosa.
Almoçava na mesa de trabalho e me deslocava até o prédio da Rio Branco, 277, ao lado do Clube Militar, onde escrevia na Alton Propaganda “A Voz dos Municípios” para a Rádio Nacional com o patrocínio da Capemi. O produtor do programa era Bob Nelson, de quem fora fã na infância, que estava sem trabalho como cantor.
Às quatro, estava na Redação do “Correio da Manhã”, na Gomes Freire, onde fazia a página internacional, sob a chefia de Maurício Gomes Leite, tendo ao lado luminares como Otto Maria Carpeaux, Paulo de Castro e o nosso Argemiro Ferreira, sem falar no Ricardo Franco Neto, no Guilherme Cunha e no José Fernandes.
Finalmente, às 9 da noite, saía pela oficina e dava de cara com a redação da “TRIBUNA”, chefiada então por Guimarães Padilha, tendo o Gualter Loiola como editor.
Claro que isso não durou muito, mas aconteceu com outros profissionais também porque havia muitas oportunidades para os profissionais do que hoje chamam de Comunicação Social. E não durou porque fui me envolvendo mais com a “TRIBUNA”, já então a grande trincheira da resistência democrática, cuja redação passei a chefiar alguns meses antes de ser levado na madrugada fria de junho de 1969 para a Ilha das Flores, primeira das três ilhas em que me encarceraram por quase dois anos.
Conto essa história a propósito da pressão perversa que vem asfixiando a “TRIBUNA” há mais de 40 anos e que provocou a paralisação TEMPORÁRIA de sua circulação.
Rumo ao monopólio
Hoje, há um quadro inteiramente diverso daqueles anos de crescimento. A maioria dos jornais desapareceu, enquanto a “TRIBUNA” sobrevivia a duras penas, graças à tenacidade de Helio Fernandes e aos profissionais que acreditavam na necessidade de pelo menos um contraponto nesse universo midiático atrelado a um sistema que banca uma pouco variada “imprensa de resultados”.
O mercado de trabalho encolheu na proporção inversa de uma demanda incalculável, gerada por uma quantidade exagerada de cursos de jornalismo e de expectativas entre os jovens em relação à comunicação social, área que se inscreve entre as mais procuradas nos vestibulares.
Pode-se dizer que mais da metade dos empregos em redações no Rio de Janeiro é oferecida pelo complexo Globo (TV, rádios, jornais e revistas) e que de cada três profissionais empregados, dois estão em assessorias, onde se pagam os melhores salários.
Isso significa que avançamos para uma atividade monopolista no campo da informação, o que terá reflexos dramáticos numa sociedade dita democrática, que vê suas instituições sucumbirem sob o controle de alguns grupos ávidos de poder e do que dele provém.
O estrangulamento da “TRIBUNA” resulta de uma combinação de interesses e atos inescrupulosos, com repercussão inevitável sobre a vida do País, constituindo-se num golpe de alcance múltiplo, numa etapa irreversível de uma perigosa escalada de essência muito mais deletéria do que o regime que hoje abominam desonestamente muitos dos que se refestelaram à sua sombra.
Sobre isso, teremos muito o que conversar.
coluna@pedroporfirio.com
Visite o Blog do colunista
Como não sou judeu, não me incomodei.
No dia seguinte, vieram e levaram meu outro vizinho que era
comunista.
Como não sou comunista, não me incomodei .
No terceiro dia vieram e levaram meu vizinho católico.
Como não sou católico, não me incomodei.
No quarto dia, vieram e me levaram;
já não havia mais ninguém para reclamar”... ( Martin Niemöller,
pastor luterano alemão, em 1933 )
Quando cheguei ao Rio de Janeiro, naquele efervescente 1959, havia jornais para todos os gostos. Era um tempo em que a disseminação de informações em todas as camadas funcionava como o mais rico nutriente do grande salto na economia.
Sem aquela fartura de títulos nas bancas, o sentimento de progresso não teria se enraizado como um átomo transformador, em função do qual o Brasil mudou de fio a pavio.
De país rural, sujeito à hegemonia política dos senhores da terra, evoluiu corajosamente no rumo de um processo industrial que, com a ajuda da imprensa, teria de atacar velhos tabus, como o alto índice de analfabetismo e escassa disponibilidade de mão-de-obra qualificada. Foi com o facho dos jornais e revistas que a economia iluminou seu caminho nos idos de JK. Naqueles idos, tínhamos opções entre diários matutinos e vespertinos, estes com mais de uma edição.
Os semanários tinham grande penetração por seu caráter político. Algumas revistas, como “O Cruzeiro” em sua fase áurea, alcançavam tiragens invejáveis: em 1953, quando o Brasil tinha 53 milhões de habitantes, a maioria nas áreas rurais, essa revista alcançou a tiragem de 750 mil exemplares.
Se considerarmos a população brasileira de então, pode-se dizer que até hoje, apesar da tecnologia e a sofisticação, nenhuma publicação similar conseguiu tão significativos desempenhos em quantidade de exemplares vendidos semanalmente.
Bons tempos, aqueles.
Era uma época tão fértil que as portas das redações se abriam muito cedo para aprendizes vocacionados e escribas imberbes. Em geral, os jornalistas trabalhavam em pelo menos dois lugares.
Se não fosse pela profusão de oportunidades, eu não teria tido a minha carteira profissional assinada como repórter da “Ultima Hora”, no dia 17 de fevereiro de 1961, isto é, um mês antes de completar 18 anos e seis meses depois de ser entregue aos cuidados do brilhante Pinheiro Júnior, chefe de reportagem, por Milton Coelho da Graça, a grande referência profissional por muitos anos.
No mesmo 1961, ia trabalhar como repórter sindical de “O Dia”, sob a chefia de Nelson Salim, situação que não durou muito, porque fui contratado, aos 18 anos, para implantar o Departamento de Língua Portuguesa da Rádio Havana, a emissora de ondas curtas que nascia na “pérola do Caribe”.
Fonte de resistência
Esse leque de jornais ainda resistiu alimentando o estreito corredor da liberdade até o AI-5, em dezembro de 1968. Registre-se que ainda antes de 1964 houve algumas perdas – casos dos vespertinos “A Noite” e “Diário da Noite” (que chegou a vender 200 mil exemplares na década de 50, quando a população da cidade do Rio de Janeiro era de 2,5 milhões de habitantes).
Então, o jornalista dificilmente ficava desempregado. Eu mesmo passei por uma situação inacreditável. Quando o meu conterrâneo Gualter Loyola de Alencar me trouxe para a “TRIBUNA”, em 1967, tive que fazer ginástica para ajudá-lo a editar a primeira página, sem abandonar outros batentes.
Por alguns meses, “bati o ponto” em cinco lugares, porque não tinha coragem de pedir demissão e “abandonar os barcos”. Às seis da manhã, chegava à TV Tupi, na Urca, para escrever o segundo caderno do “Jornal da Tarde”. Às 9, conforme acordo com o diretor Paulo Vial Correa, pegava meu fusca, atravessava a cidade e ia trabalhar como assessor de Relações Públicas da Acesita, na Visconde de Inhaúma, escrevendo todas as cartas do seu presidente, Wilker Moreira Barbosa.
Almoçava na mesa de trabalho e me deslocava até o prédio da Rio Branco, 277, ao lado do Clube Militar, onde escrevia na Alton Propaganda “A Voz dos Municípios” para a Rádio Nacional com o patrocínio da Capemi. O produtor do programa era Bob Nelson, de quem fora fã na infância, que estava sem trabalho como cantor.
Às quatro, estava na Redação do “Correio da Manhã”, na Gomes Freire, onde fazia a página internacional, sob a chefia de Maurício Gomes Leite, tendo ao lado luminares como Otto Maria Carpeaux, Paulo de Castro e o nosso Argemiro Ferreira, sem falar no Ricardo Franco Neto, no Guilherme Cunha e no José Fernandes.
Finalmente, às 9 da noite, saía pela oficina e dava de cara com a redação da “TRIBUNA”, chefiada então por Guimarães Padilha, tendo o Gualter Loiola como editor.
Claro que isso não durou muito, mas aconteceu com outros profissionais também porque havia muitas oportunidades para os profissionais do que hoje chamam de Comunicação Social. E não durou porque fui me envolvendo mais com a “TRIBUNA”, já então a grande trincheira da resistência democrática, cuja redação passei a chefiar alguns meses antes de ser levado na madrugada fria de junho de 1969 para a Ilha das Flores, primeira das três ilhas em que me encarceraram por quase dois anos.
Conto essa história a propósito da pressão perversa que vem asfixiando a “TRIBUNA” há mais de 40 anos e que provocou a paralisação TEMPORÁRIA de sua circulação.
Rumo ao monopólio
Hoje, há um quadro inteiramente diverso daqueles anos de crescimento. A maioria dos jornais desapareceu, enquanto a “TRIBUNA” sobrevivia a duras penas, graças à tenacidade de Helio Fernandes e aos profissionais que acreditavam na necessidade de pelo menos um contraponto nesse universo midiático atrelado a um sistema que banca uma pouco variada “imprensa de resultados”.
O mercado de trabalho encolheu na proporção inversa de uma demanda incalculável, gerada por uma quantidade exagerada de cursos de jornalismo e de expectativas entre os jovens em relação à comunicação social, área que se inscreve entre as mais procuradas nos vestibulares.
Pode-se dizer que mais da metade dos empregos em redações no Rio de Janeiro é oferecida pelo complexo Globo (TV, rádios, jornais e revistas) e que de cada três profissionais empregados, dois estão em assessorias, onde se pagam os melhores salários.
Isso significa que avançamos para uma atividade monopolista no campo da informação, o que terá reflexos dramáticos numa sociedade dita democrática, que vê suas instituições sucumbirem sob o controle de alguns grupos ávidos de poder e do que dele provém.
O estrangulamento da “TRIBUNA” resulta de uma combinação de interesses e atos inescrupulosos, com repercussão inevitável sobre a vida do País, constituindo-se num golpe de alcance múltiplo, numa etapa irreversível de uma perigosa escalada de essência muito mais deletéria do que o regime que hoje abominam desonestamente muitos dos que se refestelaram à sua sombra.
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