sexta-feira, janeiro 16, 2026

Esquerda ironiza transferência de Bolsonaro e explora simbolismo da Papuda

 

Esquerda ironiza transferência de Bolsonaro e explora simbolismo da Papuda

Por Laura Intrieri / Folhapress

16/01/2026 às 06:45

Foto: Valter Campanato / Agência Brasil

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Parlamentares e líderes da esquerda usaram as redes sociais nesta quinta-feira (15) para explorar o peso simbólico da transferência do ex-presidente Jair Bolsonaro para o 19º Batalhão da Polícia Militar, área conhecida como Papudinha, junto ao Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília.

A Papuda já abrigou autoridades, líderes de facções criminosas e políticos envolvidos nos escândalos do mensalão e da Lava Jato.

O local preparado para Bolsonaro na Papudinha tem 64,83 metros quadrados, com quarto, cozinha, banheiro e área externa. Ele teve visitas ampliadas e poderá receber assistência médica permanente.

O deputado federal Orlando Silva (PC do B-SP) escreveu em letras maiúsculas: "URGENTE! BOLSONARO NA PAPUDA AGORA É FATO!". Em seguida, afirmou que, com a decisão do STF, "já pode dizer BOLSONARO NA PAPUDA sem medo de errar". Ele classificou a cela como "um luxo para o que ele sempre defendeu aos presos" e disse que se trata de "um privilégio que outros presos, inclusive do 8 de Janeiro, não dispõem".

O deputado federal Ivan Valente (PSOL-SP) também adotou o mote com o nome do complexo penitenciário e transcreveu o trecho de uma notícia que descrevia a possibilidade de assistência integral de médicos particulares sem necessidade de comunicação prévia cedida a Bolsonaro.

Também deputado federal, Paulo Pimenta (PT-RS) igualmente recorreu à expressão "Bolsonaro na Papuda" ao comentar a decisão e afirmou que a medida simboliza o enfrentamento à impunidade.

"Quem atentou contra a democracia merece ser tratado com todo o rigor da lei", declarou.

Líder do PT na Câmara, Lindbergh Farias (PT-RJ) disse que a decisão confirma uma solução defendida por seu grupo político. Ele afirmou que o despacho "desmonta a campanha sistemática e mentirosa de 'tortura'" e declarou que não há violação de direitos, mas "cumprimento da lei, com respeito à dignidade humana".

Ministro do governo Lula, Guilherme Boulos (PSOL) publicou a frase "aqui se faz, aqui se paga" e divulgou um vídeo gravado em 2017, no qual Bolsonaro, então deputado federal, ironiza adversários políticos ao comentar investigações da Operação Lava Jato e afirma que "a Papuda espera" quem comete crimes.

A declaração feita naquele contexto era uma provocação a parlamentares da esquerda e voltou a circular nas redes de forma irônica após a decisão do STF. O PSOL replicou o mesmo vídeo em suas redes sociais.
A deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) criticou as queixas da família do ex-presidente sobre a carceragem da PF e afirmou que a Papudinha ainda seria "muito" para Bolsonaro.

"Por mim, Bolsonaro deveria viver as suas famosas palavras: 'Bandido tem que apodrecer na cadeia'", escreveu.

Ao decidir transferir Bolsonaro da Superintendência da Polícia Federal para a Papudinha, o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes afirmou que o cumprimento da pena "não é uma 'estadia hoteleira' ou uma 'colônia de férias'".

Segundo o despacho, o espaço permite banho de sol e exercícios físicos a qualquer horário, com possibilidade de instalação de equipamentos como esteira e bicicleta. A decisão também destaca a manutenção de itens já existentes na prisão anterior, como cama de casal, TV e água quente.

A Papuda já recebeu políticos e personagens centrais de grandes escândalos criminais do país. Passaram pelo complexo o ex-ministro Geddel Vieira Lima, o ex-deputado Mário Junqueira e o ex-senador e empresário Luiz Estevão, que foram alvo de denúncias por regalias na prisão.

Também estiveram no local o operador do mensalão Marcos Valério, o ex-deputado Natan Donadon, primeiro parlamentar em exercício preso pelo STF após a redemocratização, e Valdemar Costa Neto, presidente do partido de Bolsonaro condenado por corrupção passiva e lavagem de dinheiro.

O presídio abrigou ainda os petistas José Dirceu, José Genoino e Delúbio Soares, detidos após o julgamento do mensalão.

Entre outros presos conhecidos, passaram pela Papuda Carlinhos Cachoeira, Cesare Battisti, o doleiro Lúcio Funaro e o chefe do PCC (Primeiro Comando da Capital) Marcola, que permaneceu poucos dias no local em 2001.

Politica Livre

STF determina custódia especial para Bolsonaro no complexo da Papuda



Campanha de Lula reedita “nós contra eles” e evita o campo minado da segurança


Carro-chefe da camapnha terá o mote do combate aos privilégios

Vera Rosa
Guilherme Caetano
Estadão

A campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao quarto mandato terá como carro-chefe o mote do combate aos privilégios em nova versão do “nós contra eles”. Embora pesquisas indiquem que a maior preocupação dos eleitores está na segurança pública, trata-se de um campo minado para o governo.

Os adversários de Lula, porém, farão tudo para jogá-lo nesse terreno. Certos de que a estratégia da oposição será por aí, ministros já preparam argumentos para enfrentar o debate da segurança e dirigentes do PT levantam problemas do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), e do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) nesta seara.

BOLHA BOLSONARISTA – Flávio é o nome anunciado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), condenado pela trama golpista e hoje preso, para disputar a eleição ao Palácio do Planalto. A cúpula do Centrão, no entanto, avalia que a candidatura de Flávio não vai além da bolha bolsonarista e alimenta a esperança de que Tarcísio possa assumir esse lugar.

A saída do ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, esquentou as discussões a respeito da criação de um ministério exclusivo para a segurança pública. Com ou sem essa pasta, porém, o fato é que o governo vem perdendo para a direita a batalha da comunicação sobre o combate à criminalidade. Além disso, a PEC da Segurança enviada na gestão Lewandowski está empacada no Congresso e o projeto de lei antifacção foi desfigurado.

O pacote “povo x privilégios” que Lula pretende vender na campanha, por sua vez, é visto no Planalto como um tema com potencial de atrair trabalhadores que flertam com o bolsonarismo. A lista inclui propostas como mudanças na jornada de trabalho de seis dias com apenas um de folga, isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil e taxação dos super-ricos.

RESISTÊNCIA  – O problema é que, enquanto três propostas sobre o fim da escala 6×1 tramitam no Congresso, há muita resistência do setor empresarial para a aprovação de um projeto assim, e isso se reflete tanto na Câmara como no Senado.

A ministra da Secretaria de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, tenta construir um acordo para a votação. “Melhorar a vida de quem trabalha, com o fim da escala 6×1, é a próxima meta do governo do presidente Lula, que reduziu o desemprego ao menor índice da história, aumentou o salário e a renda das famílias e isentou do Imposto de Renda quem ganha até R$ 5 mil”, disse Gleisi à Coluna.

PARECER – O governo não gostou do parecer do deputado Luiz Gastão (PSD-CE), relator da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) sobre o fim da escala 6×1 apresentada pela deputada Erika Hilton (PSOL-SP). O relatório de Gastão desagradou ao Planalto porque, apesar de reduzir a jornada semanal de 44 para 40 horas, mantém a escala de seis dias de trabalho com um de folga.

Articuladora política do Planalto com o Congresso, Gleisi corre contra o tempo nas negociações. Além de “tourear” a oposição ao projeto, a ministra precisa andar rápido porque deixará o governo até o início de abril para se candidatar a novo mandato como deputada federal pelo Paraná. Até agora, no entanto, Lula não escolheu quem irá substituí-la.


Emendas, gabinetes e INSS: graves investigações pressionam o Congresso



MP recomenda que Socorro rescinda contrato funerário com cemitério privado


O pedido decorre da apuração de indícios de irregularidades administrativas, incluindo possível conflito de interesses

O órgão também apontou que o contrato foi celebrado antes da conclusão de relatórios ambientais (Foto: reprodução/ Google Maps)

O Ministério Público de Sergipe (MPSE)  expediu uma recomendação orientando que o município de Nossa Senhora de Socorro rescinda o contrato de serviços funerários firmado com um cemitério privado diante de irregularidades. A informação foi divulgada nesta quinta-feira, 15.

Segundo o órgão, a Recomendação Ministerial nº 08/2025 foi expedida pela 2ª Promotoria de Justiça Especial Cível e Criminal de Nossa Senhora do Socorro. O pedido decorre da apuração de indícios de irregularidades administrativas, incluindo possível conflito de interesses, ausência de estudos técnicos conclusivos e questionamentos quanto à vantajosidade econômica da contratação, cujo valor global ultrapassa R$ 5 milhões.

Entre os pontos destacados pelo MPSE, está o fato de que o sócio majoritário da empresa contratada é irmão do atual Secretário Municipal de Infraestrutura e Urbanismo, que, anteriormente, integrou o quadro societário do grupo empresarial, circunstância que pode configurar violação às normas que regem a administração pública e à legislação sobre conflito de interesses.

O órgão também apontou que o contrato foi celebrado antes da conclusão de relatórios ambientais que deveriam ser realizados pela Secretaria Municipal de Meio Ambiente, os quais seriam essenciais para avaliar a real necessidade da contratação. 

Além disso, não houve comprovação da execução de obras de adequação e ampliação dos cemitérios municipais, apesar da existência de contrato específico para esse fim, nem a apresentação de ato formal de interdição ou suspensão dos cemitérios, mesmo diante de graves irregularidades sanitárias e estruturais identificadas.

Recomendações

Diante da situação, o Ministério Público recomendou a rescisão unilateral do Contrato nº 201/2025, com fundamento na Lei nº 14.133/2021 (Nova Lei de Licitações); a apresentação de relatório circunstanciado sobre as intervenções realizadas nos cemitérios municipais; a juntada do ato formal de suspensão ou interdição dos cemitérios; e o encaminhamento de documentos que comprovem o cumprimento das recomendações constantes em parecer jurídico prévio à assinatura do contrato.

A recomendação também foi direcionada à Controladoria-Geral do Município, para que intensifique o controle de contratos firmados por dispensa ou inexigibilidade de licitação, especialmente aqueles com valores elevados, e à Câmara Municipal de Nossa Senhora do Socorro, para o exercício do controle externo, com o apoio do Tribunal de Contas do Estado de Sergipe.

O Município tem o prazo de 30 dias para informar ao MPSE o acatamento das medidas recomendadas, sob pena de adoção das providências administrativas e judiciais cabíveis.

O que diz a prefeitura

A Prefeitura Municipal de Nossa Senhora do Socorro disse, por meio de nota, que respondeu, na última quarta-feira, 14, à Recomendação Ministerial nº 08/2025, expedida pelo Ministério Público de Sergipe, informando da impossibilidade de acatar a recomendação de rescisão do Contrato nº 201/2025, sob pena de causar dano irreparável à saúde pública e à dignidade da população socorrense. Segundo o Município, o contrato é lícito e de interesse público, já que todos os sete cemitérios públicos municipais operavam sem licença ambiental e em condições sanitárias críticas.

Ainda conforme a Prefeitura, a contratação emergencial, portanto, não visou a comodidade administrativa, mas o estrito cumprimento do dever estatal de garantir sepultamento digno e ambientalmente seguro, inexistindo outra alternativa lícita imediata senão a busca pela iniciativa privada regularizada.

A administração municipal acrescenta que a inexigibilidade de licitação fundamentou-se na inviabilidade de competição, dada a exclusividade fática do prestador, conforme parecer emanado da Procuradoria Geral do Município, que também identificou que a empresa contratada é o único empreendimento privado no território do Município com licenciamento ambiental válido, estrutura de crematório e capacidade imediata para absorver a demanda.

Por fim, a Prefeitura afirmou que permanece à disposição dos órgãos de controle e da sociedade para quaisquer esclarecimentos adicionais.

*Com informações do MPSE

A matéria foi atualizada para acréscimo de nota enviada pela Prefeitura de N. Sra. do Socorro.

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