domingo, dezembro 18, 2022

Lula se reúne com os novos comandantes do Exército, da Marinha e da Aeronáutica


Encontro com futuros comandantes ocorreu em hotel em Brasília

Pedro do Coutto

O presidente eleito, Lula da Silva, reuniu-se na sexta-feira com os novos comandantes do Exército, da Marinha e da Aeronáutica, general Júlio Cesar de Arruda, almirante Marcos Sampaio Olsen e com o brigadeiro Marcelo Kanitz Damasceno. No O Globo, a reportagem é de Jeniffer Gularte e Alice Cravo. Na Folha de S. Paulo de ontem, Igor Gielow destaca que os comandantes atuais das três forças recuaram de suas disposições de entregarem os cargos antes da posse do novo presidente.

O encontro de Lula com os novos comandantes teve também a participação do novo ministro da Defesa, José Múcio Monteiro, e vai influir sobre a sua posse no dia 1º de janeiro. Algumas providências estão sendo tomadas porque o sistema de segurança de Lula encontrou problemas. Segundo Ricardo Della Coletta, Victoria Azevedo e Constança Rezende, Folha de S. Paulo, verificou-se um mal-estar entre o sistema de segurança de Lula e o Gabinete de Segurança Institucional ocupado pelo general Augusto Heleno. Houve problemas de comunicação e troca de informações, deixando insatisfeita a assessoria do presidente eleito em outubro,

RECURSOS FINANCEIROS – Problemas devem se referir, acredito, nas manifestações de grupos nas portas de quartéis e aqueles que protagonizaram os acontecimentos de segunda-feira em Brasília quando da diplomação de Lula da Silva e Geraldo Alckmin . Na reunião com os novos comandantes do Exército, da Marinha e da Aeronáutica, Lula assegurou recursos financeiros para investimentos nas Forças Armadas, incluindo equipamentos. Para o Exército, por exemplo, será ampliado um sistema integrado de monitoramento de fronteiras.

Assim, com a formação da equipe militar do seu governo, o presidente eleito anunciará os demais nomes de seu ministério. Mas há problemas. O Ministério do Planejamento é um deles. Há vários nomes cotados, aparecendo agora também o do senador Renan Filho. O empresário Josué Gomes, atual presidente da Fiesp, disse neste fim de semana que não poderia assumir o Ministério da Indústria e Comércio, pois tem uma vinculação da qual não pode se afastar, que é o da Coteminas, empresa que foi do seu pai, José Alencar.

BOMBA RELÓGIO –  Numa entrevista a Daniel Gullino, Folha de S. Paulo, o presidente do Tribunal de Contas da União, Bruno Dantas, afirmou que o ministro Paulo Guedes deixou uma bomba relógio que está perto de explodir em matéria de contas públicas e de desorganização da administração federal. O salário dos servidores públicos é um problema muito grande. Estão congelados há quatro anos, enquanto os preços sobem sem parar.

O que está disfarçando a inflação verdadeira no país são as reduções artificiais dos preços dos combustíveis, mas esta é uma fórmula insustentável que, como se espera, não poderá ser mantida. São problemas a serem enfrentados por Lula. “O ministro Paulo Guedes realizou uma reforma administrativa muda e cega. Ele proibiu a contratação de novos servidores públicos, o que é imprescindível para substituir aqueles que se aposentaram”, afirmou Dantas. Com isso, serviços públicos essenciais, a exemplo do INSS, encontram-se em grande atraso causando prejuízos gerais à sociedade.

DÍVIDA INTERNA – Idiana Tomazelli, Folha de S. Paulo, com base em relatório do Tesouro Nacional, revela que a PEC do Orçamento nos próximos quatro anos poderá elevar a dívida interna do país a 81% do Produto Interno Bruto. Para se avaliar o que isso representa em números absolutos, basta ver que o PIB atual do Brasil é de R$ 6,5 trilhões.

A dívida atual do país encontra-se na escala de 68% do PIB, o que equivale a um total aproximado de R$ 4,5 bilhões.  Sobre esse total, incide os juros anuais da taxa Selic no montante de 13,75%. Esse é o maior fator da despesa pública brasileira. Os títulos do Tesouro que lastreiam a dívida estão em poder dos bancos, dos fundos de investimento e das aplicações dos fundos de pensão das empresas estatais.

TRAVESSIA – A novela Travessia das escritora Glória Perez é uma obra magnífica pela atmosfera dos personagens e do conteúdo, das situações e conexões, rompendo com narrativas tradicionais e partindo para a abertura de um álbum de família, título, aliás, de uma peça do meu saudoso amigo, Nelson Rodrigues. Difícil poder se abrir um álbum de família porque vão surgir episódios que incomodam hoje as testemunhas dos personagens de ontem. E se estendem no tempo. Travessia, para mim, é um filme em que as imagens sustentam as situações e dão brilho aos textos fortíssimos da história que se desdobra em vários planos. Nesse ponto, lembra o “Vestido de Noiva”, também de Nelson Rodrigues.

Atuação magnífica da atriz Lucy Alves que incorpora a personagem que a acompanhará ao longo de sua brilhante carreira. Um tipo inesquecível de mulher e de seu drama por um percurso pleno de contradições e conflitos. Brisa, a personagem, viverá numa relação de interpretações inesquecíveis. Uma atmosfera de forte sensualidade marca o roteiro, acentuado fortemente pelo desempenho da atriz Vanessa Giácomo. Enfim, é uma obra que resistirá à passagem do tempo.

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