sábado, janeiro 26, 2008

PF prende quadrilha que fraudava a Previdência

BELO HORIZONTE - Cinco pessoas foram presas e duas estão foragidas após uma operação conjunta da Polícia Federal e do Ministério da Previdência Social na manhã de ontem em Governador Valadares, no Leste de Minas Gerais.
A ação visou a combater uma quadrilha especializada em fraudes contra a Previdência Social, que resultaram em prejuízos estimados de mais de R$ 10 milhões.
Até o começo da noite de ontem, haviam sido presos o médico-perito do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) Altair de Paula Vargas e quatro despachantes. Dois agenciadores estão sendo procurados. Foram cumpridos outros 27 mandados de busca e apreensão no local de trabalho e na residência dos suspeitos.
Os envolvidos são acusados de fraudes na concessão de benefícios por incapacidade, em especial auxílio-doença e aposentadoria por invalidez. Os beneficiários do esquema conseguiam a remarcação e o redirecionamento das perícias médicas para o perito que participava do esquema. Assim, obtinham benefícios indevidamente.
Homicídio
De acordo com o delegado da Polícia Federal em Governador Valadares Rui Silva, os interessados pagavam em média R$ 5 mil. "Todas as pessoas que conseguiram esse tipo de vantagem ilícita também serão processadas criminalmente", afirmou.
Segundo a investigação da Polícia Federal, a quadrilha atuou na concessão de mais de dez mil benefícios. O inquérito mostra que o esquema de fraudes funcionava desde 2000. Era comandado pelo médico-perito Milson de Souza Brige, condenado como mandante do homicídio de Maria de Souza Cristina Felipe da Silva, que ocupava o mesmo cargo, em 2006.
A profissional teria sido morta por se opor às práticas da quadrilha, diz a PF. Ela foi assassinada a tiros quando saía de sua casa para ir trabalhar. "As razões do referido homicídio se evidenciaram cristalinamente no inquérito policial instaurado especificamente para tal fim, vindo à tona, no decorrer das investigações ali realizadas, a existência de uma quadrilha especializada em fraudes previdenciárias", informou nota da PF.
A operação, denominada Hemostasia, contou com a participação de mais de cem agentes da Polícia Federal e oito servidores da Previdência Social, entre eles dois médicos-peritos. O advogado do médico preso ontem não foi encontrado pela reportagem
Fonte: Tribuna da Imprensa

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