domingo, julho 03, 2022

Segundo escalão do golpismo apoia ataque à urna eletrônica apenas para manter poder

Publicado em 3 de julho de 2022 por Tribuna da Internet

Bolsonaro imita Trump e quer envolver ministros no golpe

Bruno Boghossian
Folha

Pouco antes da derrota de Donald Trump nas urnas, o secretário de Justiça americano dizia que as eleições do país estavam sujeitas a fraudes. Ecoando o discurso do chefe, William Barr repetiu suspeitas falsas e autorizou a abertura de inquéritos que tinham o objetivo de reverter o resultado da votação. O comportamento de Barr só mudou depois que o caos estava instalado.

Ele passou a descartar a hipótese de irregularidade e acabou demitido em dezembro, antes que Trump incitasse seus apoiadores a invadirem o Capitólio. Agora, em depoimento na investigação sobre o ataque, o ex-secretário diz que o presidente estava “desconectado da realidade” e confiava em teorias “totalmente sem sentido”.

PARCEIROS DO SILÊNCIO – Em sua longa campanha para desqualificar as eleições, Trump contou com a participação ativa e o silêncio de gente que ocupava espaços importantes na estrutura do poder.

O processo não foi obra de meia dúzia de lunáticos. Uma rede de operadores e avalistas ajudou a cultivar, por vários meses, o ambiente de ruptura e o projeto de insurreição liderado pelo então presidente.

A tropa que atua a favor de Jair Bolsonaro dá ao presidente algumas vantagens sobre Trump. Além do apoio explícito de aliados, o brasileiro costurou o envolvimento das Forças Armadas e abriu canais dentro da máquina pública – como se viu no vazamento do inquérito da PF usado pelo governo para alimentar desconfianças sobre as urnas.

ATRÁS DO PODER – Uma fatia não desprezível dos auxiliares de Bolsonaro deve acreditar genuinamente nos disparates repetidos pelo presidente. Outros insistem na ilusão de que podem domar o chefe.

Mas a adesão prática ou tácita ao plano de contestar o resultado da eleição se deve a um único fator: o poder. Ninguém parece interessado em perder espaços e privilégios se a reeleição fizer água.

Os próximos meses mostrarão quantos arrependidos como William Barr surgirão em terrenos bolsonaristas – e quantos deles serão responsabilizados oportunamente.

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