A recusa do governador do Rio, Sérgio Cabral Filho, em receber o relator especial das Nações Unidas para execuções sumárias, arbitrárias e extrajudiciais, Philip Alston, terminou em troca de acusações entre os dois. Ontem de manhã, Alston revelou aos jornalistas que Cabral não o receberia.
O governador respondeu que não houve contato oficial para o encontro. "As autoridades federais vão informar que nós fizemos um pedido oficial para um encontro com o governador e a resposta foi que o governador não estaria disponível", declarou Alston no final da tarde.
O relator acrescentou que não pedirá novamente um encontro, pois o pedido oficial "ainda é válido". "Se o governador quiser me encontrar, ficarei muito feliz de encontrá-lo", declarou após um encontro de três horas com a cúpula da Segurança Pública.
"Será o primeiro governador que não se encontra com um relator da ONU (Organização das Nações Unidas) que vem ao Rio. Esta é mais uma prova do descaso de Cabral com os direitos humanos. Como se pouco importasse a fiscalização da ONU sobre o tema da segurança pública, que é o principal debate do País. É uma temeridade, um desrespeito ao Estado democrático", disse o deputado estadual Marcelo Freixo (PSOL), integrante da Comissão de Direitos Humanos da Alerj.
O único compromisso oficial da agenda do governador ontem era o lançamento do plano estratégico do Rio, no Palácio Guanabara, pela manhã. À tarde, ele participou da reunião do Conselho Nacional de Política Energética, do qual não faz parte, para encontrar com o presidente Lula.
Hoje, Sérgio Cabral assinará uma medida que dispensa policiais, bombeiros e agentes penitenciários de pagar pela renovação da carteira de habilitação e participa de um leilão de arte.
Embaraço
O clima do encontro entre Alston e a cúpula da Segurança Pública foi de constrangimento. A maioria das autoridades interpretam que a vinda do relator foi provocada por ONGs, que são as mais ativas opositoras da política de segurança pública do Rio.
"A vinda dele foi provocada pelas ONGs e acreditamos que a visão dele esteja comprometida desde o início", disse um integrante do alto escalão da Segurança Pública. "Queria muitas informações e recebi várias respostas do secretário de Segurança, dos comandantes da Polícia Militar e dos delegados da Polícia Civil. Foi uma ótima ajuda", despistou Alston após o encontro.
Pela manhã, após ouvir críticas à política de Segurança Pública de deputados estaduais da Comissão de Direitos Humanos. O contraponto ficou a cargo do deputado Flávio Bolsonaro (PP), que convidou o relator da ONU para participar de uma operação policial "para ver como a polícia é recebida em áreas de risco".
No final do dia, o relator da ONU se encontrou com o procurador-geral de Justiça do Rio, Marfan Vieira, e esteve na Defensoria Pública. Hoje, ele dedica o dia a encontros com autoridades do sistema penitenciário e visitará um presídio.
Fonte: Tribuna da Imprensa
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