segunda-feira, maio 22, 2006

Partidos e Ney Suassuna são multados por inregularidades

Por: Correio da Paraíba (PB)

Na semana passada, mais uma decisão foi tomada pelo TRE no que diz respeito à batalha de representações contra propagandas eleitorais. Em julgamento de recursos movidos contra decisões monocráticas emitidas por juizes auxiliares o TRE decidiu multar o PMDB, o PSDB e por propaganda antecipada no horário destinado a propaganda partidária, no valor de 60 mil UFIRs, o correspondente a R$ 63 mil reais para cada legenda. No caso do PMDB, também houve a aplicação de multa de 20 mil UFIRs, o equivalente a R$ 21 mil, ao senador Ney Suassuna, porque sua aparição no programa do partido foi considerada como uma propaganda eleitoral e promoção pessoal.
Para aplicação das multas, o TRE entendeu que os partidos infringiram a lei eleitoral 9.096, que trata das regras sobre a exibição gratuita da propaganda dos partidos políticos, aonde não pode haver promoção pessoal de filiados que sejam futuros candidatos. Ao infringir essa lei, se configurando desvio de finalidade com interesses eleitorais, os partidos incorrem em crime eleitoral e são passíveis de serem multados.
No julgamento dos recursos, o TRE considerou que o PMDB havia utilizado no horário político inserções para promover a candidatura de seus partidários através de um jingle, fazendo referências às administrações do partido, e que o senador Ney Suassuna também se apresentou de forma intencional.
Já o PSDB foi punido por um programa onde mostrava o governador Cássio Cunha Lima em ações e em obras administrativas. O Tribunal concluiu que era irregular a inserção no horário destinado à propaganda política partidária de imagens desta natureza.
O PMDB também moveu uma representação em que pedia multa ao governador Cássio Cunha Lima por entender que as homenagens recebidas nos jornais de amigos e correligionários pela data de seu aniversário seria propaganda antecipada, mas o TRE negou por entender que não houve conhecimento prévio por parte do governador para a veiculação das homenagens.
Os advogados do PMDB, José Ricardo Porto e Marcos Souto Maior Filho, e os advogados do PSDB, Luciano Pires e Edward Johnson afirmaram que vão recorrer da decisão do TRE junto ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ainda esta semana, para reformulação das decisões. Eles entendem que não houve prática de propaganda eleitoral antecipada por parte dos partidos que representam e nem desvio de finalidade na veiculação da propaganda partidária.
Além da apreciação dos recursos das representações movidas pelo PMDB e pelo PSDB, na semana passada o TRE apreciou ainda os recursos movidos pelo Ministério Público Eleitoral sobre os adesivos com motivos eleitorais. Neste caso não houve a deliberação de nenhuma punição e nem aplicação de multas ao governador Cássio Cunha Lima, nem o senador José Maranhão, pelos adesivos que expressam preferência partidária e que são vistos nos veículos em todo o Estado.
No entanto, o TRE deflagrou uma nova campanha para o combate à propaganda eleitoral antecipada através dos adesivos. O presidente do TRE, desembargador Abraham Lincoln, vai determinar a todos os juizes eleitorais do Estado que adotem medidas no sentido de retirar esses adesivos dos veículos por meio de ações de fiscalização no trânsito, com realização de blitze, e nos casos de reincidência seja aplicado o que determina a legislação.

Roberto Rocha afirma que Roseana terá que explicar ´escândalos´ e quebradeira do Estado

Por: Waldemar Terr (Jornal Pequeno - MA)

O ex-deputado federal Roberto Rocha (PSDB) afirmou que "se a ex-governadora Roseana Sarney Murad for realmente candidata, deverá passar muito tempo de sua campanha explicando os inúmeros escândalos que marcaram o seu governo, além da situação quase falimentar que deixou o Estado". Da lista de escândalos fariam parte Lunus, Projeto Salangô e o fiasco do pólo de confecção de Rosário. O ex-deputado disse também que o grupo Sarney teme as pré-candidaturas de Jackson Lago (PDT) a governador e do deputado federal tucano João Castelo a senador, e que existiriam vários sinais desse temor.
- São vários os sinais, mas citarei apenas dois. O primeiro é a forma desqualificada com que tratam as candidaturas da Frente de Libertação. Outro sinal é que até hoje eles não se conformam com o rompimento do governador José Reinaldo das amarras do esquema Sarney/Murad. Ora, se são tão fortes, se acham imbatíveis por que tanto desespero?
Roberto Rocha, que é pré-candidato a deputado federal, assegura que "o sentimento de mudança está, novamente, tomando conta de todas as regiões do Estado. O povo começa a perceber que não é mais possível o Maranhão continuar sendo gerido pelo mesmo grupo político há quarenta anos", e assegurou que há importância histórica e política na coligação do PSDB com o PDT. "Histórica porque é a primeira vez que os dois maiores partidos de oposição ao esquema Sarney/Murad se unem em torno de um objetivo comum".
O ex-deputado negou ainda que exista risco de intervenção no PSDB por conta de não querer aproximação com o PFL.
- Resistimos em 2002 quando o PSDB possuía a Presidência da República, por que não resistiríamos agora? A direção nacional do partido já percebeu que o projeto histórico de reconstrução do Estado, que o PSDB maranhense defende, é incompatível com a prática política e com os interesses do PFL e do esquema Sarney/Murad. A posição anti-sarney do PSDB é uma posição partidária. Desconheço uma única liderança do partido que defende, internamente ou na sociedade, uma aproximação com PFL e com esquema Sarney/Murad.
A seguir a entrevista.
Jornal Pequeno - Qual a avaliação que o senhor faz das andanças da Frente de Libertação pelo Maranhão?
Roberto Rocha - O sentimento de mudança está, novamente, tomando conta de todas as regiões do Estado. O povo começa a perceber que não mais possível o Maranhão continuar sendo gerido pelo mesmo grupo político há quarenta anos.
JP - As pré-candidaturas de Jackson a governador e de Castelo a senador já caíram no gosto popular?
RR - São duas lideranças com forte apelo popular, e já conhecidas do povo maranhense. Era natural que as duas candidaturas caíssem no gosto do povo rapidamente, o final será a vitória de Jackson Lago para governador e Castelo para senador.
JP - Qual a importância desta aliança do PDT com o PSDB local?
RR - Há uma importância histórica e política. Histórica porque é a primeira vez que os dois maiores partidos de oposição ao esquema Sarney/Murad se unem em torno de um objetivo comum.
JP - O PSDB maranhense terá forças para resistir tanta pressão do grupo Sarney junto ao tucanato nacional?
RR - Resistimos em 2002 quando o PSDB possuía a Presidência da República, por que não resistiríamos agora? A direção nacional do partido já percebeu que o projeto histórico de reconstrução do Estado, que o PSDB maranhense defende, é incompatível com a prática política e com os interesses do PFL e do esquema Sarney/Murad
JP - O senhor tem dito que é mais fácil o PFL se juntar ao PT, do que o PSDB ao PFL local. Não existe risco de intervenção no PSDB maranhense?
RR - O PSDB não tem essa tradição. Quando afirmo que é mais fácil uma aproximação PT/PFL, o faço pelo que vimos em 2002, e que vemos agora, pois é notório que o PT nacional e o Lula querem manter a aliança com Sarney.
JP - As principais lideranças maranhenses do PSDB estão jogando afinadas contra a tentativa de tomada dos Sarney?
RR - A posição anti-Sarney do PSDB é uma posição partidária. Desconheço uma única liderança do partido que defende, internamente ou na sociedade, uma aproximação com PFL e com esquema Sarney/Murad.
JP - O PSDB vai indicar o vice de Jackson e como anda essa discussão?
RR - A tendência é que sim, embora o partido ainda não tenha definido um nome. Mas, o mais importante agora é construirmos um programa comum que consiga reconstruir o Maranhão.
JP - Qual a avaliação que o senhor faz da candidatura de Roseana neste momento?
RR - Não faz meu estilo comentar outras candidaturas que não as do meu partido. Mas, a se senadora Roseana Sarney Murad for realmente candidata, deverá passar muito tempo da sua campanha explicando os inúmeros escândalos que marcaram o seu governo, além da situação quase falimentar pelo qual deixou o Estado.
JP - Há sinais de que o grupo Sarney começa a sentir que pode vir a ser derrotado?
RR - São vários os sinais, mas citarei apenas dois. O primeiro é a forma desqualificada com que tratam a candidatura da Frente de Libertação. Outro sinal é que até hoje eles não se conformam com o rompimento do governador José Reinaldo das amarras do esquema Sarney/Murad. Ora, se são tão fortes, se acham imbatíveis por que tanto desespero?
JP - Quais os temas centrais que deverão dominar essa campanha?
RR - Tenho defendido no meu partido e defenderei dentro da Frente de Libertação que questões como produção e renda, segurança, educação e políticas públicas para a juventude devam ser os temas centrais da nossa campanha.
JP - Os prefeitos estão quase todos contra a candidatura de Roseana Sarney, a exemplo de outros setores políticos, como os deputados estaduais. O senhor acredita que isso pode ser de fundamental importância?
RR - O apoio dos prefeitos é importantíssimo para qualquer candidatura. Entretanto, Frente de Libertação irá a busca de cada apoio também dos vereadores, das lideranças populares e comunitárias, dos líderes das igrejas, enfim, de todos aqueles que queiram somar na luta pela liberdade do Maranhão.
JP - Como anda a sua pré-candidatura a deputado federal ou o senhor pode ser incluído na lista dos pré-candidatos a vice da Frente?
RR - A nossa pré-candidatura vai muito bem, graças a Deus. Mantemos do nosso lado os apoiadores de outras eleições, e ampliamos outros. Temos atualmente uma inserção política e social bem maior do que das outras eleições. A experiência é uma aliada fundamental na nossa caminhada rumo à vitória. Faremos uma campanha propositiva, mas sem deixar de apontar mazelas do Governo Federal. Nosso grande objeto é fazer uma campanha que qualifique o debate político. Faremos uma campanha voltada para o estado como um todo: de São Luis ao Alto Parnaíba.
JP - Algo mais a acrescentar?
RR - Só agradecer o convite para esta entrevista, e pedir ao povo maranhense que não desperdice esta oportunidade única de passar o Maranhão a limpo. Que em outubro dê um voto de rebeldia contra o atraso e a dominação política. "Pra Frente Maranhão!"

Deputados denunciam que Brejo tem estrada “mais cara do mundo”

Por: Adelson Barbosa dos Santos (Correio da Paraiba)

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Governo do Estado gastou R$ 939.476,77 para construir 2,8 quilômetros de estrada, em paralelepípedos (calçamento), entre as cidades de Duas Estradas e Serra da Raiz, na região do Brejo.
A estrada em questão é a rodovia PB-071, que já teve vários trechos destruídos pelas chuvas e tem tamanho menor que a metade da Avenida Epitácio Pessoa, na Capital.
Os deputados estaduais Tião Gomes (PSL) e Vital Filho (PMDB) fizeram as contas e chegaram à conclusão que se trata da "estrada mais cara do mundo". Ao dividirem o valor da estrada pelo tamanho, os deputados constataram que o custo da obra foi de R$ 335,52 mil por cada quilômetro.
Isso significa que cada metro linear custou R$ 335,52. Os deputados transformaram o tamanho da estrada em metros quadrados.
Multiplicaram os 2,8 mil metros de comprimento por oito metros aproximados de largura. Concluíram que a estrada tem 22.400 metros quadrados.
Levando-se em conta que o metro quadrado de calçamento na região de Guarabira é de R$ 21,33 para as prefeituras, o custo da estrada deveria ter sido de R$ 477.792,00.
Os parlamentares dizem não ter entendido os motivos que levaram o Governo a construir a estrada em paralelepípedos, quando o normal, em 99% dos casos, é construção em asfalto.
"E além do mais, a chuva está levando trechos da estrada", disse Tião Gomes, para quem não há dúvidas de que houve irregularidades que precisam ser muito bem explicadas.
Segundo Tião, a população de Serra da Raiz e Duas Estradas "não engole mais este engodo do governo Cunha Lima". Vital vai convocar o superintendente do DER, Inácio Bento, para explicar, na Assembléia, como é que o Governo paga quase R$ 1 milhão por menos de 3 quilômetros de estrada.
"Uma estrada com este valor deve ter sido construída em diamante", disse Vital Filho. "Só pode ser uma estrada com pedras preciosas, em vez de paralelepípedos", completou Tião.
Morais: preço compatível
O superintendente do DER, Inácio Bento de Morais, tem uma explicação. Segundo ele, a estrada custou quase R$ 1 milhão por conta dos serviços de drenagem, que, segundo ele, são muito caros, em uma região montanhosa.
Segundo ele, a obra está perfeitamente compatível com os preços de mercado e as características geotécnicas daquela região, que apresenta relevo montanhoso, afloramentos de rocha e elevado índice pluviométrico. Disse, ainda, que a opção pelo paralelepípedo foi por ser uma estrada quase urbana.
"Como é, então, que o DER passou asfalto dentro das cidades de Bananeiras, Solânea e Arara, por exemplo, cobrindo o calçamento?", indaga Tião Gomes. Segundo ele, a explicação de Inácio Bento não convence a ninguém.
Inácio Bento insiste que o custo elevado da estrada em questão ocorre por ser uma região de serra. "Além de ter muitas rochas, em toda estrada de serra há a necessidade de se fazer a drenagem superficial e profunda, que encarece a obra em 40% do orçamento", frisou.
Segundo Inácio Bento, há outra razão pela opção do calçamento: "Se trata de uma cidade que tende a se expandir ao longo da rodovia. Por isso, se fez a opção pela pavimentação em paralelepípedos".
Tião, que conhece bem a região, insiste: "Por que o Governo não está construindo em calçamento a estrada entre Pilões e Cuitegi, que também fica numa região montanhosa?".
Tião Gomes e Vital Filho dizem não entender, também, como é que o Governo gastou R$ R$ 939.476,77 em 2,8 quilômetros de estrada em calçamento e gastou R$ 1.045.000,00 nos cinco quilômetros de asfalto da estrada que dá acesso à cidade de Riachão do Poço. Inácio Bento diz que não se pode fazer comparativos entre preços de rodovias. Segundo ele, a estrada de Riachão do Poço foi mais barata porque o terreno é diferente e não tem serras.
No entanto, a estrada entre Pilões e Cuitegi tem serras e, no comparativo, o custo é menor do que o preço da estrada entre Serra da Raiz e Duas Estradas. Se foram gastos recursos da ordem de R$ 1 milhão numa estrada (serrana) de 2,8 quilômetros, é de supor que os gastos fossem bem superiores a R$ 5 milhões milhões numa estrada de 12 quilômetros na mesma região.
No entanto, a placa indicativa do Governo apresenta um orçamento de R$ 3,324 milhões para os 12 quilômetros entre Pilões e Cuitegi. Talvez o valor menor (proporcionalmente) se explique porque o DER não está usando calçamento, como em Serra da Raiz. Um detalhe: o relevo da região do Brejo é o mesmo, e coincidentemente, Pilões e Serra da Raiz ficam em regiões serranas.
Estrada
A presidente da Câmara Municipal de Pilões, Dalva Confessor, assegura que o Governo deixa de cobrir um santo para cobrir outro, quando ignora a estrada completamente esburacada entre a sua cidade e a cidade de Areia, para construir uma estrada nova entre Pilões e Cuitegi.
Segundo Dalva, o governador Cássio Cunha Lima prometeu ao prefeito Iremar Flor inaugurar a estrada no mês de abril. No entanto, segundo ela, a empresa contratada não construiu nem 3 quilômetros. Mesmo assim, as chuvas estão provocando erosão na estrada.
A reportagem do CORREIO percorreu toda a extensão da estrada entre Cuitegi e Pilões (PB-077) e entre Pilões e Areia (PB-087). Entre Cuitegi e Pilões, as chuvas desmancharam vários trechos da terraplenagem e estão provocando erosão que pode destruir a parte que já recebeu uma primeira camada de óleo, denominada imprimação.
Como a empresa ainda não fez a drenagem, a água que corre serra abaixo acaba destruindo o trabalho. Do total de 12 quilômetros, existem algo em torno 2 quilômetros com asfalto e outros 3 quilômetros em imprimação. Como o inverno tende a continuar na região, deve haver uma parada. Em alguns trechos, as poças de água impedem o trabalho de terraplenagem.
"Entre Pilões e Areia, a estrada é uma verdadeira tábua de pirulito", disse Tião Gomes. Em toda a extensão, os motoristas precisam trafegar com muito cuidados, principalmente à noite e nos dias de chuvas.
Qualquer velocidade a mais pode resultar em pneus estourados. Além do mais, a névoa se estende pela estrada, o que dificulta a visibilidade. "Existem verdadeiras crateras na estrada", frisou Tião Gomes, acrescentando que o Governo tenta enganar a população paraibana quando diz que construiu a recuperou estradas.

Reformas de faz-de-conta

Por: Gustavo Krieger (Correio Braziliense )

O escândalo do mensalão foi seguido por promessas de uma reforma política abrangente. Dias depois da explosão do caso dos deputados sanguessugas, parlamentares enfileiravam propostas para mudar a forma de elaborar e fiscalizar o Orçamento da União. Muito pouco foi feito. Invariavelmente, assim que o tsunami político passa, as coisas voltam para o mesmo lugar. O exemplo mais dramático veio no julgamento dos parlamentares acusados de envolvimento com o mensalão. Muitos políticos apostavam na cassação, porque o espírito de sobrevivência dos parlamentares levaria a maioria deles a votar pela condenação para agradar a opinião pública. Na hora do julgamento, com o voto secreto, o espírito de corpo venceu o de sobrevivência. Dos 11 mensaleiros julgados, oito foram absolvidos.
Um estudo feito pelo cientista político Alberto Carlos de Almeida explica este divórcio entre a opinião pública e seus representantes eleitos. O problema é que a maioria dos brasileiros não lembra em quem votou. Na pesquisa feita por ele, 71% dos eleitores não lembravam em quem tinham votado para deputado federal quatro anos antes e outros 3% citaram nomes que não existem. A "amnésia política" diagnosticada pelo estudo começa cedo. Dois meses depois das eleições de 2002, 28% dos entrevistados já tinham esquecido seus votos para a Câmara. Sem esta lembrança, falar em fiscalização da atividade parlamentar soa como fantasia política. "Não existe crise política ou de Estado sem crise da sociedade", avalia o sociólogo Sérgio Abranches. "A sociedade brasileira desistiu. Ela tolera o intolerável e se acostumou a levar desaforo para casa".
Outro especialista ouvido pelo Correio, o professor Renato Lessa tem uma opinião diferente. Atribui a maior responsabilidade aos setores mais bem informados da sociedade brasileira. "As universidades não participam do debate político. Os intelectuais são muito tímidos. Não se faz uma discussão séria. A academia fica lembrando que as instituições democráticas continuam funcionando apesar da crise, como se isto fosse suf

O pior Congresso?

Por: Gustavo Krieger (Correio Braziliense )

Ulysses Guimarães conhecia como ninguém os bastidores do Congresso Nacional. Um dia, ouviu um colega queixar-se do baixo nível do parlamento. Respondeu com profecia . "Você acha esta Câmara ruim? Espere a próxima eleição. Vai ver que sempre dá para piorar…" Depois do mensalão, da lista de sanguessugas do Congresso, da dança da pizza no plenário da Câmara, as palavras do doutor Ulysses soam com uma atualidade assustadora. Envolvido em denúncias e sem capacidade política de responder à crise, o parlamento brasileiro vive a pior crise de imagem desde a redemocratização do país. E o pior é que não há sinais de que o quadro vá melhorar. A reforma política e outras promessas de mudanças ficaram no papel, derrotadas pelo corporativismo.
Em outubro do ano passado, o Instituto Olsen fez uma pesquisa sobre a credibilidade das instituições brasileiras (veja na página 3). Em primeiro lugar apareceram os bombeiros, em quem 90% da população acredita. Os políticos vieram no fim da fila deste "desconfiômetro". Apenas 11% dos entrevistados disseram confiar nos partidos políticos. No Congresso, 14% acreditam nos deputados e 22% nos senadores. Em outra resposta, 81% dos eleitores disseram acreditar que os deputados defendem mais os próprios interesses que os da população que os elegeu. A avaliação dos senadores não foi muito diferente. Para 78% dos pesquisados, eles pensam mais neles mesmos que nos eleitores. Orjan Olsen, diretor do instituto, diz que o quadro hoje tende a estar pior. "A pesquisa foi feita antes da onda de absolvições de deputados envolvidos no mensalão e do escândalo dos sanguessugas".
"Este é o Congresso que convive com a pior crise moral do país", diz Renato Lessa, doutor em Ciência Política e um dos principais estudiosos sobre o parlamento no Brasil. "Esta crise expôs mazelas que existem há muito tempo, em especial nas relações entre a política e o dinheiro", complementa. "No modelo brasileiro de política, governo e Congresso se relacionam entre si sem se relacionar com a sociedade. O governo quer o controle do parlamento e os parlamentares querem o butim do governo."
O diagnóstico é semelhante ao feito por Sérgio Abranches, mestre em sociologia e PhD em Ciência Política. "O processo de deterioração das instituições vem de longe, mas esta é a pior conjuntura". Ele lembra que a composição da atual legislatura não é muito diferente dos mandatos anteriores. Se o perfil do Congresso não mudou, por que a situação piorou tanto? Para Abranches, boa parte da responsabilidade está do outro lado da Praça dos Três Poderes, onde fica o Palácio do Planalto. "O que piorou foi a chegada de um governo fraco no parlamento", diz. "O governo Lula não conseguiu construir uma aliança forte no Congresso e apelou para o fisiologismo. Aliou-se ao que havia de pior no parlamento e deu poder ao baixo clero". Sob este rótulo se abrigam os parlamentares de pouco destaque no Congresso e que costumam trocar o voto por favores do governo.
O baixo clero sempre existiu, mas ganhou destaque no governo Lula. O então ministro da Casa Civil, José Dirceu, costurou uma aliança com os partidos onde o grupo se abriga, como o PL, PTB e PP. Deputados como José Janene, do PP, ou Valdemar Costa Neto, do PL, pularam dos subterrâneos da política para a mesa de reuniões do Palácio do Planalto. Poderoso, o grupo conseguiu eleger Severino Cavalcanti presidente da Câmara. O momento de vitória teve um preço alto. Severino renunciou ao mandato, depois de ser acusado de cobrar propina do empresário que explorava o restaurante da Câmara.
Valdemar também renunciou e Janene tentou se aposentar por invalidez para evitar o processo de cassação. Os dois foram envolvidos no escândalo do mensalão.
Corporativismo
"Este é o pior Congresso da história", ataca o presidente do Conselho de Ética da Câmara, Ricardo Izar (PTB-SP). "A qualidade da representação cai a cada eleição, na mesma medida em que aumenta o corporativismo dos parlamentares". Segundo ele, "boa parte dos deputados chega ao Congresso graças a um grupo específico de interesse e só defende os interesses deste grupo".
A conta faz sentido. Desde que a atual legislatura tomou posse, já houve 334 casos de parlamentares que mudaram de partido. Enquanto isso, outras bancadas se mantiveram inalteradas. A bancada ruralista alinha 103 deputados e cinco senadores. A evangélica enfileira 55 deputados e três senadores. "O Congresso pode ficar ainda mais corporativo na próxima eleição", adverte o jornalista e professor Gaudêncio Torquato. Para ele, os grupos de interesse estão cada vez mais organizados e podem ser ajudados pelo descrédito da população nos políticos. "O maior problema da política no Brasil é o patrimonialismo, a mistura entre o público e o privado", diz. "A formação de bancadas privadas só agrava este problema."

domingo, maio 21, 2006

ATENÇÃO

Por: ferrez.blogspot.com
Atenção a todos os amigos.
apelo a todos que acompanham esse blog, que nos ajude a dizimar o que está acontecendo.
a Policia Militar e a Policia Civil afetados com a onde de matança, estão fazendo da nossa periferia um estado prá lá de nazista, já são mais de 100 "suspeitos"assassinados, e nenhum deles é PCC .
Só de colegas, foram mortos 4, isso pra não contar os que estão no hospital.
nenhum deles tinha passagem, por isso apelo para que divulguem a real de que o acordo não foi feito com o povo, o povo tá morrendo, sendo baleado pelas costas, ao entregar pizza, ao voltar para casa.
a policia covarde, treme perante o olhar do ladrão, mas mata sem dó quem está simplismente voltando para casa.
isso é uma vergonha, e se é o trabalho deles, tá na hora dagente fazer o nosso, reagir com cidadania, mostrando que não queremos essa matança.
LEI MARCIAL PARA POBRES INOCENTES FOI DECRETADA.
Ferréz

Violência e Política

Por: Maximiliano Dias

Reconsideração dos comentários sobre a indiferença das "elites" no desmanche dos valores institucionais
A terrível violência que vem se abatendo sobre a sociedade brasileira recebe dos petistas uma singela explicação: é a reação natural da população contra 40 (ou 500, conforme o explicador) anos de descaso do povo pelas "elites". O fato real é que, nesses tais 40 anos o PC, o PT e similares grupos da esquerda neolítica dedicaram-se com toda militância a demolir as instituições, as que chamaram "burguesas", fazendo piquetes, passeatas e quebra quebra, sabotando, chantageando, justificando e promovendo atos de invasão e vandalismo, inventando boatos e mentiras, transformando bandidos em heróis (como Lampião, Marighela, e mais recentemente, Pantoja). Não é surpresa que todo esse esforço levou o próprio povo ao desprezo das normas mais elementares de conduta social. Desde sua fundação, o PT, definitivamente o partido de esquerda que mais cresceu, graças a suas origens legitimamente proletárias, definiu-se contra uma pretensa "elite" e pela "democracia participativa", duas quimeras impossíveis. A demolição sistemática dos valores atribuídos a essas vagas "elites" esvaziou de valor referencial as instituições necessárias ao convívio em sociedade, com o povo se inspirando em ídolos-modelos de desajustamento (Pereios, Cazuzas, Cássias, a lista é enorme), a exigir o abrandamento punitivo, a liberação dos (maus) costumes, a frouxidão frente aos delitos. Transformando o espaço social em espaço de "luta", O PT introduziu um pesado "vale-tudo" nas relações sociais, através da promoção obstinada de uma luta de classes, dentro de uma visão distorcida não só da democracia como do próprio socialismo. Ambos sistemas éticos e políticos foram desmoralizados pela inconseqüência petista e sua ganância de chegar ao poder a qualquer preço. Democracia não é um sistema político horizontal, decidido apenas no momento eleitoral, e não há democracia sem o apreço pelos valores das minorias. Enquanto oposição, com seus representantes eleitos no Congresso, o PT se especializou em manobras de obstrução, distorção de fatos e intenções, bloqueio de ações, mesmo as bem intencionadas, e descaso pelo decoro propriamente dito da instituição. Por fim, o PT conseguiu o governo, adentrando o populismo, sem mais nenhum respeito por coisa alguma, como ficou demonstrado nesses dois últimos anos, comprando votos e apoio. A desmoralização total finalmente foi atingida, e a politicalha tomou o lugar da moral. E agora, perdidos no tiroteio resultante, querem culpar uma passada e pretensa "elite"? Agora que precisam das instituições para governar e sequer são capazes de enunciar uma, por ignorância, acusam uma sombra? De fato, não sobrou nada, nem mesmo o PT. Maximiliano Dias Rua Piratininga 391 Maringá 3226-2630
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UM PAÍS DESCRENTE

Por: JORGE LUIZ CURSINO RORIZ (Site Politicus)


O Brasil está descrente. O reflexo desta constatação está nas escolas, universidades, em fim na sociedade.O jovem não acredita nos estudos, e sim, no dinheiro fácil, do tráfico ou de orgias. Muitos estudantes fazem de conta que aprendem e alguns professores fazem de conta que ensinam.Bandidos mandam e fazem acordo com o Estado. Políticos messiânicos usam a linguagem popular, para conquistar o povo faminto e ignorante.Não existe ética, respeito, e nem vergonha. As pessoas morrem por motivos fúteis e os criminosos ficam impunes. Políticos fazem obras de fachada, apenas para aparecer e ganhar votos.O país corre riscos. Estamos perdendo o Estado de Direito, a ordem, o respeito às leis, a vergonha, a ética. Bandidos possui organizações estratégicas. Os policiais brasileiros estão sem preparo, estudo, viaturas, armas, e treinamento.Políticos roubam o dinheiro da nação e são re-eleitos, e são absolvidos e são defendidos até pelo atual presidente. Existe o culto do fazer de conta, o culto a bandidagem, o culto a mentira. O governo Petista tem como maior mérito ter continuado a economia neoliberal que condenava antes das eleições. Os escândalos estão banalizados. Quem denuncia está sendo criticado como adepto do “denuncismo”. As instituições sérias (Correios, Caixa, Banco do Brasil) são alvos de sujeira política. E ainda criticaram FHC por ter privatizado. Governo não é empresário.Governo tem que cuidar da saúde, educação, segurança e trabalho. As Estatais são focos para corrupção de mensaleiros e marketeiros.A sociedade organizada precisa fazer algo, antes que seja tarde.A oposição não existe. Parece que os Tucanos torcem pela vitória de Lula, em um estranho acordo. Serra tinha mais votos, foi escolhido Alckmin. Na vice presidência do candidato da oposição, venceu uma pessoa que somente é conhecido no seu próprio Estado. O pernambucano José Jorge.O Brasil é roubado, e o presidente vai se confraternizar com o país que nos roubou. (Bolívia)A imprensa muda e complacente. As vozes que reclamam passam por loucos. Arriscam suas próprias vidas. Não temos segurança, ensino, saúde, vergonha, ética, respeito às leis. Porém, para os fanáticos seguidores do messiânico Lula, o país está muito bem. O caldo está feito. A bomba está sendo montada. São Paulo já deu o aviso. Existe descrença nos estudos, justiça, trabalho e nos parlamentares. A desordem e o caos nos esperam.

Guido Mantega, o traidor

Por: Newton Lecarva

Um mês depois de prometer que não alteraria a política econômica de Palocci, Guido Mantega promete um Medida Provisória, redigida pela FIESP, com a finalidade de elevar a cotação do dólar, favorecendo a elite e suas reservas cambiais em paraísos fiscais. A consequência do anúncio já se faz sentir no mercado, assustando incestidores e a excitando especuladores: A Bolsa caiu 9,5% em uma sewmana, do dólar subiu e a inflação disparou!!!
O italiano Guido Mantega afirmou que anunciará em semanas as medidas que possibilitarão a valorização do dólar, atendendo por fim os urubus da elite que choram os seus dólares nos paraísos fiscais que se desvalorizaram nos últimos anos. O vergonhoso italiano, do partidos dos petralhas, vai entregar o país aos urubus e garantir o próprio futuro. O Meireles fez coro, sabe-se lá por que razão. Medo, talvez, de ser destruído com o foi o Palocci. Lula é mais uma vez traído, o povo brasileiro vai voltar a pastar. O vergonhoso italiano arruinará o govermo Lula, mas quando sair será ungido com uma consultoria e viverá às custas dos urubus reis, a elite nojenta deste país. Eis o maldito Petralha, que cogita simplesmente permitir que as empresas mantenham lá fora o dólar que recebe das exportações, impedindo a entrada do dólar no país, o que garantiria apreciação da moeda aqui. Isso é uma vergonha!!!!!!!!
Email:: nlcfilho@hotmail.com URL:: http://www.unamuno.zip.net

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Bancoop e dinheirinho extra!

Por: Revista ISTOÉ

Materia publicada pela revista, fatos que sao espantosos aos cooperados que confiaram na boa administracao dos diretores!
Moradia da BANCOOP (revista ISTO E 20/5/06) Acaba de chegar ao Ministério Público de São Paulo uma representação contra a Bancoop, cooperativa que nasceu no Sindicato dos Bancários de São Paulo para ajudar os trabalhadores desse setor a comprar a casa própria. O Ministério Público tem assim a chance de implodir uma arquitetura de ilegalidade e imoralidade no campo imobiliário. Eis a arquitetura do ilícito e do imoral da Bancoop. Diz a Lei nº 5.764 que não pode ocupar cargo de direção quem tiver negócio na mesma área de atividade da cooperativa. Pois bem: Alguns diretores da Bancoop são sócios de empresas do ramo da construção civil e da administração de condomínios. Mais grave: essas empresas, que têm conselheiros da Bancoop como sócios, prestam serviços para os próprios empreendimentos da Bancoop – e alguns deles nasceram no mesmo endereço da cooperativa (rua. Libero Badaró, 152). Isso aconteceu, tendo a Bancoop, como diretor financeiro, o hoje presidente do PT, Ricardo Berzoini. Isso acontece, tendo a Bancoop como conselheiro fiscal, João Vaccari Neto, também conselheiro da Itaipu Binacional. Eis as empresas: Conservix, Germany, Mirante, Máster Fish e Vita. Uma cooperada reclamou do estouro do prazo na entrega de seu apartamento. Um funcionário da cooperativa Sr. Manolo, mandou por escrito que ela “reclamasse no cemitério”, referindo-se ao diretor Luiz Eduardo Malheiros, que havia morrido. E culpou os operários: “A construção civil é formada por nordestinos (...), eles vão visitar os seus parentes com ou sem emprego.” De todos os associados, a Bancoop acaba de exigir, em média, o pagamento de mais R$ 30 mil (até de quem já quitou o imóvel). E quem ficar três meses sem pagar parcela vai perde-lo. Por apartamentos vendidos a R$ 54 mil, cooperados já pagaram mais de R$ 110 mil, e há imóvel que não saiu do chão. Outra tungada: a Bancoop foi à Bolsa e tomou dinheiro de investimento de fundos de pensão (entre eles o Previ) a 17,5% ao ano (juros mais IGPM). Deu as dívidas e os prédios como garantia. Como recebe no máximo 12% de juro dos associados, de duas, uma: ou eles vão perder os apartamentos ou os pensionistas dos fundos perderão dinheiro. Se a Bancoop passa o chapéu, por que ela engordou o caixa de campanha do PT em 2004, na cidade de Praia Grande? Contribuíram a Germany (R$ 60 mil) e a Planner (R$ 60 mil). Detalhe: foi em 2004 que a Bancoop foi aos fundos de pensão. Foi a Planner quem intermediou o empréstimo dos fundos. Mensagens : Para quem reclama que quitou apartamento que não existe, funcionário da Bancoop manda o cooperado “reclamar no cemitério” Prédio da Bancoop e a ilusão da casa própria: uma associada quitou imóvel numa segunda-feira. Na terça-feira foi avisada que tem de pagar mais R$ 30 mil.
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Texto de Marilene Felinto sobre o PCC

O texto foi escrito logo após a mega-rebelião de 2001, que nem chega aos pés dos acontecimentos atuais. O artigo, por ser de uma atualidade gritante e por falar de problemas que sempre se repetem, merece essa republicação "revista e ampliada" com os fatos atuais.
Primeiro comando da cadeia: Quércia, Fleury, Maluf, Covas A sociedade tem medo: e se aquela horda de milhares de bandidos consegue fugir dos presídios? É a guerra. É a guerra definitiva. Estaremos todos presos em casa, acuados, desarmados. A autoridade constituída não passa de um bando de baratas tontas. A sociedade se sente só. Mas a sociedade é tão cruel quanto o bandido -apenas se esquece disso, faz de conta que o preso e seus parentes estão fora da "sociedade". A sociedade deseja a destruição, a extinção do bandido e de seus parentes. Resta saber quanto por cento da população alimenta esse desejo de que a cavalaria esmague a rebelião como um elefante pisa sobre um inseto, de que o choque atire uma bomba e acabe com aquele amontoado de assassinos pobres, pretos e pardos, com aquela mancha que envergonha o país do Carnaval, do futebol e da "Petrobrax" perante a opinião pública estrangeira. Resta saber quanto por cento da população quer que o crime se perpetue: o crime de manter sob condições desumanas milhares de criminosos que vão ficando cada dia mais perigosos e animalescos -canibais que decapitam companheiros. Resta saber quanto por cento quer direitos humanos para todos, sem exceção. Deu na imprensa estrangeira que o sistema penitenciário brasileiro é a "reinvenção do inferno" -da Febem ao Carandiru. Quem sabe agora -que deu no "The New York Times", no "Washington Post", no "The Guardian" e no "Le Monde" em bloco -a coisa ganhe rumo. É preciso esfregar na cara do cidadão comum as condições a que são relegados os párias sociais, os excluídos de tudo, os presos pobres: é preciso formar filas nos presídios, obrigar cidadãos de classe média e alta a visitar as cadeias fétidas, superlotadas de homens ociosos, os futuros -e impiedosos, e cruéis- assassinos de seus filhos, de seus netos. É preciso que as classes média e alta vejam de perto que tipo de cobras estão criando -que vejam e vomitem até mudar de atitude. A sociedade que não se iluda. As siglas se confundem, o PCC (Primeiro Comando da Capital), organização criminosa que organizou as rebeliões em série nos 25 presídios e duas cadeias e dois DPs de São Paulo, entre domingo e ontem, é o resultado direto de outra sigla igual, a dos primeiros comandantes das cadeias -aqueles que comandaram o sistema penitenciário nas últimas três décadas em São Paulo: os governadores Orestes Quércia, Luiz Antonio Fleury Filho, Paulo Maluf, Mário Covas. Um comando não existe sem o outro. Um crime não existe sem o outro: o PCC é o crime criado, consequência da omissão, de décadas de irresponsabilidade, da arrogância da Justiça, do crime dos governadores e das autoridades contra os direitos humanos dos presos. A tropa de choque são esses governantes. Os cavalos não são senão a sombra animalizada deles e de nós mesmos -nós que os elegemos e delegamos a eles o autoritarismo político e policial, a corrupção, a desumanidade, a desigualdade. O poder do Estado assenta-se em um consenso de valores e interesses, em nome dos quais ele age. Ponto. "Tá tudo dominado", como diz ironicamente a música. Os líderes e soldados do PCC se comunicam por satélite, por celulares a R$ 500 cada aparelho, têm milhões de reais em caixa, escrevem cartas em código (não se utilizam desse nosso português burguês): PCC = 15.3.3, a posição das letras no alfabeto. "Tá tudo dominado". Para os 16 mortos lá dentro nesses dois dias, serão 150 aqui fora. Eles vão nos matar, porque nós os matamos todos os dias. Ponto. Folha de São Paulo, terça-feira, 20 de fevereiro de 2001


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Políticos. O que fazer com eles?

Por: Paulo Augusto

As evidências confirmam que a atividade política no Brasil degenerou-se ao ponto do irreversível. O administrador da riqueza pública perdeu as características originais, a ponto de não se reconhecer mais neles qualquer representatividade. Fora com a farsa dos políticos.
Políticos. O que fazer com eles? Paulo Augusto pagurn@gmail.com Todas as evidências confirmam que a atividade política no Brasil degenerou-se ao ponto do irreversível. Há muito que a função do administrador público, do gerente da riqueza e do patrimônio da população perdeu suas características originais, ganhando uma crosta apodrecida, a ponto de não se reconhecer mais no homem público e na mulher que pretende atuar como representante da população qualquer representatividade. Eles perderam por completo sua razão de ser. Com perdão dos genuínos honestos e dos lídimos bem-intencionados, exceções que confirmam a regra, mas o povo não se ilude mais com o palavrório lustroso de candidatos e políticos carreiristas. Já de muito tempo a população passou a perceber que aquela “pessoa que exerce cargo público ou atua indiretamente na política”, como representante por ela escolhida de seus interesses na esfera pública, tornou-se um estranho absoluto. Alguém que efetivamente nada tem a lhe dizer, que, ao contrário, vem lhe prejudicando total e absolutamente e, portanto, não merece nem sua consideração nem o salário que este povo lhe paga. Pergunta-se, muito justamente, por que continuamos a votar, se todos nós, o povo potiguar e brasileiro, passamos a ver, na claridade do dia, na luminescência dos comportamentos, nas dobras e fissuras das máscaras, que a política é o meio mais rápido, e no nosso Estado do Rio Grande do Norte, o único e mais eficiente meio de enriquecimento, de acúmulo de benesses, prestígio e patrimônio, via e trampolim do alpinismo social mais deslavado, tanto de grupos de malfeitores quanto de elementos que traçam suas carreiras individuais, flagrados como arrivistas – que se determinaram a triunfar a qualquer preço, mesmo em prejuízo de outrem –, como aventureiros e mesmo vigaristas confessos, cafajestes e velhacos. Agora mesmo, neste mês de maio, permitiu-se que tenhamos mais um aumento da tarifa de ônibus, com um salto espetacular no preço das passagens, de R$ 1,45 para R$ 1,60, sem que houvesse consulta à população, sem que nos fossem comunicadas as vantagens que teremos com tal reajuste, e principalmente sem que tivéssemos qualquer adequação salarial, já que continuamos com nossos míseros ordenados, sem aumento há mais de 12 anos. São roubos freqüentes e continuados, seja não apenas na passagem de ônibus, mas no salário que não aumenta, na roupa, na compra de alimentos, no dentista, no remédio, no convênio médico, no conserto da geladeira, na compra da gasolina. Aumenta a cada dia a sensação de que só entramos em roubadas, em frias e golpes baixos, sem qualquer esperança de sermos encarados com dignidade e respeito. Sem que sequer nos respeitem como eleitores. E quando o fazem, como nos lembra o escritor Rubem Alves, é como se nos prestassem um favor. “Político não faz favor”, lembra Rubem, em sua santa insubmissão. “Político cumpre a obrigação. Para isso ele é eleito. Para ser servo, isso mesmo, servo, empregado, serviçal, do povo. Tinha de haver um jeito simples e rápido de despedir os políticos que não se comportam como serviçais do povo”, enfatiza o escritor para nos lembrar nosso papel e considerar: “Eu até posso dizer ‘obrigado’, da mesma forma como digo ‘obrigado’ ao frentista do posto de gasolina que me atendeu bem”, uma relação difícil de ser entendida por nossa população, mantida na escuridão da ignorância pelos coronéis da política, que se refestelam com nossa magnanimidade. Finalmente, lembra o escritor, parecendo que está falando do RN: ”Há esses lugares em que os políticos se consideram ‘césares’ romanos com poderes para distribuir favores a quem quiser, na esperança, é óbvio, de serem reconduzidos ao cargo pela gratidão servil e estúpida dos eleitores. Como os eleitores são estúpidos! Elegem cada deformação...” Por aqui a gente tem mais do que razão para limpar e renovar por completo os lugares reservados aos “nossos representantes”, tanto na Câmara quanto na Assembléia, tanto no Executivo como em Brasília, onde os deputados federais e senadores cagam e andam, para usar uma linguagem compatível com seus desempenhos. Representantes? Será que temos algum? Há as exceções, para a salvação da lavoura. Mas veja-se o exemplo da Câmara de Vereadores, onde os eleitos, assim que chegaram, foram corrompidos imediatamente. E numa atitude que envergonha tanto a nós quanto a eles. E comprados para quê? Para eleger o presidente da Câmara, tendo cada um dos vereadores, novos e velhos, ganho dos dois candidatos – Renato Dantas e Rogério Marinho – nada menos que R$ 100 mil – sendo R$ 30 mil de um e R$ 70 mil do outro. Por isso que no primeiro mês todos nós pudemos ver os novos vereadores a bordo de Hilux, Suzukis e Rangers, caminhonetas-fortalezas, cujos preços são verdadeiras fortunas. No Executivo, os crimes se sucedem, com a presença do Ministério Público, evidentemente, e o registro da mídia, como se estivéssemos condenados a uma repetição maquinal e maligna de uma sina que é maldição. Sucedem-se os crimes, escândalos, roubos, saques, enfim, toda espécie de violência devastadora, sem conseguir mais provocar a indignação, sem ferir mais os bons costumes, a moral, o recato, simplesmente sem chocar mais. Uma vez que “faz parte” do espetáculo da política. Voltaire, que morreu há mais de 200 anos, já dizia que a fonte da política está mais na perversidade que na grandeza do espírito humano. Isto enuncia uma verdade indiscutível quando se trata de governos totalitários, como a gente vê no Rio Grande do Norte, onde um pequeno número de atores, rebentos de uma elite das mais depravadas, assaltou o poder, (des) governando a seu bel prazer. A finalidade da política, em estados mais pobres e mais desguarnecidos da justiça como o nosso, fica claro para os que ainda têm resignação para observar o teatro local, se resume, ou pelo menos está mais centrada, em monopolizar o poder, enquanto prioridade máxima dos grupos dominantes. Para o juiz José Augusto Peres Filho, estaríamos vivendo não numa democracia, onde o poder é exercido pelo povo e por seus representantes, mas numa cleptocracia, que é “o poder dos que tiram, o poder dos ladrões”. Explica José Augusto Peres: “Observe-se que não é a corrupção pura e simples. A corrupção é apenas uma parte do exercício dessa forma degenerada de governo. A cleptocracia se instaura quando o ato de roubar deixa de ser algo isolado dentro de um governo, e se transforma em uma atividade, ou seja, um conjunto concatenado, encadeado e constante de atos similares, quer dizer, quando o roubo vira a tônica. Em uma cleptocracia, o roubo (em suas mais diversas modalidades) é o normal. É aceito por uma considerável parcela dos que exercem o poder e, se nem todos roubam, muitos acobertam os roubos dos demais, com a finalidade de se beneficiarem posteriormente – em uma campanha eleitoral, por exemplo. Os cleptocratas (ou os ladrões no poder), possuem uma cultura própria, com seus códigos, seus costumes, com uns encobrindo as falcatruas dos outros, impedindo que fatos sejam investigados ou fazendo com que as investigações sejam meras formalidades, sem o mínimo interesse no aprofundamento da busca pelos responsáveis por golpes aplicados contra a Nação. E mais, quando alguma instituição tenta fazer, de modo independente e correto a investigação, ela é tolhida pela pronta intervenção dos asseclas plantados em núcleos importantes do poder. A cleptocracia gera problemas os mais diversos. Desestabiliza as instituições responsáveis por fazer cumprir a lei. Prejudica a estabilidade da economia e o crescimento econômico. Corrói valores éticos e sociais, desgasta a autoridade, afeta a credibilidade dos órgãos de poder e impede o verdadeiro exercício da democracia.” Ao lado desse desvario, o desalento e a apatia da sociedade só não é absoluta por conta da revolta nos presídios, nas masmorras onde se encontra grande número de pessoas oriundas do povo miserável e escorraçado, como se viu com os atentados do PCC em São Paulo. Sabe-se que os presos refletem uma parcela da população mais pobre que se viu encarcerada por razões as mais diversas na luta pela sobrevivência e ao serem excluídos esses presos sabem que perderão, praticamente, boa parte de suas vidas. Mesmo nas prisões, contudo, onde pagam uma pena privativa de liberdade profundamente humilhante e destrutiva, a capacidade crítica de alguns degradados vem se afinando, aflorando uma violência que cresce no mesmo ritmo do crescimento da corrupção política impune de nossos homens públicos. Os que sofrem todo tipo de sevícias nas penitenciárias e prisões horrivelmente degradantes, diferentemente de nós aqui fora, que gozamos de toda a liberdade para votar na gente ordinária e boçal que elegemos, não vislumbram nenhuma esperança de que um dia serão aceitos de volta nessa sociedade, não lhes restando, por isto mesmo, nenhuma outra alternativa, do que organizar-se e reunir suas forças para enfrentar a opressão do Estado. “O Brasil não agüenta mais a calamidade moral que se abateu sobre a nação, com a sucessão de escândalos de corrupção dos últimos dois anos. A resposta a esse mar de lama precisa ser dada no voto consciente da cidadania brasileira nas próximas eleições.” São afirmações do presidente nacional da Ordem dos Advogados do Brasil, Roberto Busato, no último dia 5, no Maranhão, quando esteve na abertura do XI Encontro Nacional dos Dirigentes de Caixas de Assistência dos Advogados (Concad). Segundo Busato, o pensamento da sociedade brasileira foi explicitamente demonstrado no discurso de posse do novo presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Marco Aurélio de Mello, ao sustentar que “o Brasil está se tornando o país do faz-de-conta e onde se criou um fosso ético e moral, que divide o país nos segmentos da corrupção e da massa comandada”. O presidente da OAB referiu-se à apatia da sociedade brasileira diante da sucessão de escândalos, mencionada pelo novo presidente do TSE, segundo quem, a população estaria agindo como se tudo fosse natural e como se todos os homens públicos fossem igualmente desonestos. Para Busato, a OAB tem manifestado sua preocupação com o crescente desalento dos cidadãos e com o descrédito geral nos homens públicos que vai tomando conta do sentimento popular no País, diante do exposto pela crises e escândalos sucessivos. Ele é de opinião que as eleições precisam funcionar como mola propulsora para acabar com essa apatia. “A OAB e a CNBB vêm pregando a necessidade de o País ter uma cidadania ativa; é preciso lutar e participar contra esse estado de coisas para que o Brasil vença, definitivamente, essa grande massa antiética que existe dentro da função pública brasileira”. Paulo Augusto é jornalista e escritor. Assina a coluna Radar Potiguar no Jornal de Natal (Natal / RN) E-mail – pagurn@gmail.com
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A mega-empresa PCC

Por: Textos recentes da Folha de S.Paulo

São Paulo, domingo, 21 de maio de 2006 GUERRA URBANA Polícia de SP investiga cem contas do PCC Facção criminosa utiliza nome de "laranjas", voluntários ou não, para arrecadar as mensalidades dos filiados A pulverização bancária dos recursos do grupo foi adotada para evitar grandes perdas no caso de a polícia descobrir algum "laranja" ANDRÉ CARAMANTE GILMAR PENTEADO DA REPORTAGEM LOCAL Identificar quem são os "laranjas" cujos nomes são utilizados -voluntariamente ou não- pela facção criminosa PCC (Primeiro Comando da Capital) para que o dinheiro do grupo seja movimentado por seus principais líderes. Essa é uma das metas da Polícia Civil de São Paulo para tentar desarticular o poderio econômico do grupo criminoso, que, na última semana, apavorou São Paulo ao promover uma onda de violência com 339 ataques às instituições públicas e privadas, 82 rebeliões e causou a morte de 172 pessoas, sendo 42 agentes públicos, numa guerra com média diária de cerca de 24,6 mortes (entre sexta, dia 12, e quinta, 18). Indicado pelo então governador Geraldo Alckmin (PSDB), hoje pré-candidato à Presidência, para combater as ações da facção, o delegado Ruy Ferraz Fontes, do Deic (Departamento de Investigações sobre o Crime Organizado), tenta rastrear ao menos cem contas bancárias utilizadas pelo grupo para movimentar os valores arrecadados com as mensalidades pagas pelos "irmãos" (integrantes) da facção. À CPI do Tráfico de Armas, Ruy Fontes afirmou que o PCC arrecada, em média, R$ 700 mil por mês. Em julho do ano passado, quando prendeu Deivid Surur, de 23 anos, o DVD -apontado como tesoureiro do PCC do lado de fora dos presídios-, Fontes denunciou à Justiça que a estudante de direito Cynthia Giglio da Silva, 28, atual mulher de Marcos Willians Herbas Camacho, 38, o Marcola (líder máximo da facção e responsável pela visão sindical do grupo), havia recebido R$ 90 mil desse caixa do PCC. O advogado de Cynthia, Vitor Fachinetti, diz que a estudante passou pouco tempo na prisão porque o Deic "equivocou-se ao informar essa cifra [R$ 90 mil] à Justiça". "Ela [Cynthia] nunca recebeu ajuda de grupo nenhum", disse Fachinetti. Foi a partir do livro-caixa apreendido com DVD (morto na prisão, em 2005) que a investigação policial conseguiu dimensionar o esquema de contas bancárias à disposição do PCC. Em alguns casos, as contas para onde vão as grandes quantias de dinheiro são de pessoas ligadas aos líderes do grupo. Em outros, de devedores da organização, principalmente os que estão atrás das grades, que obrigam parentes a emprestar o nome para que a facção movimente dinheiro, mas já com valores bem menores. Uma das principais finalidades da pulverização das contas bancárias do PCC, segundo a polícia investiga, é evitar que, em caso de prisão de algum dos "laranjas" do esquema, o prejuízo causado ao caixa do grupo seja pontual, em apenas uma conta. Marcola aprendeu isso com a detenção de DVD -que, até então, era o único tesoureiro do "partido do crime". Hoje, são pelo menos seis em todo o Estado os responsáveis por empréstimos feitos pela facção a outros criminosos, pelo financiamento de crimes, pela compra de armas, pelo pagamento de mensalidades de faculdades de direito e também de honorários de alguns advogados, além do provimento de ações sociais em favelas. São Paulo, domingo, 21 de maio de 2006 GUERRA URBANA/ESTRUTURA Estrutura adotada por Marcola tornou o PCC uma organização que arrecada cerca de R$ 700 mil de associados por mês Sucesso econômico da facção inclui atividades diversificadas, como aluguel de armas, financiamento de roubos e taxa por proteção 'Sindicato' arrecada R$ 700 mil por mês DA REPORTAGEM LOCAL O PCC (Primeiro Comando da Capital) alcançou uma estrutura criminosa que arrecada pelo menos R$ 700 mil por mês, segundo dados da polícia paulista, funcionando como uma espécie de sindicato. Desde 2002, quando assumiu o poder, o líder máximo da facção criminosa, Marcos Willians Herbas Camacho, o Marcola, implantou uma linha muito mais empresarial do que seus antecessores. Os integrantes do PCC se transformaram em presos "sindicalizados". A contribuição mensal, antes opcional, virou obrigatória para os membros do grupo. Paga-se pelos supostos benefícios e proteção, seguindo as normas que regem qualquer entidade de classe. Os tentáculos do "sindicato" se expandiram para fora das cadeias. Além da mensalidade, o associado da rua também passou a contribuir com parte do lucro de seu "negócio", o crime. E as atividades se diversificaram: aluguel de armas, empréstimos para financiar roubos -com pagamento com juros- e tráfico de drogas. Qualquer crime na área da facção passou a ser "tributado". Mas o PCC não é dono de pontos-de-venda de drogas, como ocorre com o Comando Vermelho no Rio de Janeiro. Lembrando o mais conhecido sindicato do crime, a máfia italiana, a facção passou a cobrar por proteção. O dono do ponto-de-venda de droga é local. Mas só sobrevive se aceitar a autoridade do PCC e pagar por isso. Na arrecadação do lado de fora das cadeias, o "sindicato" dividiu a cidade de São Paulo em quatro partes e criou a figura do "piloto-gerente" -responsável por coordenar as ações e a arrecadação de dinheiro da facção na sua área. "A organização de entrada e saída de dinheiro deles é uma coisa absurda", reconheceu o delegado Ruy Ferraz Fontes, do Deic (Departamento de Investigações sobre o Crime Organizado), em depoimento à CPI do Tráfico de Armas, no dia 10. Coletivo Também como em qualquer sindicato, o interesse coletivo dos presos orienta o caixa do PCC. Boa parte das contribuições e dos lucros com os crimes vai para as famílias. O dinheiro é usado para financiar viagens de ônibus para visitas de parentes de detentos em penitenciárias na região oeste do Estado de São Paulo, para pagar advogados ou para comprar armas. O controle contábil de pequenas quantias é feito pelo "piloto-gerente". As decisões sobre as grandes quantias, no entanto, passam pela cúpula. Foi Marcola, condenado por assaltos a banco, quem ditou as normas para a "sindicalização" do PCC. Logo após assumir o comando, descentralizou o controle. "Ele dividiu a capital em quatro áreas de influência e tem um representante em cada área, que determina tudo o que acontece ali. Determina de quem ou como é que vão ser comercializados os entorpecentes", afirmou Fontes. "Foi a partir de Marcola que a facção passou a dar prioridade para os negócios, para arrecadação de dinheiro com o crime", disse o promotor Roberto Porto, do Gaeco (Grupo de Atuação Especial e Repressão ao Crime Organizado), do Ministério Público. Opressão O "sindicato" criado por Marcola, no entanto, cresceu pela opressão. Quem não paga as mensalidades, passa a dever favores para a facção, que serão cobrados depois. Nos recentes atentados, muitos desses devedores foram obrigados a pagar essa dívida participando das ações. Passaram a ser chamados, entre os membros da facção, de "Bin Ladens". Os devedores também podem quitar seus débitos com carros roubados e armas. "Tamanha é a orientação referente a isso que muitas pessoas vão cometer o crime sem, muitas vezes, saber o que tem de fazer. Se não vai, morre", afirmou o delegado Godofredo Bittencourt, diretor do Deic, também à CPI. A conquista de pontos-de-venda de droga também segue essa lógica. Se os traficantes concordarem com as normas da facção, recebem proteção. Até mesmo o traficante que não faz parte do PCC é obrigado a pagar uma espécie de "dízimo". Do contrário, fica sujeito a ser expulso ou morto. A facção passa, então, a indicar um "associado" para o local. Nas últimas rebeliões nos presídios de São Paulo, o PCC também colocou em prática a sua estratégia de opressão, segundo relatório do departamento de inteligência da SAP (Secretaria da Administração Penitenciária) enviado à Vara de Execuções de São Paulo. De acordo com o documento, diretores de presídios informaram que "pilotos" -responsáveis pela facção naquela cadeia- afirmaram que estavam sendo ameaçados de morte pela liderança, inclusive com risco a familiares, caso não cumprissem a ordem de se rebelar. No relatório, o departamento de inteligência cita o caso da penitenciária de Valparaíso (577 km de SP), na qual os presos teriam dito à direção que só conversariam depois de cumprir a ordem do comando de destruir toda a unidade. Ostentação O sucesso econômico da facção nos últimos anos também é usado por seus líderes para amedrontar ou ironizar funcionários e autoridades. Foi assim nas ameaças feitas por líderes do PCC ao serem transferidos para Presidente Venceslau (620 km de SP) e Presidente Bernardes (589 km de SP), conforme boletins de ocorrência registrados na polícia por funcionários da SAP. Marcola, ao ser transferido, teria dito que a facção tinha poder econômico para promover as ações e que as represálias seriam conhecidas no noticiário noturno da TV. Os ataques começaram horas depois. Em outro presídio, um agente penitenciário chegou a ouvir de um dos líderes durante a transferência: "Com o salário mínimo que você ganha, não poderia estar correndo tal risco". (GILMAR PENTEADO E ANDRÉ CARAMANTE)


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Oposição protocola pedido de CPI para investigar sanguessugas

Por: ANDREZA MATAISda Folha Online, em Brasília

O presidente interino do Senado, Tião Viana (PT-AC), recebeu nesta quinta-feira o requerimento com as assinaturas para a criação da CPI das Sanguessugas, que deve investigar a compra superfaturada de ambulâncias com dinheiro do Orçamento. O documento, apresentado pelo PSOL, PPS e PV, teve o apoio de 210 deputados e 30 senadores. Apenas dois dos 16 deputados investigados pela comissão de sindicância da Corregedoria da Câmara assinaram o requerimento. São eles: João Correia (PMDB-AC) e Maurício Rabelo (PL-TO). O líder do PMDB no Senado, Ney Suassuna (PB), único senador citado no esquema, preferiu não apoiar a CPI.Viana sinalizou que o Palácio do Planalto não tem interesse na CPI. Segundo ele, as investigações podem ser usadas pela oposição para atacar ainda mais a base aliada ao governo Lula que teria participado do esquema das ambulâncias. "A oposição pode usar a CPI para um novo confronto da base com o governo", advertiu. Fiel aliado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Viana se colocou contrário à CPI. "Acho que este é um ano complicado para uma CPI. Além disso, qual a condição que a Câmara tem de fazer uma investigação quando as suspeitas recaem sobre tantos nomes daquela Casa?", questionou. O deputado Raul Jungmann (PPS-PE) defendeu um acordo entre os partidos para que a CPI não seja politizada. "Acho que tem que se fazer um acordo para mostrar que não terá disputa política, mas que existe o lado do bem e o do mal. O que não pode é todo mundo ficar sob suspeita", afirmou.Para que a comissão seja instalada, o próximo passo é a conferência das assinaturas. Deputados e senadores ainda podem retirar os seus nomes do documento, inviabilizando a criação da CPI. Pelo regimento interno são necessárias 171 assinaturas na Câmara e 27 no Senado. Como o número apresentado ficou acima do necessário, a avaliação dos defensores da CPI é de que dificilmente ela será engavetada.Os autores do requerimento admitem que terão pouco tempo para concluir as investigações, já que esta legislatura se encerra em janeiro, mas advertem que a Câmara não pode usar isso como motivo para ignorar as denúncias."Essa é uma situação atípica e exige de nós um comportamento atípico. Tem que ser bombardeado o raciocínio de que a cinco meses da eleição nada se faz de relevante neste Congresso", ponderou o deputado Chico Alencar (PSOL-RJ).

Itamar Franco deve sair da disputa e abrir espaço para Simon

Por: PAULO PEIXOTOda Agência Folha, em Belo Horizonte

O ex-presidente Itamar Franco (MG) vai renunciar na próxima segunda-feira à sua pré-candidatura presidencial pelo PMDB e retomar as articulações no partido para concorrer ao Senado. Itamar também deverá anunciar seu apoio à pré-candidatura do senador Pedro Simon (RS), caso vingue no partido essa nova tentativa de fazer com que o PMDB tenha candidato próprio à Presidência.O posicionamento de Itamar será feito na tarde de segunda-feira, na sede do PMDB mineiro, durante encontro que ele terá com as bancadas federal e estadual do partido, conforme disse à Folha o deputado Federal Marcelo Siqueira (PMDB-MG), do grupo político de Itamar.A candidatura de Simon começou a ser articulada nesta semana e dela participa também Anthony Garotinho, ex-governador do Rio e pré-candidato do PMDB à Presidência. Itamar e Garotinho abririam mão para Simon. E o político fluminense poderia compor a chapa com o gaúcho.Ontem, o presidente nacional do PMDB, Michel Temer (SP) ligou para o ex-prefeito de Juiz de Fora Tarcísio Delgado, quando falou da articulação em curso. Delgado, um peemedebista histórico, colocou seu nome à disposição do PMDB para que o partido lance candidato próprio em Minas Gerais, de forma a dar palanque para Simon. "Pode contar comigo", disse ele à Folha.A avaliação de Delgado é que a pré-candidatura de Simon, caso ele aceite, pode crescer e vingar na convenção do partido de 11 de junho, porque ela poderia unir o PMDB do Sul do país. Siqueira, no entanto, acha que o grupo governista ainda tem o controle da situação. Ele disse que essa é a sua avaliação, não a de Itamar.O deputado itamarista disse que a posição que Itamar anunciará na segunda já era prevista. Disse ele que o ex-presidente aceitou a pré-candidatura justamente por achar que o partido deve ter candidato e que seu nome foi um lançamento feito por Simon e pelo ex-governador Orestes Quércia (SP). Mas o prazo dado por Itamar para que o partido definisse a questão foi o encontro do último dia 13, quando prevaleceu a tese de não ter candidato próprio.Agora ele vai tentar construir a sua candidatura ao Senado com o apoio do governador Aécio Neves (PSDB), candidato à reeleição.

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