
Crivella mandou impedir reportagens sobre saúde no Rio
Pedro do Coutto
É impossível supor que um homem que foi senador e que se elegeu prefeito, encontrando-se em final de mandato, fosse capaz de praticar crimes em série, por ação e omissão, e esbofetear a população do Rio tentando impedir sua manifestação no campo da saúde pública, além de tentar obstruir o trabalho da TV Globo e a prática do jornalismo.
As imagens, como era de se esperar, foram gravadas e com isso Marcelo Crivella envenenou a si mesmo decretando por antecipação sua derrota nas urnas de novembro.
DEU TUDO ERRADO – É preciso acentuar que jamais poderia dar certo essa tentativa do prefeito, através de funcionários contratados pela Prefeitura, com objetivo de impedir as reportagens na entrada de hospitais.
É claro que a emissora iria gravar a violência, documentá-la, identificar os culpados, e divulgar intensamente os fatos que ocorreram e que confirmam ataques à Constituição Federal e às leis do país. A opinião pública, incluindo eleitores e eleitoras, só poderia condenar de forma veemente a prática repugnante de um tipo de censura que ninguém de posse de suas faculdades mentais poderia concordar. Crivella tentou sufocar a liberdade de expressão e bloquear o exercício do jornalismo.
DIREITO DE CRÍTICA – Os truculentos servidores da prefeitura voltaram-se também contra o direito das pessoas demonstrarem suas insatisfações pelas dificuldades às vezes intransponíveis com que se deparam na busca de atendimento médico.
Reportagem de Vera Araujo, Felipe Grinberg e Tahis Souza, edição de hoje de O Globo ocupa página inteira. Seu título: Os Guardiões de Crivella. Com tal comportamento imoral o prefeito acabou proporcionando uma divulgação muito maior do que aquela que teria acontecido focalizando apenas a voz dos que buscam atendimento sem conseguir obtê-la.
Outra notícia ruim revela que Saúde e Educação perdem recursos no orçamento da União. Também na edição de hoje de O Globo, Manoel Ventura e Marcelo Correa focalizam o projeto do governo Bolsonaro de orçamento para 2021, discriminando os recursos atribuídos a cada Pasta.
AJUSTE DE 2,1% – Pela lei o orçamento para o próximo exercício terá de ser ajustado em 2,1%, pois esta é a inflação dos últimos 12 meses. Portanto, o teto da lei de meios para 2021 terá de ser 2,1% maior que o total deste, ano que é de 3,6 trilhões de reais. Não sei porque os jornais não publicam os valores absolutos.
A Educação sobe de 112 bilhões para 114 bilhões de reais. Fica a mesma coisa. A Saúde passa de 132 para 135 bilhões de reais. Acréscimo de 1,6%. Assim os recursos para saúde diminuíram 0,5% em valores reais.