quarta-feira, setembro 03, 2025

“Impunidade não é opção” no julgamento de Bolsonaro pelo Supremo


Moraes afirmou que a Justiça não pode se curvar 

Pedro do Coutto

“Impunidade não é opção para pacificação” — assim ecoou, com declarado peso institucional, a leitura da denúncia que o ministro Alexandre de Moraes realizou contra o ex-presidente Jair Bolsonaro e sete outros integrantes do denominado “núcleo crucial” da trama golpista. Não se tratou apenas de uma abertura formal de julgamento, mas de um ato simbólico que marcou a disposição do Supremo Tribunal Federal de responder de forma inequívoca à afronta contra a ordem democrática.

A sessão, iniciada em clima de tensão e expectativa, não apenas inaugurou o processo judicial, mas projetou um momento histórico: pela primeira vez, a mais alta Corte do país se debruça sobre uma acusação explícita de tentativa de golpe contra um governo eleito, exigindo da magistratura firmeza e serenidade em igual medida.

DIVISOR DE ÁGUAS – Esse gesto, na prática, funciona como um divisor de águas. Até aqui, a narrativa de que a democracia brasileira seria resiliente se apoiava sobretudo na resistência das instituições diante das pressões políticas e militares que se acumularam ao longo do último governo. Agora, o que está em pauta não é mais apenas resistir, mas punir.

A abertura do julgamento traduz a transição de uma fase de contenção para outra de responsabilização, deixando claro que a democracia não pode viver de improvisos permanentes: precisa mostrar que possui anticorpos jurídicos capazes de neutralizar tentativas de ruptura. Moraes, ao ecoar a frase que já circula como síntese de sua posição, sinalizou que o Supremo não se furtará a exercer esse papel.

Há, ainda, uma dimensão simbólica que vai além dos tribunais. Quando a sociedade escuta de um ministro da Suprema Corte que a impunidade não é compatível com a pacificação nacional, o que se transmite é uma mensagem de estabilidade e previsibilidade — valores indispensáveis num país que enfrenta uma sucessão de crises políticas e sociais.

REEDUCAÇÃO – A justiça, nesses casos, não é apenas um mecanismo punitivo: é também pedagógica, no sentido de reafirmar que certos limites não podem ser transpostos sem consequências. O julgamento, nesse sentido, assume também a função de reeducar a esfera pública, lembrando a todos que o pacto democrático exige vigilância e punição proporcional a quem dele se afasta.

Por fim, o impacto desse julgamento se estende às gerações futuras. O registro histórico que se forma agora será, inevitavelmente, consultado por estudiosos, magistrados, políticos e cidadãos que buscarem compreender como o Brasil lidou com um de seus momentos mais desafiadores desde a redemocratização. A frase de Moraes, já cristalizada como marca retórica de sua atuação, ecoará não apenas nos autos do processo, mas também na memória coletiva.

O Supremo, ao se debruçar sobre a responsabilidade de um ex-presidente e de seus aliados, não apenas julga indivíduos, mas redefine o próprio significado de governabilidade e de respeito às instituições. É esse peso histórico que torna cada palavra e cada decisão desse julgamento muito mais do que atos processuais: são afirmações de princípios que sustentarão — ou fragilizarão — a democracia brasileira nas próximas décadas.

Governo dos EUA questiona bancos no Brasil sobre sanção contra Moraes

 

Governo dos EUA questiona bancos no Brasil sobre sanção contra Moraes

Barroso assume presidência do STF em setembro e deve colocar drogas e  aborto em debate | CNN Brasil

Barroso pode perder um patrimônio de R$ 50 milhões

Julia Chaib, Adriana Fernandes e Thaísa Oliveira
Folha

Bancos brasileiros receberam nesta terça-feira (2) uma carta do Departamento do Tesouro dos Estados Unidos com questionamentos sobre a aplicação da Lei Magnitsky.

O comunicado do Ofac, o Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros, que pertence ao Tesouro americano, pergunta quais ações foram ou estão sendo tomadas pelas instituições para cumprir a sanção aplicada ao ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal).

NO JULGAMENTO – O envio da notificação ocorreu no primeiro dia de julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) no STF. Moraes foi atingido pela Lei Magnitsky em julho e, por isso, incluído no rol de sancionados da Ofac.

Por meio da decisão, o governo americano determina o congelamento de qualquer bem ou ativo que a pessoa sancionada tenha nos Estados Unidos e proíbe entidades financeiras americanas e empresas de fazerem operações com ela.

A medida incluiria o uso das bandeiras de cartões de crédito, Mastercard e Visa, por exemplo.

PRIMEIRO PASSO – O envio da comunicação pelo Tesouro seria o primeiro passo para averiguar o cumprimento da lei pelas instituições brasileiras. Em seguida, o Departamento do Tesouro poderia, se julgar que houve descumprimento por parte dos bancos, aplicar sanções secundárias, como multas.

Haveria ainda a possibilidade de punir executivos das instituições como pessoas físicas a depender da análise sobre o eventual descumprimento.

Os bancos no Brasil estão sujeitos a cumprir as sanções pelo fato de terem representações nos Estados Unidos.

ENCONTRO – Recentemente, o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) e o empresário Paulo Figueiredo se reuniram com o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent. No encontro, disseram acreditar que as instituições brasileiras não estariam cumprindo na íntegra as sanções determinadas pelo Ofac.

Como revelou a Folha, ao menos um banco bloqueou um cartão de Moraes. Em troca, foi oferecido a Moraes um cartão da bandeira brasileira Elo, para que ele pudesse fazer pagamentos no país sem as restrições impostas pela gestão Trump.

A Lei Magnitsky se destina a sancionar pessoas que tenham cometido graves violações de direitos humanos ou atos de corrupção. O governo Trump justificou a punição a Moraes alegando que o ministro se enquadra no primeiro caso.

AS ACUSAÇÕES – Segundo o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, Moraes efetuou “detenções preventivas injustas”, silenciou críticos políticos e ordenou o bloqueio de contas em plataformas digitais.

A Febraban (Federação Brasileira de Bancos) informou não ter recebido das instituições a informação sobre eventual comunicado da Ofac.

“De todo modo, tais comunicados têm caráter confidencial e não são dirigidos à Febraban”, afirmou, em nota enviada à Folha.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – 
É só uma questão de tempo. As sanções começam realmente depois da condenação de Bolsonaro. O ministro mais apavorado é Barroso, que patrimônio de R$ 50 milhões a ser confiscado nos Estados Unidos(C.N.)

Motorista de app leva 10 anos para ganhar o que juiz recebe em um mês

 

Noelle Neves noelle@jangada.in 
10:27 (há 1 hora)

Olá Jose, tudo bem?

Enquanto motoristas de aplicativo rodam mais de 60 horas semanais para levar R$ 4 mil líquidos no fim do mês, juízes brasileiros chegam a receber até R$ 678 mil em um único contracheque. O contraste, revelado por dados da plataforma GigU e pelo Índice de Disparidade Salarial (IDS), lançado pelo grupo Livres, escancara a distância entre quem sobrevive do trabalho diário e a elite do Judiciário.

 

O levantamento mostra que, em capitais como Curitiba, Belém e Maceió, motoristas trabalham jornadas intensas para rendimentos entre R$ 1,8 mil e R$ 3,4 mil líquidos, com grande parte da renda consumida pelo combustível. Já no Supremo Tribunal Federal, cada ministro tem IDS de 22,4, mais que o dobro de cortes constitucionais da Alemanha (6,1) e do Canadá (5,8).

 

Segundo Magno Karl, diretor executivo do Livres, o quadro revela uma “desconexão estrutural” e reforça a necessidade de medidas como proibição de verbas extras acima do teto constitucional, mais transparência em gratificações e tetos proporcionais à renda local.

Acha que rende por aí?

Juiz ganha em um mês o que motorista de app precisaria rodar por mais de 10 anos
 

Motorista de app sua 60h por semana para ganhar R$ 4 mil; juiz recebe até R$ 678 mil em um único mês
 

Rodar mais de 60 horas por semana para levar pouco mais de R$ 4 mil líquidos no fim do mês. Essa é a realidade de milhares de motoristas de aplicativo em São Paulo, segundo dados da plataforma GigU. O cenário se repete em outras capitais: em Curitiba, com jornadas médias de 56 horas semanais, o lucro mensal é de R$ 3.409,68; em Belém, 54 horas de volante garantem R$ 2.977,35; já em Maceió, o rendimento despenca para apenas R$ 1.877,20, mesmo após 50 horas semanais de trabalho.
 

Grande parte desse esforço é consumido pela gasolina: em Manaus, por exemplo, os motoristas gastam em média R$ 2.439,67 por mês só com combustível — praticamente o mesmo valor que sobra de lucro líquido (R$ 2.152,89).
 

Enquanto motoristas enfrentam longas jornadas e altos custos para garantir rendas modestas, a elite do Judiciário brasileiro vive em outro patamar. Segundo o Índice de Disparidade Salarial (IDS), lançado pela associação Livres, juízes chegam a receber até 339 vezes a renda média da população local. Em 2024, o Conselho Nacional de Justiça registrou mais de 63 mil contracheques acima de R$ 100 mil, com casos isolados que chegaram a R$ 678 mil em apenas um mês — valor que um motorista de app levaria mais de dez anos para acumular, mesmo trabalhando sem descanso.
 

No Supremo Tribunal Federal, cada ministro tem IDS de 22,4 — mais que o dobro do verificado em cortes constitucionais da Alemanha (6,1) e do Canadá (5,8). Para Magno Karl, diretor executivo do Livres, o quadro revela uma desconexão estrutural:
 

“É inaceitável que, em um país onde milhões vivem com menos de dois salários mínimos, um magistrado receba meio milhão de reais em um único mês — com verba pública e dentro da legalidade.”
 

As propostas do grupo incluem proibir verbas extras acima do teto constitucional, criar mecanismos de transparência para gratificações e estabelecer tetos proporcionais à renda local.
 

Enquanto isso, motoristas seguem rodando horas a fio para garantir pouco mais que a sobrevivência — em um contraste que escancara não apenas desigualdades salariais, mas também a distância entre quem julga e quem sobrevive do trabalho diário.


Pauta enviada por   -  Relações Públicas Sênior| Assessora de Imprensa | Gestão de Crise | Jornalista | Comunicação Corporativa

Noelle Neves
3º eRelações Públicas Sênior| Assessora de Imprensa | Gestão

Nota da Redação Deste BlogO Abismo Salarial no Brasil: Juízes vs. Motoristas de Aplicativo

A jornalista Noelle Neves, da Jangada Consultoria e Comunicação, levantou uma questão que escancara uma das maiores disparidades sociais do Brasil: o abismo entre os salários de motoristas de aplicativo e os rendimentos de juízes.

Enquanto um motorista de aplicativo trabalha mais de 60 horas por semana e recebe, em média, R$ 4 mil líquidos por mês, um juiz pode chegar a receber até R$ 678 mil em um único contracheque. A pesquisa, baseada em dados da plataforma GigU e do Índice de Disparidade Salarial (IDS), mostra um contraste chocante que revela uma "desconexão estrutural", como afirmou Magno Karl, diretor executivo do grupo Livres.

A discrepância é ainda maior quando se considera os vencimentos de juízes em cidades menores, que recebem auxílio-moradia e vencimentos integrais, mas trabalham apenas dois ou três dias por semana em suas comarcas.

A situação exige uma reflexão profunda sobre a transparência no setor público, a necessidade de proibir verbas extras acima do teto constitucional e a aplicação de tetos proporcionais à renda de cada local.



Reforma administrativa não ataca os supersalários de forma estrutural, avalia CLP

 

 Reforma administrativa não ataca os supersalários de forma estrutural, avalia CLP

 

Organização analisou os principais pontos do texto da reforma que está sendo discutido pelo Congresso Nacional e considerou oito tópicos favoráveis contra seis com ressalvas

 

Apesar de reduzir distorções históricas do serviço público e liberar espaço fiscal para políticas prioritárias, o pacote de reforma administrativa que está sendo discutido no Congresso Nacional não ataca de forma estrutural os supersalários, que ainda se perpetuam por exceções e efeitos cumulativos. Essa é a avaliação mais recente da nota técnica do Centro de Liderança Pública (CLP).

 

Para a organização, a proposta discutida ajuda a reduzir “penduricalhos”. Porém, para combater os supersalários, precisa de mecanismo para conter remunerações que possam ultrapassar o teto constitucional. O CLP defende uma trava por servidor em que todas as parcelas indenizatórias - como auxílios, diárias e pagamentos retroativos - deveriam estar sujeitas a um limite agregado anual, com abate automático quando passar do teto, salvo hipóteses legais estritas e documentalmente comprovadas, como remoção ou missão no exterior.

 

A nota técnica ainda sugere que cada órgão tenha um limite para gastos com verbas indenizatórias, que não poderia ultrapassar, por exemplo, o valor gasto anualmente com subsídios. Esse teto ajudaria a padronizar os gastos e garantir a sustentabilidade fiscal em nível nacional.

 

O documento analisou os principais pontos da proposta de reforma administrativa. Entre as medidas previstas no texto está o home office limitado a 20% da força de trabalho e em 1 dia na semana. Na avaliação do CLP, atualmente há exageros de teletrabalho em alguns órgãos e a proposta ajuda a reequilibrar atendimento presencial. Porém, o centro recomenda que os órgãos também possam flexibilizar a escala de trabalho, quando necessário, permitindo que alguns servidores tenham dois dias de home office se outros não tiverem nenhum, mantendo a média de um dia em casa.

 

O CLP concorda que é importante a avaliação de desempenho e a manutenção de estabilidade, mas afirma que os órgãos precisam gerenciar e acompanhar os resultados com base em dados e evidências. Além disso, considera que o teto salarial também para estatais não dependentes é relevante porque dá um tratamento igualitário, ressaltando que certos cargos altamente técnicos podem demandar regimes específicos para não perder competitividade.

 

A organização considera que a implementação de no mínimo 20 níveis de progressão em todas as carreiras é positiva porque evita uma rápida ascensão, mas a criação de muitos níveis, por outro lado, torna o processo mais burocrático e desmotiva a busca por promoção.

 

De modo geral, o CLP é a favor de parte considerável da proposta para a reforma administrativa, como fim de aposentadoria compulsória como punição, vedação de férias de 60 dias, retroatividade de benefícios só após trânsito em julgado, adicional de férias limitado a um terço, fim de progressões e licenças baseadas só em tempo de serviço, revisão de regras para cartórios, unificação do Concurso Público Nacional Unificado (CNU) e identidade única do servidor.

GBR Comunicação
Larissa Lima
larissa.lima@gbr.com.br


Alcolumbre rejeita anistia para Bolsonaro e diz que votará texto alternativo

 Foto: Carlos Moura/SCO/STF/Arquivo

Davi Alcolumbre03 de setembro de 2025 | 08:32

Alcolumbre rejeita anistia para Bolsonaro e diz que votará texto alternativo

brasil

Contrário à aprovação de uma anistia para o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), afirmou à Folha que vai apresentar e pretende discutir um projeto de lei alternativo.

“Eu vou votar o texto alternativo. É isso que eu quero votar no Senado”, declarou, nesta terça-feira (2). “Eu vou fazer esse texto e eu vou apresentar.”

Enquanto o STF (Supremo Tribunal Federal) dava início ao julgamento histórico que pode condenar um ex-presidente e militares de alta patente por tentativa de golpe de Estado, aliados de Bolsonaro se movimentavam no Congresso Nacional pela aprovação de uma anistia imediatamente após o resultado.

A pressão na Câmara dos Deputados aumentou nesta terça diante da articulação explícita do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), e da adesão de dois dos principais partidos do centrão, o PP e o União Brasil.

Com o novo esforço, o presidente do Senado pretende apresentar ele próprio aos líderes partidários da Casa um texto alternativo ao que tem sido discutido por bolsonaristas.

O texto defendido por Alcolumbre prevê apenas uma diminuição das penas, mas não perdoa nenhum dos condenados pelos ataques de 8 de janeiro de 2023 —situação em que o próprio Bolsonaro pode ser incluído, caso seja declarado culpado pelo Supremo.

A principal ideia em discussão é alterar a nova Lei de Defesa do Estado Democrático de Direito, aprovada em 2021, para enquadrar em um novo tipo penal aqueles que estiveram presentes nos atos, mas não tiveram papel de planejamento ou financiamento.

Na prática, a mudança poderia aliviar as penas do que parte das autoridades veem como a “massa de manobra” que vandalizou as sedes dos Poderes —como a cabeleireira Débora Rodrigues, que se tornou um dos símbolos do bolsonarismo por ter pichado no dia a estátua em frente ao STF.

A depender das circunstâncias do envolvimento de cada indivíduo, esse novo crime substituiria condenações por tentativa de abolição violenta do Estado democrático de Direito e tentativa de golpe de Estado. Combinados, esses dois crimes levam a penas de 8 a 20 anos de prisão.

Um segundo dispositivo da proposta diz respeito à duplicidade de acusações contra os envolvidos nos atos. Atualmente, o direito penal prevê o concurso material, princípio segundo o qual as penas se acumulam quando uma pessoa comete dois ou mais crimes em diferentes ações.

A nova lei manteria os dois tipos penais, mas criaria a possibilidade de condenação apenas por abolição do Estado democrático de Direito, com um agravante nos casos em que o desfecho desse ato seja uma tentativa de golpe de Estado.

O presidente do Senado chegou a discutir uma minuta do texto em abril, como mostrou a Folha, mas as articulações esfriaram diante da insistência de aliados de Bolsonaro em torno da anistia.

Ministros do Supremo consultados por Alcolumbre na ocasião tentaram deixar claro que não fariam resistência a uma iniciativa dessa natureza por parte do Congresso, mas também não endossariam o discurso de que o tribunal cometeu excessos na aplicação das penas.

Segundo eles, qualquer mudança na legislação seria um reconhecimento dos congressistas de que as penas foram fixadas em patamares elevados e que o Supremo só aplicou as leis elaboradas anteriormente pelo próprio Congresso.

Thaísa Oliveira/Folhapress

Eduardo quer implodir o bolsonarismo e assumir o espólio político da família


Eduardo Bolsonaro alerta sobre golpe com vídeo alterado com IA

Eduardo acha que já se tornou o chefe da família

Camila Rocha
Folha

O bolsonarismo sempre foi palco de disputas fratricidas. Muitas das quais resultaram em inúmeros expurgos. Mas agora os conflitos alcançaram outro nível. Faltando pouco tempo para o início do julgamento de Jair Bolsonaro, Eduardo Bolsonaro deixa clara sua intenção de provocar um verdadeiro racha.

Valdemar Costa Neto, presidente do Partido Liberal (PL), afirmou que, “se Tarcísio for candidato à Presidência, será pelo PL”. Em resposta, Eduardo Bolsonaro anunciou que, caso o governador de São Paulo ingresse na sigla, a família Bolsonaro irá procurar outra legenda.

DESCONFIANÇA – Para Eduardo, apenas membros da família seriam confiáveis para continuar o legado político de Jair Bolsonaro. Os demais políticos de olho em seu espólio devem ser vistos com desconfiança pois, em sua visão, haveria um processo para “apagar” a família Bolsonaro do cenário político.

Tarcísio respondeu afirmando que, caso fosse eleito presidente, sua primeira medida seria conceder um indulto a Jair Bolsonaro. No entanto, a probabilidade de que Jair Bolsonaro venha a ser salvo por um indulto presidencial é quase nula.

Basta lembrar do caso do então deputado bolsonarista Daniel Silveira, que foi foi condenado pelo STF em 2022 por ameaça ao Estado de Direito e coação no curso do processo.

ATAQUE EM VÍDEO – A sentença de 8 anos e 9 meses de prisão teve origem na divulgação de um vídeo no qual atacava ministros do STF, defendia o fechamento do Supremo e pedia um novo AI-5.

Na época, Jair Bolsonaro concedeu um indulto a Silveira, mas sua prisão foi mantida por unanimidade pelo STF. Isso abriu um precedente para que um possível indulto a Jair Bolsonaro também seja negado. Sobretudo levando em consideração que os crimes pelos quais Bolsonaro será julgado são mais graves e sua pena pode ultrapassar 40 anos de prisão.

Daí a pressão do bolsonarismo pelo impeachment de Alexandre de Moraes via Senado. Contudo, há vários obstáculos. Apenas o presidente do Senado pode decidir se aceita ou não um pedido de impeachment de um ministro do STF.

EXIGÊNCIAS – Caso o presidente do Senado aceite, o parecer precisa de maioria simples (41 votos) para ser aprovado. Porém, a decisão final deve ser confirmada por dois terços (54 votos).

No início de agosto, 41 senadores já se posicionaram a favor do impeachment de Moraes. Apesar disso, Davi Alcolumbre anunciou que não deve pautar o tema.

Ainda assim, faltariam 13 votos para chegar aos 54 necessários. Daí o esforço concentrado dos bolsonaristas para eleger o máximo de senadores em 2026. O que não será fácil.

54 VAGAS – No ano que vem, o Senado irá renovar justamente 54 cadeiras, duas por estado. Para atingir o objetivo de ter dois terços da Casa, os bolsonaristas precisam eleger 39 novos senadores, ou seja, mais de 70% do total. O racha que vem sendo promovido por Eduardo Bolsonaro torna o feito ainda mais difícil.

Não contente em anular seu próprio futuro político e prejudicar o processo do pai, Eduardo Bolsonaro ameaça a influência da família e enfraquece o bolsonarismo ao querer assumir sozinho a liderança exercida por Jair. Perde a extrema direita, ganha o Brasil.


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