segunda-feira, agosto 02, 2021

Em nova manifestação, Bolsonaro ataca sistema eleitoral: “Há indício fortíssimo de manipulação”

Publicado em 1 de agosto de 2021 por Tribuna da Internet

 (crédito: Reprodução / Redes Sociais)

Carro de som transmitiu Bolsonaro ameaçando a eleição

Ingrid Soares
Correio Braziliense

O presidente Jair Bolsonaro participou neste domingo (01/08), por meio de videoconferência, da manifestação a favor do voto impresso na Esplanada dos Ministérios. O áudio foi reproduzido de um carro de som. Durante a declaração, o mandatário voltou a atacar o sistema eleitoral apontando que as eleições de 2018 estão “recheadas” do que chamou de “indício fortíssimo de manipulação” nas urnas eletrônicas.

“Eu fico muito feliz e orgulhoso em ver o povo brasileiro cada vez mais se inteirando do que acontece no Brasil, como é o jogo do poder, como cada vez mais consegue se identificar aqueles que têm o discurso de democracia apenas da boca para fora. Cada vez mais entender que algumas pessoas aqui no Planalto Central, usando a força do poder, querem a volta daqueles que saquearam o país há pouco tempo, querem a impunidade e a corrupção. Não pode, em nenhum regime democrático, uma pessoa ser aquela dona da verdade e reverberar o que ela quer impor para a sociedade”, disparou em indireta ao presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Luis Roberto Barroso.

EXÉRCITO DO POVO – Bolsonaro completou que “sem eleições limpas e democráticas, não haverá eleição” e repetiu que a população é o seu “exército”.

“Nós mais que exigimos, pode ter certeza, juntos, porque vocês são, de fato o meu exército, o nosso exército, fazer com que a vontade popular seja expressada na contagem pública do voto. Nós temos que ter a certeza de que quem você porventura votar, o seu voto vai ser computado para aquela pessoa. As eleições últimas estão recheadas de indício fortíssimo de manipulação. Isso não pode ser admitido por mim e nem por vocês. Nós, juntos, somos a expansão da democracia no Brasil. O nosso entendimento, a minha lealdade ao povo brasileiro, o meu temor a Deus, a nossa união nos libertará da sombra do comunismo e do socialismo”, bradou em um vídeo postado pelo assessor da presidência, Max Guilherme Machado de Moura.

URNA INAUDITÁVEL – O mandatário alegou ainda que quem fala que a urna é auditada e segura é mentiroso. “É quem não tem amor à democracia, é quem não respeita o seu povo. Essas pessoas tem que reconhecer qual é o seu lugar. Não vou entrar em provocações baratas, eu quero uma forma limpa de realizar eleições. Quem for contra a vontade de vocês que é a contagem pública, que é o voto democrático, está contra a democracia. Nós somos a maioria no Brasil. Nós estamos do lado certo. Nós não vamos esperar acontecer para depois tomar providências. Juntos nós faremos o que tiver que ser necessário para que haja contagem pública dos votos e tenhamos eleições democráticas o ano que vem”, continuou.

O presidente destacou que, se necessário, convidará os paulistanos a irem às ruas a favor do voto impresso para dar um “último alerta” a quem é contrário à medida.

A VOZ DO POVO – “Se preciso for, para dar um último alerta àqueles que não tem respeito para conosco, eu convidarei o povo de SP, a maior capital do Brasil a comparecer à Paulista para que o som deles, a voz do povo, seja ouvida por aqueles que teimam em golpear a nossa democracia. Se o povo lá disser que o voto tem que ser auditado, que a contagem tem que ser pública e que o voto tem que ser impresso na forma como se propõe a PEC da Bia Kicis, tem que ser dessa maneira”.

Por fim, ele justificou que a “maioria” da Câmara é favorável ao voto impresso, mas que Barroso tem atuado para derrubar o projeto do governo.

“A maioria da Câmara pelo que sei é favorável ao voto impresso. É uma minoria (que é contra) que foi agora escolhida por líderes depois de uma reunião com o Barroso, um ministro que deveria ser o primeiro a estar do lado da transparência das eleições, está exatamente do outro lado”, concluiu.

NO TRIO ELÉTRICO – Em cima de um trio elétrico, participaram do ato ainda a deputada Bia Kicis (PSL-DF), autora do projeto do voto auditável e o ex-ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo. A maioria das faixas erguidas pedia por “voto impresso já” e “contagem pública de votos”.

Também houve críticas aos magistrados da Corte, além de pedidos pela soltura do deputado Daniel Silveira, que justificaram estar preso injustamente.  Silveira é acusado de ameaçar o Supremo e seus ministros, em um vídeo que publicou na internet. Ele foi preso novamente em junho, por ordem do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), acusado de violar o uso da tornozeleira eletrônica.

VOTO DE NINGUÉM – A parlamentar alegou que ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) não podem decidir sobre o modelo de apuração dos votos, pois não receberam “voto de ninguém”. “Respeita o povo, ministro do Supremo e do TSE. Não recebeu voto de ninguém. Não tem que decidir como vai ser a apuração”, defendeu.

Minutos depois, Bolsonaro publicou um vídeo onde aparece falando aos manifestantes do ato diretamente do Palácio da Alvorada. Segundo ele, também enviou mensagem para apoiadores que participam em outras capitais, como Belo Horizonte e Rio de Janeiro. O chefe do Executivo destacou que às 16h deverá falar para os bolsonaristas que estiverem presentes na Avenida Paulista, em São Paulo.

PERDA DE TEMPO – No último dia 30, o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), disse que a discussão em torno da PEC do voto impresso é uma “perda de tempo”. O deputado voltou a afirmar que confia no sistema eleitoral brasileiro. Mencionou, ainda, que dificilmente a proposta chegará ao plenário da Câmara.

A votação da PEC 135/2019, que institui o voto impresso, foi adiada para este mês, após o término do recesso parlamentar. Caso tivesse ido à votação no final de julho, sofreria total derrota.

Em live do último dia 29, o presidente prometeu apresentar provas de que as eleições de 2018 foram fraudadas. Contudo, durante o evento, ele comentou que “não tinha como se comprovar”. E foi rebatido pelo Tribunal Superior Eleitoral, que emitiu nota alertando que o chefe do Executivo propagou notícias falsas na transmissão


Governo impõe sigilo de cem anos sobre acesso dos filhos de Bolsonaro ao Palácio do Planalto

Publicado em 1 de agosto de 2021 por Tribuna da Internet

PF investiga se canais que faturam mais são de ‘laranjas’ do Planalto

Filhos estavam no Planalto quando criaram as “fake news”

Por G1 e TV Globo

O governo impôs sigilo de cem anos sobre informações dos crachás de acesso ao Palácio do Planalto emitidos em nome de Carlos Bolsonaro (Republicanos-RJ) e Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), filhos do presidente Jair Bolsonaro (sem partido).

Em documentos públicos enviados à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid no mês passado, a Presidência da República informou a existência dos cartões de acesso ao Planalto dos dois filhos do presidente. O Planalto é a sede administrativa do governo federal.

PEDIDO DE ACESSO – A revista “Crusoé” solicitou, via Lei de Acesso à Informação (LAI), a “relação de filhos do Presidente da República que possuem ou possuíram cartões de identificação que dão ingresso às leitoras e vias de passagem do Palácio do Planalto e Anexos, acompanhada da respectiva data de emissão e de devolução do cartão de acesso entre 2003 e 2021”.

A Secretaria-Geral da Presidência respondeu impondo sigilo às informações. A secretaria alegou que as informações solicitadas dizem respeito “à intimidade, à vida privada, à honra e à imagem dos familiares do Senhor Presidente da República, que são protegidas com restrição de acesso, nos termos do artigo 31 da Lei nº 12.527, de 2011″.

O dispositivo citado é o que impõe sigilo de cem anos para acesso público às informações: “as informações pessoais, a que se refere este artigo, relativas à intimidade, vida privada, honra e imagem terão seu acesso restrito, independentemente de classificação de sigilo e pelo prazo máximo de 100 (cem) anos a contar da sua data de produção, a agentes públicos legalmente autorizados e à pessoa a que elas se referirem”.

CABE RECURSO – Juristas consultados pela TV Globo afirmam que o fato de Carlos e Eduardo Bolsonaro serem homens públicos – autoridades com mandato, respectivamente, de vereador e deputado federal – se sobrepõe ao fato de serem filhos do presidente. Por esse motivo, avaliam os especialistas, a Secretaria-Geral da Presidência deveria ter repassado as informações. No entanto, cabe recurso da decisão.

Em nota divulgada neste domingo (1º), a Secretaria Especial de Comunicação Social (Secom) da Presidência da República disse que a Lei de Acesso à Informação é quem “impõe o prazo máximo de 100 anos para restrição de acesso a informações pessoais de qualquer cidadão brasileiro”.

“A Secom esclarece que a Lei prevê que o tratamento de informações pessoais deve ser feito de forma transparente e com respeito à intimidade, vida privada, honra e imagem das pessoas”, diz a Secom em nota. A secretaria ressaltou, ainda, que o pedido se encontra em fase de análise pela Presidência da República, em grau de recurso.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
 – Para o Planalto, se não houver sigilo, logo se saberá que os filhos de Bolsonaro estavam no palácio do governo quando o “Gabinete do Ódio” divulgou fake news nas redes sociais contra os inimigos de Bolsonaro, como já se constatou no inquérito que rola no Supremo, sob relatoria de Alexandre de Moraes. Apenas isso(C.N.)

Vice-presidente da Câmara, Marcelo Ramos, luta para tirar o PL da base aliada de Bolsonaro

Publicado em 2 de agosto de 2021 por Tribuna da Internet

Marcelo Ramos já desistiu de apoiar o atual governo

Coluna do Estadão

De quem tem boa capacidade de síntese: o PP abraçou Jair Bolsonaro, o PSD pulou fora, o MDB disse não ao presidente e Valdemar Costa Neto dá risadas. Por essa lógica, o presidente do PL se encontra em situação confortável, pois mantém cargos no governo federal sem ter se aferroado a ele, conservando margem de manobra para acenar a adversários de Bolsonaro.

“O PL ainda não decidiu sobre o apoio a Bolsonaro em 2022 e eu disputarei opinião com todas as minhas forças para que o partido não esteja no palanque do presidente”, diz Marcelo Ramos, vice-presidente da Câmara.

AGORA NA OPOSIÇÃO – O deputado amazonense nunca foi simpático a Bolsonaro, porém, votava com o governo e não era considerado adversário figadal do presidente, como passou a ser, a ponto de trabalhar contra uma aliança com Bolsonaro e de se declarar opositor.

“Bolsonaro nunca teve chance de ter meu apoio. Mas eu tinha boa vontade com as pautas do governo. Isso ele perdeu”, diz Ramos, enfaticamente.

O entrevero com o vice-presidente da Câmara ilustra à perfeição o estilo Bolsonaro. Para preservar os filhos e sua narrativa capenga de ser contra privilégios, o presidente difamou Ramos, atribuindo a ele a culpa pela aprovação do Fundo Eleitoral.

INCOMÍVEL E IRREFREÁVEL – Portanto, a agenda do País na Câmara parece não interessar ao presidente, que não mede seus atos. Para um veterano cientista político, o ponto mais preocupante da recente live de Bolsonaro se deu quando ele relacionou a absolvição de Lula ao sistema de contagem de votos e às cortes superiores do País.

De duas, uma: ou o presidente da República sugeriu ruptura institucional antes das eleições ou depois de eventual derrota eleitoral.

Centrão mostrou a real importância que Bolsonaro dá aos militares do núcleo duro do Planalto

Publicado em 2 de agosto de 2021 por Tribuna da Internet

Charge do Nani (nanihumor.com)

Merval Pereira
O Globo

Tudo indica que a temporada golpista está terminando, porque as instituições reagiram fortemente em todos os momentos em que Bolsonaro tentou criar clima para golpe.

A imprensa livre profissional denunciou esses movimentos e os políticos, que não tinham grande ascendência no governo, a partir de quando o centrão ganhou importância para estabilidade do governo e proteção de Bolsonaro contra o impeachment, passaram a trabalhar diante da concepção de que um golpe não serve para eles, porque perdem a sua importância num regime autoritário.

IMAGEM MILITAR – Quando o centrão começou a tomar conta do governo, naturalmente expeliu os militares. A ideia de que eles iriam controlar Bolsonaro não vingou. Viu-se que eram controlados pelo presidente, que fez com que o Exército, principalmente, se envolvesse em questões políticas, se expusesse a críticas de toda parte.

As Forças Armadas foram então recuando – não do apoio a Bolsonaro, mas da ideia de que o governo seria a recuperação do prestígio dos militares na vida nacional. Já vimos que, ao contrário, o governo prejudicou a imagem deles, que foram se recolhendo.

Alguns continuam afoitos, como o ministro Braga Netto, mas sua última declaração foi totalmente desmontada pelo centrão.

BRAGA NETTO – O ministro da Defesa sofreu uma saraivada de críticas depois que Artur Lira e Ciro Nogueira vazaram a informação de que havia ameaçado as eleições caso o voto impresso não fosse aprovado.

O que está acontecendo hoje é uma reversão. A política está dominando o governo, e vai continuar. Vão criar novos ministérios e colocar membros mais importantes do centrão no comando das pastas.

Os militares estão sendo levados ao corner, ficando no seu devido lugar, de onde nunca deveriam ter saído. O que é um avanço na democracia.


Bolsonaro tem até dia 23 para decidir se veta o vergonhoso Fundão Eleitoral de R$ 5,7 bilhões


Charge do Baggi (Arquivo Google)

Daniel Weterman
Estadão

O presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), envia nesta segunda-feira, dia 2, o projeto da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO), aprovado no último dia 15, para sanção presidencial. A informação foi confirmada pela assessoria do chefe do Legislativo ao Broadcast Político.

Com isso, o presidente Jair Bolsonaro terá até dia 23 de agosto para sancionar ou vetar o aumento do fundo eleitoral para R$ 5,7 bilhões em 2022. Além disso, terá de se posicionar sobre a possibilidade de o Congresso aumentar as verbas do Orçamento de 2022, ano eleitoral, por meio das emendas de relator, que estão no centro do orçamento secreto, revelado pelo Estadão.

VETARÁ OU NÃO? – Nos últimos dias, Bolsonaro anunciou veto ao aumento do fundo eleitoral. Ele admitiu, porém, uma despesa de R$ 4 bilhões para irrigar as campanhas eleitorais no ano que vem, o dobro do gasto em 2020. O valor é o patamar mínimo exigido pelos partidos representados no Congresso. O bloco do Centrão, que apoia Bolsonaro, encabeça o movimento para turbinar a verba eleitoral em 2022.

O veto ainda poderá ser derrubado pelo Congresso, mas, nesse caso, depende da rejeição aberta de 257 deputados e 41 senadores, que precisarão colocar a “digital” na proposta.

Se Bolsonaro vetar o dispositivo aprovado na LDO, o valor final do fundo eleitoral ficará em aberto.

EM OUTRO PROJETO – A despesa só será efetivamente colocada em outro projeto, o da Lei Orçamentária Anual (LOA), que deve ser enviado pelo governo ao Congresso até o dia 31 de agosto e pode ser alterado pelos parlamentares.

Pela legislação em vigor, a despesa tem que ser calculada com base na arrecadação de impostos oriunda da extinção da propaganda partidária, calculada em cerca de R$ 800 milhões, mais um porcentual não definido das emendas de bancada, que podem chegar a R$ 8 bilhões no ano que vem.

Na prática, ao enviar a previsão orçamentária para as despesas em 2022, no final de agosto, o presidente já terá de ter tomado a decisão de sancionar ou vetar o aumento para R$ 5,7 bilhões.

DINHEIRO DE OBRAS – Conforme nota da Consultoria do Senado, o fundo eleitoral vai tirar um total de R$ 4,93 bilhões de obras e serviços de interesse dos próprios parlamentares no ano que vem, se o dispositivo da LDO for sancionado. O valor terá de ser retirado da verba reservada às emendas de bancada, indicadas todos os anos pelo conjunto de deputados e senadores de cada Estado.

O líder do governo no Congresso, Eduardo Gomes (MDB-TO), afirmou à reportagem que a decisão sobre o fundo eleitoral ainda não está tomada e dependerá da articulação política a partir desta semana. O novo ministro-chefe da Casa Civil, Ciro Nogueira (Progressistas-AL), deve tomar posse no cargo na quarta-feira, 4, e participar das negociações, que também envolvem o Ministério da Economia e a cúpula do Legislativo. Nogueira é um dos caciques do Centrão, bloco que articulou o aumento das verbas eleitorais.


Uma ideia para Galvão Bueno, que é grande historiador do futebol brasileiro

Publicado em 2 de agosto de 2021 por Tribuna da Internet

É preciso assegurar o acervo histórico do futebol brasileiro

Pedro do Coutto

Estava com essa ideia há muito tempo, não consegui desenvolvê-la, mas ela ficou incorporada na minha memória. Lembrei-me dela ao tomar conhecimento do incêndio que atingiu a Cinemateca da Embrafilme, em São Paulo, consequência, penso eu, da falta de preservação dentro dos moldes exigidos pela técnica moderna.

Lembrei também do incêndio no arquivo de Milton Rodrigues, irmão de Nelson Rodrigues, e que tinha em seu acervo partidas importantes do futebol. Além disso, recordei o incêndio no arquivo do Canal 100, de Carlinhos Niemeyer e me preocupei.

ANÁLISE – Com o desaparecimento de arquivos, por exemplo, ficamos sem poder comparar as várias fases do futebol brasileiro e mundial, e por isso passo a ideia a Galvão Bueno em desenvolver um projeto que permita não só assegurar todo esse histórico que faz parte de sua trajetória profissional e do esporte ao longo de décadas, mas também analisar de forma comparativa as partidas do passado e do presente, chamando a atenção para as mudanças táticas pelas quais o futebol passou.

Por uma consequência do destino, acredito ser a única testemunha viva  do diálogo que no dia 13 de julho de 1950, uma quinta-feira, mantiveram na sede do Fluminense, na Rua Álvaro Chaves, Obdulio Varela, futebolista uruguaio, e João Coelho Netto, o Preguinho.

Os uruguaios que estavam hospedados no Hotel Paysandu foram treinar campo do Fluminense. Saíram a pé do hotel e chegaram na Álvaro Chaves.  Prego e Obdulio se abraçaram e Prego congratulou-se com Obdulio pela atuação do Uruguai na Copa do Mundo. Mas disse: “no domingo não vai dar para vocês. Não vai dar para a sua seleção”. Obdulio rebateu e disse: “Prego, não vai dar por quê?”. João Coelho Netto disse: “Porque ganhamos da Espanha por 6×1 e a sua seleção ganhou por 3×2 nos três minutos finais. Vocês empataram com a Suécia e nós ganhamos por 7×1”.

INTERMEDIÁRIA – E Obdulio respondeu, “se nós fossemos jogar contra o Brasil da forma com que jogamos com a Espanha e com a Suécia, você teria razão. Perderíamos disparado. Mas não vamos atuar assim. Vamos fazer o seguinte, só combateremos o time brasileiro a partir da  linha intermediária em nosso campo. A torcida brasileira vai empurrar vocês para frente. A nossa tática será de combater vocês a partir da nossa intermediária”.

Estava participando do encontro também o treinador Otto Vieira, do Fluminense, que depois treinou a seleção paraguaia, além de um antigo sócio do clube, Joaquim Amaral, e o diretor de natação. Otto Vieira achou o relato de Obdulio bastante óbvio e procurou Flávio Costa, técnico da seleção brasileira. Depois Otto me contaria que Flávio não deu maior atenção.  

Não foi este lado do sistema uruguaio que garantiu a vitória, mas funcionou para reduzir o espaço do ataque brasileiro. Porque o ponta-esquerda Rubén Morán recuava para marcar o ponta brasileiro Friaça, que era um ponto improvisado, cuja posição real era de meia direita e com isso traçava uma linha oblíqua para encostar em Zizinho e Ademir de Menezes. A tática uruguaia viria a ser o primeiro 4x3x3 da história.  Flávio Costa não percebeu. Entretanto, não foi por aí que o Uruguai venceu o jogo.

EMPATE – Friaça fez 1×0 para nós. Mas Júlio Pérez lançou Ghiggia, ponta direita, que passou por Bigode, aproximou-se do lado área, Barbosa temeu o chute e procurou fechar o ângulo esquerdo. Mas Ghiggia levantou por cima de Juvenal. Schiafino ficou sozinho com o goleiro e empatou o jogo chutando.

Momentos depois, sete minutos, a jogada se repetiu. Ghiggia passou facilmente por Bigode, e mais uma vez o meio campo não recuou para cobrir. Juvenal também não saiu do meio da área. Ghiggia entrou muito fácil e desfechou o chute fatal a curta distância no lado esquerdo do arco de Barbosa. Era a vitória uruguaia.

Vendo o filme do jogo, Ruy Castro também é de opinião que Barbosa não teve a menor culpa. Eu e Ruy Castro não sabemos qual o motivo que levou Barbosa a culpar-se. E carregou essa culpa até o final da vida. Foi uma injustiça que ele cometeu contra si mesmo. Disse isso a ele na mesa do programa Haroldo de Andrade, de grande audiência, na antiga Rádio Globo.

ALÍVIO – Participava da mesa às terças e quintas-feiras. Barbosa foi numa quinta-feira. Tive a certeza de que o depoimento que dei o aliviou um pouco, afinal o programa tinha grande audiência. Fui vacinado contra derrotas, assumindo a certeza que futebol só se ganha no campo. Na véspera houve um carnaval na Avenida Rio Branco entre a Santa Luzia e o Hotel Serrador. Era a véspera da derrota. Não se pode cantar vitória antes do tempo.

No entanto, a vitória uruguaia foi comandada por Obdulio Varela, o herói da partida. Ele estava em todos os pontos do campo, com dedos da mão direita sacudia a camisa e pedia aos companheiros amor ao Uruguai e à camisa o tempo inteiro.

JOGO FECHADO – Quando o Brasil abriu o placar no gol de Friaça, ele correu para os seus companheiros e disse, contaria depois quando se despediu do Prego e voltava para o Uruguai, “olha ninguém sai, vamos continuar jogando fechados. Se abrirmos, perderemos de quatro. Vamos manter o modo com que estamos jogando até agora.”

Na segunda, no Jornal dos Sports, de Mário Filho, Nelson Rodrigues escrevia, “fomos derrotados por um homem só. Obdulio Varela merece o reconhecimento de sua atuação. É preciso notar que com Obdulio e o goleiro Roque Máspoli,  os uruguaios foram aplaudidos por parte da torcida brasileira quando deram a volta olímpica no estádio.

NO CAMPO – Enfim, quero dar a ideia a Galvão Bueno que ele possa obter filmes de Copas, Olimpíadas e outros campeonatos internacionais passados e históricos que mostram que futebol se ganha no campo e não na véspera. Uma tese eterna. E assim, conte as histórias dos importantes jogos e das finais desse esporte tão amado, imortal e arrebatador.

Galvão marcou sua presença, narrando por anos de forma brilhante, passando grande emoção de suas narrativas, irão ressoar para sempre a vibração das multidões. Dou essa ideia para que fiquem os registros do esporte brasileiro.

Para terminar essa sugestão, glória eterna à Rebeca Andrade que conquistou o ouro olímpico em um desempenho fantástico. Nasce uma estrela ! Glória eterna também à Rayssa Leal. O seu desempenho no skate foi fenomenal e representa bem o orgulho de todos os brasileiros e brasileiras. Exemplos heróicos e de superação que nos enchem de emoção.  

08 de julho e a questão dos Limites de Sergipe e Bahia

Por decreto de D. João VI datado de 8 de julho de 1820 nosso estado celebra este ano duzentos e um anos de emancipação política. Por ocasião desta data, trago atona este pequeno artigo para reflexão e conhecimento das atuais e futuras gerações a questão das divisas originais de Sergipe com a Bahia. Posso dizer que ainda paira entre nós sergipanos o desejo de restabelecer as divisas originais. Vejamos: os documentos históricos mostram que os municípios de Jandaíra, Itapicuru, Rio Real, (vizinhos ao Sul do estado) e Paulo Afonso (em parte), Santa Brígida, Pedro Alexandre, Jeremoabo (em parte) Coronel João Sá, Antas, Cícero Dantas, Ribeira do Pombal e Ribeira do Amparo pertenciam a Sergipe.

Lembro que quando foi instalado os trabalhos da Assembleia Nacional Constituinte em 1987, o então senador Francisco Rollemberg apresentou a Emenda 587 que tratava-se da superfície territorial de Sergipe, a referenda emenda visava recuperar apenas as faixas de terras compreeendidas entre os municípios de Jandaíra, Itapicuru, Rio Real, a citada emenda foi acolhida pelo plenário da Constituinte mas doravante transferida para a emenda 586 que tinha como propósito examinar as fronteiras estaduais do país, incluindo ai a questão de Sergipe e Bahia que tinha como linha divisoria entre os dois estados os rios Itapicuru e Rio Real Grande.

Entendo também que a verdade histórica deve ser acessível as novas gerações que desconhecem o clamor histórico dos nossos antepassados que lutaram bravamente em períodos distintos pra verem restauradas nossas verdadeiras dimensões territoriais. Protestaram sucessivamente os seguintes governadores Manoel da Cunha Galvão , em 1860; Tomaz Alves Júnior, em 1861; Cincinato Pinto da Silvam em 1865; Evaristo Ferreira da Veiga, em 1869; Francisco Cardoso Júnior, em 1869; Josino Menezes, em 1913; Oliveira Valadão, em 1915; Pereira Lobo, em 1920.

Muitos deputados defenderam com o brilho, a reitegração das terras sergipanas, como observamos em pesquisa que ao longo dos anos Sergipe não se conformou e nem se conformará jamais. Em 1867 o deputado Bitencourt Sampaio, Ofereceu um projeto que fixava os limites de Sergipe com Alagoas e Bahia; em 1882, José Luiz de Coelho e Campos (deputado, senador e ministro do STF) apresentou um projeto também que reclamava para Sergipe o retorno aos limites com que foi elevado a Província: já em 1891 o deputado, o geógrafo e historiador, Fisbelo Freire, também tratou de um projeto que buscava dirimir de vez a questão territorial. No ano de 1913 o então deputado Moreira Guimarães empenhou-se no Congresso buscando uma soluçao conciliatória que pusesse fim a luta histórica. Mas recentemente em 2011, o então deputado federal Márcio Macedo desejava anexar duas cidades baiana a Sergipe: Rio Real e Jandaíra, porém a proposta não seguiu em frente, ficando apenas no estágio de pesquisa e estudo. Márcio Macedo que é natural da Bahia, mas construiu sua vida política em Sergipe Del Rey.

Observo que muitos sergipanos não silenciaram e que ao longo dos séculos não esmoreceram e continuam pleiteando a reintegração dos seus territórios não devolvidos pela Bahia.

Percebo que os documentos históricos mostram que a querida Bahia se apropriou indevidamente de terras originalmente sergipanas, descobrir também que certa vez o Pe. Alfredo Passos disse:... ‘’que, de geração, em geração protestaremos’’

Portante, no livro então senador Francisco Rollemberg cita claramente que o governo da província da Bahia não cumpriu inteiramente o Decreto de 8 de Julho de 1820 e a Carta Régia de 5 de dezembro de 1822 confirmada pelo imperador D. Pedro I que desanexou da Capitania da Bahia o território de Sergipe. Assim também a Constituição do Império, que é de 1824, colocou Sergipe entre as Províncias do Brasil, consolidando a Emancipação de 8 de julho de 1820. O livro do então senador é categórico: a independência “SÓ SE CONSUMARÁ QUANDO SERGIPE RECEBER O JUSTO REPARO POR ESSA MUTILAÇÃO QUE FOI VÍTIMA”.

José Augusto dos Santos, é jornalista, membro da Academia Estanciana de Letras. Artigo com informações do livro A questão dos limites entre Sergipe e Bahia / Francisco Rollemberg. publicado em 1988.

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