SÃO PAULO, 9 de novembro de 2007 - O crescimento sustentado e a estabilidade macroeconômica coloracaram o Brasil na liderança dos países da América Latina e dos mercados emergentes, afirmou hoje o diretor do departamento do hemisfério ocidental do Fundo Monetário Internacional (FMI), Anoop Singh, durante a divulgação do relatório Perspectivas Econômicas das Américas, lançado hoje no seminário realizado na Fundação Getúlio Vargas, em São Paulo.
Singh destacou que houve uma mudança histórica nas condições econômicas da América Latina em relação ao quadro encontrado em 1990 com a maior sólidez dessas economias, mas que uma possível piora do cenário externo poderá impactar negativamente o crescimento da região. 'O choque na América Latina com uma possível desaceleração da economia dos Estados Unidos será muito limitado, entretanto, se as condições do mercado financeiro piorarem o choque será mais acentuado', diz.
Singh afirmou que acredita na capacidade do Brasil de manter um crescimento sustentável, mas para que o País atinja a consolidação econômica deve evitar a repetição de episódios de crescimento cíclico.
O diretor do FMI destacou o aumento do investimento no Brasil, impulsionado pelo crescimento do investimento estrangeiro direto e pelo boom no mercado de capitais, e enfatizou que para o Brasil crescer no longo prazo deve continuar a atrair recursos e manter a solidez fiscal.
No entanto, o aumento do preço dos alimentos e do petróleo no mercado internacional pode trazer riscos de pressões inflacionárias, mas que as autoridades monetárias devem buscar minimizar esses choques.
Na avaliação de Singh, o Brasil apresentou uma melhora nos fundamentos macroeconômicos, com o aumento das reservas internacionais e a redução da dívida pública. No entanto, os gastos ainda são insuficientes para o investimento em infra-estrutura e redução da pobreza. 'A redução da pobreza é um processo que leva tempo, mas o mais importante é reduzir os choques de volatilidade do crescimento', afirma.
Para isso, segundo Singh, o governo deve promover esforços para reduzir o ritmo de crescimento das despesas públicas correntes. (Silvia Regina Rosa - InvestNews)
Fonte: Gazeta Mercantil
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