Felipe Sáles
Um velho e conhecido fantasma do carioca está de volta com força total: sem contar com os meses de novembro e dezembro, o número de casos de dengue no Rio de Janeiro já cresceu nada menos do que 78,6% em relação aos 12 meses de 2006 - de 31.054 para 55.467 registros. E desta vez Estado e município não vão poder trocar acusações, como fizeram quando do fechamento do Rebouças. Na cidade, os números também estão em ascensão, registrando aumento de 48,4% de casos - de 13.575 para 20.140 até 12 de novembro. Para piorar a situação, há o temor da entrada do vírus tipo 4 e da recontaminação pelo tipo 2, já detectado em duas pessoas. Como se não bastassem as condições climáticas propícias, o aedes pode estar sendo cultivado sob a benção da própria prefeitura.
Com as chuvas dos últimos dias - e a previsão de forte sol durante a semana - a laje de um frigorífico abandonado na Rua Rodrigues Alves, 433, na Saúde, tornou-se uma espécie de criadouro da dengue. O galpão está sendo transferido pelo Ministério da Agricultura à prefeitura que, por sua vez, nada fez com o espaço. Além de poças na laje, há ainda "piscinas" no interior do imóvel, saqueado e com ameaça de desabamento. Procurada, a prefeitura disse que uma equipe visita quinzenalmente os imóveis da Zona Portuária.
E a situação só tende a piorar, tendo por base as previsões do ClimaTempo. Depois da chuva que deve durar até domingo, a previsão é de sol de até 35 graus durante a semana - ambiente ideal para o mosquito se desenvolver ao longo de 10 dias, de acordo com Eraldo Bulhões, especialista em dengue. O médico defende a criação de centros de referência nos bairros e maior cuidado com pacientes febris nos hospitais.
- O período de chuva seguido de calor intenso é tudo o que mosquito quer, além da miopia sanitária das autoridades - diz. - Os médicos dão alta quando passa a febre sem saberem que esse é o período de maior risco da doença.
O Rio, onde predomina o tipo 3 do vírus, já vislumbra uma possível proliferação de dengue hemorrágica - a versão mais perigosa da doença que surge em pessoas que já foram contaminadas. Com a alta temporada de turismo, é grande o risco dos tipos 4 e 2 chegarem à cidade e "causarem uma grande epidemia neste verão ou, no mais tardar, no ano seguinte" , de acordo com o superintendente de vigilância em Saúde, Victor Berbara. Este ano, a secretaria já registrou dois casos do tipo 2 que, até então, estava banido do Rio.
- Estamos numa situação que favorece uma epidemia já para este verão. Se não vier neste, será no decorrer do ano ou no próximo - avisa Berbara. - Enquanto o tipo 4 é predominante na América Central, o tipo 2 se concentra em regiões do nordeste e sudeste do país, como no Espírito Santo. Já confirmamos dois casos de tipo 2 este ano e, aberta a temporada de turismo, é grande o risco de termos uma profusão de casos. A dengue chega aos poucos e provoca uma epidemia de repente.
Dezoito pessoas já morreram este ano de dengue hemorrágica, contra 12 no ano passado. Na cidade do Rio, segundo a prefeitura, foram 20.140 casos até 12 de novembro, contra 13.575 no mesmo período do ano passado. Em todo o Estado, o número de casos registrados este ano (até 11 de outubro) já chegou a 55.467, contra 31.054 em todo o ano passado. O crescimento se reflete também em outros municípios, como Campos (com 1.607 casos), Itaperuna (1.887), Cabo Frio (691) e Região Serrana (1.378), mas, para Berbara, o aumento é considerado natural.
- Depois de uma epidemia, como a de 2001, o número de pessoas suscetíveis diminui e é reposto aos poucos - argumenta. - Temos vários fatores que contribuem para isso, como lixo espalhado pelas ruas e precárias condições de moradia. É praticamente impossível erradicar o mosquito.
De olho nos números, o Estado planeja aperfeiçoar a detecção de surtos para, assim, combater mais rapidamente os focos. Está sendo estudado também a possibilidade de se refazer a rede solidária, com força-tarefa de agentes de saúde em municípios com surto da doença.
Já a prefeitura, que possui cerca de 2.200 agentes de saúde, planeja contratar mais 580. Em nota, a prefeitura considerou que, "apesar do número alto, a situação está sob controle com a quantidade de notificações dentro do esperado". O argumento é de que os números são maiores no primeiro semestre - justamente época do verão, quando os casos se multiplicam em todo o país.
Fonte: JB Online
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