sábado, agosto 02, 2025

Lula responde a Trump e diz que Brasil “sempre esteve aberto ao diálogo”

 

Lula responde a Trump e diz que Brasil “sempre esteve aberto ao diálogo”

Por Leonardo Almeida

Lula responde a Trump e diz que Brasil “sempre esteve aberto ao diálogo”
Foto: Marcelo Camargo / EBC

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou que o Brasil mantém uma postura de abertura ao diálogo, após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarar que o petista pode ligar para ele “quando quiser”. A resposta de Lula foi realizada na noite desta sexta-feira (1º), em publicação nas redes sociais.

 

“Sempre estivemos abertos ao diálogo. Quem define os rumos do Brasil são os brasileiros e suas instituições. Neste momento, estamos trabalhando para proteger a nossa economia, as empresas e nossos trabalhadores, e dar as respostas às medidas tarifárias do governo norte-americano”, escreveu Lula nas redes sociais.

 

Veja:

 

 

A manifestação ocorre em meio à escalada de tensões entre os dois países, após o anúncio de uma tarifa de 50% sobre produtos brasileiros por parte dos Estados Unidos. A medida, que entra em vigor no próximo dia 6 de agosto, foi justificada por Washington como reação a ações do governo brasileiro que estariam impactando empresas e cidadãos norte-americanos.

 

Até o momento, os dois presidentes não se falaram diretamente desde o anúncio da sobretaxa. Mais cedo, ao ser questionado durante coletiva de imprensa nesta sexta sobre a possibilidade de diálogo com Lula, Trump afirmou: “Ele pode falar comigo quando quiser”.

 

O governo brasileiro já iniciou articulações para responder aos impactos econômicos das novas tarifas. O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, informou que uma reunião com o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, está sendo organizada e deve ocorrer nos próximos dias. O encontro pode preparar o terreno para uma eventual conversa direta entre Lula e Trump.

55% concordam com tornozeleira em Bolsonaro, diz o Datafolha


Datafolha: maioria dos brasileiros apoia uso de tornozeleira eletrônica por  Bolsonaro | Política | cbn

Jair Bolsonaro fica sabendo que a tornozeleira tem apoio

Lucas Schroeder,
da CNN

A maioria dos brasileiros concorda com as restrições impostas pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) no mês passado, de acordo com pesquisa Datafolha divulgada nesta sexta-feira (1º).

Levantamento divulgado nesta sexta-feira (1º) ouviu 2.004 pessoas em todo o país; margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos

TORNOZELEIRA – No último dia 18, Bolsonaro foi alvo de uma operação da PF (Polícia Federal), autorizada pela Suprema Corte, que apura os crimes de coação no curso do processo, obstrução à Justiça e ataque à soberania nacional. Na ocasião, Moraes ordenou que o ex-mandatário passasse a utilizar uma tornozeleira eletrônica, além de cumprir recolhimento domiciliar no período noturno e finais de semana, entre outras medidas cautelares (confira os detalhes aqui).

55% APOIAM – O levantamento de hoje destaca que 55% dos brasileiros apoiam às restrições a Bolsonaro (44% dizem concordar totalmente, e 11% em parte).

Ao mesmo tempo, 41% dizem discordar das determinações (32% totalmente, e 9% em parte). Outro 1% não concorda, nem discorda; e 3% não souberam responder.

Ainda conforme o Datafolha, 55% dos entrevistados acham que Bolsonaro tinha a intenção de deixar o Brasil. Para 36%, o ex-presidente não pretendia sair do país. Já 10% não souberam responder.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
 – O Datafolha traz duas informações importantíssimas. A primeira indica que a maioria dos brasileiros é a favor das sanções impostas pelos EUA ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo. E a segunda é que a maioria apoia a tornozeleira em Jair Bolsonaro. Cruzando-se as duas indicações, surge uma terceira, mais importante ainda – a maioria dos brasileiros não apoia Lula nem Bolsonaro. Isso significa que está aberto o caminho para uma terceira via que nos livre dessa maldita polarização. Que assim seja. (C.N.)

Tarifa de água ficará mais cara em Sergipe

  Segundo a Iguá Sergipe o aumento é devido a necessidade de recompor os índices inflacionários

(Foto: Freepik)

A conta de água vai ficar mais cara para a população que reside em Sergipe. A partir do dia 1º de setembro, os serviços de abastecimento de água e esgotamento sanitário irão sofrer um reajuste tarifário de 7,837%.

Por meio de nota, a Iguá Saneamento Sergipe informou que a Agência Reguladora de Serviços Públicos do Estado de Sergipe (AGRESE) aprovou o aumento.

“O reajuste tarifário reflete o cenário macroeconômico para os índices de recomposição inflacionária como mão de obra, energia, produto químico, compra de água e investimentos em infraestrutura”, disse a companhia.

Em caso de dúvidas sobre o reajuste tarifário, a população pode entrar em contato com a Iguá Sergipe por meio dos canais de atendimento presenciais, digitais  e pelo telefone 0800 400 4482 (ligação e WhatsApp).

Com informações da Iguá

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Instituto Vladimir Herzog manifesta solidariedade ao ministro Alexandre de Moraes e repudia sanção norte-americana

  NOTA À IMPRENSA

 

Instituto Vladimir Herzog manifesta solidariedade ao ministro Alexandre de Moraes e repudia sanção norte-americana


O Instituto Vladimir Herzog vem a público manifestar repúdio com a decisão do governo dos Estados Unidos, sob a presidência de Donald Trump, de sancionar o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes com base na chamada Lei Global Magnitsky. Tal medida política e seletiva atenta contra a soberania nacional e viola princípios fundamentais da democracia ao avançar sobre a independência do Judiciário.


Governos estrangeiros não têm legitimidade para punir magistrados brasileiros — sobretudo quando essas decisões estão ancoradas na lei nacional e sujeitas aos mecanismos internos de controle. A tentativa de interferência na atuação de um ministro da mais alta corte do país é inaceitável e configura ataque direto à soberania brasileira.


A sanção imposta pelos Estados Unidos extrapola os limites da diplomacia e retoma práticas intervencionistas que marcaram momentos sombrios da história latino-americana, como em 1964, quando o governo norte-americano apoiou a desestabilização da democracia no Brasil. Esse tipo de ingerência externa deve ser repudiado com veemência.


O Instituto Vladimir Herzog tem atuado de forma crítica e firme na defesa da democracia e dos direitos humanos, denunciando abusos e retrocessos institucionais, inclusive no Judiciário. Reforçamos ainda que críticas legítimas a magistrados devem ocorrer por vias legais e internas e jamais por pressões externas ou represálias políticas.
 

O uso da Lei Magnitsky nesse contexto enfraquece os mecanismos internacionais de responsabilização e escancara sua instrumentalização a serviço de interesses geopolíticos. É um grave precedente que mina a credibilidade das normas que pretende defender.

Reiteramos nossa solidariedade ao ministro Alexandre de Moraes e nosso compromisso com a defesa da democracia, da separação dos Poderes e da soberania nacional.


Assessoria de imprensa IVH | Agência Kubix:

Antonio Sales | antonio.sales@kubix.com.br

Ana Paula Lima | anapaula.lima@kubix.com.br

sexta-feira, agosto 01, 2025

Trump diz que Lula pode ligar para ele quando quiser

 Foto: Reprodução/Instagram/Arquivo

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump01 de agosto de 2025 | 18:08

Trump diz que Lula pode ligar para ele quando quiser

brasil

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse nesta sexta-feira (1º) que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pode falar com ele quando quiser para discutir tarifas e outras questões envolvendo os dois países.

“Ele pode falar comigo quando ele quiser”, afirmou Trump a jornalistas no gramado da Casa Branca. As declarações ocorrem dois dias após o decreto que impôs tarifas de 50% sobre as exportações brasileiras e no dia seguinte ao tarifaço global que voltou a impor taxas mais altas sobre dezenas de países.

O presidente americano também disse que ama o povo brasileiro e que “as pessoas que lideram o Brasil fizeram coisa errada”, em provável referência ao ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes, alvo de sanções do governo americano.

Os dois líderes ainda não discutiram diretamente as tarifas nem se encontraram desde que Trump assumiu o novo mandato, em janeiro.

Nas últimas semanas, depois que o americano ameaçou o país com as taxas maiores, Lula disse que seu homólogo não pode ser um “imperador do mundo”, que vai dobrar a aposta e que ele mente ao justificar as medidas econômicas.

Nesta sexta, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad afirmou que o objetivo do Brasil continua sendo mais parcerias com os Estados Unidos. Em entrevista a jornalistas em Brasília, Haddad afirmou que há opção no mercado interno para parte dos produtos que eram enviados aos EUA, e que é possível estreitar os laços entre os dois países “desde que seja bom para os dois lados”.

O ministro ressaltou que, apesar do atual comando nos EUA, o Brasil continuará buscando uma relação construtiva, guiada pelo interesse nacional e por vínculos de longo prazo.

Na quarta-feira (30) Trump assinou medida que implementa uma tarifa adicional de 40% sobre os produtos brasileiros, elevando o valor total da sobretaxa para 50%, a maior do mundo. Apesar da taxa, o país se beneficiou de uma isenção para cerca de 700 produtos exportados aos EUA.

O dólar caiu 0,98% nesta sexta e encerrou a semana cotado a R$ 5,545, tendo como pano de fundo dados de emprego dos Estados Unidos bem mais fracos do que o esperado. O tarifaço do presidente Donald Trump também foi pauta nas mesas de operação. Na Bolsa, a combinação de fatores —mais uma série de balanços corporativos do 2º trimestre— se traduziu em queda de 0,47%, a 132.437 pontos.

Na primeira manifestação pública após as punições anunciadas pela Casa Branca, o ministro Alexandre de Moraes classificou como “covardes e traiçoeiras” as ações que levaram à aplicação de sanções pelo governo dos EUA a ele.

Moraes falou haver “traição à pátria” e direcionou sua reação principalmente ao deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que articulou com integrantes do governo americano o enquadramento do ministro na Lei Magnitsky, que prevê bloqueios financeiros. O magistrado não citou o parlamentar nominalmente.

“Encontram-se foragidos e escondidos fora do território nacional. Não tiveram coragem de continuar no território nacional”, afirmou Moraes na abertura do semestre do Judiciário, nesta sexta-feira (1º).

Folhapress

Trump não tem como salvar Jair e Eduardo Bolsonaro de condenação e prisão

Publicado em 1 de agosto de 2025 por Tribuna da Internet

Eduardo Bolsonaro será investigado porque há a suspeita de que esteja articulando, nos EUA, ações contra autoridades brasileiras — Foto: Wilton Junior/Estadão Conteúdo

Eduardo será acusado de fazer ataque à soberania do país

Vicente Limongi Netto

Donald Trump é o maior e mais poderoso amigo do contra da família Bolsonaro. Exagerou na punição ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes. Avançou completamente o sinal do bom senso. Abissal tiro no pé.

Ministros da Suprema Corte repudiaram a decisão do presidente norte-americano. Manifestações dos Três Poderes da República saíram em defesa de Moraes. A começar pelo chefe da nação.

Alguém precisa mandar para Trump a íntegra do volumoso processo tramitando no STF envolvendo até o pescoço o ex-presidente Bolsonaro nos acontecimentos do 8 de janeiro. Os autos são claros. Não mentem. Bolsonaro e o filho fujão Eduardo não vão se safar das pesadas acusações.

A quadra política e econômica brasileira precisa avançar dialogando. Espetáculos de bazófias não caem bem para o Brasil nem para os Estados Unidos.

Agora na Itália, ex-assessor de Moraes ameaça fazer “revelações” contra ele

Publicado em 1 de agosto de 2025 por Tribuna da Internet

Eduardo Tagliaferro (à esquerda) foi assessor do ministro Alexandre de Moraes

Tagliaferro percebeu que Moraes não agia com isenção

Leandro Magalhães
da CNN

O ex-assessor do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, Eduardo Tagliaferro afirmou nas redes sociais nesta quarta-feira (30) que irá revelar os bastidores do gabinete do magistrado. Ele se mudou para a Itália. “Destruiu minha vida e a de várias pessoas, isso é pouco, logo eu estarei mostrando para o Brasil quem é Alexandre de Moraes e os bastidores do seu gabinete”, escreveu em post com a foto de Alexandre de Moraes ao fundo. “Eu tenho bastante coisa”, disse, sem revelar detalhes.

Perito, Tagliaferro é formado em engenharia e direito pela Universidade Paulista. Foi assessor-chefe da Assessoria Especial de Enfrentamento à Desinformação, no TSE, tendo sido nomeado por Moraes para o cargo em 2022.

FOI INDICIADO – Em maio, a Polícia Federal indiciou Tagliaferro por violação de sigilo funcional com dano à administração pública. O ex-assessor de Moraes foi investigado pela divulgação de diálogos do ministro com servidores do TSE e do STF.

Para a PF, Tagliaferro “praticou, de forma consciente e voluntária, a violação do sigilo funcional – sendo que ele ocupava função de confiança na Assessoria Especial de Enfrentamento à Desinformação no Tribunal Superior Eleitoral”.

No começo de julho, o ministro Alexandre de Moraes negou que houvesse depoimento de Tagliaferro como testemunha de Filipe Martins, que responde à ação no STF pela trama do golpe. O ministro justificou dizendo que há jurisprudência na Suprema Corte que impede depoimento de investigados.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
 – Alexandre de Moraes tem muitos problemas. Um deles se chama Eduardo Tagliaferro, o perito que foi impedido de prestar depoimento aqui no Brasil. Mas nada impede que ele deponha na Itália, no processo de Carla Zambelli, julgada com rigor excessivo. Dez anos de cadeia e multa de R$ 2 milhões parece brincadeira. Tagliaferro começou a brigar com Moraes com motivos sérios: “Tem algumas coisas fraudulentas que foram feitas (….) e comecei a questionar”, afirmou em outro post, acrescentando que “só entravam coisas de direita no gabinete e nada de esquerda e isso me chamou muito a atenção”. (C.N.)

Transporte Escolar em Jeremoabo: A Responsabilidade dos Vereadores e o Passado Esquecido

Transporte Escolar em Jeremoabo: A Responsabilidade dos Vereadores e o Passado Esquecido

É inaceitável que, em pleno século XXI, o transporte escolar seja interrompido por falta de combustível. No entanto, se um problema como esse ocorre, a atitude dos vereadores deveria ser dialogar diretamente com o responsável pelo transporte, e não utilizar as redes sociais na tentativa de macular a imagem do prefeito, que tem uma série de outras questões importantes a resolver.

A oposição, em vez de recorrer a essa prática questionável, deveria, de fato, se dedicar ao trabalho de fiscalização, apurando fatos gravíssimos que já estão à vista da população. Por que não se dedicam a investigar o destino dos ripões e mourões do Parque de Exposição, que parecem ter evaporado no ralo da corrupção?

Por que não esclarecem à população qual foi o resultado da denúncia das quentinhas, por eles mesmos denunciada e que nunca foi apurada? Por que não investigam a invasão da praça do Parque de Junior dos Colchões, que foi invadida para a construção de uma pousada particular?

Por fim, por que não apuram o superfaturamento do combustível gasto pela Câmara de Vereadores, um escândalo denunciado na tribuna, mas que ficou restrito às quatro paredes do legislativo?

Para denunciar qualquer suposta irregularidade da atual gestão, os vereadores precisam primeiro fazer o dever de casa. Não podem continuar omissos diante das irregularidades passadas, que causaram prejuízos de milhões aos cofres públicos. A fiscalização deve ser séria e responsável, pautada em fatos e não em politicagem.



Trump destruiu a democracia nos EUA, mas não vai acabar com a nossa

 

 
Trump destruiu a democracia nos EUA, mas não vai acabar com a nossa
Vamos deixar uma coisa clara aqui: o presidente Lula não desafiou Donald Trump; apenas reagiu a uma agressão injustificável contra a democracia e a soberania brasileiras feita pelo presidente dos Estados Unidos, além das ações grotescas dirigidas a um ministro da nossa Suprema Corte, com o uso pervertido de uma lei criada para punir os que atentam contra os direitos humanos e a democracia mundial. 

Em um mundo que assiste passivamente ao genocídio palestino, enquanto os Estados Unidos abastecem o regime de Benjamin Netanyahu com dólares, armas e sugestões de esvaziar o território palestino para construir um resort, reconheço que a voz de Lula pode até soar desafiadora. Sobretudo diante da submissão da Europa e de outros “aliados” dos Estados Unidos à humilhação infligida por Trump. 

Mas Lula cumpre apenas sua obrigação, como chefe de Estado e um dos pilares da defesa do multilateralismo, ao exigir respeito por parte do presidente de outro país – no que tem, aliás, todo o apoio das instituições e da população brasileira. Como o presidente Lula disse na entrevista ao New York Times (que só pecou pelo título, na minha opinião), o fato de estar lidando com a maior potência econômica e militar do mundo, “não nos deixa com medo, nos deixa preocupados”. 
 Sim, não tem ninguém maluco por aqui. Sabemos do prejuízo e dos riscos que corremos diante de uma potência comandada por um aspirante a imperador que não respeita nem a Constituição do seu próprio país – que já foi chamado de “a maior democracia do mundo”, ou de “a melhor democracia que o dinheiro pode comprar”, o que talvez seja mais realista. Mas nem isso se mantém no atual mandato.
Desde que assumiu o poder, Trump anulou decisões judiciais sobre sua própria tentativa de golpe, em janeiro de 2020, perseguiu adversários políticos, interviu na autonomia das universidades, censurou e coagiu cientistas e intelectuais, prendeu e deportou ilegalmente estudantes e imigrantes, além de cortar em mais de 80% a ajuda humanitária internacional – o que pode levar a 14 milhões de mortes até 2030, segundo a revista científica Lancet. 

Também se retirou de todos os fóruns internacionais e promoveu a militarização da Europa, enfraquecendo a paz e os acordos sobre o clima, imprescindíveis para garantir a saúde do planeta. Com mentalidade predatória, sem espaço para a solidariedade nem visão para o futuro, aliou-se incondicionalmente aos setores que ameaçam a vida e a democracia no mundo todo: Big Techs, petrolíferas, indústria financeira e militar. 

Todos esses elementos estão presentes na agressão política e comercial de Trump contra o Brasil. Sim, as Big Techs estão por trás da ofensiva dos Estados Unidos, inconformados com a exigência da Justiça brasileira, materializada na figura de Alexandre Moraes, de respeito à nossa legislação. 

Também se deve às Big Techs, associadas às empresas de cartão de crédito americanas, a investida contra o Pix, invenção tecnológica do Banco Central que promoveu a inclusão bancária de dezenas de milhões de brasileiros e a libertação de pequenos comerciantes das taxas cobradas pelos cartões de crédito internacionais. 

Mais do que isso: o Pix tem potencial para se tornar um meio de pagamento regional, “ampliando a influência brasileira, o que sempre incomodou os Estados Unidos”, como observou Natalia Viana em sua última coluna

Natalia, que mais uma vez é motivo de orgulho para toda nossa equipe pela conquista de um dos prêmios de jornalismo mais importantes do mundo, o Maria Moors Cabot, vai além. “Trata-se de mais um capítulo na frente de batalha que tem as criptomoedas como componente importante nas ações do governo Trump: o futuro do dinheiro no mundo digital”, cravou a jornalista.

É nesse contexto que faz sentido incluir o Brics, bloco fundado e liderado pelo Brasil, entre os motivos da vingança de Trump contra o Brasil. Explorado pela direita, como fator que justificaria os ataques, porque seria um bloco hostil aos Estados Unidos, o papel real do Brics é oferecer mais uma alternativa de diálogo entre países em um momento de destruição do multilateralismo. 

Vale lembrar que foi exatamente a proposição de que os países do bloco – que inclui China e Rússia – pudessem negociar em outra moeda, que não o dólar, que provocou a declaração de Trump de que os países do Brics seriam “anti-americanos”, apesar de incluir membros que são aliados fiéis dos Estados Unidos, como a Índia e a Arábia Saudita – essa um claro anti-exemplo de respeito aos direitos humanos. 
 O que Trump quer ao agredir o Brasil não é muito diferente do que querem os presidentes americanos pelo menos desde a guerra fria: manter a América do Sul no seu quintal, com governos submissos e dependentes como foi a ditadura militar e como seria agora um governo de Jair Bolsonaro.
Nunca foi um problema de direitos humanos, como provam os mortos e desaparecidos da ditadura e as milhares de vítimas da política de Bolsonaro durante a pandemia. 

A diferença é que desta vez o conflito provocado por Trump escalou a partir da destruição da democracia dentro dos próprios Estados Unidos, atingiu organizações internacionais como a ONU e a OMC, e segue despudoradamente movido por interesses privados do presidente dos Estados Unidos e de seus aliados sem quase nenhuma resistência internacional.

Mais do que desafiar Trump, nesse momento o Brasil faz o papel de um grilo falante verde e amarelo em defesa da soberania dos países, da democracia, do diálogo internacional pela paz e pelo futuro do planeta. Estamos juntos!

PS: Toda a solidariedade ao ministro Alexandre de Moraes – vai ser ainda mais bonito ver a condenação dos golpistas em um processo democrático, transparente e justo. 


Marina Amaral
Diretora Executiva da Agência Pública
marina@apublica.org 
 

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