Por: Carlos Chagas
BRASÍLIA - Até ontem à noite o troféu "Gaiatice" da semana ia para o ministro Mangabeira Unger, que depois de longa ausência do território nacional decidiu empreender um périplo pela Amazônia. Até aí, nada demais, tratando-se do ministro do Futuro e reconhecendo-se na região promissoras condições de desenvolvimento.
O diabo foram as propostas que fez, por escrito e distribuídas à imprensa. A mais estranha, da criação de um aqueduto ligando rios amazônicos ao semi-árido nordestino. O mínimo a supor é que Mangabeira não tenha tomado conhecimento dos planos e até da retomada das obras de transposição de águas do rio São Francisco, precisamente para o mesmo lugar, o Nordeste. Suportaria o tesouro nacional duas empreitadas dessa envergadura? Nem que a floresta, em vez de árvores, fosse constituída de postes de ouro. Ou potes, tanto faz.
Entre outras sugestões, não faltou ao ministro propor mais um aumento de impostos, agora relativo à mineração, que defende. Estaria imaginando bajular a equipe econômica, alinhando-se à compulsão permanente de Guido Mantega, aquele que só pensa em tributar cada vez mais o País?
Terá tido a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, razões de sobra para não se incorporar à comitiva liderada pelo companheiro. Alegando problemas de agenda, ela mandou um representante. Aqui para nós, fez muito bem...
Importa saber quem ganha
Continua a ebulição no ninho dos tucanos paulistas. O governador José Serra insiste em apoiar a reeleição do prefeito Gilberto Kassab, do DEM, enquanto dirigentes do PSDB, em maioria, preferem Geraldo Alckmin, do partido.
Serra pensa no futuro, ou seja, na manutenção da aliança com o ex-PFL em torno de sua candidatura à presidência da República. Só por conta disso o governador Aécio Neves, também de olho no Palácio do Planalto, apóia Alckmin.
Volta-se para 2010 o problema da prefeitura paulistana quando, na realidade, deveriam todos estar pensando em 2008. Porque a primeira condição para programarem o futuro seria a vitória no presente. A única pergunta válida para a escolha do candidato seria saber quem dispõe de melhores condições para ganhar a eleição. Kassab ou Alckmin? O risco é do desgaste de ambos, em meio ao tiroteio. E da vitória de Martha Suplicy ou de Paulo Maluf.
Inferno zodiacal
Diz a astrologia que inferno zodiacal é o período de um mês que antecede o aniversário das pessoas, quando tudo de ruim pode acontecer. Acreditando ou não, é bom indagar se o presidente Hugo Chávez faz aniversário todo mês, porque as coisas andam mal, para ele.
Sucedem-se depoimentos de reféns libertados e de reféns seqüestrados pelas Farc, a situação no meio da floresta é daquelas que fariam inveja a Gengis Khan. Pelos depoimentos, são mais de 700 cidadãos submetidos, há anos, às torturas mais cruéis.
Pois não é que o presidente da Venezuela exortou a comunidade latino-americana a considerar aqueles bandidos como oposição institucional ao governo da Colômbia, deixando de ser chamados de terroristas? O pior é que se dizem de esquerda, quando na realidade não são nem de centro nem de direita. São das profundezas. Ainda mais porque tornaram-se traficantes de drogas, produzindo e vendendo cocaína para o mundo, a pretexto de financiar suas atividades guerrilheiras.
Chávez não poderia ter sido mais infeliz. Ainda bem que o presidente Lula sequer tomou conhecimento da proposta de nova classificação das Farc. Mas chamou de abominável a prática dos seqüestros.
Os bandidos ocupam parte da fronteira com o Brasil, ainda bem que do lado de lá. Não nos cabe qualquer iniciativa senão vigiar. Estar preparados para o caso de resolverem incursionar pelo nosso território. Nessa hipótese, pau neles...
Os inusitados acontecem
Quando especulam sobre a sucessão de 2010, onze em cada dez brasileiros alinham nomes dentro da prática política. Do próprio Lula, em torno do terceiro mandato, a José Serra, Aécio Neves, Dilma Rousseff, Marta Suplicy, Tarso Genro, Patrus Ananias, Ciro Gomes, Nelson Jobim, Roberto Requião e outros menos falados.
De repente, seja pelo impedimento constitucional, seja pela falta de empolgação determinada pela lista, começam a surgir nas ilações alternativas pouco ortodoxas. Por que não alguém fora do quadro partidário? Que tal Joaquim Barbosa, do Supremo Tribunal Federal, ou Antônio Fernando de Souza, procurador-geral da República? Marco Aurélio Mello, para ficarmos no recinto do Judiciário? Quem sabe o dr. Adib Jatene? D. Odilo Scherer não pode, é candidato a papa, mas o bispo Macedo anda por aí em alta exposição.
Em suma, sem a emissão de qualquer juízo de valor, importa um adendo: reparou o leitor que nem no delírio especulatório surgem nomes militares?
Fonte: Tribuna da Imprensa
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