A produção de energia brasileira está nas mãos de Deus. Ou de São Pedro, a julgar pelos prognósticos e temores de especialistas, como atesta reportagem de Rivadavia Severo publicada ontem no Jornal do Brasil. Com os reservatórios a níveis alarmantes, o país corre o risco de ficar sem gás e de colocar por terra, com a escassez na geração de energia, quase a totalidade de projetos de infra-estrutura prometidos pelo governo no Plano de Aceleração do Crescimento.
Sem quedas d'água freqüentes até abril, indústria e veículos movidos a gás natural terão de parar, repetindo cenas como a de outubro do ano passado no Rio e em São Paulo. O nível dos reservatórios não atinge nem 46% hoje e, para evitar o fantasma da paralisia nacional, terão de chegar a 68% até o fim no verão nas regiões Sudeste e Centro-Oeste.
Os dados comprovam que nem sempre o avanço da economia, festejado pelo governo no apagar das luzes de 2007, embute apenas boas notícias. Até seriam para soltar rojões se viessem acompanhadas de crescimento na geração de energia. Faltaram investimentos para a exploração do gás existente no país, um abandono que não cai apenas sobre o colo da administração Lula. Desde a gestão de Fernando Henrique Cardoso, o Brasil apostou dinheiro e esperanças na produção do combustível boliviano. Deu no que deu, Evo Morales nacionalizou o produto e os brasileiros agora estão nas mãos dos humores do boliviano para escapar da ameaça do apagão imediato.
A situação só não é mais dramática porque ainda há a possibilidade de se suprir a carência de curto prazo com a importação de GNL. Paralelamente, a energia contratada nos últimos leilões ajudará a reduzir o temor mais próximo. A longo prazo, o recente leilão da hidrelétrica de Santo Antônio, no Rio Madeira, fez despencar o preço do megawatt/hora e estabeleceu um novo marco de exploração de energia limpa a custo baixo na região.
Tal conjunto de fatores, contudo, não alivia a previsão inicial de corte de fornecimento de gás a partir do início do segundo trimestre do ano. Um dado preocupante que ganha componente político. O Ministério de Minas e Energia está sob o comando de um interino e pode cair nos braços do senador maranhense Edison Lobão, apoiado pelo grupo de José Sarney, ainda este mês. A troca tende a afetar a linha de comando de todas as subsidiárias da Eletrobrás e se intrometer no poder exercido, até agora, pela ministra chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, no setor.
As mudanças, seguramente, vão interferir na condução da política energética nacional e aumentar o quadro de incerteza que ronda os investidores. Indústria, proprietários de veículos e lares brasileiros não podem pagar mais esta conta.
Fonte: JB Online
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