segunda-feira, dezembro 19, 2022

Para o Brasil, a única saída é preservar o meio ambiente e atrair investimentos


A formação do gestor ambiental no Brasil: novos desafios

Ilustração reproduzida do Arquivo Google

Augusto Tomazini

Quando um adversário assume determinada opinião, isso não pode implicar que tal posição esteja errada. Vamos nos lembrar da abolição da escravatura incentivada pelo império inglês no século XIX, que gerou muitas queixas de proprietários e comerciantes de escravos no Brasil e em outros lugares.

A classe dirigente inglesa se apoiou em princípios éticos do iluminismo e da fraternidade cristã, mas foram, principalmente, as razões econômicas que motivaram tal empreitada abolicionista. Afinal, a incipiente revolução industrial inglesa se beneficiava da ampliação do mercado consumidor assalariado, da mão de obra reserva desempregada e outros fatores.

MELHORES PRÁTICAS – Atualmente, vemos as elites ocidentais em defesa de práticas responsáveis no âmbito ambiental e social. Nesse sentido, ganha destaque a sigla ESG (Environmental, Social e Governance), oriunda de instituições financeiras em um relatório da ONU em 2005; trata-se de uma prática de investimentos seletivos em empresas que assumem ações responsáveis em relação ao meio ambiente, à sociedade e à sua governança corporativa.

Nos últimos anos, os ativos globais de investimento sustentáveis já assumiram a marca de 30 trilhões de dólares, metade dos quais no mercado europeu.

A prática de investimento seletivo em empresas socialmente éticas pode ser rastreada até os princípios de Sullivan da década de 1970, proposto por um membro do conselho da General Motors, o reverendo Leon Sullivan. Na ocasião serviu para pressionar empresas sediadas no regime racista de apartheid da África do Sul.

MEGAINVESTIDORA – No mundo financeiro atual, se destaca a maior gestora de investimentos do planeta, a BlackRock, com quase 10 trilhões de dólares sob sua gestão. Seu CEO chama-se Larry Fink e é um dos maiores entusiastas da agenda ESG.

Durante a crise financeira de 2008, o governo norte-americano contratou a BlackRock para ajudar a sanear a economia, o que permitiu a L. Fink se aproximar mais da cúpula de poder do Partido Democrata; em dezembro de 2009 a empresa se torna a maior gestora de investimentos do mundo.

Existem motivos econômicos e geopolíticos para a defesa da agenda ESG por parte da elite do capitalismo financeiro, mas devemos ter cautela no ataque ou defesa dessas posições.

AGENDA AMBIENTAL – O Brasil terá grande importância nessa agenda, temos um território imenso de florestas tropicais e diversos biomas riquíssimos, uma área soberba de território marítimo, entre outros ativos, enfim, o Brasil é uma potência ambiental.

Considerando essa conjuntura, é pragmático que o governo brasileiro e as empresas nacionais invistam na conservação do meio ambiente para vencermos barreiras protecionistas “verdes” levantadas no âmbito do comércio internacional.

Também, temos que considerar que, após a queda dos juros do FED, os investimentos da cúpula do capital financeiro refluirão preferencialmente para projetos ambientalmente sustentáveis e países alinhados com tal agenda.

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