Por: Carlos Chagas
BRASÍLIA - O rei da Espanha fez no dia seguinte o que o presidente Lula deveria ter feito na véspera: mandou o histriônico Hugo Chávez calar a boca e retirou-se do plenário da reunião de chefes de estado e de governo ibero-americanos, em Santiago do Chile. Não hesitou Sua Majestade, ao sentir seu país ofendido por palavras agressivas do presidente da Venezuela. Se precisasse, até sairia no braço.
E o presidente Lula, maliciosamente chamado de magnata do petróleo, numa evidente reação de quem, invejoso, sentiu-se incomodado pela descoberta de mais petróleo no Brasil. Aliás, se Hugo Chávez dispusesse de um razoável serviço de informações, poderia ter acrescentado que a nova bacia petrolífera brasileira havia sido anunciada em junho do ano passado, não se justificando o repeteco a não ser como jogada de marketing para abafar o racionamento de gás.
No mínimo, o presidente brasileiro deveria ter-se levantado e, mesmo contra o protocolo, respondido ao companheiro bolivariano, de preferência de dedo em riste. Abandonando a sala de reuniões, então, marcaria um gol de placa, demonstrando que ironizar e debochar do presidente do Brasil é o mesmo que ironizar e debochar do próprio Brasil.
Faz muito tornou-se no mínimo leniente a imagem do Lula junto aos nossos vizinhos. Kirchner, da Argentina, ficou falando no telefone celular enquanto o presidente Lula discursava, numa reunião verificada no Rio, logo no começo do primeiro governo. Morales, da Bolívia, aproximou-se do Lula, por trás, deixando-se fotografar como se estivesse prestes a desferir-lhe um golpe de judô. Chávez deita e rola em matéria de referências de duplo sentido, relativas ao Brasil.
Em campanha para eleições no Paraguai, um dos candidatos, por sinal um padre, ameaça arrogantemente romper os acordos de Itaipu e criar um caso energético, quando, para a geração da energia que nos vende, seu país bancou o boi, contribuindo apenas com o berro.
Convenhamos, chega de tanta tolerância, que a gente até entende por conta da capacidade do Lula demonstrar-se um presidente do diálogo e da composição. O diabo é que estão exagerando na prática de criar-nos constrangimentos. Um murro na mesa, umas frases agressivas ou até uma retirada de plenário podem horrorizar nossos nobres e emplumados diplomatas, mas tem o seu lugar. Outra vez vamos citar alguém que continuamos criticando e rotulando como tonitruante, mas já imaginaram o que teria feito o general Ernesto Geisel, na mesma situação? Em suma, o exemplo veio da anacrônica monarquia espanhola.
Um país rico
A decisão foi tomada antes que o governo anunciasse o Eldorado submarino da bacia petrolífera de Santos. Semanas atrás o governo decidiu transformar a próxima sexta-feira em ponto facultativo, eufemismo para dar folga a todos os seus servidores diretos e indiretos, no País inteiro.
A reação veio em cascata, seguida pelo sistema bancário, parte da indústria, do comércio e dos serviços. Sem falar nas escolas, nas universidades, no Congresso, nos tribunais, nos quartéis e na torcida do Flamengo. Somos mesmo um país rico, que por conta de um feriado já em si dispensável, caído numa quinta-feira, dá-se ao luxo de cortar a semana pela metade.
Pela metade? Mais ou menos, porque amanhã à tarde registraremos imensos congestionamentos no tráfego das grandes cidades, com todo mundo se mandando para o litoral, a montanha e até a floresta. Por que não comemorar a Proclamação da República com uma campanha de esclarecimento sobre suas raízes, desenvolvida pela mídia, sem faturamento da publicidade oficial, mas como colaboração em prol da cultura e da memória nacional?
O bisturi maluco
Melhor seria buscar outro instrumento mais contundente, como a moto-serra, mas o bisturi já se presta como imagem a respeito do que alguns doidos e outro tanto de malandros sugerem de quando em quando. Já quiseram acabar com a Justiça Trabalhista. Depois, a moda virou extinguir as forças armadas. Ainda recentemente, por obra e graça do PT, iniciou-se a campanha pelo fim do Senado. Agora, pretendem dissolver os Tribunais de Contas, desde o federal até os estaduais.
Importa menos que essas cortes se tenham transformado em cabides de emprego para acomodar tecnocratas em final de carreira, políticos fracassados ou simples amiguinhos dos poderosos. A verdade é que, criado por inspiração de Rui Barbosa, o Tribunal de Contas da União constitui-se em peça imprescindível para enfrentar a corrupção. Passar o bisturi nas instituições é próprio de regimes de força, que qualquer dia, sem percebermos, acabará instalado por aí.
Fonte: Tribuna da Imprensa
terça-feira, novembro 13, 2007
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