Lojas virtuais faturaram R$ 6,3 bilhões. Muda o perfil do consumidor
Karla Correia
Brasília
O especialista em informática Wesley Jordão Rezende abre sua carteira, cheia de cartões de crédito de todos os tipos, e saca os três que utiliza com mais freqüência. À frente do laptop estalando de novo, explica macetes para fazer compras na internet. O "método" descrito em detalhes pelo técnico é o retrato dos hábitos de uma faixa de consumidores que tem impulsionado as vendas por internet no Brasil nos últimos três anos. As classes C e D tornaram-se o objeto de desejo do comércio eletrônico no país, interessado em uma massa de 43 milhões de consumidores armados com cartão de crédito, acesso à internet, melhores salários e muita disposição para gastar.
Mas, também, muita exigência antes de finalizar a compra. Pesquisar os preços é essencial, avisa Wesley, já que os valores para um mesmo produto podem variar enormemente entre os diversos sites de compra e até mesmo dentro do próprio site. Quanto maior o prazo de financiamento – sem juros, claro – melhor. E, também muito importante, deve-se prestar atenção aos brindes oferecidos pelas lojas on-line. Eles ajudam a desempatar a escolha quando os preços são semelhantes e são decisivos para fazer voltar a um determinado site. E realizar uma nova compra.
Crescimento
Essas demandas têm norteado as escolhas e reformulações de sites de uma parcela crescentes de lojas interessadas em atrair essa fatia do mercado. De acordo com o relatório Webshoppers sobre comércio eletrônico no país, realizado pela consultoria e-bit, as vendas de produtos pela internet atingiram a cifra de R$ 6,3 bilhões no ano passado, resultado que representa crescimento de 43% no volume de faturamento em relação a 2006. E algo em torno de 40% desses novos compradores pertencem às classes C e D, afirma o diretor-geral da consultoria, Pedro Guasti.
– Trata-se de um universo de 43 milhões de consumidores que está começando a se abrir para a internet, impulsionado pelo acesso ao crédito, pelo controle da inflação e pela elevação da massa salarial verificada nos últimos anos - avalia Guasti.
Segundo ele, o fenômeno da inclusão digital dessas classes fez com que os interesses dessa fatia de consumidores tenha se transformado no tema da moda entre empresas já estabelecidas na internet, de olho em uma demanda reprimida por anos de inflação descontrolada e pelo fantasma do desemprego.
– As empresas estão se adaptando às características específicas dessa faixa de consumo. Isso se traduz em investimento em segurança de dados, simplificação no acesso, imagens detalhadas do produto a ser adquirido e oferta de variados meios de pagamento. Tudo para conquistar a confiança e não assustar esse consumidor que está chegando agora na internet.
Evangélico, 26 anos, casado há um ano e meio, Wesley mora e trabalha no Paranoá, uma região administrativa de Brasília originada de uma invasão cravada exatamente no meio do caminho entre as duas áreas de maior poder aquisitivo da capital federal, o Lago Sul e o Lago Norte. Foi o primeiro de sua família a se aventurar no comércio eletrônico e, de tanto comprar pela internet, já influenciou o irmão mais novo, Hudson, a fazer o mesmo. O celular pré-pago de Wesley foi adquirido no site da operadora de telefonia celular, em uma promoção relâmpago. O laptop foi comprado pelo computador do trabalho. O aparelho de videokê, idem. Da mesma forma foram adquiridos o par de tênis de marca, o perfume importado, uma infinidade de ferramentas, livros religiosos e técnicos, peças de computador e até o kit de escova progressiva dividido entre a mãe e a mulher do técnico.
– Eu procuro sites que encaixem o que eu quero comprar em condições de pagamento que sejam compatíveis com meu orçamento – diz Wesley, que usa a internet também como forma de fazer render as eventuais folgas no orçamento. Se encontra na rede bons produtos a preço baixo, compra em grande quantidade e revende. Fez isso com uma caixa de 100 canivetes de aço, comprada em uma loja on-line a R$ 180. Cada unidade, ele vendeu a R$ 10 para amigos e conhecidos.
– Fiz um bom lucro – diz Wesley, sorridente, mostrando outras fontes de interesse para o acesso à internet.
Fonte: JB Online
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