Tales Faria e Fernando Exman
BRASÍLIA A oposição garante surpresas para o governo e promete derrubar a proposta de emenda constitucional (PEC) que prorroga até 2011 a cobrança da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF). Seja na votação no plenário do Senado, ou fase anterior, quando o texto é submetido à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). A luz vermelha acendeu no comando governista, que fez as contas e concluiu: há mesmo um sério risco de a CPMF ser derrubada.
Na ponta do lápis, para ser aprovado o projeto na CCJ, bastaria a maioria dos 22 senadores. Mas oposição e governo estão literalmente empatados. Onze já se declararam contrários à CPMF, sendo três deles de partidos governistas - Mozarildo Cavalcanti (PTB-RR), e os peemedebistas Jarbas Vasconcelos (PE) e Mão Santa (PI). Um votinho a mais e o projeto cai ali mesmo. Por exemplo, se o senador Pedro Simon (PMDB-RS), que não morre de amores pelo governo, votar contra.
Se passar dali ao plenário, o Palácio precisará de 49 votos. Teoricamente, os partidos governistas somam 53 integrantes. Mas sem os três que já votarão contra na CCJ, podem contar com apenas 50 votos. Com duas defecções neste caso, a CPMF cairá por terra. A oposição garante que já conta com pelo menos meia dúzia de votos entre os senadores dos partidos aliados ao Palácio, além dos três da CCJ.
A rebeldia força o governo a negociar caso a caso, o que significa liberar emendas parlamentares ao Orçamento e cargos na máquina pública.
- A negociação individual é inevitável, mas é muito perigoso entrar nesse varejo. Pode expor o governo e o Senado - disse o senador Renato Casagrande (ES), líder do PSB .
Para não ficar só nas mãos dos senadores dos partidos da coalizão, o governo tenta convencer o PSDB a retornar à mesa de negociação. Como a maioria da bancada tucana no Senado decidiu votar contra a PEC, o governo passou a centrar os esforços nas conversas com os governadores do partido para que estes, preocupados com a possibilidade de o governo federal reduzir os investimentos nos Estados, convençam os correligionários a aprovar a prorrogação da CPMF. Os senadores tucanos, no entanto, dizem que não aceitam voltar atrás.
- Não tem nenhum cordeiro aqui. Isso desmoraliza os senadores. Não sou ioiô - declarou o líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio (AM), que tentará aprovar na reunião da executiva do partido, na semana que vem, moção para fechar questão contra a PEC. - Agora é se acostumar à idéia de bater chapa. Acho difícil a CPMF passar. Acho que o governo terá dificuldades enormes para obter o número de votos necessário. Será um Fla-Flu dos bons tempos.
O líder do DEM no Senado, José Agripino (RN), também acredita que o projeto será derrubado. O Democratas já decidiu que votará contra a proposta. O programa do partido prega a redução da carga tributária:
- Acho que a CPMF não passa, mas isso é igual a uma nuvem. Agora está assim, mas daqui a 15 minutos pode estar assado.
Fonte: JB Online
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