Publicado em 19 de dezembro de 2022 por Tribuna da Internet
A manicure Marilândia é “pesquisadora” da UERJ
Ruben Berta, Lola Ferreira e Igor Mello
Portal UOL
O casal formado por uma manicure e por um militar reformado, ambos sem qualquer referência acadêmica, recebeu R$ 738 mil da Uerj (Universidade do Estado do Rio de Janeiro) em pouco mais de um ano (entre 2021 e 22). Para Marilândia de Souza Lima, de 64 anos, foram 29 pagamentos com dinheiro público, num total de R$ 378 mil, para atuar em dois projetos de pesquisa; seu marido Joaquim Andrade dos Santos, 85 anos, ganhou R$ 360 mil. Desde agosto do ano passado, o militar reformado precisa do auxílio de uma cuidadora, após ter sido atropelado no estacionamento do condomínio onde mora, na zona norte do Rio.
A manicure atende todas as quintas e sextas num salão em Copacabana, na zona sul do Rio. No início do mês, uma repórter do UOL, sem se identificar, fez as unhas com Marilândia, que pouco falou. Na última terça (13), a reportagem ligou para ela, que desligou: “Não conheço o UOL”, afirmou.
CABIDE DE EMPREGOS – Em nota, a Uerj afirma que Marilândia possui formação técnica completa em gestão de empresas e que Santos foi gestor de superintendência do CML (Comando Militar do Leste). “Ambos realizaram atividades presenciais e remotas” relativas aos projetos, diz a nota.
Trata-se de mais um caso do cabide de emprego da Uerj. Grupos de parentes chegaram a ganhar juntos até R$ 1 milhão em um ano, mostra investigação feita pelo UOL Notícias ao longo de dois meses.
As irregularidades do cabide de emprego da Uerj são impressionantes. A universidade contratou sem qualquer processo seletivo público pessoas para receberem remunerações de até R$ 35 mil por mês (brutos) –e sem controle da carga horária desses profissionais. A verba desviada serviria para projetos de pesquisa em áreas de Educação, Ciência e Tecnologia e Segurança Pública;
ESCÂNDALOS EM SÉRIE – R$ 335,4 milhões (93% do total pago) foram para profissionais sem vínculo com a Uerj. E os recursos aplicados cresceram à medida que o período eleitoral se aproximou: em janeiro de 2021, eram só R$ 140 mil. Em julho de 2022, houve um pico, de R$ 57,45 milhões;
Os gastos foram realizados em folhas de pagamentos secretas, que só começaram a ser reveladas após reportagens do UOL. A Uerj anunciou que suspenderá todos os projetos realizados em parceria com outros órgãos do governo do estado a partir do dia 31 de dezembro e criará uma nova regulamentação para todos.
O cabide da Uerj é objeto de uma série de reportagens publicadas pelo UOL desde agosto deste ano, que provocou investigações por parte do TCE-RJ e do MP-RJ (Ministério Público do Rio).
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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – Espantosa reportagem enviada por Armando Gama, sempre atento. O pior disso tudo é que não acontecerá nada, rigorosamente nada, porque a corrupção agora faz parte do novo normal da atualidade brasileira, com a conivência da Justiça, a partir do Supremo. É por isso que temos um ex-presidiário na Presidência da República dentro da nova normalidade. (C.N.)