Publicado em 16 de dezembro de 2022 por Tribuna da Internet

Carros e ônibus incendiados num protesto sem repressão
Merval Pereira
O Globo
Quando o tumulto começou em Brasília, bem perto do estúdio da Globo, tivemos a sensação de que ia ser difícil controlar a situação. Embora não fossem muitos, os manifestantes eram agressivos, jogavam pedras e paus e tentavam invadir a sede da PF.
Houve a impressão inicial de que a polícia de Brasília não agiu prontamente, que houve um retardo do ataque da polícia. No entanto, depois que a coisa se acalmou, Flavio Dino agradeceu ao governador de Brasília, Ibaneis Rocha, que, segundo ele, colaborou desde o primeiro momento.
FALA DA SEGURANÇA – Não sei se foi incompetência, mas na verdade o tumulto demorou mais do que deveria, porque os manifestantes vieram descendo no eixão, avançando no setor hoteleiro e quebrando os hotéis.
Não eram muitos e vinham marchando, poderiam ter sido cercados ali. Foi uma falha de segurança, intencional ou não.
A situação ficou mais grave do que deveria ter sido, se houvesse um esquema – que estava previsto – de segurança reforçado. Mas assim como Lula relaxou depois da diplomação, e foi para uma festa junto com Alexandre de Moraes na casa do advogado Kakay, o policiamento pode também ter relaxado, achando que estava tudo bem.
DISPOSTOS A TUDO – Para a posse do presidente será preciso um esquema de segurança muito preparado, e bem mais organizado. Já está se vendo que esses grupos que sobraram do bolsonarismo estão dispostos a tudo. Não há chance de haver golpe, mas há chance de muita baderna.
E aparentemente estão acampando na porta do palácio da Alvorada, protegidos pelo presidente da República, que até mandou distribuir quentinhas a eles.
O jornalista Oswaldo Eustáquio, que está sendo procurado pela polícia por publicar fake News, foi recebido por Bolsonaro no Alvorada, numa espécie de asilo político. Tudo isso ajuda a complicar a situação.