O ALTAR, AS FEZES E A PODRIDÃO DA CORRUPÇÃO: Uma Reflexão Sobre a Fala do Padre Fabiano Moura
Por José Montalvão
O bizarro e triste episódio do cidadão em surto psiquiátrico que defecou próximo ao altar durante a consagração na Paróquia São João Batista, em Jeremoabo, continua gerando desdobramentos e profundas reflexões. A reação inicial da comunidade foi de choque, indignação e questionamentos sobre o porquê de a celebração ter continuado sem uma interrupção imediata ou uma atitude mais drástica por parte do celebrante.
A resposta para essa dúvida veio através de uma manifestação de fé, maturidade espiritual e sabedoria trazida pelo Padre Fabiano Moura. Ao explicar o motivo de sua serenidade diante do fato, o sacerdote relatou que, ao meditar em oração sobre o ocorrido, sentiu uma profunda provocação divina no coração: "Filho, no altar cada um deposita aquilo que carrega dentro de si. Aquele homem depositou fezes materiais. Mas, em toda missa, Eu recolho coisas que fedem muito mais do que fezes humanas: o pecado e o balde de lixo moral que muitos trazem na alma."
A fala do religioso é um soco no estômago da nossa hipocrisia social e merece uma análise demorada.
A Diferença Entre a Tristeza da Loucura e a Perversidade Moral
Qualquer pessoa em pleno gozo de suas faculdades mentais jamais cometeria um ato de tamanha degradação em um local sagrado. O homem que protagonizou a cena é um doente, um desassistido, uma vítima da própria mente devastada e da omissão histórica do Estado na assistência à saúde mental. As fezes que ele depositou no chão do templo foram o resultado trágico e incontrolável de sua condição patológica.
Contudo, a metáfora trazida pelo Padre Fabiano nos força a olhar para a podridão invisível que muitas vezes ocupa os primeiros bancos dos templos religiosos com terno engomado e ar de santidade.
O que fede mais do que as fezes de um insano é o político corrupto. É aquele gestor ou parlamentar que passa o mandato desviando recursos do transporte escolar, da merenda das crianças e dos remédios do posto de saúde e, após o pleito eleitoral, comparece à missa de Ação de Graças com toda a pompa, banca o pio, faz o sinal da cruz na frente das câmeras e comunga como se estivesse em paz com a consciência.
A Podridão Que Não Aparece nas Fotos
O homem em surto sujou o piso de mármore; o político corrupto suja e destrói vidas inteiras:
A Sujeira da Corrupção Mata: Quando a verba da saúde é roubada, o paciente psiquiátrico fica sem remédio e vai surtar na rua; o doente de câncer fica sem tratamento e morre na fila;
O Lixo da Falsidade: O doente mental expõe sua miséria sem disfarces. O corrupto esconde a sua podridão por trás do poder, do dinheiro extorquido do povo e de discursos moralistas;
O Altar e a Verdade: Deus não se deixa enganar por aparências ou rituais externos. O lixo da ganância, da traição e do roubo do dinheiro público fede infinitamente mais aos olhos do Criador do que a sujeira física de quem perdeu o juízo.
Conclusão: Que Saibamos Diferenciar a Doença da Perversidade
A meditação do Padre Fabiano Moura nos ensina uma lição inesquecível sobre compaixão e discernimento espiritual. Não devemos direcionar nosso ódio ou nosso deboche a quem sofre de transtornos mentais e vaga abandonado pelas ruas.
O verdadeiro escândalo moral não está no ato descontrolado de um louco em frente ao altar, mas na presença cínica daqueles que usam a fé e os templos como fachada para limpar o dinheiro e a consciência manchados pela corrupção. Que a sociedade de Jeremoabo e do Brasil aprenda a enxergar quem realmente feder aos olhos da justiça e de Deus!
José Montalvão
Funcionário Federal Aposentado, Graduado e Pós-Graduado em Gestão Pública, Pós-Graduado em Jornalismo. Membro da Associação Brasileira de Imprensa (ABI - Registro C-002025).
Blog de Dede Montalvão: Analisando a política, a fé e a sociedade com coragem, técnica e compromisso com a verdade!
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