José Dirceu, ex-ministro chefe da Casa Civil
A descoberta pela Petrobras do poço Tupi, na Bacia de Santos, é uma prova concreta da maturidade da empresa brasileira e uma grande vitória de nossa tecnologia. Além de ampliar nossas reservas em quase 60% - elas são hoje de 14,4 bilhões de barris e serão acrescidas em 5 bilhões a 8 bilhões de barris - garantindo auto-suficiência ao país, trata-se de petróleo leve, do qual o Brasil é carente. O óleo do poço Tupi vai melhorar nosso mix e permitir a produção de derivados, a custos menores. Devemos deixar de importar óleo leve e de ter déficit na balança comercial nesse item, consolidando nossa posição de exportador de derivados e de petróleo pesado.
O governo brasileiro decidiu que o leilão da nona rodada - 41 blocos - fica suspenso, em defesa do interesse nacional. O objetivo, como afirmou a ministra Dilma Rousseff, a quem coube o anúncio da descoberta, é preservar as reservas e construir uma política nacional de produção de óleo e de auto-suficiência. Esse fato demonstra nossas potencialidades. Temos óleo, gás, capacidade hidrelétrica, biomassa e todas as condições tecnológicas e financeiras para gerar 5 mil megawatts de energia a mais por ano.
O cenário seria completamente outro tivesse sido a Petrobras privatizada, como defenderam os neoliberais batendo no seu monocórdio jargão. Nossas reservas estariam em mãos de empresas estrangeiras; a pesquisa, abandonada, como aconteceu nos demais setores privatizados; e o Brasil, dependente do petróleo importado, ou controlado pelas grandes empresas petroleiras do mundo. Ou seja, um país sem futuro.
Hoje, podemos comemorar essa descoberta graças à retomada dos investimentos da Petrobras, a reorientação de seu foco estratégico e gestão profissional. Temos uma das maiores empresas de petróleo do mundo, com um amplo domínio da tecnologia de extração de gás e óleo, que está sempre em desenvolvimento. Um exemplo é a própria descoberta do poço Tupi, abaixo das reservas de sal.
Com água, petróleo, gás, biomassa e urânio, nosso país se qualifica para estar na vanguarda da produção de energia, limpa e auto-sustentável. Essa extraordinária descoberta faz ressurgir o tema da integração sul-americana, com a retomada da proposta de criação da Petrosur, ou Petroamazonas, apresentada na Conferência Ibero-Americana em Santiago do Chile, na semana passada. Na verdade, a cada dia fica mais evidente a necessidade de uma política comum energética não apenas no Mercosul, mas no continente. Precisamos unificar nossas linhas de transmissão, construir hidrelétricas em conjunto, retomar, por exemplo, o projeto de Corpus, e dar continuidade ao projeto de um gasoduto que unifique nossa região e mercados produtores e consumidores.
Duas boas notícias, paralelas à Cúpula, chamaram a atenção pelo caráter integracionista: o financiamento, pelo BID, de uma linha de 500 kV unindo a hidrelétrica de Itaipu a Assunção, capital do Paraguai, e a proposta do Brasil de adiantar US$ 50 milhões por ano ao Paraguai, como compra antecipada de energia elétrica.
São medidas importantes. Mas o que o Mercosul e a América do Sul necessitam mesmo é do Banco do Sul e de um Fundo de Compensação para financiar e apoiar, a fundo perdido, o desenvolvimento dos países da região. Particularmente nas áreas onde há restrições e estrangulamentos, como as de energia e transportes, para dar dois exemplos.
O Brasil, com a Petrobras, está credenciado para ser o elo dessa integração energética. Sem isso, não podemos falar em uma Comunidade das Nações Sul- Americanas, sonho de nossos libertadores e de todos os povos latino-americanos.
Fonte: JB Online
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