Publicado em 8 de agosto de 2026 por Tribuna da Internet
Eduardo mostra a falta de coordenação bolsonarista
Pedro do Coutto
Campanhas presidenciais costumam enfrentar ataques dos adversários. O problema torna-se mais delicado quando as dificuldades passam a surgir dentro da própria família política. É o que começa a acontecer com a candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência da República.
Depois dos obstáculos para construir alianças e ampliar o arco de apoio da candidatura, um novo foco de desgaste ganhou força: as declarações de Eduardo Bolsonaro. O deputado, um dos principais expoentes da ala ideológica do bolsonarismo, tem feito críticas que acabam atingindo diretamente a estratégia eleitoral conduzida pela coordenação da campanha.
ATAQUES – Durante manifestação de apoio ao ex-assessor presidencial Filipe Martins, Eduardo voltou a atacar o Supremo Tribunal Federal e reforçou o discurso de confronto institucional que marca sua atuação política. Ao mesmo tempo, integrantes da campanha passaram a ser alvo do chamado “fogo amigo”. Entre eles está o coordenador Roberto Marinho, criticado por setores bolsonaristas que consideram excessivamente moderada a condução da candidatura.
O episódio expõe um conflito antigo dentro do bolsonarismo. De um lado, está o grupo que defende ampliar alianças e dialogar com o eleitorado de centro para reduzir a rejeição de Flávio. De outro, permanece a ala ideológica, representada por Eduardo, que vê qualquer movimento de moderação como uma concessão incompatível com os princípios do movimento.
Essa divergência produz um efeito político imediato. Enquanto Flávio tenta apresentar uma imagem de estabilidade e capacidade de governo, Eduardo recoloca no centro do debate o confronto com o STF e a mobilização da base mais radical. A estratégia fortalece o eleitorado já fidelizado, mas dificulta a conquista dos eleitores moderados, tradicionalmente decisivos em eleições presidenciais.
DESCOORDENAÇÃO – O momento torna a situação ainda mais sensível. A campanha já enfrenta dificuldades para ampliar sua coalizão política e aumentar sua competitividade nacional. Nesse contexto, divergências públicas transmitem a impressão de descoordenação e enfraquecem a autoridade do candidato.
Não se trata de uma ruptura entre os irmãos, mas de um choque de estratégias. Flávio busca ampliar sua base eleitoral; Eduardo prioriza preservar a identidade ideológica do bolsonarismo. As duas agendas nem sempre caminham na mesma direção.
O desafio de Flávio deixa de ser apenas enfrentar seus adversários na disputa presidencial. Também passa por demonstrar que consegue manter unidade dentro do próprio campo político. Em campanhas competitivas, controlar o fogo amigo costuma ser tão importante quanto enfrentar a oposição.