Dono da Universal manda que evangélicos abram dezenas de ações para reclamar indenizações
Carlos Newton
Em função de uma reportagem publicada a 15 de dezembro último, o bispo Edir Macedo determinou que evangélicos da Igreja Universal do Reino de Deus (Iurd) ajuizassem ações nos mais distantes pontos do País, para reivindicar indenizações à "Folha de S. Paulo" por danos morais.
A alegação sugerida por Macedo é de que seus pastores, obreiros e fiéis dizimistas teriam passado a sofrer supostas humilhações, sendo chamados de "trouxas", depois que a "Folha" publicou reportagem da jornalista Elvira Lobato, sob o título "Universal chega aos 30 anos com império empresarial".
Editada em três páginas, a minuciosa matéria exibe o crescente poderio empresarial de Macedo, mostrando que apenas um de seus negócios - a rede de televisão Record, de propriedade do líder da seita e de sua mulher, Ester Bezerra - tem valor estimado hoje em mais de 2 bilhões de dólares.
Concessionários
O texto mostra que, segundo os cadastros dos órgãos do governo federal incumbidos de fiscalizar e controlar a importante área de telecomunicações, Macedo e outros líderes da Universal já são concessionários e proprietários de 23 emissoras de TV e 40 estações de rádio.
Três trechos da reportagem revoltaram Macedo. Um deles foi a afirmação de que o líder religioso conseguiu montar seu esquema empresarial à custa dos dízimos e colaborações dos fiéis. Outro trecho foi a repetição da denúncia de que o líder da Universal utiliza nomes de bispos e pastores como "laranjas proprietários de emissoras de rádio e de televisão". E o terceiro motivo da reação de Macedo foi a informação de que ele está sendo investigado novamente em São Paulo, por suspeita de diversos crimes.
A irritação do líder da Iurd e sua reação contra a Folha até causam surpresa, porque, neste aspecto específico, a matéria jornalística não trouxe novidade alguma. Vários jornais, entre os quais a TRIBUNA DA IMPRENSA e a própria "Folha de S. Paulo", já publicaram diversas reportagens sobre o assunto. Na Tribuna, por exemplo, já saíram diversas matérias relatando que, por iniciativa do Ministério Público Federal, que acolheu representações do ex-deputado estadual Afanásio Jazadji, estão em curso dois inquéritos criminais em São Paulo.
Nesses inquéritos, Edir Macedo é investigado pela prática de crimes contra a fé pública e de falsidade ideológica, envolvendo o uso de recursos da Igreja Universal do Reino de Deus na compra da Rede Record e a utilização de pessoas sem patrimônio, mas da confiança do bispo, como proprietários de algumas emissoras de TV e de rádio.
Processos
A TRIBUNA DA IMPRENSA - que também está sendo indevidamente processada por Macedo - noticiou, em 16 de fevereiro de 2004, que "o Ministério Público Federal está movendo processo em São Paulo, objetivando a anulação do ato administrativo que aprovou a transferência da TV Record para a pessoa física do bispo Edir Macedo Bezerra, da Igreja Universal do Reino de Deus (Iurd)".
"Nos autos, ficou patente que o megaempresário religioso não tinha dinheiro algum para adquirir essa rede e, posteriormente, ampliá-la com novas compras em nome de outros bispos também sem patrimônio para tal e que se prestaram a dar seus nomes para camuflar e subtrair das autoridades federais os verdadeiros sócio-controladores dessas emissoras", dizia o texto da reportagem da TRIBUNA.
Esse processo, de número 97.0016449-7, que tramitou na 3ª. Vara Federal da Seção Judiciária de São Paulo e agora está em fase de recurso, mostra que Macedo comprou e montou uma das mais importantes redes de rádio e de TV com dinheiro da Igreja Universal, que ele mesmo comanda.
"Consta de sentença proferida que Edir Macedo Bezerra e sua esposa Ester Eunice Rangel Bezerra, "não possuindo recursos financeiros para adquirirem as ações da empresa de radiodifusão sonora e de imagens, teriam obtido os valores necessários à compra através de empréstimos da Igreja Universal do Reino de Deus", assinalava a TRIBUNA.
Fonte: Tribuna da Imprensa
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