| Noelle Neves noelle@jangada.in | 10:27 (há 1 hora) |
Olá Jose, tudo bem?
Enquanto motoristas de aplicativo rodam mais de 60 horas semanais para levar R$ 4 mil líquidos no fim do mês, juízes brasileiros chegam a receber até R$ 678 mil em um único contracheque. O contraste, revelado por dados da plataforma GigU e pelo Índice de Disparidade Salarial (IDS), lançado pelo grupo Livres, escancara a distância entre quem sobrevive do trabalho diário e a elite do Judiciário.
O levantamento mostra que, em capitais como Curitiba, Belém e Maceió, motoristas trabalham jornadas intensas para rendimentos entre R$ 1,8 mil e R$ 3,4 mil líquidos, com grande parte da renda consumida pelo combustível. Já no Supremo Tribunal Federal, cada ministro tem IDS de 22,4, mais que o dobro de cortes constitucionais da Alemanha (6,1) e do Canadá (5,8).
Segundo Magno Karl, diretor executivo do Livres, o quadro revela uma “desconexão estrutural” e reforça a necessidade de medidas como proibição de verbas extras acima do teto constitucional, mais transparência em gratificações e tetos proporcionais à renda local.
Acha que rende por aí?
Juiz ganha em um mês o que motorista de app precisaria rodar por mais de 10 anos
Motorista de app sua 60h por semana para ganhar R$ 4 mil; juiz recebe até R$ 678 mil em um único mês
Rodar mais de 60 horas por semana para levar pouco mais de R$ 4 mil líquidos no fim do mês. Essa é a realidade de milhares de motoristas de aplicativo em São Paulo, segundo dados da plataforma GigU. O cenário se repete em outras capitais: em Curitiba, com jornadas médias de 56 horas semanais, o lucro mensal é de R$ 3.409,68; em Belém, 54 horas de volante garantem R$ 2.977,35; já em Maceió, o rendimento despenca para apenas R$ 1.877,20, mesmo após 50 horas semanais de trabalho.
Grande parte desse esforço é consumido pela gasolina: em Manaus, por exemplo, os motoristas gastam em média R$ 2.439,67 por mês só com combustível — praticamente o mesmo valor que sobra de lucro líquido (R$ 2.152,89).
Enquanto motoristas enfrentam longas jornadas e altos custos para garantir rendas modestas, a elite do Judiciário brasileiro vive em outro patamar. Segundo o Índice de Disparidade Salarial (IDS), lançado pela associação Livres, juízes chegam a receber até 339 vezes a renda média da população local. Em 2024, o Conselho Nacional de Justiça registrou mais de 63 mil contracheques acima de R$ 100 mil, com casos isolados que chegaram a R$ 678 mil em apenas um mês — valor que um motorista de app levaria mais de dez anos para acumular, mesmo trabalhando sem descanso.
No Supremo Tribunal Federal, cada ministro tem IDS de 22,4 — mais que o dobro do verificado em cortes constitucionais da Alemanha (6,1) e do Canadá (5,8). Para Magno Karl, diretor executivo do Livres, o quadro revela uma desconexão estrutural:
“É inaceitável que, em um país onde milhões vivem com menos de dois salários mínimos, um magistrado receba meio milhão de reais em um único mês — com verba pública e dentro da legalidade.”
As propostas do grupo incluem proibir verbas extras acima do teto constitucional, criar mecanismos de transparência para gratificações e estabelecer tetos proporcionais à renda local.
Enquanto isso, motoristas seguem rodando horas a fio para garantir pouco mais que a sobrevivência — em um contraste que escancara não apenas desigualdades salariais, mas também a distância entre quem julga e quem sobrevive do trabalho diário.
Pauta enviada por - Relações Públicas Sênior| Assessora de Imprensa | Gestão de Crise | Jornalista | Comunicação Corporativa
Nota da Redação Deste Blog - O Abismo Salarial no Brasil: Juízes vs. Motoristas de Aplicativo
A jornalista Noelle Neves, da Jangada Consultoria e Comunicação, levantou uma questão que escancara uma das maiores disparidades sociais do Brasil: o abismo entre os salários de motoristas de aplicativo e os rendimentos de juízes.
Enquanto um motorista de aplicativo trabalha mais de 60 horas por semana e recebe, em média, R$ 4 mil líquidos por mês, um juiz pode chegar a receber até R$ 678 mil em um único contracheque. A pesquisa, baseada em dados da plataforma GigU e do Índice de Disparidade Salarial (IDS), mostra um contraste chocante que revela uma "desconexão estrutural", como afirmou Magno Karl, diretor executivo do grupo Livres.
A discrepância é ainda maior quando se considera os vencimentos de juízes em cidades menores, que recebem auxílio-moradia e vencimentos integrais, mas trabalham apenas dois ou três dias por semana em suas comarcas.
A situação exige uma reflexão profunda sobre a transparência no setor público, a necessidade de proibir verbas extras acima do teto constitucional e a aplicação de tetos proporcionais à renda de cada local.