Villas-Bôas Corrêa, repórter político do JB
O presidente Lula não tem a menor autoridade para acusar os aliados, que recrutou em negociações escabrosas acompanhadas pela mídia durante a montagem da base majoritária de apoio no Congresso, de baixar o nível à pequenez das novas exigências para fechar a barganha e garantir os votos para aprovar a prorrogação, até 2011, da cobrança da CPMF, o escorchante imposto do cheque que promete entupir os cofres com mais R$ 40 bilhões no próximo ano crítico das eleições municipais para prefeitos e vereadores.
Antes de atirar a esmo em adversários escondidos nas sombras ou com o traseiro de fora, Lula deveria derramar as lágrimas de sangue na penitência pelos muitos pecados da contradição da sua trajetória vitoriosa de líder sindical, deputado federal de medíocre atuação na Constituinte de 98 e ao longo de quatro campanhas como candidato a presidente da República.
A lista das revisões, sempre tão enfáticas quanto as juras de devoto, poderia começar com a sovada cambalhota do líder e do PT no feroz combate ao injusto imposto que garroteia a classe média, agora esquecida no canto da cozinha, com sobras para os mais humildes que jamais assinaram um cheque nem sabem o que é uma conta bancária.
Se mal andou ao ziguezague no passado de derrotas e vitórias, pior se desloca nas intermináveis articulações para atrair votos oposicionistas que completem o quorum para a aprovação da prorrogação da CPMF no Senado, tanto no plenário como na passagem pelo estreito corredor da Comissão de Constituição e Justiça.
O fantasma do risco de uma derrota que mande a CPMF e os R$ 40 bilhões para o espaço espalha o terror na insônia palaciana.
Pelas contas feitas e conferidas a cada minuto, dos 11 e mais um dos 22 votos de senadores para aprovar a prorrogação da cobrança da CPMF na CCJ, o governo conta com 11 no empate com os 11 votinhos contra.
A ansiedade dispara os corações ao risco do infarto. O governo negociou sempre com a duplicidade da arrogância nas declarações para o público e do jeito dos mascates dos velhos tempos na barraca do varejo que opera em tempo integral. Mas, como é da crônica de todas as épocas, à medida que a mercadoria escasseia, o preço do metro de pano dispara, vale uma peça.
Pelos cochichos dos bastidores, as coisas não correm bem para o governo. Dos 11 senadores que anunciaram o voto contra, três são de partidos governistas: Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE); Mozarildo Cavalcanti (PTB-RR) e Mão Santa (PMDB-PI). Mais dois equilibrados no muro ameaçam saltar para o voto oposicionista: Geraldo Mesquita (PMDB-AC) e Expedito Junior (PR- RO). E a listagem não registra o senador Pedro Simon (PMDB-RS), o mais oposicionista dos governistas.
Se passar por baixo da lona e chegar ao plenário, o governo terá um segundo turno de suplício. Dos 49 votos necessários para a aprovação da emenda constitucional (PEC), a maioria governista contabiliza 53 senadores. Noves fora as defecções dos três que já anteciparam o voto contra na CCJ, sobram 50, um voto a mais do mínimo. Mas a oposição jura que conta com meia dúzia de votos certos para impor ao governo a mais séria derrota do turbulento segundo mandato de Lula.
Entre as prosápias da oposição que solta foguetes antes do tempo para celebrar a colheita de ovos que ainda são promessas das galinhas e o poderio de cooptação do governo disposto a pagar qualquer preço para salvar o canteiro de obras dos milagres do próximo ano, não convém arriscar palpites. O mais provável é a dupla derrota no baixo nível do negócio.
Fonte: JB Online
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