BRASÍLIA - O caso do general Augusto Heleno, comandante militar da Amazônia que levou o presidente Lula a exigir explicações sobre declarações que ele deu no Rio de Janeiro, pode ser considerado o 5º "princípio de crise", no atual governo, entre os chefes das Forças Armadas e o poder civil instalado no Planalto e no Ministério da Defesa.
Nenhum dos embates redundou em crise institucional, mas a tentativa de acordo sindical com os controladores de vôo, à revelia do Comando da Aeronáutica, foi o que chegou mais perto disso.
Os outros "princípio de crise", além do caso Heleno, foram: a trombada, em outubro de 2004, do Comandante do Exército, general Francisco Albuquerque, com o então ministro da Defesa, o embaixador José Viegas; o desconforto, em novembro do ano passado, com as críticas do general Maynard Santa Rosa à profusão de dirigentes oriundos de organizações não-governamentais (ONGs) no comando do ministério e de órgãos que cuidam do meio ambiente; a intromissão do Planalto e do Ministério do Planejamento na crise aérea e o motim dos controladores militares de vôo; e a ameaça do ministro Nelson Jobim (Defesa), feita na presença do general Luiz Edmundo Maia de Carvalho, chefe do Estado-Maior do Exército, de demitir todo o Alto Comando da Força.
O então comandante do Exército, general Albuquerque, estabeleceu uma queda de braço com Viegas ao classificar de "legítima resposta à violência" a tortura e a morte do jornalista Vladimir Herzog (1975). A nota do Exército, enviada ao jornal "Correio Braziliense", por conta de uma reportagem sobre Herzog, teve o consentimento de Albuquerque. O general se manteve no cargo à custa de uma nota oficial em que se retratou, mas ganhou a demissão de Viegas, que foi despachado para a Embaixada brasileira em Madri.
Por absoluta ironia histórica, na noite do dia 31 de março de 2007, aniversário do dia da instalação do regime militar no País (1964-1985), um motim de controladores de vôo deflagrado nos centros de vigilância aérea levou o ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, por ordem do presidente, a assinar um documento com promessas trabalhistas e de compromisso de negociações sindicais com um grupo regido pela hierarquia militar.
A quebra da ordem da caserna chegou a tal ponto, que, dessa vez, foi Lula quem teve de bater em retirada, arquivar as promessas e acatar as críticas do brigadeiro Juniti Saito, comandante da Aeronáutica, que viu no ato do Planalto o patrocínio da quebra de disciplina.
O general Santa Rosa, que ocupava, em setembro de 2007, o cargo de secretário de política, Estratégia e Assuntos Internacionais do Ministério da Defesa, foi posto na "geladeira funcional" depois de dizer na Comissão de Relações Exteriores da Câmara dos Deputados que o governo era permissivo com a quantidade de ONGs instaladas na Amazônia.
Falou de "motivações ocultas" ou "inconfessáveis" envolvendo essas organizações, e sugeriu que se investigasse o porcentual "muito grande" dos quadros dirigentes de ministérios voltados para a questão amazônica provenientes dessas ONGs, que, na opinião dele, "permitem aspirações que se fazem subterraneamente, de forma oculta, já que grande parcela dos órgãos federais de gestão é controlada por agentes de ONGs".
Com Nelson Jobim no comando do Ministério da Defesa, setembro de 2007 foi marcante. Quando o comandante interino do Exército, o general e chefe do Estado Maior, Edmundo Carvalho, ameaçou atacar publicamente o livro Direito à Memória e à Verdade, editado pela secretaria de Direitos Humanos e que dá a versão da comissão especial do Ministério da Justiça para os mortos e desaparecidos no regime militar, Jobim levou a insubordinação a Lula e respondeu em uma solenidade, no Planalto, dizendo que "teria resposta" quem reagisse. Na conversa com Carvalho, Jobim ameaçou demitir os chefes do Exército.
Fonte: Tribuna da Imprensa
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