Por: Carlos Chagas
BRASÍLIA - Por conta de o Tribunal Superior Eleitoral ter proibido o troca-troca de partidos, sob pena de perda de mandato, ficou um pouco mais linear a especulação referente à sucessão presidencial de 2010.
Transformou-se o PSDB num gargalo de bebidas finas, das quais só uma chegará ao cálice, impossibilitadas outras de buscar novos copos. Traduzindo: Aécio Neves não poderá mais refugiar-se no PMDB diante da evidência de que José Serra será o candidato.
Por certo estará o governador de Minas livre para disputar a indicação com o governador de São Paulo, mas sabendo que vai perder. Disporá da condição de tornar-se companheiro de chapa, como candidato a vice-presidente. Mesmo com a iminente designação do pernambucano Sérgio Guerra para presidente do partido, e do paranaense Gustavo Fruet para secretário-geral, o PSDB continuará paulista por excelência, concluindo-se que, sem inusitados, o candidato está posto.
Já no PMDB, que esperava por Aécio, instalou-se o nevoeiro. Continuará o maior partido nacional sem candidato, condenado a apresentar derrotados, como foi no caso de Ulysses Guimarães e Orestes Quércia, ou aceitará manter-se a reboque do Planalto, apoiando quem Lula apoiar? Claro que nomes para fazer figuração existem, de Nelson Jobim a Roberto Requião e Sérgio Cabral, mas, com todo o respeito, quem compraria deles um carro usado? Entre os Democratas, sobra vontade mas faltam nomes. César Maia? José Roberto Arruda? Marco Maciel?
Só por milagre. Melhor para eles continuarem sendo oposição.
Ciro Gomes parece candidato forte, em termos pessoais, mas sem blindagem partidária fica muito difícil. O PSB só continua existindo porque mandaram a cláusula de barreira para o espaço. Poderia o ex-ministro e ex-governador tornar-se o preferido do presidente Lula, a ser lançado por ele. Poderia, não fosse o PT, que jamais o consagrará, deixando ao chefe do governo a responsabilidade de dividir o próprio partido.
Já os companheiros sabem não dispor de candidatos palatáveis pelo eleitorado, com Marta Suplicy numa estranha pole-position de 2% de preferências e Dilma Rousseff, Tarso Genro, Jacques Wagner e Patrus Ananias ainda piores. Heloísa Helena será lançada pelo Psol, como aventura, ou preferirá disputar uma cadeira no Senado, por Alagoas, voltando à casa da qual jamais deveria ter saído? Por lembrar Alagoas, terá sido o sonho de voltar ao Planalto a ida de Fernando Collor para o PTB? Só que sonhos, em política, viram pesadelos.
Em suma, as águas começam a separar-se e o fluxo deixa a desejar. A menos, é claro, que as corredeiras e até a catarata apareçam na curva do caminho, porque o barulho das quedas começa a ser detectado a distância. O precipício pode estar logo ali. O terceiro mandato para Lula satisfaria a todos, menos às instituições democráticas e aos tucanos, é claro. Ficariam o PMDB, o PSB, os penduricalhos e, especialmente, o PT exatamente onde estão, ou seja, gozando as delícias do poder. Depois, vão dizer que ninguém avisou...
Sou, mas quem não é?...
Anos atrás brilhava nas telinhas um personagem de Chico Anísio que anda fazendo falta, em especial quando se nota que aquele humor irônico e sadio foi substituído por baixarias pornográficas. O personagem era um malandro olímpico, vivia à custa de uma mulher rica e feia, que ele enganava e chamava de "biscoito".
Todos os quadros terminavam com ele voltado para as câmeras, indagando: "Eu sou, mas quem não é?" Valeria o mesmo para uma das acusações feitas ao senador Renan Calheiros, de controlar duas emissoras de rádio através de "laranjas". Dos 81 senadores, quantos controlam emissoras de rádio, televisão e jornais?
Sobrariam poucos sem esse domínio, importando menos se dizem tratar-se de patrimônio familiar, concessões das quais "abriram mão" ou de intrigas da oposição. Na verdade, se é que Renan detém mesmo esse poder sobre duas rádios, teria todo direito de indagar de onde virá a primeira pedra.
Dirão alguns ser apenas ele que está sendo julgado, mas quantos minutos demorariam incluir na sua defesa a relação dos colegas incursos na mesma situação, precisamente os que irão julgá-lo por quebra de decoro? Um memorável fecho de seu arrazoado seria: "Sou, mas quem não é?"...
Fonte: Tribuna da Imprensa
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