Renato Ferraz
As eleições que escolheram os novos dirigentes das Mesas da Câmara e do Senado, a discussão sobre o destino da verba indenizatória (que visa cobrir os gastos que os representantes do povo têm nos estados de origem) e até as declarações do senador Jarbas Vasconcelos sobre o PMDB puseram novamente os parlamentares na berlinda. E isso não é em vão. Nossos representantes fazem de tudo para aparecer mal.
Boa parte dos deputados e senadores reclama que a imprensa persegue o Legislativo. Esquece, porém, que a grande maioria está no Congresso para proteger a si próprio, seus financiadores, seus grupos sociais. Em levantamento sobre a atuação parlamentar em geral, a estudante de jornalismo da UnB Ana Cláudia Felizola descobriu que um deputado tucano paulista apresentou projeto de lei afrouxando ainda mais a legislação eleitoral.
O PL estabelece que a contagem do prazo de suspensão de direitos políticos somente ocorra a partir do trânsito em julgado da sentença condenatória. Significa o seguinte: qualquer punição só seria proferida pelo TSE quando não houvesse mais chance de recurso algum, independentemente do tempo que o processo esteja correndo. Detalhe: o parlamentar é citado em 26 processos na justiça eleitoral. Claro que é uma proposição feita sob medida para o dito cujo.
Legislar em causa própria é um dos motivos pelo qual a credibilidade dos representantes está sempre em baixa. É o caso de integrantes da bancada ruralista, que reiteradamente apresenta projetos de lei para reduzir dívidas de produtores (geralmente eles próprios) ou impostos para o setor. Outra praga é propor leis em benefício dos financiadores. Já soube, por exemplo, de deputado que recebeu doação de um fabricante de agrotóxicos e apresentou emenda a uma MP que beneficiava esse fabricante. Outro recebeu ajuda de plantadores de tabaco e apresentou projeto de lei ajudando o setor.
Também é comum ver deputados e senadores em CPIs que investigam quem os bancou. Na CPI da CBF/Nike, por exemplo, dois que receberam ajuda de campanha da CBF estavam lá na comissão, sem o menor pudor. Na CPI dos Combustíveis, 12 integrantes tiveram a campanha bancada em parte por postos de gasolina, distribuidores de combustíveis e produtores de álcool. Enfim, a cara do Congresso é essa. A imprensa apenas a mostra.
Fonte: Correio Braziliense (DF)
sábado, fevereiro 28, 2009
Em destaque
Mobilização de filiação partidária na Bahia em 2026
Mobilização de filiação partidária na Bahia em 2026 Porcentagem de filiados entre todos os eleitores registrados em cada cidade na Justiça...
Mais visitadas
-
É com profundo pesar que tomo conhecimento do falecimento de José Aureliano Barbosa , conhecido carinhosamente pelos amigos como “Zé de Or...
-
Compartilhar (Foto: Assessoria parlamentar) Os desembargadores do Grupo I, da 2ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Estado de Sergip...
-
O problema econômico do nosso vizinho vai requerer um bom caldeirão de feijão e uma panela generosa de arroz. Voltar ao básico Por Felipe Sa...
-
Tiro no pé : É de se notar que nem os Estados Unidos fizeram barulho sobre o assunto pelo qual se entranhou a mídia tupiniquim
-
. Nota da redação deste Blog - Que Deus dê todo conforto, força e serenidade para enfrentar este luto.
-
O mundo perdeu uma pessoa que só andava alegre, cuja sua ação habitual era o riso, um pessoa humilde que demonstrava viver bem com a vida...
-
Por`ESTADÃO O País assistiu, estarrecido, ao sequestro das Mesas Diretoras da Câmara e do Senado por parlamentares bolsonaristas que decidir...
-
É com profunda indignação, tristeza e dor que registro o falecimento do meu amigo, o farmacêutico Pablo Vinicius Dias de Freitas , aos 46...
-
Foto Divulgação - Francisco(Xico)Melo É com profunda tristeza que recebi a notícia do falecimento do ...