sexta-feira, janeiro 09, 2026

Comissão de Ética da Presidência abre processo contra Augusto Heleno

 

Comissão de Ética da Presidência abre processo contra Augusto Heleno

Apuração mira declarações do ex-ministro sobre infiltrar agentes da Abin em campanhas na eleição de 2022

Por Ana Pompeu/Folhapress

09/01/2026 às 19:45

Atualizado em 09/01/2026 às 22:54

Foto: Lula Marques/Agência Brasil/Aquivo

Imagem de Comissão de Ética da Presidência abre processo contra Augusto Heleno

O ex-ministro Augusto Heleno

A Comissão de Ética Pública da Presidência da República instaurou um processo de apuração contra o ex-ministro Augusto Heleno sobre declarações do ex-chefe do GSI (Gabinete de Segurança Institucional) em reunião com o então presidente Jair Bolsonaro (PL) em 5 de julho de 2022 sobre fraude nas urnas eletrônicas.

O militar teria indicado a infiltração de agentes da Abin (Agência Brasileira de Inteligência) nas campanhas eleitorais, tendo sido interrompido por Bolsonaro no sentido de que o assunto fosse tratado posteriormente, a sós.

O colegiado informou o ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal) da decisão nesta sexta-feira (9). A reunião ministerial foi gravada e integra investigação da Polícia Federal sobre atos golpistas.

O presidente da comissão, Bruno Espiñera Lemos, pede autorização ao relator do caso no STF para a entrega, em mãos, da notificação a Heleno para que o militar faça a sua defesa no processo.

A deliberação da Comissão de Ética ocorreu em 15 de dezembro de 2025. A decisão acompanhando o voto foi unânime.

"A manifestação do interessado na reunião em análise demonstra desconsideração para com os valores insculpidos na transcrita norma ética", disse o relator, Manoel Caetano Ferreira Filho.

O conselheiro votou pela instauração do processo de apuração ética.

"Aparentemente, trata-se de possível desvio de finalidade, voltado a reforçar a retórica de fraudes nos processos eleitorais, contrariando o resultado da vontade popular nas urnas. À época, a Abin integrava a própria estrutura organizacional do GSI, chefiado pelo interessado", afirmou.

Ocorrida em um contexto de forte ofensiva de Bolsonaro contra a lisura das urnas eletrônicas, a reunião da cúpula do governo contou com a presença, entre outros, do então chefe do GSI, do então ministro da Justiça, Anderson Torres, e do então ministro da Defesa, Paulo Sergio Nogueira.

Na ocasião, após Bolsonaro levantar a suspeita de que ministros do STF e TSE estivessem ganhando propina para fraudar as eleições, a palavra é dada a Augusto Heleno.

Heleno, segundo a transcrição, afirma: "Não vai ter revisão do VAR. Então, o que tiver que ser feito tem que ser feito antes das eleições. Se tiver que dar soco na mesa é antes das eleições. Se tiver que virar a mesa é antes das eleições."

O então chefe do GSI conclui: "E vai chegar a um ponto que nós não vamos poder mais falar. Nós vamos ter que agir. Agir contra determinadas instituições e contra determinadas pessoas. Isso para mim é muito claro".

Heleno está em prisão domiciliar desde 22 de dezembro. O general foi condenado a 21 anos de prisão pela corte por tentativa de golpe de Estado.

"A adoção de prisão domiciliar humanitária mostra‑se razoável, adequada e proporcional, sobretudo porque, além dos graves problemas de saúde e da idade avançada, não há, e jamais houve até o presente momento, qualquer risco de fuga causado pelo comportamento do apenado", diz Moraes na decisão que concedeu o pedido da defesa.

A decisão ocorreu após perícia confirmar o diagnóstico de Alzheimer e demência vascular do militar.

Desde então, Heleno deve usar tornozeleira eletrônica e precisou entregar seu passaporte. Além disso, Moraes proibiu visitas, com exceção de seus advogados e de sua equipe médica e pessoas previamente autorizadas pelo STF. O ex-ministro também está proibido de qualquer comunicação por telefone, celular ou redes sociais.

A defesa de Heleno afirmou em nota que "a decisão representa o reconhecimento da necessidade de observância dos direitos fundamentais, especialmente o direito à saúde e à dignidade da pessoa humana".

"Desde o início, a defesa demonstrou a incompatibilidade da prisão em ambiente carcerário", prosseguiu.

Heleno foi condenado por tentativa de golpe de Estado, organização criminosa armada, tentativa de abolição do Estado democrático de Direito, dano qualificado ao patrimônio público e deterioração do patrimônio tombado. Ele foi acusado de ser um dos responsáveis pela construção da narrativa de Bolsonaro contra as urnas eletrônicas.

A denúncia diz que o general, em conjunto com o ex-diretor da Abin (Agência Brasileira de Inteligência) Alexandre Ramagem, preparou o discurso de Bolsonaro e anuiu com espionagens ilegais favoráveis ao ex-presidente. A defesa do general negou todas as acusações.

Politica Livre

Como o Banco Master usou empresas de fachada e fundos para lavar bilhões



Veto à Lei da Dosimetria pode levar STF a novo confronto com o Congresso


Projeto da dosimetria deve ser questionado no STF

Mariana Muniz
O Globo

Com a mobilização do Congresso para derrubar o veto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao projeto da dosimetria, ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) avaliam que o tema será questionado e apreciado pela Corte.

Se o veto for derrubado, o texto será promulgado e beneficiará o ex-presidente Jair Bolsonaro e outros condenados pela trama golpista e os ataques do 8 de janeiro de 2023. Magistrados ouvidos pelo O Globo afirmam que, se isso ocorrer, o STF será provocado a se pronunciar sobre a legalidade da iniciativa.

ATRIBUIÇÃO – Em dezembro, porém, quando a proposta foi aprovada, uma ala de ministros da Corte avaliava que não caberia ao tribunal impor obstáculos ao texto aprovado, tendo em vista que esta é uma das atribuições do Congresso.

Parte do texto também teve o aval de integrantes do tribunal e foi elaborado pelos parlamentares. O projeto vetado por Lula altera os critérios utilizados pelo Judiciário para o cálculo das penas aplicadas.

Parlamentares da oposição e parte do Centrão já articulam o movimento contrário à decisão do presidente, anunciada nesta quinta-feira durante solenidade que marcou os três anos do 8 de janeiro. Em anos recentes, o tribunal se debruçou sobre a validade ou não de vetos presidenciais em algumas ocasiões.

Em 2023, Lula vetou parte da lei aprovada pelo Congresso que validava a tese do Marco Temporal das terras indígenas, declarada inconstitucional pelo Supremo no mesmo ano. Contudo, os parlamentares derrubaram o veto de Lula e partidos governistas acionaram a Corte pedindo a derrubada da tese — que acabou sendo declarada inconstitucional novamente em julgamento concluído no final de 2025.

ZONA FRANCA – Ainda em 2022, durante o governo Bolsonaro, o plenário decidiu, por exemplo, derrubar o veto do então presidente contra a proibição de empresas da Zona Franca de Manaus importarem petróleo e derivados com isenção de PIS e Cofins. Antes, em 2020, a Corte considerou inválido um veto de Bolsonaro que desobrigava o uso de máscaras em presídios durante a pandemia de covid-19.

Um dos principais pontos do texto vetado nesta quinta-feira por Lula muda a forma de somar as penas quando um réu é condenado por mais de um crime cometido no mesmo contexto, ao proibir a chamada soma material das condenações.

Na prática, quando crimes como tentativa de abolição do Estado Democrático de Direito e golpe de Estado fossem praticados conjuntamente, passa a valer apenas a pena mais grave, e não a soma das duas condenações, como ocorre hoje.

FLEXIBILIZAÇÃO – Além disso, o projeto flexibiliza as regras para progressão de regime nos crimes contra o Estado Democrático de Direito. O texto prevê a aplicação do menor tempo possível de prisão para a mudança de regime, sem levar em conta fatores como reincidência, uso de violência ou grave ameaça.

Dessa forma, condenados que apresentassem bom comportamento poderiam progredir para o regime semiaberto ou aberto após o cumprimento de ao menos 16,6% da pena. Atualmente, esse percentual é de 16%, mas a legislação em vigor prevê critérios mais rígidos para crimes dessa natureza, especialmente quando envolvem violência ou ataques às instituições.

Comunicador comunista é aposta do PSOL para eleger um deputado no Nordeste



NOTA OFICIAL ABIT - Acordo Mercosul-União Europeia

 

NOTA OFICIAL ABIT - Acordo Mercosul-União Europeia
 

A Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (ABIT) manifesta sua satisfação pela recente aprovação, pelos países membros da União Europeia, do Acordo de Parceria entre o Mercosul e a União Europeia, abrindo caminho para a sua assinatura e posterior ratificação. Esse importante passo representa um marco nas relações bilaterais entre dois grandes espaços econômicos do mundo, após mais de duas décadas de negociações.
 

A decisão de seguir para a assinatura do acordo demonstra a confiança na cooperação internacional e no comércio como vetores de desenvolvimento, especialmente em um contexto global marcado por forças protecionistas e polarizações econômicas. A iniciativa reforça a visão de que estruturas de parceria baseada em regras claras e multissetoriais são preferíveis à confrontação e ao isolamento econômico.
 

Para o setor têxtil e de confecção brasileiro, esse acordo traz múltiplas oportunidades:
 

1. Expansão do comércio de bens manufaturados e têxteis com países que possuem práticas justas de comércio;

2. Aumento de investimentos e cooperação tecnológica;

3. Cooperação na área de sustentabilidade. Maior proximidade do bloco europeu nas discussões sobre regulamentos voltados para o setor têxtil e de confecção que vem avançando;

4. Diálogo cultural e fortalecimento de setores criativos;

5. Qualificação e desenvolvimento de pessoas.
 

Esse acordo também tem implicações estratégicas para diversificação de parcerias e redução de vulnerabilidades frente a choques externos. Ao integrar cadeias de valor entre América do Sul e Europa, o Mercado Comum do Sul e a União Europeia avançam em direção a um modelo de comércio baseado em maiores sinergias e intercâmbio de longo prazo.
 

A ABIT celebra essa evolução no relacionamento multilateral e reafirma seu compromisso com iniciativas que promovam crescimento econômico, geração de emprego, modernização da indústria e integração produtiva global.
 

PARTICIPAÇÃO DA ABIT NAS NEGOCIAÇÕES
 

A Abit, com o apoio do Programa Texbrasil, parceria estratégica da entidade com a Apex-Brasil (Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos), participou ativamente de todo o processo de negociações, representando e defendendo os interesses do setor.
 

Por meio deste trabalho, o setor têxtil e de confecção firmou um entendimento com sua contraparte europeia, a Euratex (European Apparel and Textile Confederation), sobre regras de origem e desgravação de tarifas que foi entregue aos governos como proposta do setor privado para o acordo, uma iniciativa inédita que muito contribuiu para o acordo e que, ao mesmo tempo, buscou preservar as características e necessidades das empresas brasileiras.
 

Segundo entendimento mantido entre privados do Mercosul e da União Europeia, o cronograma de desgravação foi definido por produto, e os artigos têxteis e confeccionados estão em várias categorias que levarão até oito anos para serem desgravadas, contados a partir do início da vigência do acordo. Cada produto, além do cronograma de desgravação de tarifas, terá sua própria regra de origem que deverá ser observada para obtenção do respectivo benefício de redução tarifária.
 

RELAÇÃO BILATERAL BRASIL-UNIÃO EUROPEIA - SETOR TÊXTIL E DE CONFECÇÃO

  • US$ 66 milhões exportados pelo Brasil em 2025

Destacam-se: fios de seda, vestuário e nãotecidos (tecidos de uso técnico)

Principais países de destino: França, Portugal e Holanda

 

  • + US$14,6 milhões exportados de fibra de algodão

 

  • US$ 333 milhões importados pelo Brasil em 2025

Especialmente: vestuário, tecidos técnicos, nãotecidos e filamentos de poliamida

 

  • O bloco europeu é a 2ª principal origem das importações de máquinas para indústria têxtil e de confecção. US$187 milhões importados em 2024

 

COMÉRCIO DA UNIÃO EUROPEIA DE TÊXTEIS E CONFECCIONADOS

  • Em 2023, a UE importou 115 bilhões de euros em têxteis e confeccionados;
  • China, Bangladesh e Turquia são as principais origens;
  • Em 2023, a UE exportou 64 bi de euros em têxteis e confeccionados;
  • Suíça, Reino Unido e Estados Unidos são os principais destinos.

Segundo a Euratex, o acordo entre Mercosul e União Europeia que poderá impulsionar a competitividade industrial da Europa, a diversificação do comércio e o crescimento sustentável. Para a indústria têxtil e de vestuário europeia, os benefícios já são visíveis. Nos primeiros sete meses de 2025, as exportações da UE de têxteis e vestuário para o Mercosul atingiram 299,5 milhões de euros, um aumento de 4,4% em comparação com o mesmo período de 2024. As exportações de vestuário registaram um crescimento de 9,2%, enquanto as exportações de têxteis cresceram 2%.
 

Estes números destacam o potencial desta parceria para expandir as exportações, reforçar a cooperação e construir cadeias de abastecimento mais resilientes e sustentáveis ​​— especialmente para as pequenas e médias empresas focadas na qualidade, inovação e sustentabilidade.

(Fonte: Euratex)



Em destaque

Escândalo no TJBA: Servidores do TJBA são investigados por usar contrato público para reformar academia de luxo

  Dois coordenadores do Tribunal de Justiça da Bahia foram afastados cautelarmente após denúncias de desvio de verbas e assédio moral  |    ...

Mais visitadas