BRASÍLIA - Ao meio dia de hoje, a BRA Transportes Aéreos encerra suas operações, depois de oito anos. A companhia parou de vender bilhetes ontem, tirou o site do ar e deu aviso prévio para seus 1.100 funcionários. Apesar de ter recebido um aporte de US$ 180 milhões de investidores estrangeiros em dezembro do ano passado, a companhia acumula mais de US$ 100 milhões em dívidas com bancos, empresas de leasing, revelam fontes do mercado.
A empresa, que em seu auge chegou a transportar 180 mil passageiros por mês, tinha 70 mil passagens vendidas até março de 2008. A direção da empresa passou a tarde de ontem em negociação com a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) para acomodar os passageiros em vôos de outras companhias. Até ontem à noite, no entanto, Gol e TAM afirmaram que não tinham sido convocadas pela Anac para aceitar bilhetes de passageiros da BRA.
A BRA informou o número de um telefone para esclarecer dúvidas de passageiros, mas durante a tarde era difícil conseguir ser atendido, tamanha a demanda. A companhia detinha 4,6% de participação no mercado doméstico em setembro. Fazia uma média de 35 vôos domésticos durante a semana e 50 vôos nos finais de semana. Os destinos internacionais (Lisboa, Madri e Roma) já haviam sido interrompidos na semana passada.
A crise financeira da BRA veio à tona com o fim do acordo de compartilhamento de assentos com a OceanAir. A parceria começou a valer no dia 18 de junho, mas três meses depois ela foi desfeita. Segundo pessoas próximas à aliança, o rompimento foi determinado por dívidas da BRA com a OceanAir e diferenças de estratégias. Segundo fontes na OceanAir, a dívida da BRA é de R$ 400 mil.
No mês passado, a Anac instaurou uma auditoria nas áreas operacional e de manutenção da BRA, depois de ter registrado um aumento muito grande no número de reclamações por causa de atrasos e cancelamento de vôos. A Agência de Vigilância Sanitária (Anvisa) também chegou a fazer inspeções, depois de reclamação de tripulantes de que a comida servida à tripulação estava com validade vencida.
A BRA chegou a ter 11 aeronaves, mas estava operando com apenas seis por falta de recursos para pagar aluguéis. Diante da redução da frota, a empresa solicitou uma redução de sua malha de vôos. Desde ontem à tarde, a BRA só realizou vôos de volta para o Aeroporto Internacional de Guarulhos, trazendo passageiros e funcionários distribuídos por suas bases em 26 destinos no Brasil. Os últimos vôos ocorrerão hoje cedo, encerrando todas as operações ao meio dia.
A BRA foi criada em 1999 pelos irmãos Humberto e Walter Folegatti, empresários do ramo de turismo. A empresa nasceu de uma parceria com uma empresa de turismo do grupo Varig. A parceria foi parar na Justiça sob acusação de favorecimento de alguns executivos ligados à Fundação Ruben Berta, controladora da velha Varig.
A companhia aérea nasceu como um braço da empresa de turismo do grupo, a Panexpress, rebatizada mais recentemente de PNX Travel. Inicialmente, oferecia apenas vôos fretados, nacionais e internacionais.
Em novembro de 2005, a BRA começou a operar linhas regulares nacionais, que atendem atualmente a 32 cidades brasileiras em 18 Estados. No mercado internacional, a BRA voa para oito destinos. Este ano, em julho, foram inauguradas as linhas regulares internacionais para Lisboa e Madri. Em nota divulgada ontem, a BRA afirmou que a suspensão era "temporária", mas não tem previsão de quando voltaria. A empresa tem 180 dias para voltar a operar, sob pena de perder a concessão.
Segundo analistas, é praticamente impossível uma companhia aérea voltar a operar depois de uma parada. "Não existe esse negócio de companhia aérea parar. Transbrasil e Vasp prometeram voltar mas não saíram do chão", afirma o consultor Paulo Bittencourt Sampaio. "É como um paciente que pára de respirar. Acabou."
O ministro da Defesa Nelson Jobim considerou "ruim" o cancelamento dos vôos da BRA e um problema a mais, embora já houvesse sinais de que a empresa estava enfrentando dificuldades, informou a assessoria do ministério.
Fonte: Tribuna da Imprensa
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