BRASÍLIA - O líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio (AM), reagiu ontem com ironia à afirmação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de que não entende os senadores do partido por achá-los contraditórios. "Faço um convite de público ao presidente Lula para que se filie ao PSDB e venha nos ensinar a fazer política. Talvez, assim, deixemos de ser contraditórios", disse. "O PSDB é democrático e o aceita, mas terá de agir também democraticamente, sem querer se transformar num aiatolá" - os aiatolás são mestres das leis islâmicas entre os xiitas e, no caso do Irã, comandam a política daquele país.
Para o presidente, é estranho que os senadores não queiram aprovar a prorrogação da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF), apesar dos apelos a favor do imposto feitos pelos governadores de Minas Gerais, Aécio Neves (PSDB), de São Paulo, José Serra (PSDB), do Rio Grande do Sul, Yeda Crusius (PSDB), e da Paraíba, Cássio Cunha Lima (PSDB).
"Se os governadores do PSDB querem a CPMF, por que os senadores vão votar contra?", perguntou Lula. Virgílio lembrou que a legenda dialogou com o governo a respeito da CPMF, mas não foi possível chegar a um acordo. Então, unida, a sigla decidiu votar contra.
O senador Sérgio Guerra (PSDB-PE) aconselhou Lula a tomar conta da base governista. "Acho que o presidente Lula deveria se preocupar mais com sua conturbada base e deixar o PSDB em paz", disse. Guerra foi um dos senadores que participaram de todas reuniões e almoços com o ministro da Fazenda, Guido Mantega, e o chefe da Secretaria de Relações Institucionais da Presidência da República, Walfrido dos Mares Guia, durante as negociações em torno da CPMF.
No dia 6, o senador do PSDB de Pernambuco deixou o gabinete de Mantega desanimado porque, na opinião dele, a administração federal não atendera aos pedidos da agremiação. Logo em seguida, houve uma reunião da bancada do PSDB, que decidiu, por maioria, suspender o diálogo com o Poder Executivo.
Guerra, junto com o líder do PSDB no Senado, o presidente nacional do partido, senador Tasso Jereissati (CE), e a senadora Lúcia Vânia (PSDB-GO) ainda pediram prazo para continuar as negociações, mas a bancada decidiu que as conversações não deveriam prosseguir.
Desta forma, o Executivo perdeu quatro votos na bancada dos tucanos. Para Vânia, o presidente não deveria chamar os tucanos de contraditórios. "Eu sou a favor da CPMF. Sempre fui e nunca neguei isso. Fizemos o diálogo com o governo federal, mas, infelizmente, ele não nos atendeu. O presidente Lula quer o quê?", perguntou. "Lutamos para reduzir a alíquota da CPMF, por uma reforma tributária, por gastos controlados da União com a dívida, mas o governo não nos atendeu", disse.
Fonte: Tribuna da Imprensa
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