BRASÍLIA - O PSOL está reunindo todos os dados dos processos contra o suplente de senador Edison Lobão Filho (DEM-MA) para mover uma representação por quebra de decoro e impedir que ele assuma o lugar do pai, Edson Lobão (PMDB-MA), que deixou a cadeira para assumir o Ministério de Minas e Energia. Ele é suspeito de usar uma empregada doméstica como laranja para ocultar dívidas e lesar o Fisco e de ilegalidades na obtenção de concessões de emissora de rádio e canal de televisão no Maranhão.
A ação será decidida na primeira reunião do PSOL, em 11 de fevereiro, após o retorno do recesso parlamentar, segundo informou líder do partido na Câmara, deputado Chico Alencar (RJ). "A situação do senador suplente é muito fragilizada porque, além das graves acusações de que é alvo, ele tem baixa legitimidade por chegar ao cargo sem voto e sem mérito, mas apenas por ser filho de um cacique político", disse.
Além disso, conforme o deputado, a posição de Lobão Filho é tão indefensável que ele próprio admite sequer assumir o cargo. "Ele não deu explicações para os crimes pelos quais é processado e até agora não reagiu com a indignação do injustiçado", observou.
"O Brasil, que há séculos luta contra a praga do coronelismo, agora vive a era do filhotismo na política", acrescentou Alencar. Segundo o deputado, os termos da denúncia, a ser encaminhada à Comissão de Ética do Senado, serão analisados com cautela, para evitar a frustração de tentativas anteriores.
O Senado rejeitou representações movidas pelo partido contra outros parlamentares em situação idêntica, como o também ex-suplente Gim Argello (PMDB-DF), por considerar que os crimes atribuídos ele eram anteriores ao mandato. "O País não quer mais ouvir essa desculpa para a impunidade. Os fatos pelos quais ele responde foram cometidos antes do mandato, mas os problemas deles derivados são atuais e atentam contra a ética na política", enfatizou o deputado.
Ele disse que as providências para a abertura da representação estão sendo coordenadas pelo único senador do partido no Congresso, José Nery (PA). De volta dos Estados Unidos, onde estava de férias com a família, Lobão Filho não quis se manifestar sobre a iniciativa do PSOL. Ele tem 60 dias de prazo para assumir a cadeira de senador.
Sua assessoria informou que ele avalia dar uma entrevista coletiva, na próxima semana, para se defender de todas as acusações e anunciar seu destino político. Lobão Filho deve deixar o DEM, que o recusa nos seus quadros.
Fonte: Tribuna da Imprensa
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