domingo, junho 20, 2021

Bolsonaro e Lula deflagram suas campanhas eleitorais rumo às urnas de 2022


Charge do Amarildo (agazeta.com.br)

Pedro do Coutto

Nesta sexta-feira, no Pará, o presidente Bolsonaro participou de um evento, em Marabá, que marcou a entrega de 50 mil títulos de propriedade rural no estado.  Ontem, no Rio e em mais de 40 cidades brasileiras, verificaram-se concentrações em série de partidários de Lula contra o governo atual.

Com os episódios, constata-se que efetivamente começou a campanha eleitoral e ficou garantida a polarização desejada tanto pelo atual presidente da República quanto pelo ex-presidente Lula, cuja elegibilidade foi assegurada pelas decisões do Supremo Tribunal Federal.

ATAQUES – No Pará, os ataques de bolsonaristas efetivamente dirigiram-se contra Lula, responsabilizando-o pelos escândalos de corrupção verificados sobretudo na Petrobras. Lula não se pronunciou para responder aos ataques, mas os seus correligionários estavam neste sábado nas ruas com cartazes e palavras de ordem contrárias ao atual chefe do Executivo.

No Rio de Janeiro não faltaram também faixas destacando a candidatura do petista para 2022 sob o argumento de que está se aproximando a data de mais um desfecho político acerca do governo do país. O evento em Marabá e as manifestações em mais de quarenta cidades representam, ao meu ver, o fechamento de um círculo político que nao comporta qualquer terceira via para campanha presidencial.

O candidato que está se opondo à polarização, de fato, é Ciro Gomes. Mas ele não terá chance de vitória se não tiver o apoio do ex-presidente Lula, como ficou evidente na eleição de 2018. Assim, a polarização se estabeleceu, se aprofundou ainda mais e tende fortemente a se manter até a abertura oficial das campanhas eleitorais.

DATAFOLHA – O fato concreto é que o confronto já se estabeleceu nas ruas do país. Mas, com base no Datafolha, Lula já encontrava-se há dois meses bem na frente de Bolsonaro, daí porque o impulso do bolsonarismo em atacar o petista. Os envolvidos no esquema  bolsonarista acreditam que assim poderão abalar o candidato do PT.

Tem-se assim um quadro nítido que não dá margem a qualquer hipótese de um terceiro nome que possa se tornar pelo menos viável de participar da campanha com chances reais de chegar ao segundo turno. É possível até que o petista vença no primeiro turno. Uma hipótese possível, mas vamos desconsiderá-la para focalizar o raciocínio voltado a um leque de alternativas, apesar de escasso. Entre essas, o governador João Doria, mas esse tem a responsabilidade de ter que renunciar ao governo de São Paulo para se candidatar. Doria vai permanecer apoiando alguém em 2022, mas esses alguém nao poderão ser Bolsonaro. Resta assim, o único caminho de apoio a Lula da Silva.

POLARIZAÇÃO –  Tasso Jereissati teve o seu nome lembrado, mas não acredito que possa empolgar nem o PSDB ou alguma parcela de eleitores que pudesse levá-lo ao segundo turno na sucessão. Surgirá um terceiro nome, novamente pergunto? Não há. Por enquanto, ninguém com potencial capaz de se opor à radicalização que se consolida através do tempo.

O bolsonarismo vai se preparar para responder às manifestações de ontem que foram significativas contra o governo federal. Cada vez que houver reações assim, estreitam-se os espaços de manobra para uma possível alteração na disputa.


Em destaque

Cordel – 02 de Fevereiro, Dia de Iemanjá

  Cordel – 02 de Fevereiro, Dia de Iemanjá Por José Montalvão No dois de fevereiro O mar se veste em oração, É dia da Rainha d’Água, Da mais...

Mais visitadas