quinta-feira, novembro 05, 2020

Planalto e Centrão tentam controlar Comissão de Orçamento para descumprir teto de gastos

 Posted on 

Nani Humor: GASTOS DO GOVERNO

Charge do Nani (nanihumor.com)

Luiz Calcagno
Correio Braziliense

A guerra da Comissão Mista de Orçamento (CMO) mostrará a verdadeira força do governo na Câmara. E, por enquanto, os prognósticos não são bons para o Palácio do Planalto e seus aliados. Às vésperas de um 2021 de forte crise econômica provocada pelo coronavírus, a base aliada liderada pelo Centrão luta para ocupar a mesa do colegiado e construir, ao mesmo tempo, um candidato viável para suceder Rodrigo Maia (DEM-RJ) no comando da Casa.

Na comissão, porém, o grupo do presidente da Câmara garante que tem votos para manter a situação como está. Isso forçaria o governo a negociar com Maia ou até mesmo aceitar um candidato independente para sucedê-lo.

PAUTA OBSTRUÍDA – O cabo de guerra levou o Centrão, sob o comando do deputado Arthur Lira (PP-AL), a obstruir a pauta da Câmara. A paralisação dos trabalhos joga para frente projetos importantes e prejudica o andamento de matérias de interesse do Executivo –– como a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 186/2019, apelidada de PEC Emergencial, que cria gatilhos para contornar o teto de gastos, além da reforma tributária.

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), prometeu resolver o impasse até esta quarta-feira, mas poucos parlamentares acreditam nessa possibilidade. Uns falam até em levar o Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) direto para o plenário, sem debates prévios.

A disputa pela presidência da Câmara atingiu a CMO, devido à reorganização dos blocos partidários.

ACORDO ANTERIOR – O acordo fechado para a composição da comissão, em fevereiro, contava com um grande bloco que ligava DEM, MDB e PSDB ao Centrão, composto por PP, PL, PSD, Solidariedade e Avante. A configuração permitiu que as três primeiras legendas assumissem os principais cargos, sendo a presidência reservada ao deputado Elmar Nascimento (DEM-BA).

Porém, quando o Centrão fechou com o Planalto, que tentou adiantar a corrida eleitoral na Câmara, o grupo de Maia desembarcou da coalizão. Sem o controle da comissão que debaterá e definirá o orçamento de 2021, restou aos aliados do governo quebrarem o acordo, justificar que as circunstâncias mudaram e exigir espaço no colegiado. A indicação de Flávia Arruda (PL-DF) para disputar a presidência da CMO com Elmar consolidou o confronto.

DEPOIS DA ELEIÇÃO – Para Ricardo Ismael, doutor em Ciência Política, professor e pesquisador do Departamento de Ciências Sociais da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio), vai ser difícil o governo se movimentar para construir algum acordo até 15 de novembro, data do primeiro turno das eleições municipais.

“O governo deve esperar passar o primeiro turno para dizer o que está pensando para 2021, seja na questão da receita, seja do aumento de carga tributária e de alguma coisa que possa sinalizar como corte”, avaliou.

O Executivo precisa, segundo Ismael, do controle do Orçamento para traçar estratégias para a crise e, também, para tentar recuperar o crédito com o mercado financeiro, cada vez mais desconfiado do perfil errático de Jair Bolsonaro. E Maia, por outro lado, precisa de visibilidade para dar continuidade ao próprio projeto político.

###
NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – A matéria necessita de tradução simultânea. O que o Planalto e o Centrão querem, irresponsavelmente, é autorização para continuar descumprindo a Lei do Teto de Gastos, criada por Henrique Meirelles no governo Temer para tirar o Brasil da recessão. E o primeiro passo para conseguir furar o limite de despesas é controlar a Comissão de Orçamento, da qual Rodrigo Maia não abre mão. A briga é por gastança para garantir a reeleição de Bolsonaro, podemos resumir assim . (C.N.) 

Em destaque

Após apreensão de arma, Bolsonaro recorre ao STF para evitar perda da prisão domiciliar

Publicado em 28 de junho de 2026 por Tribuna da Internet Facebook Twitter WhatsApp Email Defesa  pede a Moraes que descarte falta grave Luís...

Mais visitadas