O geólogo Giuseppe Bacoccolli, professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e ex-funcionário da Petrobras, não descarta a hipótese de ter ocorrido crime de espionagem industrial no caso do furto dos dados relevantes da Petrobras, que está sendo investigado pela Polícia Federal (PF) e pela Agência Brasileira de Inteligência (Abin). "Este tipo de espionagem é bastante comum no setor de petróleo, e agora que as reservas do Brasil começaram a ficar importantes, isso deve se popularizar por aqui também", comentou.
Bacoccolli contou que fora do País é comum encontrar em revistas especializadas ofertas de dados geológicos não oficiais sobre áreas potenciais de petróleo. Esses relatórios custam no mercado entre US$ 100 mil e US$ 1 milhão. "Estes dados podem ter sido obtidos de maneira lícita ou ilícita. Como é que vai se saber?", disse.
Mesmo no Brasil, o professor, que já trabalhou por 24 anos na Petrobras, disse ter ocorrido outros casos semelhantes, mas em pequena escala. "Já houve caso de funcionário ser demitido por ter sido pego copiando dados para outra empresa", relatou.
Para o geólogo, contudo, é pequena a possibilidade de o responsável pelo furto ter sido uma grande companhia de petróleo. "Dificilmente uma grande empresa se arriscaria por isso. Mais fácil ter sido uma dessas empresas especializadas em espionagem", afirmou.
Especificamente sobre os dados relativos à camada pré-sal, o geólogo lembra que todos querem saber "a cara" dos reservatórios encontrados recentemente pela estatal. "A Petrobras até agora deu muito pouco detalhe sobre o tipo de rocha, a porosidade, enfim, pouquíssimos dados sobre este tipo de acumulação de hidrocarboneto abaixo da camada de sal".
Com um relatório contendo maior detalhamento destes dados, explicou, qualquer empresa pode tentar identificar os mesmos sinais em outras regiões. Um executivo de multinacional com larga experiência no mercado brasileiro lembrou que, mesmo que os dados tenham sido roubados para venda a outras empresas, a Petrobras permanece com a concessão sobre as descobertas já feitas e, por isso, não há grande prejuízo.
Fonte: Tribuna da Imprensa
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