quarta-feira, setembro 03, 2025

Reforma administrativa não ataca os supersalários de forma estrutural, avalia CLP

 

 Reforma administrativa não ataca os supersalários de forma estrutural, avalia CLP

 

Organização analisou os principais pontos do texto da reforma que está sendo discutido pelo Congresso Nacional e considerou oito tópicos favoráveis contra seis com ressalvas

 

Apesar de reduzir distorções históricas do serviço público e liberar espaço fiscal para políticas prioritárias, o pacote de reforma administrativa que está sendo discutido no Congresso Nacional não ataca de forma estrutural os supersalários, que ainda se perpetuam por exceções e efeitos cumulativos. Essa é a avaliação mais recente da nota técnica do Centro de Liderança Pública (CLP).

 

Para a organização, a proposta discutida ajuda a reduzir “penduricalhos”. Porém, para combater os supersalários, precisa de mecanismo para conter remunerações que possam ultrapassar o teto constitucional. O CLP defende uma trava por servidor em que todas as parcelas indenizatórias - como auxílios, diárias e pagamentos retroativos - deveriam estar sujeitas a um limite agregado anual, com abate automático quando passar do teto, salvo hipóteses legais estritas e documentalmente comprovadas, como remoção ou missão no exterior.

 

A nota técnica ainda sugere que cada órgão tenha um limite para gastos com verbas indenizatórias, que não poderia ultrapassar, por exemplo, o valor gasto anualmente com subsídios. Esse teto ajudaria a padronizar os gastos e garantir a sustentabilidade fiscal em nível nacional.

 

O documento analisou os principais pontos da proposta de reforma administrativa. Entre as medidas previstas no texto está o home office limitado a 20% da força de trabalho e em 1 dia na semana. Na avaliação do CLP, atualmente há exageros de teletrabalho em alguns órgãos e a proposta ajuda a reequilibrar atendimento presencial. Porém, o centro recomenda que os órgãos também possam flexibilizar a escala de trabalho, quando necessário, permitindo que alguns servidores tenham dois dias de home office se outros não tiverem nenhum, mantendo a média de um dia em casa.

 

O CLP concorda que é importante a avaliação de desempenho e a manutenção de estabilidade, mas afirma que os órgãos precisam gerenciar e acompanhar os resultados com base em dados e evidências. Além disso, considera que o teto salarial também para estatais não dependentes é relevante porque dá um tratamento igualitário, ressaltando que certos cargos altamente técnicos podem demandar regimes específicos para não perder competitividade.

 

A organização considera que a implementação de no mínimo 20 níveis de progressão em todas as carreiras é positiva porque evita uma rápida ascensão, mas a criação de muitos níveis, por outro lado, torna o processo mais burocrático e desmotiva a busca por promoção.

 

De modo geral, o CLP é a favor de parte considerável da proposta para a reforma administrativa, como fim de aposentadoria compulsória como punição, vedação de férias de 60 dias, retroatividade de benefícios só após trânsito em julgado, adicional de férias limitado a um terço, fim de progressões e licenças baseadas só em tempo de serviço, revisão de regras para cartórios, unificação do Concurso Público Nacional Unificado (CNU) e identidade única do servidor.

GBR Comunicação
Larissa Lima
larissa.lima@gbr.com.br


Em destaque

TJ-BA institui Sistema de Integridade para reforçar ética, transparência e controle interno

  TJ-BA institui Sistema de Integridade para reforçar ética, transparência e controle interno Por  Política Livre 29/01/2026 às 10:18 Foto: ...

Mais visitadas